A culpa foi da Nokia…

Desde que me apaixonei pelo Nokia Lumia 920 e pelo Windows Phone 8, passei a ter grande curiosidade em relação ao Surface, o tablet da Microsoft. O Windows Phone é, para mim, tudo o que um sistema operacional móvel deve ser: rápido, inteligente, bonito. Facilita demais a vida do usário, ainda que quem já esteja instalado na zona de conforto do iOS ou do Android possa estranhá-lo no início. Assim, no tradicional “Dia livre para compras” que tive em Miami, corri para a Best Buy e fui direto à área onde eram exibidos os Surface e seus acessórios. Brinquei um pouco com um deles e fiquei muito bem impressionada com a tela, com o design inovador, com o acabamento primoroso e com o novo teclado (mais caro!) que substituiu o teclado chiclete que naufragou junto com a primeira versão do aparelho.

Eu não estou precisando de um tablet novo, mas ando à caça de um notebook para tomar o lugar do Macbook Air de 11” que me acompanha pelo mundo. Gosto do peso, do look e do design dessa máquina, mas detesto o seu SO e, sobretudo, as idiossincrasias que apresenta a quem escreve habitualmente num PC. Sempre usei ThinkPads e Vaios, mas, quando o Macbook Air foi lançado, não havia nada semelhante no mundo PC.

O Surface Pro me pareceu, lá na Best Buy, uma boa ideia. Um tablet com alma de PC, apto, portanto, a eliminar uma das tralhas que viajam comigo. De modo que comprei um, não totalmente topo de linha, mas quase, acompanhado pelo novíssimo teclado iluminado. O conjunto custou quase mil dólares.

No hotel, abri o pacote e mergulhei na instalação da máquina. E lá, mexendo com o Surface fora de uma bancada, comecei a me dar conta das suas falhas. Pelo menos comigo, ele nunca poderia funcionar como notebook, porque quando escrevo em quartos de hotel gosto de me recostar na cama, com a máquina no colo — e ele requer uma superfície plana para ser notebook. Como tablet, por outro lado, é pesado demais para dar certo.

Mas como sou brasileira e não desisto nunca, ou quase nunca, passei as noites seguintes às voltas com a engenhoca. E aí fui me dando conta de um outro problema: Windows 8 e Windows Phone são animais parecidos, mas diferentes. Além disso, o que funciona numa tela de 5” não funciona, necessariamente, numa de 11”. Falta ao Windows 8 a consistência que sobra ao Windows Phone. Ele é um híbrido desagradável, que ora trabalha com telhas, ora com a interface clássica do Windows. Alternar a mente e os dedos entre uma coisa e outra é cansativo e enervante — mais ou menos como se, para ir da sala à cozinha, tivessemos que entrar em outra dimensão.

No quarto — e penúltimo — dia da viagem, eu já estava convencida de que tinha feito o pior negócio da minha vida. Fui jantar com uma amiga e comentei, amargurada, o dinheiro posto fora.

— Ué, mas por que você não pede a grana de volta? Estamos nos Estados Unidos, lembre-se.

E assim foi. No dia seguinte, com poucas horas para fazer as malas e embarcar, corri na Best Buy com o Surface e os seus acessórios. Já não tinha a caixa, que havia jogado fora, mas tudo o que a atendente me perguntou foi se o produto havia quebrado ou se eu não havia gostado dele.

— “Não gostar” é pouco, — respondi. — Eu detestei esse tablet! Odiei!

A moça pegou a tralha, sequer conferiu os itens e fez o retorno no meu cartão. Não levou cinco minutos. Fiquei tão emocionada que comprei um HD externo da cor do Macbook Air e, quando voltei para o hotel, dei um beijo de gratidão no meu notebook.

Sorry, Microsoft, mas ainda não foi dessa vez.
(O Globo, Economia, 7.12.2013)

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25 respostas em “A culpa foi da Nokia…

  1. Sempre fui devoto fervoroso de San Bill Gates e seus Windows. A ponto de fazer as certificações e trabalhar na área. Adoro inovação, experimentar o novo e a cada mudança do Windows me deleitava com suas novidades, mas com o 8 minha experiência foi muito negativa essas trocas de modo clássico e modo tablet me deixando uma sensação de indecisão deles o sistema é o que afinal? Com isso me fez experimentar o fruto proibido que sempre ficou a lado batendo em minha janela.
    Resumindo amo Windows 98, 2000, XP, Vista, 7, Office nem se fala, mas a praticidade do sistema, leveza e simplicidade me convenceu. Lógico que no início houve dificuldade, mas minha sede por experimentar o novo me fez estudar e buscar explicações na web que hoje quando uso o note da minha esposa que é um Windows lembro que não consigo mais voltar.

  2. Comprei um Lumia 925 ontem à noite em Belo Horizonte, na loja Nokia e fiquei até tarde testando e configurando. Tudo ótimo, ele acordou carregado e lá pelas 11 horas, travou, escureceu e esquentou. O telefone chamou, um alarme tocou desesperadamente e nenhuma tecla respondia. Voltei na loja, reviraram o aparelhinho, tiraram e botaram o chip e falaram: traga os acessórios e a nota que trocamos o aparelho na hora. Voltei, já estou com o novo e boba até agora com a eficiencia e gentileza. E o detalhe é que quando voltei com a caixinha, o peste do celular ligou como se nada tivesse acontecido. Mas trocaram assim mesmo e é muito bom saber que algumas coisas funcionam por aqui.

    • Que boa notícia! Em geral só fico sabendo do oposto disso: assistência técnica mal humorada, empresas que não honram o seu compromisso com o consumidor, e assim por diante…

  3. Como eu não tenho e nem preciso de notebook, minha dúvida seria quanto ao Surface como tablet, no meu caso como um substituto do IPad.
    E, pelo visto, você não gostou nada.
    Também tenho o hábito de desenhar com o tablet, reclinada, na cama, então ele não me serve.
    Mas, isso de reconhecer a pressão do toque do usuário, o que de alguma forma pode criar uma semelhança com uma mesa gráfica, é realmente tentador.
    Por falar nisso, e aproveitando a sabedoria dos frequentadores deste blog, tenho uma pergunta. Meu PC anda sub-utilizado, roda bem Win7, com ótimos programas originais da Corel e andei vendo umas mesas gráficas para vender, porém nenhuma das que encontrei tinham Wi-Fi. Todas com o cordão umbilical do cabo USB. Se alguém tiver uma dica diferente, à venda no Brasil, aceito e agradeço.
    Obrigada pela avaliação do Surface, Cora. Por enquanto, sigo com o IPad.

    • oi Denise: recomendo efusivamente a mesa gráfica

      Wacom Intuos Touch (responde à caneta e multi-touch dos dedos)

      são três tamanhos (pequena, média e grande; recomendo a média) e todas podem se tornar wireless com um singelo acessório opcional
      Wacom Wireless Kit (note que ele tb funciona para dois modelos da linha Bamboo)

      x-x-x-x-x-x-x
      E daquelas coisas revoltantes, da exploração do [otário] consumidor brasileiro: nos EUA, a Wacon Intuos Pro tamanho Médio, com o Kit Wireless incluso custa no varejo… US$ 330. O ‘pacote’ acima, no Site do Fabricante aqui custa: ~R$ 2.000

        • De nada, garota!

          Eu tenho a Intuos e gosto muito; com ela no colo, de pernas para cima, substitui o mouse lindamente, para navegação.

          E outra dica, para tod@s:
          Quem quiser acrescentar um Wireless TouchPad ao seu computador, substituindo com todas as vantagens ‘multi-touch’ o mouse, veja este simpático e baratinho acessório:
          Logiteh Wireless Rechargeable TouchPad

      • Duplo obrigada pela informação dos aplicativos. Não tenho o ProCreate. Mas, este vou deixar para baixar no meu IPad Air, que está a caminho, porque o que estou usando ainda é o primeiro e está pior que o Windows: cheio de manias rs… Volta e meia apaga um desenho no meio.
        Perguntar é ótimo: quem sabe tudo, nada aprende. Valeu muito!

  4. Comprei um ultrabook movido a W8 e devolvi por causa do ultimo.
    Minha impressão é exatamente a sua, a (r)evolução se perdeu no meio do caminho. Me remeteu ao Windows 3.1 onde a interface gráfica era como chantilly e não parte do recheio do bolo. Alias vai q vem daí a filosofia da coisa, pode ser q a MS refaça o W8 e saia c/ um W9 tão bom como o W7 em relação a seus antepassados. Hj aqui no meu chateau tudo é Apple pelo simples motivo q tudo funciona a contento e a família não fica me pedindo pra consertar algo dia sim e outro também. Bj

  5. O Brasil copia um monte de coisas dos EUA.
    Só coisas ruins.
    O que é bom e nunca vem para cá:
    1 – A prisão verdadeira de corruptos e pessoas que cometeram pequenos delitos.
    Tudo pra cadeia e pronto.
    Se solta depois, é outra história, mas que prende prende mesmo.
    2 – Este processo de devolver o produto e receber o dinheiro de volta é genial. È por isso que é bom ficar uma semana por lá. Dá tempo de testar e ver se gosta mesmo do item. ( roupas, inclusive )
    É bom lembrar que o IOF não será devolvido e você morrerá nos 6,38 %… Mas isso fica por conta do risco administrável !

  6. Cora, tenho muito respeito por vc e leio suas colunas há mais de 10 anos. Sinto muito mas dizer em seu texto “mas detesto o seu SO e, sobretudo, as idiossincrasias que apresenta a quem escreve habitualmente num PC” sem explicar ao seu leitor os motivos para isso e no final dizer “quando voltei para o hotel, dei um beijo de gratidão no meu notebook” é absolutamente incoerente. O seu notebook roda o SO mais moderno e easy going do mundo. Sou um apple user desde 1997 e posso garantir que só o dinheiro e tempo que economizei sendo usuario Apple durante esses anos todos, pois nunca precisei de manutenção , já valeu cada centavo. Meus macs usados duram pelo menos 6 anos. A curva de aprendizado deste SO é tão facil, que minha sogra e algumas amigas ( ela tem 81 anos) quando conheceram o Mac há 4 anos, nunca mais quiseram olhar para o Windows. Fora o fato que tanto o iphone , como o ipad , como o Mac os x, são totalmente compatíveis. Aqui em casa são 2 adultos e 3 crianças, todos usando Mac. Felizes por termos tudo compartilhado, Apple TV , Airport , Airplay, iCloud . tudo isso rodando lisinho, sem dropouts e 24 horas por dia. nminguem consegue fazer isso com um PC rodando Windows.
    Abs!

    • Você tem razão, eu fui sucinta demais, mas o espaço da coluna não me permitia grandes divagações sobre sobre isso. O beijo de gratidão final no Macbook Air não foi pelo SO — de que continuo não gostando — mas por ser levinho e poder ser usado no colo, como devem poder ser usados todos os laptops (que não se percam pelo nome).

      Entre as minhas broncas contra a Apple está o fato de os seus aparelhos, que tão bem falam entre si, não se entenderem direito com nenhuma outra máquina do planeta. Num mundo em que tudo usa micro USB e um usuário Samsung pode emprestar o seu carregador para um usuário Motorola, a Apple usa firewire. Nunca, jamais, em tempo algum, consegui fazer o Bluetooth de alguma coisa Apple se entender com o Bluetooth de outra coisa qualquer. Odeio a intermediação do iTunes para acessar as minhas fotos, vídeos ou músicas; perdi a conta de usuários que me contaram que simplesmente não sabem como tirar as fotos dos iPhones; e assim por diante.

      A experiência lisinha que você descreve se obtém ao custo da prisão aos produtos Apple. Aqui em casa tudo se fala muito bem também. Talvez tenha dado um pouco mais de trabalho, mas eu gosto de ter um ecossistema onde florescem marcas diferentes,..

      • Cora, desculpe mas iscordo de você quanto ao SO. Essa é uma discussão interminável e não vou levar adiante, mas quero informar penas de que mesmo usando OSX e Iphones, é possível sim, instalar aplicativos de terceiros, muitos deles livres, para ver vídeos, fotos e música e trocar esses arquivos entre os aparelhos. O que lhe falta talvez seja tempo para ler sobre isso. Outra cousa,
        instale o Windows no seu Air. Embora seja quase uma heresia, é uma solução.

  7. Prezada Cora,

    Acompanho voce desde os primórdios da internet e do InternetEtc…
    Acho que desde 199….Dos tempos jurássicos. Afinal acabo de completar 50 anos…Quase junto com os Rolling Sotnes, por isso, digo, “50th and Counting…”

    Escrevo para compartilhar minha opinião quanto a sua coluna sobre o Microsoft Surface.

    Em parte concordo com alguns pontos, mas discordo em vários…e no principal.

    Tenho um Surface com Intel Core i5, 4Gig de RAM e 64Gig de HD flash, e após alguns meses de uso, tenho de admitir
    que a MS está no caminho certo.

    Primeiro, o Windows 8 e seu primo-irmão, Windows Phone 8, vieram para quebrar o paradigma de que que tudo tem de ser igual…iOS e Android tem seus pontos positivos (e negativos, ora pois, pois), enquanto SO’s, mas são velhos e mantem-se acorrentados ao “icone sobre uma imagem de fundo”…Entediante e as vezes pouco funcional.

    Toda mudança de paradigma, ainda mais em se falando de tecnologia e “curva de aprendizado”, vem acompanhada de
    desconfiança e subjetividade.

    Ora, é como ter dirigido um carro com cambio mecânico por 30 anos e mudar para um automático…Percebe?

    O Surface não é um tablet per si nem um laptop puro sangue, mas uma metáfora de como um gadget pode se aproximar de ambos.

    OK, iPad’s e Tablets Androids são leves, dão conta do recado (dependendo do uso e destinação, é claro) mas possuem tantas limitações em comparação ao Surface…que não se pode comparar.

    Pensando bem, tudo…TUDO, que se faz com um tablet pode-se fazer com um bom smartphone…excluindo-se apenas o tamanho da tela. Mas muita coisa que se pode fazer com um Surface, não se faz com tablets ou smartphones.

    Enfim, tudo é questão de gosto, usabilidade e propósito, mas o Surface é sério em confrontar paradigmas e extender, em muito, a usabilidade e propósito de seus primos de segundo grau, os tablets, sejam ele vindos do pomar ou do laboratório de robótica.

    Grande abraço,

    Marco Muniz
    Engenheiro de Computação pela PUC-RJ

    • A propósito, tenho um tablet Android (Google Nexus), um iPad, um iMac 21,5″, um MacBook Pro de 13″, e um Surface Pro.
      Meu smartphone atual é um Nokia 820…Perfeito em tudo!
      Já tive iPhone, Sony HTC e outros Nokias, mas voltei ao universo Nokia pois é a união do bem feito com o custo-benefício imbativel!

      Abs.

      • Oi, Marco

        Como você, eu tenho alguns aparelhos Android, outros iOS e o Lumia 1020, um animal à parte, meu segundo Windows Phone (o primeiro foi o 920). Quando comparo o Android e o iOS com o WP, tenho a nítida sensação de estar na fronteira entre entre o passado e o futuro — o futuro sendo o WP, muito mais inteligente e bem pensado do que o Android e o iOS. E o Lumia é, afinal, um Nokia, o que não é dizer pouco. Esta mudança, portanto, eu já fiz, e com o maior encanto, a ponto de ter pena de quem ainda não descobriu a maravilha que é o Windows Phone.

        Mas o Windows 8 está longe dessa perfeição. Concordo que o Surface Pro faz coisas que nenhum tablet faz, e que a Microsoft está em busca de um caminho novo, mas a meu ver ele não funciona bem nem como tablet nem como notebook, não tanto por uma questão de SO (embora isso também atrapalhe), quanto por uma questão de ergonomia. Ou, pelo menos, da ergonomia desta usuária. Numa mesa ou bancada ele faz um bonito como notebook, e dá de dez a zero em desempenho no meu velho Macbook Air, mas é impossível usá-lo no colo (e ele deveria ser um laptop, não?). Como tablet, por outro lado, é realmente pesado demais.

        Quando li as primeiras notícias sobre o Surface, achei que a Microsoft estava no caminho certo; agora, tendo usado um, tenho as minhas dúvidas… Felizmente, ela tem “bolsos profundos”, como diz o pessoal lá em cima, e pode continuar desenvolvendo o projeto.

  8. É… o Brasil ainda tem muito que aprender em relação a respeito por seus consumidores!
    Eu comprei um sapato estes dias. Experimentei na loja e parecia extremamente confortável. Mas foi andar 10 minutos pela rua e pronto, começou a apertar meu dedão. Voltei imediatamente pra loja, afim de trocar de sapato ou até mesmo ter meu dinheiro de volta. E a vendedora disse que não podia devolver pois eu já havia usado! :-/
    Ah, em relação ao Surface Pro, eu comprei um na ultima viagem. No meu caso gostei muito do fato dele reconhecer níveis de pressão de caneta. O que pode ser uma mão na roda na hora de fazer alguma ilustração durante as viagens. 😉

    • A sensibilidade da tela do Surface à caneta foi um dos pontos que me encantou nele, Ila! Ele tem pontos positivos, mas não conseguiu me conquistar.

  9. O que mais me impressionou foi a devolução do surface. Wow! Bom, eu ainda estou com o Vaio, mas penso em um dia me aventurar pelas teclas da apple, com um Macbook. Eu já uso iPhone e iPad. Quanto ao note, a minha zona de conforto ainda é o Windows, mas um dia eu provo da maçã, rsrsrs. Bom dia, Cora.

    • A Sony lançou um novo Vaio, um ultrabook de 11″, que é a reencarnação perfeita dos antigos Vaios levíssimos e super poderosos da linha Z, Marcus! Meu atual sonho de consumo — atrapalhado apenas pelo famigerado Windows 8!

Diga lá!

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