A internet do bem

Stephanie e Francisco, moradores do Vidigal, muito pobres e sem qualquer qualificação profissional, levavam uma vida dura. Mas essa vida, que já era suficientemente difícil, piorou ainda mais quando nasceu a sua primeira filha, Tifany, com paralisia cerebral e citomegalovirose congênita. A partir daí, a pequena família entrou numa espiral de hospitais, desemprego e absoluta falta de perspectivas. Stephanie passou a ficar em casa para cuidar da menina; o salário de Francisco, que já era insuficiente, passou a ser consumido pelos remédios que ela precisava. Quando Tifany tinha três anos, nasceu a sua irmã Ana Clara. Mais despesas! A condição desesperadora da família chamou a atenção dos médicos do Hospital da Lagoa. Em 2011, eles a encaminharam ao Saúde Criança, um dos mais importantes projetos sociais do setor.

E o que aconteceu? O Saúde Criança reformou a casa, adaptando a sua estrutura para facilitar o deslocamento de Tifany, que usa cadeira de rodas, e conseguiu vagas para Stephanie e Francisco na sua oficina culinária. Lá, eles aprenderam a fazer comidinhas gostosas e receberam orientação de como tocar um negócio. Pouco depois, ao ser demitido da confecção onde trabalhava, Francisco decidiu usar o dinheiro da indenização para comprar parte do equipamento de uma padaria que estava sendo fechada, e para fazer pequenas modificações na casa, para que pudesse funcionar como confeitaria.

Hoje a família tira o seu sustento das coxinhas, mini pizzas, empadinhas e bolos que saem da cozinha ampliada; Stephanie e Francisco não precisam mais ficar longe de Tifany, que está com nove anos, e podem lhe dar a atenção de que precisa. Com os cuidados e com a melhora nas condições de vida familiares, a menina passou a ir à escola e à fisioterapia.

Esta é apenas uma das histórias de sucesso do Saúde Criança. Resolvi contá-la porque, desde o começo da semana, o SC está participando de um desafio da Skoll Foundation, a fundação criada por Jeff Skoll, primeiro presidente do eBay, para divulgar e promover bons empreendimentos sociais. Com o apoio do Huffington Post, o desafio vem mobilizando a internet através do Crowdrise, um site de levantamento de fundos para causas humanitárias. No ano passado, o Saúde Criança também foi selecionado, e saiu-se muito bem — não foi o projeto que conseguiu mais fundos, mas foi o que teve mais doadores.

A ideia da fundação, que dispõe de seis milhões de dólares para distribuir entre 63 ONGs escolhidas a dedo pelo mundo inteiro, é criar uma competição internacional; assim, a turma da arrecadação conta com um estímulo extra. A cada semana há uma nova meta a ser cumprida. Nessa primeira etapa, a cada U$ 3,5 mil, a Skoll entra com U$ 1,5 mil.

É aí que você pode ajudar. Há diversas maneiras de participar. A primeira é, claro, fazendo uma doação. Para isso, basta ir ao Crowdrise (http://bit.ly/1tgiXJu) e seguir as instruções, que estão em inglês mas são muito simples. Qualquer dinheirinho é bem-vindo. Outra grande ajuda é compartilhar o link nas redes sociais. Mas também é possível se juntar ao time do Saúde Criança. É esta característica que faz do Crowdrise o grande sucesso que é — qualquer um pode criar uma página dentro da campanha do seu projeto de estimação e, através dela, mobilizar a família e os amigos.

Para saber mais sobre o desafio, conhecer mais histórias como a de Stephanie, Francisco e suas filhinhas, ou simplesmente trocar ideias sobre mais formas de ajudar às crianças, mande um email para saudecrianca@saudecrianca.org.br.

(O Globo, Sociedade, 7.11.2014)

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