A nova estrela da Asus Como se diz Asus? Asus, com um “a” aberto? Êisus, com o “a” em inglês e o “s” quase “z”? Ássus, com o “a” acentuado e o “s” carregado, como se fosse uma cedilha? Éissus, com o “a” em inglês e o “s” duplo? Dúvida cruel! Parece que cada pessoa pronuncia esta palavra de forma diferente, mas é bom a gente entrar num acordo rápido, porque, do jeito que as coisas vão, vamos falar em Asus cada vez mais: a simpática empresa de Taiwan, que durante anos foi referência em placas e notebooks, faz hoje alguns dos melhores smartphones do mercado, e eles estão dando muito assunto para conversa. Reza a lenda que Asus vem de Pegasus, o cavalo alado da mitologia. A pronúncia correta seria, portanto, “asus”, com a tônica no “a”, o que se confirma quando se ouve Marcel Campos, diretor de marketing da empresa. Em relação à marca dos smartphones da casa, contudo, não há dúvidas, já que a palavra Zenfone não dá margens a muitas variações; a única coisa que muda, por enquanto, é o algarismo que os diferencia. Depois do Zenfone 5, que fez um sucesso inesperado no país, com meio milhão de unidades vendidas apenas nos seis primeiros meses, e do seu irmão mais parrudo Zenfone 6, chega às lojas dentro de alguns dias o Zenfone 2, um aparelho notável sob todos os aspectos, a começar pela boa relação custo x benefício. As suas especificações técnicas impressionam. Ele é o primeiro smartphone com 4GB de RAM, usa chipset de 64 bits da Intel e uma boa bateria de 3.000 mAh, tem tela de 5,5″ com resolução Full HD, câmera traseira de 13 MP e frontal de 5 MP, é dual SIM e tem espaço para cartão de expansão de memória até 64GB. Tudo isso é muito bom e muito interessante, mas o que se nota de cara no Zenfone 2 é o seu tamanho e a sua beleza. Ele segue o padrão de celulares grandes tão em moda, e se destaca pelo design — bastante parecido, aliás, com o adotado pelos smartphones da LG, com botão de volume traseiro e laterais lisas. As costas lembram metal escovado e podem vir em várias cores; os modelos grafite e champagne são particularmente bonitos. Todos os smartphones da Asus vêm com uma interface de que eu gosto muito, ainda que prefira o Android puro. A Zen UI, porém, é elegante, prática e permite um tal grau de personalização que é difícil não se empolgar com ela: é possível mudar tudo, de temas e ícones a efeitos de rolagem, passando pela temperatura da cor da tela e estilo e tamanho das fontes. São horas de distração garantida, e a certeza de nunca enjoar da cara do aparelho. De todas as interfaces proprietárias, a Zen UI é disparado a minha favorita. A câmera é outro ponto forte do Zenfone 2. Ele faz ótimas fotos, até em más condições de luz, e tem um software competente e bem pensado, que oferece diversas opções de controle ao usuário. Além de modos automático e manual, há um menu de cenas simplíssimo de usar. Os dois pontos negativos que posso apontar no aparelho são o peso e a falta de iluminação nos comandos frontais. A Asus deve anunciar o preço da sua nova estrela na quinta-feira, em São Paulo, mas informações que vazaram do seu site na semana passada revelam algo em torno dos R$ 1,7 mil. É dinheiro, mas é bem razoável para um topo de linha com tantas qualidades. (O Globo, Sociedade, 18.8.2015)

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Dos comentários Irene Schmidt: “Realmente houve demonstrações de intolerância nojentas, e os raríssimos cartazes grotescos e alguns absurdos proferidos do alto dos carros de som me fizeram sentir vergonha de estar ali. Percebi que subiu o tom, e a raiva estava mais presente. Menos música e muito falatório, pessoas com o ego inflado gritando ao microfone coisas que estamos todos cansados de saber, todas ao mesmo tempo, numa cacofonia histérica. Se manifestação é um espetáculo (e é), a direção artística foi péssima. Mas não me arrependo de ter ido. Coloco esse acirramento dos ânimos na conta do PT, cuja arrogância conseguiu manipular os mais fracos e desavisados. A extrema direita perdeu a vergonha de desnudar em público seus piores defeitos, na suposição errônea de que tem o apoio da maioria da população. Confundem indignação justa com licença para perder os freios civilizatórios, e são tão detestáveis, arrogantes e injustos quanto seus irmãos gêmeos da estrema esquerda. Se não mantivermos a calma e o sangue frio, o PT ainda vai conseguir posar de vítima nessa história toda, pela simples repulsa que muitas pessoas estão sentindo dessa rara mas marcante exibição de truculência. Estão pegando carona num movimento que prega à “volta à civilização” para jogar o país num embate medieval de radicalismos – e é isso que está afastando as multidões pacíficas das ruas. Falta aos organizadores controlarem seus egos individuais e sentarem para estabelecer limites nos delírios dos extremistas e focarem o movimento num denominador comum que não fira a sensibilidade da maioria. Isso é possível? Não sei. Não estou gostando do caminho por onde isso tudo está indo, e francamente, não sei para onde vai nesses tres anos e meio de governo Dilma que temos pela frente. É preocupante.”

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Todos os governistas da minha TL demonstram, sem exceção, o seu horror pelos cartazes asquerosos que apareceram nas manifestações. Estão certos. Ainda que alguns sejam apenas cômicos, outros são mesmo nojentos e assustadores. Mas eles estão redondamente enganados se acham que as pessoas que escreveram e carregaram essas aberrações representam qualquer coisa além das suas próprias almas nefastas. Minimizar o protesto legítimo de centenas de milhares de cidadãos porque meia dúzia de idiotas sinistros saiu de casa é repetir mais uma vez a arrogância petista que nos trouxe até aqui. É reaproveitar, numa outra embalagem, a cantilena odiosa do Lula, dividindo o país numa metade boa e bacana, que vota PT, e outra metade obscurantista e má, que não vota. O que me chamou a atenção nos posts que condenam as manifestações e fazem pouco dos manifestantes foi a repetição, em todos eles, das mesmíssimas fotos dos mesmíssimos cartazes: as senhoras grotescas que perguntam por que não mataram todos em 64, o maluco que pede a volta do Sarney, o analfabeto que não “foje á luta”… Nem por acaso encontrei uma coletânea diferente, um flagrante único, uma variante qualquer. Convenhamos que, para a quantidade de gente que foi às ruas, isso é muito pouco. Não é menos pior por causa disso, mas gente ruim e de maus bofes existe em toda a parte, imagino até que entre as hostes hipsters e angelicais da esquerda. Confesso que acreditaria mais na sinceridade da preocupação dos governistas com o bem estar da nação se tivesse visto uma fração da indignação que manifestaram hoje contra os protestos sendo dirigida, há alguns dias, ao presidente da CUT, que propôs, em palácio, que brasileiros peguem em armas contra brasileiros.

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A internet do bem

Stephanie e Francisco, moradores do Vidigal, muito pobres e sem qualquer qualificação profissional, levavam uma vida dura. Mas essa vida, que já era suficientemente difícil, piorou ainda mais quando nasceu a sua primeira filha, Tifany, com paralisia cerebral e citomegalovirose congênita. A partir daí, a pequena família entrou numa espiral de hospitais, desemprego e absoluta falta de perspectivas. Stephanie passou a ficar em casa para cuidar da menina; o salário de Francisco, que já era insuficiente, passou a ser consumido pelos remédios que ela precisava. Quando Tifany tinha três anos, nasceu a sua irmã Ana Clara. Mais despesas! A condição desesperadora da família chamou a atenção dos médicos do Hospital da Lagoa. Em 2011, eles a encaminharam ao Saúde Criança, um dos mais importantes projetos sociais do setor.

E o que aconteceu? O Saúde Criança reformou a casa, adaptando a sua estrutura para facilitar o deslocamento de Tifany, que usa cadeira de rodas, e conseguiu vagas para Stephanie e Francisco na sua oficina culinária. Lá, eles aprenderam a fazer comidinhas gostosas e receberam orientação de como tocar um negócio. Pouco depois, ao ser demitido da confecção onde trabalhava, Francisco decidiu usar o dinheiro da indenização para comprar parte do equipamento de uma padaria que estava sendo fechada, e para fazer pequenas modificações na casa, para que pudesse funcionar como confeitaria.

Hoje a família tira o seu sustento das coxinhas, mini pizzas, empadinhas e bolos que saem da cozinha ampliada; Stephanie e Francisco não precisam mais ficar longe de Tifany, que está com nove anos, e podem lhe dar a atenção de que precisa. Com os cuidados e com a melhora nas condições de vida familiares, a menina passou a ir à escola e à fisioterapia.

Esta é apenas uma das histórias de sucesso do Saúde Criança. Resolvi contá-la porque, desde o começo da semana, o SC está participando de um desafio da Skoll Foundation, a fundação criada por Jeff Skoll, primeiro presidente do eBay, para divulgar e promover bons empreendimentos sociais. Com o apoio do Huffington Post, o desafio vem mobilizando a internet através do Crowdrise, um site de levantamento de fundos para causas humanitárias. No ano passado, o Saúde Criança também foi selecionado, e saiu-se muito bem — não foi o projeto que conseguiu mais fundos, mas foi o que teve mais doadores.

A ideia da fundação, que dispõe de seis milhões de dólares para distribuir entre 63 ONGs escolhidas a dedo pelo mundo inteiro, é criar uma competição internacional; assim, a turma da arrecadação conta com um estímulo extra. A cada semana há uma nova meta a ser cumprida. Nessa primeira etapa, a cada U$ 3,5 mil, a Skoll entra com U$ 1,5 mil.

É aí que você pode ajudar. Há diversas maneiras de participar. A primeira é, claro, fazendo uma doação. Para isso, basta ir ao Crowdrise (http://bit.ly/1tgiXJu) e seguir as instruções, que estão em inglês mas são muito simples. Qualquer dinheirinho é bem-vindo. Outra grande ajuda é compartilhar o link nas redes sociais. Mas também é possível se juntar ao time do Saúde Criança. É esta característica que faz do Crowdrise o grande sucesso que é — qualquer um pode criar uma página dentro da campanha do seu projeto de estimação e, através dela, mobilizar a família e os amigos.

Para saber mais sobre o desafio, conhecer mais histórias como a de Stephanie, Francisco e suas filhinhas, ou simplesmente trocar ideias sobre mais formas de ajudar às crianças, mande um email para saudecrianca@saudecrianca.org.br.

(O Globo, Sociedade, 7.11.2014)