O rei do pedaço — ou quase

Para o jornal The Guardian, ele é “o melhor Windows Phone até hoje”; a revista Forbes faz coro, e repete a manchete com as mesmas palavras; o site Know your mobile diz que é “o rei dos Windows Phones”, enquanto o Engadget afirma que se trata, “simplesmente, do topo da pilha entre os Windows Phones”. O tom se repete em todas as análises publicadas até agora; as (poucas) restrições ficam por conta da vida da bateria, que realmente poderia durar um pouco mais, do sistema operacional e do ecossistema de aplicativos.

O Lumia 930, nova joia da Microsoft, merece mesmo o entusiasmo com que vem sendo recebido. É um aparelho excepcional, elegante e bem construído. Mas, talvez pela primeira vez, discordo em alguns pontos dos meus colegas no que tange a um topo de linha Nokia. É que, apesar de estar usando o Lumia 930 há coisa de três semanas, ainda não tenho certeza se gosto mais dele do que do Lumia 1020, lançado no ano passado.

É bem verdade que o 930 e o 1020 pertencem a famílias diferentes, mas, para mim, o trunfo da câmera de 41 megapixels do Lumia 1020 e o seu design matador, com laterais arredondadas em policarbonato (versus o look anguloso e metálico do 930), ainda são imbatíveis; não tenho coragem de tirar dele a coroa de “Rei dos Windows Phones”. Por outro lado, a tela do 930 e a sua velocidade humilham o 1020. Quem sabe não reinam juntos?

A tela de 5″ do Lumia 930, que tem uma ligeira curvatura nas laterais, suja menos do que a do 1020, e é, disparado, a mais agradável ao toque que já vi em qualquer aparelho, seja smartphone ou tablet. Quando vocês estiverem numa operadora, confiram isso — é tão interessante! A câmera, com lentes Zeiss, estabilização de imagem e 21 MP, é quase tão boa quanto a do 1020, perdendo para ela apenas em más condições de luz — mas aí é covardia, já que o sensor do 1020 só pode ser comparado aos de câmeras digitais compactas. Fotos e vídeos são, como seria de se esperar, um forte deste aparelho sólido e robusto, que tem uma outra característica de que gosto muito, o carregamento sem fio.

A maior desvantagem que encontro nele em relação a seu irmão mais velho é um detalhe pequeno, a respeito do qual, estranhamente, não vi reclamações até agora. O Lumia 1020 tem, como outros Nokia, um recurso chamado Glance: mesmo em standby, ele mostra data e hora na tela. Adoro esta herança, que ainda vem do tempo dos velhos celulares; agora mesmo, enquanto digito, os dois, 930 e 1020, estão lado a lado na escrivaninha. Mas enquanto na tela do 930 não se vê nada, na do 1020 fico sabendo que dia é e que horas são. Para obter as mesmas informações do 930, preciso dar um toque no aparelho, como em qualquer outro smartphone. Não sei por que a Microsoft não implementou esta característica no Lumia 930, mas realmente sinto falta dela.

Independentemente deste detalhe, o Lumia 930 é, com certeza, um dos melhores aparelhos lançados este ano, em qualquer sistema operacional. Já escrevi várias vezes, e esta não será a última, que considero o Windows Phone, especialmente na sua atual versão 8,1, o mais bonito, flexível e inteligente dos sistemas operacionais; a sensação que tenho ao usar o iOS, ou mesmo o Android, é de downgrade, por melhores e mais variados que sejam os seus aplicativos.

(O Globo, Sociedade, 10.10.2014)

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