iPhone: novo de novo

Há muito tempo eu não me divertia tanto com um iPhone: o iOS 7 transformou o meu aparelho antigo e ultrapassado num brinquedo novo, cheio de novidades interessantes a serem exploradas.

Sempre uso dois smartphones. Gosto demais desses aparelhinhos para me dedicar a um só. No passado, eu usava um iPhone e um dos vários Androids que testo. Com o lançamento do Nokia Lumia 920, porém, tive que escolher — e o iPhone foi parar na gaveta.

Apesar da relativa falta de aplicativos, o Windows Phone me ganhou pela agilidade, pelo visual e pelo conceito em si, primeira novidade real a aparecer no mercado dos fones espertos em muito tempo. O Android evolui constantemente, e a seu redor criou-se um ecossistema vasto e variado. Já o iPhone… bem, o iPhone continuava basicamente igual ao que sempre havia sido.

Para mim, o principal handicap do iOS era a falta de um sistema de notificações eficiente, para não falar de uma central de controle, dois pontos fortes do Android. Um sistema de notificações informa ao usuário o que está acontecendo — quais compromissos ele tem marcados na agenda, quantas ligações e torpedos recebeu, e assim por diante; na central de controle, pode ligar e desligar wi-fi e Bluetooth, pôr o aparelho em modo avião e por aí vai. Enquanto em qualquer Android essas funções estão sempre a um toque da tela principal, no iPhone era preciso ir às configurações e lá procurar o que se queria ajustar. Um processo complicado e antigo.

Pois isso foi lindamente resolvido no iOS 7. Ninguém precisa sequer sair da tela de bloqueio para ver as notificações ou ter acesso à central de controle; basta deslizar a tela para cima ou para baixo. Como os ícones de agenda e de relógio passaram a exibir data e hora em tempo real, como os live tiles do Windows Phone, a tela passou a exibir muito mais informação.

O que mais chama a atenção no novo sistema operacional, porém, é o visual, que ficou mais leve e contemporâneo. Se ficou mais bonito são outros quinhentos, até porque beleza é qualidade subjetiva. Eu, pessoalmente, gostei muito dessa versão alegre, que, como observou um dos meus amigos, podia ter saído de um jardim de infância. Mas o trabalho de Jony Ive não foi recebido com unanimidade: muita gente detestou as cores, a tipologia e o look bebê de modo geral — para não falar nas animações. O sistema não para quieto. Deve ficar perfeito no iPhone 5c, que vem numa paleta de cores sob medida para os novos ícones e telas de fundo.

Fiz o upgrade do meu 4S sem maiores percalços. O aparelho ficou mais ágil e mais rápido. O único aplicativo que deixou de funcionar foi o do banco, mas isso se resolveu em dois dias. O que continua sem solução: em vez de mostrar quantas mensagens recentes existem na mailbox, o ícone lê a caixa postal inteira e faz questão de expô-la em sua longeva e inviável glória — no meu caso, 3.614 mensagens não lidas.

Nem todo mundo teve a mesma sorte. Vários leitores escreveram relatando toda a espécie de problemas, sobretudo no upgrade do iPhone 4: mensagens embaralhadas, perda de conteúdo e, caso mais estranho de todos, recusa do aparelho em reconhecer o próprio cabo. Isso aconteceu com duas pessoas. Ambas usando o cabo original de fábrica, interpretado pelo aparelho como falsificação. Vá entender…

Aos leitores que me escreveram perguntando se fazem ou não o upgrade: se o seu aparelho é o iPhone 4S ou o iPhone 5, façam, com certeza. Se for o 4, e vocês estiverem loucos para dar uma renovada no aparelho, façam também — mas em hipótese alguma deixem de fazer backup do conteúdo antes de partir para o upgrade.

(O Globo, Economia, 28.9.2013)

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4 respostas em “iPhone: novo de novo

  1. O meu iPhone 4 só fica travando, agora que não tenho mais como voltar pro iOS 6, estou falido na lentidão…

  2. Penso Cora que essas novidades de igadgets e quetais já não estão mais chamando tanto a atenção. Tudo parece mais do mesmo e são tecnicidades que interessam a uma minoria.
    Os iApples foram ( e continuam sendo ) uma referência, como foi o Mac nos anos 80, mas logo as pessoas se acostumaram, o computador, seja qual for, mobile ou não, virou uma ferramenta que se confunde com a paisagem e é assim que deve ser. Os lançamentos atendem aos inquietos que querem sempre um brinquedo novo para dizer que o meu é melhor que o seu.

    • Oi André: Veja os recursos de comando de voz do Moto X que a Cora escreveu recentemente ou o leitor de digitais que a Apple oferece no 5S. Não acho que sejam tecnicismos mas sim uma tendência. Se o mercado de tecnologia caminha mais rápido que qualquer outro é porque existe uma competição selvagem entre os fabricantes.

      Quem sai ganhando não é só o consumidor dos tops de linha. Mais cedo ou mais tarde, o produto entry level incorpora a novidade, quando ela atinge maturidade, escala, custo etc.

      Concordo que a gente sempre espera muito da Apple, mas aí meu chapa, a falta que um Steve Jobs faz é incomensurável.

  3. Corinha,
    Resolvi tomar outro caminho q não o ugrade tradicional via iTunes em um iPhone 4. Baixei a “imagem” de atualização do IO7 (basta googlar p/ achar links diretos p/ o arquivo) e dei um restore completo apos um backup. Perfeito. Desliguei a atualização em “background” e o consumo de bateria melhorou de antes. Qto ao “badge” do email mostrando centenas de msg não lidas, fui em notificações, desliguei o badge por algum tempo então religuei e eis q o contador voltou ao normal. Bj

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