Las Vegas 2014

As grandes feiras de Las Vegas, como a CES que terminou ontem, me dão sentimentos ambivalentes. Quando não vou, como aconteceu este ano, fico nostálgica e melancólica, com certa inveja dos colegas que foram e que estão vendo as novidades ao vivo; quando vou fico exasperada, irritadíssima com as filas quilométricas que se formam para tudo, do cafezinho à condução, passando pelos estandes — onde não se consegue ver praticamente nada por causa da quantidade de gente. Passo cinco dias me perguntando por que caí nessa mais uma vez, e saio jurando nunca mais voltar — até que o ano seguinte desponte no horizonte, cheio de tentações questionáveis.

A verdade é que o mundo mudou, a internet entrou em cena e, em tese, ninguém precisaria mais de CES nenhuma para saber o que está acontecendo, já que todos os fabricantes têm websites e condições de comunicação instantânea através das redes sociais. Por outro lado, ver os lançamentos ao vivo é outra coisa. Além disso, o “conjunto da obra” da feira dá boas pistas da tendências a se observar, sem falar no encontro com os colegas, sempre divertido e muito rico para trocar ideias sobre os rumos da área.

Las Vegas já teve feiras múltiplas de tecnologia e eletroeletrônicos, mas a Comdex, realizada para revendedores de computadores & afins, acabou chutada para escanteio pela CES (de Consumer Electronics Show) quando a tecnologia de informação e comunicação começou a ser incorporada pelos aparelhos mais triviais do dia a dia. Quem precisa de uma feira dedicada exclusivamente a computadores quando mesmo garfos e escovas de dentes passam a ter Bluetooth embutido, como aconteceu este ano?

o O o

Os colegas que estiveram na CES 2014 foram unânimes em apontar duas tendências universais, além da já muito “hypada” tecnologia de vestir: conexão geral no cotidiano, e cada vez mais “phablets” no mercado. O que vai ou não sobreviver dessas ondas é ponto aberto para especulação, mas eu, entre outras coisas, adorei as lâmpadas com Bluetooth ou wi-fi, que fazem parte de sistemas de luz inteligentes. Acho absurdo que, a essa altura da história, ainda utilizemos o mesmo tipo de iluminação doméstica dos nossos avós. Lá em casa, por exemplo, estou às turras com um lustre que já foi tratado por três eletricistas diferentes e que, ainda assim, insiste em queimar uma lâmpada halógena por semana. Já chega, né?

A ideia dos novos sistemas, que oferecem lâmpadas de longa duração com boa qualidade de luz, é estimular os períodos de atividade e de repouso dos seus usuários. Num mundo em que a maioria da população vive em cidades permanentemente acordadas, onde há apartamentos que precisam de luz acesa mesmo durante o dia, estamos cada vez mais distantes dos ciclos de claridade e escuridão — e cada vez mais distantes, também, do espectro natural da luz, assassinado friamente a cada lâmpada fluorescente mal utilizada. Nunca houve tanta gente com distúrbios de sono no planeta, e não é para menos.

Por enquanto, o que já existe em bons sistemas de iluminação ainda é muito caro, e o que vai chegar ao mercado, a partir dos lançamentos apresentados na CES, não vem necessariamente mais barato. Mas estamos dando os primeiros passos no caminho de uma tecnologia que tem tudo para melhorar sensivelmente as nossas vidas, e este alto custo inicial faz parte do processo. Vocês se lembram como eram caros os primeiros computadores? E as TVs de tela plana assim que foram lançadas? Pois é isso.

Já os “phablets”, os pobres aparelhos que ganharam este nome horrível derivado de “phone” e “tablet”, vão dar pano para as mangas — e mais um pouco. Estou me divertindo muito com um deles, o Sony Xperia Z Ultra, e vou voltar a falar no assunto. Se não me engano, várias e várias vezes.

(O Globo, Economia, 11.02.2014)

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4 respostas em “Las Vegas 2014

  1. Cora,
    No caso do seu lustre, se sempre a mesma lâmpada halógena queima com frequência é provável que esta lâmpada não esteja trabalhando na temperatura adequada, e como a temperatura é resultado da corrente elétrica que ela recebe, temos duas possibilidades: mau contato no soquete da lâmpada (troque-o por um novo) ou a ligação elétrica dos fios do lustre está inadequada, fazendo com que esta lâmpada receba pouca corrente (provável ligação em série das lâmpadas: refaça a ligação colocando-a em paralelo). Peça a um eletricista de confiança para investigar estas duas hipóteses, e boa sorte!
    Mario Wilson

    • Muito obrigada, Mario Wilson! O eletricista esteve aqui hoje e amanhã mesmo vai comprar um soquete novo. Vamos ver se vai dar certo.

      Um abração.

      • Grato pelo comentário. Acredito que dê certo (diria 95% de probabilidade). Gostaria que informasse, depois, o resultado. Se ainda continuar queimando, vamos investigar a segunda possibilidade.
        Abraços e bom feriado!
        Mario Wilson

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