Somos sete bilhões de bípedes: é muita gente!

Quando eu nasci, em 31 de julho de 1953, fui a pessoa de número 2.677.949.122 no planeta, e a 75.987.594.190 a nascer desde o começo da história.

Esses cálculos foram feitos pelo site que a BBC criou por ocasião do nascimento do humano que catapultou a espécie a um  total de sete bilhões de bípedes.

Para descobrir onde você se encaixa nisso, clique AQUI.

 

Universos paralelos

Já estamos tão acostumados a recorrer à internet a cada dúvida que, muitas vezes, nem nos damos mais conta de como ela ainda consegue nos surpreender, pelo inesperado: mas acontece, e aí mundos inteiramente novos se abrem à nossa frente. Comigo acaba de acontecer isso no Instagram, uma rede social de fotos, que mais de uma vez já foi definida como um Twitter de imagens.

Comecei a seguir uma usuária japonesa, @kuminz, por causa das fotos maravilhosas que faz de seu filho e de seu cachorro, um terrier preto simpaticíssimo. Acompanhar a vida do menino e do cão em algum lugar que não sei no Japão (@kuminz só escreve em japonês), virou um dos bons momentos do dia, uma gotinha de adoçante antes de ir dormir. As fotos dos dois, porém, são alternadas com fotos de comida.

Fotos de comida são uma longa tradição na rede, onde se encontram sites altamente sofisticados dedicados a tudo que o ser humano considera comestível, de kimchi, um tenebroso preparado coreano à base de repolho fermentado, a comida de avião, no célebre www.airlinemeals.net, onde refeições servidas a bordo do Concorde e da Varig continuam em exibição em toda a sua glória.

Normalmente, eu passava por cima das fotos de comida de @kuminz. Mas é curioso como o olhar registra certas coisas inconscientemente: houve um momento em que eu percebi que havia uma elegância naquela comida que merecia ser vista com atenção. Pouco depois, alguém escreveu um comentário em inglês no meio daquele mar de japonês, dizendo que adorava os “bentos” que ela preparava. Essa era uma palavra nova para mim. Googlei “Bento”, e descobri um universo paralelo.

Liguei pro Tom.

– Você sabe o que é bentô?

– Claro, aquelas caixinhas de comida japonesas, muito bem arrumadas.

Perguntei pro Paulinho:

– Você sabe o que é bentô?

– Almocei um hoje, é um PF japonês que vem numa caixinha.

Eu era a única que não sabia! Publiquei um post sobre o assunto, no blog. Fiquei me sentindo menos ignorante (várias pessoas não sabiam o que era bentô) e, ao mesmo tempo, mais instruída, porque a Suely complementou o post com uma pequena aula sobre o bento:

— “Bentôs” não se restringem a essas caixinhas nem a embalagens de isopor fechadas com filme para venda, — escreveu ela. – Bentô significa “lanche” levado pra comer em outro lugar, de modo geral. Chamamos de bentô também sanduíches ou mesmo frutas. Por exemplo: “Hoje meu bentô se resumiu a uma maçã e um mamão”. No Japão, as crianças, que estudam em tempo integral, geralmente levam bentôs em caixinhas de plástico que podem ir ao microondas. Levam também um missoshiru e chá em garrafa térmica e um “furikake”, pozinhos com tempero a serem salpicados sobre o arroz, o shirogohan (arroz branco cozido sem tempero). Muita gente usa cup noodle como bentô.

Revirando a internet, chega-se ao pool do grupo “bentoboxes”, do Flickr, que tem quase 35 mil fotos de bentôs dos mais variados, postadas por 4.332 membros. É difícil bater essa coleção em termos de quantidade e, até, qualidade: há muitas imagens triviais, mas há outras interessantíssimas.

O próprio Instagram começa a ter sua coleçãozinha de fotos de bentos. Para ter acesso a ela, vá a “Buscar no Instagram” > “Tags”. Digite “#bento” e terá mais de 1600 fotos para se familiarizar com essa tradição japonesa. Hoje, sexta-feira à tarde, quando escrevo, o total de fotos é de 1.673, e a julgar pelas últimas entradas, bentos temáticos com personagens do Angry Birds reproduzidos em bolinhos de arroz são o que há de quente na área.

Boa viagem!

(O Globo, Economia, 17.9.2011)

Internet é cultura

Liguei pro Tom.

— Você sabe o que é bento, no Japão?

— Claro, aquelas caixinhas de comida.

Perguntei pro Paulinho:

— Você sabe o que é bento, no Japão?

— Almocei um hoje, é um PF japonês que vem numa caixinha.

Eu era a única que não sabia! E só descobri essa falha na minha cultura graças à internet, e mais propriamente ao Instagram, onde comecei a seguir uma usuária japonesa por causa das fotos do cachorro, que é a coisa mais linda, e acabei fisgada pelas marmitinhas que ela arruma todos os dias.

As caixinhas da minha amiga @kuminz são “normais”, mas pelo que andei lendo e vendo na rede, há bentos incrivelmente sofisticados, como o casal de aves de shitake (?) da foto. São lindos como arte, mas assim a nível de gastronomia, enquanto comida, acho que sou mais um ovo frito com arroz…

Update: AQUI há um link para as quase 35 mil fotos do grupo Bento Boxes, do Flickr.

Compras online

Comprei dois objetos relativamente caros através do MercadoLivre, site de vendas que corresponde, no Brasil, ao norte-americano eBay. Bastou comentar o fato com amigos para ganhar status de criatura destemida, que gosta de viver perigosamente. O interessante é que eu não estava entre novatos na rede, mas sim gente bem familiarizada com a internet, com anos de estrada e muitas compras via amazon.com nas costas.

Não devia ter me surpreendido. Se ainda há quem não confie inteiramente em fazer compras online em empresas como o submarino.com.br, não é de estranhar a desconfiança num site de comércio eletrônico como o MercadoLivre, onde a negociação é feita indivíduo a indivíduo.

Todo mundo conhece alguma história de horror tendo o MercadoLivre como cenário, e o que não falta na rede são foruns e blogs de usuários lesados.

Contribuem para aumentar a ansiedade dos usuários a interface bisonha e a navegação horrenda do site, a falta de clareza dos seus textos e a ausência de um suporte no qual se sinta um mínimo de firmeza.

Mas tudo é relativo. Quantas histórias de horror todos nós não conhecemos envolvendo o comércio convencional? Nesse exato momento, a minha filha – para não ir mais longe – está às turras com uma loja de colchões safada que lhe vendeu um produto defeituoso e recusa-se a trocá-lo ou a recebê-lo de volta. Não ocorre a ninguém culpar o shopping em que a loja está localizada, porque há tempos assimilamos o fato de que um shopping é uma reunião de lojas, e não a loja em si mesma.

O MercadoLivre é essencialmente um shopping virtual, um ponto de encontro entre compradores e vendedores – mas, ao contrário dos shoppings da vida real, é, ao mesmo tempo, a grife sob a qual reúne-se toda essa gente.

“Toda essa gente”, de acordo com dados do próprio MercadoLivre, são mais de 55 milhões de pessoas, espalhadas por 13 países, que, em doze anos, foram responsáveis por meio bilhão de anúncios. São números impressionantes.

Nunca tive problemas com compras feitas por lá. No ano passado passei relativamente perto disso, mas a questão resolveu-se sem traumas: comprei um Nokia N95 de um vendedor de Salvador que, duas semanas depois, ainda não me tinha enviado o aparelho. Cancelei a operação, e ele restituiu o que eu havia pago. Final feliz, ainda que um pouco demorado. As recentes compras, feitas com dois diferentes vendedores, transcorreram sem sobressaltos.

É claro que é preciso um mínimo de cuidado na hora de gastar online. Recomendo a quem quer se aventurar em campo um mínimo de precauções. Desconfiar de preços muito maravilhosos é a principal delas: milagres não existem. Ler com cuidado a descrição do produto e as credenciais do vendedor é outro passo fundamental para quem quer evitar chateações. Cheque quantos produtos semelhantes ao que você quer ovendedor já vendeu, e leia as qualificações que recebeu de outros usuários. Não tenha medo de passar por chato, e faça, antes da compra, todas as perguntas que quiser a respeito do produto e do frete.

Pague da forma que lhe for mais conveniente em caso de produtos baratinhos, mas prefira usar o Mercado Pago quando o valor pesar no bolso. Como ele pertence ao MercadoLivre, sofre dos mesmos defeitos de nascença, da navegabilidade à clareza: acho que os dois estão entre as páginas menos amigáveis da rede. O sistema, porém, que utiliza o mesmo princípio do PayPal, é bastante seguro. O dinheiro é entregue ao Mercado Pago, que o repassa ao vendedor apenas quando o comprador confirma o recebimento da mercadoria.

A turma da foto de celular passou o 7 de setembro a postos. O Dia da Independência foi saudado por uma profusão de imagens em verde e amarelo, intercaladas por fotos das manifestações de protesto, subidas em tempo real. As fotos de hoje são exemplos do que se viu no Instagram. Passando o mouse por cima da foto, você vê o nome do autor e onde foi tirada.

(O Globo, Economia, 10.09.2011)

Vamos nos queixar ao bispo?

 Há menos de uma lua reclamei, aqui, contra a iluminação do Cristo; tantas coisas aconteceram desde então que muito mais tempo parece ter transcorrido. Recebi emails solidários de outros cidadãos que, como eu, sentem saudade da estátua que parecia flutuar no ar — e que, também como eu, não sabem explicar de forma “científica” o desagrado pela luz chapada e agressiva que roubou a beleza noturna do nosso mais importante monumento.

Procurei o arquiteto José Canosa Miguez, especialista em iluminação urbana, autor da bonita luz que banhou o Cristo até março passado, e pedi que me falasse um pouco sobre o assunto. Recebi uma carta que divido com vocês:

“Em 2000, quando o Brasil completou seus 500 anos, eu ainda na presidência da Rioluz, projetei e coordenei a instalação da iluminação do Cristo Redentor, inaugurada pelo Presidente Fernando Henrique como parte das comemorações daquele dia. Na época, minhas reflexões para encarar o desafio de iluminar o símbolo maior de nosso país se traduziram em um memorial descritivo — documento muito simples e objetivo — que definia a intenção da iluminação. Submeti previamente o texto com o meu propósito ao cardeal D. Eugênio Salles, então Arcebispo do Rio de Janeiro (o monumento está em área cedida pela União à Arquidiocese do Rio na década de 1930), que o aprovou integralmente.

Este documento, base do meu projeto de iluminação, fixava algumas premissas básicas, entre elas:

— dotar o monumento de iluminação institucional, que permitisse sua visibilidade noturna de toda a cidade, sem qualquer característica festiva ou cênica que porventura alterasse a dignidade e o caráter emblemático da imagem do Cristo Redentor;

—  reproduzir, com a maior fidelidade possível, a tonalidade original do revestimento de pedra-sabão, para não descaracterizar a leitura da escultura; utilizei apenas 16 projetores com lâmpadas de multivapores metálicos, a melhor tecnologia disponível na época, com elevado índice de reprodução de cores, e até hoje usadas em grandes eventos (soube que agora estão lá instalados 300 projetores de leds). Instalei todos os projetores abaixo da linha de visão de quem está no adro, sem poluir a paisagem fantástica que de lá se avista.

Passados onze anos eu lamento muito que a tentação de trabalhar com a luz colorida tenha sido irresistível para o atual cardeal Dom Orani João Tempesta. A estátua do Cristo Redentor tem agora servido para efeitos de gosto pra lá de duvidoso.

Aliás, usar monumentos emblemáticos como se fossem  telas em branco, livremente disponíveis para devaneios luminosos, está se tornando uma prática incentivada por deslumbrados pelas possibilidades da nova tecnologia com leds; mas  que faz escultores e arquitetos se debaterem nas tumbas com a descaracterização impiedosa com que estes pouco habilitados gestores do patrimônio artístico e da arquitetura, ávidos apenas pelo impacto visual que a luz colorida e dinâmica pode causar, autorizam e incentivam.

Ninguém tem o direito de replicar efeitos cênicos de luz como se a cidade e seus monumentos fossem cenários liberados a viagens irresponsáveis. Humildade e respeito ao intervir sobre obras de terceiros é o que se pede.

…saudades da elegância, cultura e sofisticação de Dom Eugênio…”

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Concordo em gênero, número e grau com o que foi dito por Canosa Miguez. Não há noite em que não sinta uma pontada de tristeza ao ver a tocha em que transformaram o Cristo, antes tão suave. Para piorar a situação, aqui do meu ângulo, vejo ainda uma série de refletores por trás da estátua.

Não estou habilitada a julgar D. Orani Tempesta à luz de D. Eugênio, mas se a última palavra sobre a iluminação do Redentor é dada pelo Cardeal reinante, eu também tenho saudades de D. Eugênio.

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Tentei fotografar essa iluminação aberrante para mostrar para vocês, mas me faltou ou equipamento ou know-how; não consegui uma só imagem que prestasse. Depois me dei conta de que esta seria uma foto inútil, porque só se percebe o exagero ao vivo, no contexto maior da paisagem. Além disso, Cora Rónai, que idéia: quem é que precisa de foto para ver o Cristo no Rio de Janeiro?!  Tsk.

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Enquanto escrevia a palavra “carta”, que hoje soa ultrapassada pela tecnologia, senti tentação de substituí-la por “mensagem”; mas é assim que palavras perfeitamente boas e válidas acabam indo para o lixo.

Uma carta é uma comunicação escrita, enviada por pessoas físicas ou jurídicas a outras pessoas idem idem. A forma como essa comunicação é escrita e enviada mudou muito ao longo dos séculos, mas a sua essência não. Uma carta pode vir em envelope com selo e carimbo ou, como acontece hoje com mais freqüência, em bits e bytes. Deixar de usar palavra tão precisa para definir um email que tem o que dizer é até desmerecê-lo.

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Tenho dormido mal, mas nem tudo é prejuízo. Enquanto rolo na cama, percebo como são amáveis e reconfortantes os sons do meu silêncio particular. Os gatos dormem por turnos ao meu lado, e divido a noite com o ruído suave de três ou quatro respiraçõezinhas miúdas e ritmadas. A bem dizer nem há o que ouvir. De repente um suspiro corta o silêncio, ou o pequeno resmungo de um sonho mal sucedido. Pela milésima vez me pergunto com o que sonham os gatos, e penso em pássaros, latas de ração, brinquedinhos bobos.

(O Globo, Segundo Caderno, 8.9.2011)

Ridendo castigat mores

 

Ali Ferzat

 

Ali Ferzat, o cartunista que foi espancado e teve as mãos quebradas pelo regime sírio, teria feito um auto-retrato no hospital. Vi agora no Twitpic, e não tenho como verificar a autenticidade do desenho — de que, aliás, desconfio um pouco muito.

Por experiência pessoal, garanto que eu nunca, jamais, conseguiria desenhar assim com o joelho quebrado, se é que essa analogia não está, literalmente, para lá de Bagdá.

Se é dele, o desenho é genial; se é de outro, ainda assim é muito bom.

Dez anos de internETC.

O ano de 2001 começou com uma novidade chamada blog. O formato existia desde 1999, mas só em fins de 2000 começou a se difundir, a partir do lançamento do Blogger.com, um site que permitia a qualquer um criar o que, até então, exigia bons conhecimentos de HTML, servidor próprio e determinação. O blog, inicialmente conhecido como weblog, era uma espécie de diário online, onde você comentava assuntos do seu interesse, escrevia contos e poesias e, sobretudo, contava para as outras pessoas como a vida estava te tratando. Não tinha muita utilidade, e fazia sucesso sobretudo com adolescentes. Aqui e ali, porém, a turma mais conectada começou a fazer o que, hoje, se chama “produzir conteúdo”.

Criei um blog em abril de 2001, para ver que ferramenta era aquela, mas, de início, não tinha idéia do que fazer com ela. Em agosto, finalmente, cheguei à conclusão de que usaria aquele espaço para publicar o excedente de notícias que não conseguia por no jornal; assim, no dia 26, publiquei o meu primeiro post, falando dos bastidores de um Roda-Viva com Steve Ballmer, de que havia participado em São Paulo.

Steve Ballmer já era, então, o CEO da Microsoft, e me surpreendeu agradavelmente no contraste com Bill Gates, que eu entrevistara algumas vezes ao longo do tempo. Ballmer era simpático, e vivia o auge da sua fama pop: há semanas circulava pela internet uma esquisitíssima espécie de dança tribal que ele fazia para motivar a galera da Microsoft, e que havia sido filmada num encontro com desenvolvedores. O vídeo era ridículo e, consequentemente, fazia muito sucesso.

Naquele primeiro post, que ontem fez dez anos, me dei ao trabalho de calcular, com base no seu salário conhecido, quanto valiam as duas horas que ele havia dedicado à TV Cultura: US$ 159.817,35. Lembro ainda hoje que a cifra me deixou deprimida durante um bom tempo.

Depois disso, entre fotos, links, textinhos pequenos, pensatas variadas e reprodução das crônicas e colunas que escrevo para o jornal, foram 13.917 posts – que decidi, enfim, transferir de endereço. Desde que nasceu, o blog era escrito e publicado no Blogger, que, há dez anos, era a melhor ferramenta para isso. Hoje, defasado e antigo, ele sobrevive das glórias passadas e do fato de pertencer ao Google.

No último dia 20, publiquei, enfim, o primeiro post na casa nova, cujo endereço é – anotem – cronai.wordpress.com. Nele falei do processo de transferência e comentei algumas coisas que observei no WordPress. De todas, a mais irritante é a tradução aleijada, pela metade, que traz comandos em português, mas abre janelas de diálogo em inglês. Detesto isso!

Ora, por que me dei ao trabalho da mudança se, ainda outro dia, escrevi sobre o fim dos blogs? Por um só motivo: os blogs não vão acabar amanhã, e eu já não agüentava a incompetência do Blogger em relação às fontes vindas do Word. Fiquei triste em deixar para trás o lindo template que o Mario Amaya desenhou para mim há quase dez anos – as primeiras edições do blog usavam um template básico do Blogger; fiquei feliz com o aspecto limpo e despojado do novo blog e, sobretudo, com o recurso de rodízio automático da foto do cabeçalho.

O mais importante é que o novo blog foi aprovado pela maioria dos leitores. Fiz uma enquete em que 76,44% acharam a nova versão melhor do que a antiga, 13,09% acharam pior, e 10,47% têm a impressão de que dá na mesma. No total, votaram 191 pessoas.

Ainda estou aprendendo uns truques aqui e outros ali, mas, de modo geral, estou contente com o WordPress. Recomendo a mudança a usuários do Blogger, que não perderão nem textos nem comentários feitos nas caixas do próprio Blogger, e ganharão em rapidez e flexibilidade.

Aos que ainda não têm blog mas têm vontade de ter um, recomendo na verdade o Facebook, onde cada nota é um post com direito a comentários e onde, maravilha das maravilhas, a audiência já vem prontinha.

(O Globo, Economia, 27.8.2011)

Valeu!

Pessoas, muito obrigada pelo feedback, pelo apoio, pelas sugestões.

Já matei algumas charadas por contra própria, mas para decifrar essa esfinge bem decifrada vou recorrer aos meus amigos Toinho e Mariana, que entendem tudo do riscado, e mais alguma coisa.

Vocês serão devidamente informados de cada capítulo dessa novela.

Mas eu não poderia fazer essa mudança toda sem deixar de agradecer ao queridíssimo Mario Amaya, que desenhou o template do antigo internETC. com tanta competência e carinho que, se não fosse pelos engasgos do Blogger, ele estaria no ar até hoje.

Confesso que, por limpo e moderno que esteja isso aqui, sinto imensas saudades da carinha familiar do meu velho blog, um dos mais lindos que jamais vi na rede, e um dos melhores presentes que ganhei na vida.

Muito obrigada, querido Mario, por todos esses anos de convivência e de contentamento.

Ufa!

Entre ontem e hoje, irritada com o samba das fontes loucas do Blogger e as dificuldades de personalização do novo template, resolvi migrar pro WordPress que, me garantem os amigos que o utilizam, é o ó do borogodó no mundo blog.

O resultado está aqui.

De intuitivo, a ferramenta não tem nada. Muitas funções repetidas, muitas coisas relativamente simples quase impossíveis de encontrar de primeira (como apagar uma foto de cabeçalho de que não se gostou?) e, mais enervante, um enquadramento em categorias do qual não consigo me livrar.

Como os templates do Blogger, os do WordPress também são bem pouco customizáveis (ô palavra!): não posso sequer mudar as fontes se não pagar US$ 30 anuais. Não é nenhuma fortuna, mas ainda estou pensando.

O WP me oferece a possibilidade de usar a ferramenta de edição em uma língua, e escrever em outra. Isso me pareceu muito bom porque a tradução para português, como sempre, deixa a desejar. Escolhi então usar o WP em inglês, escrevendo, porém, em português. A intenção é ótima, mas não adianta. Em qualquer opção que se marque, partes do texto são em português, partes em inglês. Odeio isso!

Como pontos positivos, a importação indolor dos 14 mil posts do Blogger e a possibilidade de alternar as fotos do cabeçalho. Como ponto negativo, a submissão das regras do template às características de fontes do Blogger, ou seja, daqui para baixo, aquele samba maledeto continua tal e qual.

Enfim, vamos em frente. Como sempre, aceitam-se pitacos, palpites, sugestões, críticas e até elogios.

Pequeninas poderosas


  
Uma das minhas lojas online favoritas é a americana Photojojo.com. Através de um design descolado, de muita interação com os clientes e de uma newsletter cheia de boas idéias (e não só produtos) ela conseguiu conquistar o coração de todo mundo que gosta de brincar de fotografia.

Brincar de fotografia, reparem, não é o mesmo que fotografar. A Photojojo.com não é uma B&H da vida, carregada com os equipamentos mais sofisticados; ao contrário, ela se especializa em soluções low-tech e em brinquedinhos, mesmo, como miniaturinhas de câmeras, canecas que, na parte exterior, imitam nos mínimos detalhes lentes poderosas – com modelos Canon e Nikon para satisfazer a todos – e coisinhas que fazem a alegria de quem gosta dessa brincadeira.

Exemplo típico do espírito da loja é uma lente Diana para DSLRs. Ou seja: por apenas US$ 60, você pode transformar a sua carésima e sofisticadésima câmera Canon ou Nikon numa verdadeira Lomo, e conseguir fotos horríveis e fora de foco sem qualquer esforço! O pior, confesso, é que fiquei muito tentada…

Mas o que mais gosto no estoque da Photojojo são os acessórios para celular. Essa semana, recebi minha compra mais recente: três minúsculas lentes que aumentam potencialmente o poder fotográfico dos aparelhos. Para quem usa celular em vez de câmera, elas representam um upgrade bem superior ao seu valor de US$ 49 (mais US$ 31 para envio – rápido – para o Brasil).

As lentinhas são uma tele, uma grande angular que se transforma em macro e, maravilha das maravilhas, uma olho de peixe sensacional. Das três, a menos relevante é a tele; a diferença que faz é pequena.

A grande angular cumpre bem o seu serviço. Faz um pouco de vignetting (aquelas manchas pretas que às vezes aparecem nos cantos da foto) mas, caramba, estamos falando de uma lentinha minúscula de alguns tostões, e não de uma lente Sigma de centenas de dólares…

Já a macro, que aparece quando a gente desenrosca a parte superior da grande angular, é ótima e difícil de usar, como acontece com as macros: é preciso achar a distância certa no olho e ter uma mão muito firme.

E a fisheye, ou olho de peixe, é uma das coisas mais divertidas que já vi. Imaginem transformar a humilde câmera do seu aparelho numa potência capaz de captar todo o entorno? Ela é ótima para paisagens, fotos de grupo, o que for.

O sistema, que se adapta a praticamente qualquer celular com câmera, é muito bem pensado, e vem com um anel de ferro achatadinho que se cola ao redor da lente do próprio celular (cada lente vem com dois desses anéis, de modo que comprando o trio fica-se com anéis de sobra para eventualidades); elas têm ímãs poderosos na base que se agarram ao anel e ficam bem presas. A sensação do conjunto na mão é de um instrumento estável, tanto que tive coragem de por o celular com lentinha e tudo para fora da janela para fotografar.

Os resultados dessas três belezinhas vocês conferem aqui na página.

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Fiz uma outra compra na Photojojo que ainda não testei, mas que me pareceu muito prática: um rebatedor de flash para flashes embutidos de DSLRs. Detesto flash, mas quando a luz é dirigida para o teto, aquele efeito horrível melhora muito. Este rebatedor é uma clássica solução low-tech, uma peça de plástico espelhada por dentro que se põe por cima do popup da câmera. Na semana que vem eu conto (e mostro) como funciona.

* * *

O aplicativo da semana é o Photo Caddy, que existe tanto em versões Android quanto iOS. Não é novo, mas é excelente: um guia de bolso para as diversas situações que alguém que fotografa pode encontrar: aéreas, submarinas, lua, fogos de artifício, plantas, por aí vai.  Abre-se o tópico desejado e lá estão dicas e sugestões, equipamento ideal, espaço para notas individuais e observações de outros usuários. Excelente! Dois detalhes, porém: ele é em inglês e é pago (US$ 3,99).



(O Globo, Economia, 13.8.2011)


Quem quiser brincar de QR com o smartphone, é só apontar pro código acima para ver o álbum que fiz com as fotos das lentes; para quem quiser ver por aqui mesmo, basta clicar AQUI.