Maças: a nova colheita

Dizem que, no Japão, já há filas de fanáticos em frente às lojas da Apple para comprar, sem demora, o iPhone 5S. Um maluco chegou a se instalar em frente ao estabelecimento de Ginza com dez dias de antecedência! É muita vontade de ter um iPhone 5S — ou, mais provavelmente, muita vontade de chamar a atenção. Por tudo o que li a seu respeito, o iPhone 5S não está com essa bola toda, em que pese o seu sistema de reconhecimento de digitais.

O filme é o mesmo que assistimos antes, estrelado pela família 4/4S: aparelhos virtualmente iguais no look and feel, com algumas poucas mudanças de armazenagem e desempenho. O leitor de digitais para ligar o aparelho, grande novidade do 5S, é bastante engenhoso, e pode vir a se tornar padrão na indústria; afinal, é mais simples e mais seguro vincular o acesso a dados à biometria do que a senhas e padrões.

A segunda novidade mais evidente do topo de linha da Apple mostra o quanto a empresa mudou desde o precoce desaparecimento de Steve Jobs: ou muito me engano, ou ele deve estar dando voltas no túmulo com a versão dourada do 5S, um dos objetos mais horripilantes lançados pela indústria em muito tempo. Não foi à toa que as ações da Apple caíram após o anúncio dos novos smartphones.

Em compensação, gostei muito do iPhone 5C, humilde, coloridinho, sem pretensão de impor ao usuário uma filosofia estética; ao contrário, com o lançamento simultâneo das capinhas em cores contrastantes, a empresa reconhece que nem todos os gostos são iguais — e que há até quem goste de amarelo, como a Nokia vem provando com os seus Lumia.

(Aliás, sempre que vejo uma capa de celular mais extravagante, fico pensando no que devem sentir os autores dos aparelhos. Designers renomados, trabalhando a peso de ouro, eles quebram a cabeça para abrigar telas, antenas e circuitos variados nas formas mais puras e elegantes que conseguem imaginar — para que os usuários, na primeira oportunidade, cubram aquelas maravilhas com capinhas fofas dotadas de rabinhos e orelhinhas…)

o O o

Os novos iPhones chegam a um mercado quentíssimo, agitado por uma leva de lançamentos como há muito não se via. Levando o conceito das cores muito além da meia dúzia de opções da Apple, o Moto X, primeiro filhote da Motorola na administração Google, permite total personalização nos Estados Unidos, onde o aparelho é montado. O usuário pode escolher pela internet a cor dos painéis frontal e traseiro, e até mesmo das teclas laterais; uma semana depois, recebe o celular pelo correio. Daqui a cerca de um mes estarão disponíveis painéis traseiros em diferentes tipos de madeira, a custo um pouco mais caro. Essa novidade, infelizmente, não chega tão cedo ao Brasil, onde deveremos nos conformar, pelo menos num primeiro momento, com o Moto X nos clássicos tons branco ou preto.

A Sony apresentou, na IFA, o Xperia Z1, que não só é à prova d’água como tem uma das melhores câmeras do mercado, com 21 Megapixels e um sensor com o dobro do tamanho dos habitualmente usados nos smartphones.

E, no próximo dia 25, chegam ao mercado os primeiros Lumia 1020, topo de linha da Nokia, com estabilizador de imagem e câmera de 41 Megapixels — lindos, inovadores, diferentes de tudo o que já se viu no setor.

Diante disso, realmente — para que fazer fila na porta da Apple?
(O Globo, Economia, 14.9.2013)

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11 respostas em “Maças: a nova colheita

  1. Direto do wikipedia:
    As Maças, semelhantes a balizas ou pinos de boliche, são feitas de madeira ou plástico e devem ter entre quarenta e cinquenta centímetros de comprimento e pesarem pelo menos 150g cada !

  2. dizem que a Estatística é a ‘prostituta das ciências’; assim, no dia 10/set, Tim Cook, CEO da Apple, apresentou este impressionante gráfico das ‘Vendas Cumulativas do iPhone‘, totalizando quase 400 milhões de aparelhos em 2013!!!

    A má-fé do gráfico era ser ‘cumulativo’, ou seja, como um odômetro no automóvel que vai ‘acumulando’ os km percorridos, o gráfico plota os valores crescentes da soma total de todos os aparelhos vendidos, desde o primeiro. Como se considerasse que todos ainda estão em uso.

    No segundo gráfico, do total de Vendas Trimestrais — que a Apple é obrigada a divulgar por ser uma empresa de Capital Aberto (com ações negociadas na Bolsa) –, temos o gráfico real de aparelhos vendidos. Com um significativo decréscimo, passada a euforia dos novos lançamentos

    (eu tinha lido outra página, com uma excelente análise de ambos os gráficos, mas vai esta, que encontrei googlando)

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