Baterias inchadas: perigo!

Meu amigo Rafa apareceu lá em casa com um problema muito esquisito: a bateria do seu Galaxy S2 estava tão inchada que ele não conseguia fechar a tampa traseira do aparelho. Não sou especialista em baterias, nem precisaria ser, para perceber que algo ali estava muito, mas muito errado: como assim, uma bateria inchada?!

A primeira coisa que notei, assim que vi a famigerada peça: era uma falsificação. A cor, a tipologia e as características gerais coincidiam com as das baterias da Samsung, mas os números de modelo e série estavam borrados e ilegíveis. Rafa encontrou a bateria a um “preço camarada” no MercadoLivre; tive a triste missão de informar a ele que não existem baterias a “preços camaradas”. Baterias são sempre caras, no Brasil mais do que em qualquer outro lugar do mundo, mas este é um caro com o qual não convém negociar. Diga-se a favor do Rafa que, antes de partir para o mercado cinza, ele tentou comprar uma bateria original — mas a autorizada da Samsung não dispunha mais do modelo para o seu Galaxy S2.

Postei a foto da bateria na internet, com uma advertência contra os perigos das falsificações, e fiquei surpresa com a quantidade de pessoas que me contou que passou pela mesma coisa… com as baterias que vieram nos seus aparelhos, portanto originais de fábrica!

Eu sabia que baterias pegam fogo do nada e que às vezes até explodem, mas nunca soube que baterias incham.

Pois incham.

Pesquisando o assunto na web, encontrei alguns casos, todos descritos por usuários manifestando o mesmo grau de surpresa que me causou a bateria do celular do Rafa. Até mesmo baterias de MacBooks podem inchar, se ficarem ligadas direto na corrente: meu colega Rafe Needleman, editor da antiga revista Byte hoje escrevendo para o Yahoo Tech, descobriu isso há dois meses, quando sua mãe lhe pediu para dar um jeito no computador, que não estava funcionando. O motivo? Uma bateria tão inchada que chegou a deformar o chassis da máquina…

O curioso é que este assunto, digamos, explosivo, ainda não ganhou a atenção que merece. Há mais perguntas do que respostas e, perigo!, muitas dicas do que fazer para “dar jeito” em baterias inchadas — quando o único jeito seguro é substituí-las o mais rápido possível.

(Em tempo: baterias usadas não se jogam no lixo! Recomenda-se levá-las às lojas de operadoras, que as recebem e enviam para a reciclagem apropriada.)

As baterias incham, basicamente, por três motivos:

— Excesso de carga. Um cenário típico é ir dormir e deixar o celular espetado no carregador a noite inteira. Na vastíssima maioria dos casos não acontece nada. Mas carregadores defeituosos, inadequados, com amperagem ou voltagem diferente do carregador original do aparelho podem prejudicar a bateria. A regra de ouro é ter sempre carregadores de boa qualidade, em boas condições de funcionamento. Vale lembrar ainda que nenhum aparelho portátil, que usa bateria — notebooks, tablets, smartphones — foi feito para ficar permanentemente conectado à corrente elétrica; esta foi a causa mortis da bateria do notebook da mãe do Rafe Needleman.

— Calor. Se a bateria esquenta muito rapidamente, seja por exposição ao sol e outras fontes de calor, seja por excesso de carga ou por uso intenso, pode, eventualmente, inchar.

— Defeito de fabricação. Aí, claro, não há nada a fazer — exceto se precaver contra a compra de baterias falsificadas, que são, mesmo quando não incham, uma garantia de dor de cabeça. Se você encontrar a bateria de que precisa a um preço muito mais barato do que o cobrado habitualmente, desconfie. Não há milagres no mundo das baterias. Encare o custo Brasil, e exija o selo da Anatel. Com certas coisas, convém não facilitar — e as baterias estão, certamente, entre essas tais coisas.

(O Globo, Economia, 5.4.2014)

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Uma resposta em “Baterias inchadas: perigo!

  1. A Nina teve um Ford chamado de Verona 2 (Modelo Orion na Europa), que era seu xodó; Um dia, estavamos juntos, o vagaba apontou-nos um trabuco e levou o pretinho! Nunca apareceu e a seguradora pagou uma mixaria por ele…
    Mas o que eu queria contar, é que, por ser intermitente, eu não dei atenção com a urgência que deveria ao alarme de gerador que de vez em quando aparecia no painel. Deu falha fatal do regulador de voltagem e acabamos por ficar na estrada com a bateria inchada impregnando o carro com um cheiro asqueroso e com apagaço total e perda da placa eletrônica de controle!

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