Essa foi uma semana curiosa, marcada por queixas contra celulares touch-screen – ótimos para tudo, menos para serem usados como telefone. Além disso, três leitores se desfizeram de aparelhos antigos e pedem a minha opinião em relação à troca. Um deles, o Bruno Coletta Forner, me mandou uma carta tão boa, que não resisto: tenho que dividi-la com vocês. Minha resposta vale para todos os três, e para quem mais esteja em dúvida: celular, hoje, é questão íntima e pessoal, já que não há mais um campeão inequívoco nas paradas.
“Não se pode fugir do inevitável. A idade chega para tudo. O tempo é implacável com tudo. Tremo de escrever… Meu Nokia N95 8G ficou ultrapassado. Sim, ficou. Já não é mais tão prático para responder emails, visitar redes sociais. Escrevo com pesar, parece que estou fazendo a confissão de um crime. Como gostamos de nossos “brinquedinhos”!
Minha relação com o N95 8G começou assim: minha esposa viajou e aproveitei a falta de marcação para gastar R$ 1.999 num celular. Até então celular para minha tinha que ter números grandes, ser leve e pequeno e já estava muito bom. Foi num sábado de noite, na Casa & Video da praia de Botafogo, por volta das 22h. Chegando em casa, sentei na primeira cadeira com tomada próxima e comecei a abrir a caixa.
Que caixa linda, cheia de fones, carregadores veiculares e, principalmente, um manual que mais parecia uma bíblia (adoro manuais). Colocado o carregador na tomada, liguei o celular… e de repente, vi duas mãos que se aproximavam e tocou aquela música. Que música linda e que caixas de som maravilhosas. A tela me impressionou. Mexendo no celular, percebi que era para “gente grande” e que não conseguiria explorar tudo em 30 minutos. Resultado, domingo de sol e eu em casa com meu N95 8G, feliz da vida.
Na segunda-feira, recebo um email promocional das americanas.com informando que meu celular recém comprado por R$ 1.999 estava em promoção por R$ 999. Quase surtei, mas decidi engolir o prejuízo e conviver com ele por no mínimo, mas uns três ou quatro anos. E missão dada é missão cumprida. Nesses quatro anos, foram tantas conversas que tive com ele (sempre com a voz e a recepção claras), tantas fotos que tirei… Fui a Disney pela primeira vez, todos levando filmadoras, câmeras etc. e eu com o meu Nokia N95 8G sem cartão, apenas como filmadora e câmera. Resultado, baterias que se acabavam e nada do Nokia querer descansar. Depois vi que as imagens, apesar de serem 5 Megapixels, eram até melhores que de outros dispositivos dedicados a isso. Sentirei saudades, mas prometo a você que não será um fim, ele ficará sempre pronto para ser meu segundo telefone.
Agora vem a pergunta: um Motorola Atrix ou um Samsung Galaxy SII? Não gostei do N8, apesar de saber que sua câmera é insuperável. iPhone 4 não quero. Já tenho iPad, iPod e iTouch, já deixei a Apple bem riquinha.
E aí, Qual??? Gostosa a dúvida, mas nem por isso menos cruel.”
A minha resposta:
Passei por isso algumas vezes (tive três Nokias N95: o da primeira série, o da segunda, já sem cobertura para a lente da câmera, e o 8Gb) e, há alguns meses, acabei aposentando o aparelhinho. Passei para um Samsung Galaxy II. Estou muito satisfeita com a tela, a câmera é ótima, adoro o sistema Swype para escrever, acho extremamente prática a integração do Android com os aplicativos Google… mas morro de saudades do N95 quando se trata de falar ao telefone. Ergonomia zero! E todos os touchscreen são iguais nisso, do iPhone aos Motorolas.
De qualquer forma, do que há por aí, o SG II é o melhor, ou um dos melhores. O Samsung Galaxy I também é ótimo, e tem TV Digital. Mas não descarte o Atrix sem compará-los na loja. O Motorola é poderoso e muito bonito, e tem conexão HDMI. No fundo, deve ser uma questão de simpatia entre você e o aparelho.
Eu não tinha problema em recomendar o N95, porque ele era claramente superior aos demais. Mas nessa leva de touch screens, todos são parecidos demais, tanto em virtudes quanto em defeitos. O que vai fazer a diferença é um detalhe pequeno, pessoal, que não é o mesmo para todos.
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O aplicativo de hoje é o Peixes Marinhos – Guia de Identificação para iPad, iPhone e iPod Touch, em português, inglês e espanhol, um lançamento brasileiríssimo de Marcelo Szpilman.
— Além de pescadores e mergulhadores, até as donas de casa poderão utilizá-lo para identificar os peixes na peixaria, — diz o autor. E é verdade: o guia é lindinho, e além de cobrir os aspectos práticos, traz ainda dois ótimos joguinhos para quem gosta de peixes.
Breve, num Android perto de você.
(O Globo, Economia, 24.9.2011)