A nova versão de um grande sucesso

No ano passado, a Motorola lançou um dos maiores sucessos da sua história: o simpático e competente Moto G, um smartphone tão bem resolvido, em termos de beleza, preço e eficiência, que acabou se tornando o seu aparelho mais vendido. A ideia por trás desse lançamento — um aparelho feito não para impressionar engenheiros, mas para dar ao usuário a melhor experiência de uso possível — funcionou tão bem que, este ano, a empresa viu-se diante de um desafio inusitado: como competir consigo mesma?

A resposta se materializou no começo do mês, na forma do novo Moto G. O próprio nome do aparelho, aliás, que continua igual, mostra a saia justa em que a Motorola se meteu — como mudar uma marca que caiu de tal forma nas graças do consumidor? Assim é que, mesmo correndo o risco de causar confusão nas lojas, o Moto G continua Moto G em 2014, assim como seu irmão mais parrudo Moto X continua Moto X.

O smartphone em si mudou pouco: a edição de 2014 não é uma revolução, mas uma evolução da de 2013. Seguindo a tendência geral do mercado, o novo Moto G cresceu, e em vez da tela de 4,5″ tem, agora, uma de 5″, igualmente protegida por Gorilla Glass. Esta é a mudança mais óbvia e mais visível; mas há outras diferenças, a mais prática, a meu ver, sendo um slot para cartão SD de até 32GB. Além disso, ele tem som estéreo frontal, melhores câmeras (agora com 8MP e 2MP) e TV Digital, uma característica exclusiva para o mercado brasileiro. Como seu irmão mais novo, ele também aceita dois chips, e vem com capinhas coloridas fáceis de mudar. O sistema operacional é o Android 4.4 KitKat, limpo e livre de bobagens adicionais.

O design, muito parecido com o do velho Moto G, é outro de seus pontos fortes: a Motorola realmente acertou ao fazer esses aparelhos elegantes e bem acabados, tão confortáveis de pegar. Isso para não falar nos preços, entre R$ 699 e R$ 799 (o modelo com TV). A única desvantagem em relação ao Moto G “antigo” é a ausência de LTE, que já existe num dos modelos do ano passado — mas, considerando-se a qualidade do nosso 4G, não sei se ela chega a ser relevante. Usei um novo Moto G ao longo da semana e não senti falta.

Uma boa característica invisível é a resistência a água. “Resistência”, reparem, não significa que o aparelho seja à prova d’água; não é, já que para isso precisaria ser hermeticamente vedável. Mas um produto o reveste, tanto por dentro quanto por fora, e faz com que aguente bem a água com que ocasionalmente um smartphone pode se deparar — e que, num modelo sem preparo adequado, pode ser fatal. Chuva, vapor do banheiro onde alguém toma banho quente, eventuais respingos da pia, a mão molhada de quem sai do mar ou da piscina. É possível até que escape da causa mortis mais comum entre os celulares, o fatídico mergulho na privada, já que sobreviveu a um teste de internet em que passou meia hora debaixo d’água.

Aliás, quando fui apresentada ao Moto G na sede da Motorola, em Chicago, uma das coisas interessantes que vi foi justamente esse produto de revestimento, em ação num lenço de papel. O lenço, igualzinho a outro qualquer, recusava-se a absorver a água que lhe derramavam em cima. Há um pequeno vídeo no YouTube que mostra um repelente de água em ação; não sei se é o utilizado pela Motorola, mas funciona da mesma forma. Confira aqui em baixo.

(O Globo, Sociedade, 26.9.2014)

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