Café e aplicativos

Bogotá, Colômbia — Foram três dias intensos de encontros, palestras e workshops sobre tudo o que diz respeito a cultura digital, de games e animações em 3D a aplicativos de todos os tipos para todas as plataformas de smartphones, passando por música, arte e transmídia (aquilo que, antigamente, se chamava de multimídia). Criada e patrocinada pelo ministério da Tecnologia da Informação e Comunicações, localmente conhecido por TIC, a Colombia 3.0 reuniu em Bogotá artistas e desenvolvedores locais, gurus da indústria mundial, acadêmicos, jornalistas e empresários. E, apesar da diversidade temática da agenda, o foco do evento sempre permaceceu claro: a Colômbia está disposta a acrescentar conteúdo digital à sua lista de exportações, lado a lado com o famoso café. O país tem talento, tem competência, tem preço e quer fazer negócio. Ponto.

Se a percepção de todo mundo que veio para cá para ver o que a Colômbia tem for igual à minha e à dos brasileiros com quem conversei, isso não vai ser difícil. A capital, bonita e culturalmente sofisticada, é uma grande surpresa para quem ainda imagina o país como uma espécie de grande Macondo ameaçada pelas FARC e pela guerra contra o narcotráfico. A qualidade da produção local de conteúdo digital não é menos surpreendente. A Colômbia tem uma indústria de conteúdo digital ágil e criativa, que produz não só para o mercado local como para grandes clientes internacionais. Parte do jogo se chama outsourcing, e me lembrou, guardadas as devidas proporções, o formidável time de desenvolvedores e programadores que fazem a força da indústria de TI indiana.

Junto com um pequeno grupo de jornalistas do Canadá e dos Estados Unidos, visitei, além da Colombia 3.0, algumas empresas de criação de conteúdo de Bogotá, onde ainda se localizam 70% da indústria de TI do país. Elas são bem parecidas com as suas irmãs brasileiras, européias ou norte-americanas, dos brinquedos espalhados pelo ambiente — skates, bicicletas, mesas de pingue-pongue — aos cartazes de Star Wars nas paredes. Na sede de um conglomerado que reúne cinco delas, há até redes (aqui chamadas de hamacas) estrategicamente posicionadas para os momentos de relax. Mas que ninguém se engane — o que o pessoal que trabalha lá menos faz é descansar. Do escritório localizado em dois andares de um modesto prédio sem elevador saem soluções de e-commerce, curtas, comerciais, games e até um canal de música colombiana (em www.amplificado.tv).

Os jovens empresários e desenvolvedores de conteúdo daqui trilham um caminho semelhante ao dos seus colegas espalhados pelo mundo. Frequentemente vêm de ramos distintos de formação, criam suas empresas com colegas de escola ou universidade e são absolutamente empolgados pelo que fazem. Andrés Gutiérrez, por exemplo: administrador, decidiu fundar a Tappsi com o amigo Juan Salcedo no dia em que, morrendo de pressa, não conseguiu pegar um taxi. O aplicativo que nasceu do contratempo, parecido com os nossos ResolveAí ou TaxiBeat, mas pioneiro em Bogotá, ficou pronto em outubro do ano passado… e já tem mais de 500 mil usuários em versões iOS e Android (breve, Blackberry e Windows Phone também). Com o crescimento do negócio, os sócios acabam de se mudar para uma casa emprestada pela mãe de Andrés. A Tappsi já tem vários funcionários, entre eles três telefonistas que se dedicam a tirar dúvidas e receber sugestões e reclamações dos usuários.

Dica: como todos os taxistas que usam o sistema são cadastrados, o Tappsi é “o” aplicativo que não pode faltar no smartphone do turista que visita a Colômbia.

Na semana que vem tem mais. Até lá!

(O Globo, Economia, 7.9.2013)

Anúncios

9 respostas em “Café e aplicativos

  1. Quando você vai para Paragominas, a 3 horas de Belém do Pará, passa por quilômetros e quilômetros de uma grande fazenda, que está arrendada para um empresário nacional. De quem é esta fazenda ? Do filho do nosso ex-grande guia. Ele é a própria aplicação do conceito de Mao: O grande salto à frente !

  2. Difícil dizer algo além do que o Tom disse.

    (Fiquei chateada com sua dor de ouvido quando lá, então me ocorre que
    bem que eles podem criar um aplicativo , com função terapêutica , que emita
    um som que –ao se pôr o fone ao ouvido– cure de pronto as dores de ouvido
    causadas pela altitude do país deles ,rsrs .

    Quanto pode a tecnologia, aliada(inclusive) à criatividade, ajudar as pessoas
    nesse sentido !!?!!…)

  3. Ô cumadi, vou desabafar aqui um tiquinho, viu?
    – a bandeira do Brasil me representa sim, me sinto queimada junto com ela, me dói sim, bando de mequetrefe arruaceiro, vai lavar um tanque de roupa, eu hein!
    – bater em jornalista a troco de quê, que raio de ideia cocô (já que gostam de jogar cocô nas paredes alheias) é essa que imprensa tem que ser imparcial, se alguém quer emitir opinião funda um jornal, que traz a opinião do dono, sempre foi assim, não gostou, flor, funde o seu, eu hein!
    – pode reclamar, perseguir, chiar, eu estou certa sim, isso é arruaça, não vejo diferença entre esse vandalismo e arrastão, é tudo farinha do mesmo saco sim, eu hein!
    – que pereba de blackbloc coisa nenhuma, desde o começo falei, aquele A na bolinha não vai dar boa coisa, nunca deu, o mal desses caras é relembrar o passado, parecem que descobriram o mundo pelo google e ficam apitando que não querem colar, querem apito, cresçam e apareça, tenham modos, eu hein!
    – tiraram foi o povo bom das ruas, sobrou esse urubus, eu hein!
    – tudo muito errado, mas como disse o outro, eu quero é paz, só que ficar calada com coisas assim dá ulcera, se eu fosse a tal da imprensa que eles tanto xingam parava de falar neles, aí nem a mídia ninja ia querer, no fundo o povo só quer ipobe, quer apostar, eu hein!
    _ vestem preto, cobrem a cara, queimam bandeira, quebram tudo, batem nos jornalistas, só fazem besteira!!

  4. Me impressiona ver como os países da América Latina continuam se colonizando, querem ficar iguais aos Reinos = Estados Unidos e Europa

  5. “ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal…” E assim vamos ficando aquém das esperanças de Paulo Rónai e Stefan Zweig

    x-x-x-x-x-x-x-x-x
    E o milionário ‘gênio da informática’ tupiniquim, o “Filhote-Orgulho do Lula”, colocou o país na vanguarda dos aplicativos, não é mesmo? Merecendo cada centavo que embolsou, por ‘mérito próprio’

Diga lá!

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s