Todos os governistas da minha TL demonstram, sem exceção, o seu horror pelos cartazes asquerosos que apareceram nas manifestações. Estão certos. Ainda que alguns sejam apenas cômicos, outros são mesmo nojentos e assustadores. Mas eles estão redondamente enganados se acham que as pessoas que escreveram e carregaram essas aberrações representam qualquer coisa além das suas próprias almas nefastas. Minimizar o protesto legítimo de centenas de milhares de cidadãos porque meia dúzia de idiotas sinistros saiu de casa é repetir mais uma vez a arrogância petista que nos trouxe até aqui. É reaproveitar, numa outra embalagem, a cantilena odiosa do Lula, dividindo o país numa metade boa e bacana, que vota PT, e outra metade obscurantista e má, que não vota. O que me chamou a atenção nos posts que condenam as manifestações e fazem pouco dos manifestantes foi a repetição, em todos eles, das mesmíssimas fotos dos mesmíssimos cartazes: as senhoras grotescas que perguntam por que não mataram todos em 64, o maluco que pede a volta do Sarney, o analfabeto que não “foje á luta”… Nem por acaso encontrei uma coletânea diferente, um flagrante único, uma variante qualquer. Convenhamos que, para a quantidade de gente que foi às ruas, isso é muito pouco. Não é menos pior por causa disso, mas gente ruim e de maus bofes existe em toda a parte, imagino até que entre as hostes hipsters e angelicais da esquerda. Confesso que acreditaria mais na sinceridade da preocupação dos governistas com o bem estar da nação se tivesse visto uma fração da indignação que manifestaram hoje contra os protestos sendo dirigida, há alguns dias, ao presidente da CUT, que propôs, em palácio, que brasileiros peguem em armas contra brasileiros.

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