A questão da ‘concessão’, para rádios e TVs

Uma explicação do meu, do seu, do nosso Tom Taborda! Fala, Tomzinho:

— Antes de mais nada: NÃO EXISTE concessão para a MÍDIA IMPRESSA. Qualquer um pode imprimir e distribuir seu jornal ou revista (ou blog, ou Canal no YouTube), sem precisar ‘pedir Concessão’ ao Governo.

— Para as Rádios e TVs, o que existe é, basicamente, uma QUESTÃO TÉCNICA de ‘alocagem de banda’, no Espectro Eletromagnético, para que não hajam interferências. Explico:

Eis o Espectro Eletromagnético:

radiation-spectrum

Note que as chamadas Ondas de Rádio ocupam uma faixa bastante limitada do Espectro

Todo equipamento que utiliza Ondas de Rádio (como as Emissoras de Rádios de Ondas Curtas, Ondas Médias, AM e FM; Emissoras de TVs, VHF e UHF; Celulares, Walkie-talkies, CBs, Radio-Amador, Radio Taxi Polícia Ambulância Bombeiros, Telefones-sem-fio, chave eletrônica dos carros, WiFi etc. etc. etc.), para que possam ser SINTONIZADOS, operam numa determinada frequência fixa (o Canal de Sintonia de cada ‘estação’), com intervalos entre si, para que não hajam interferências, nem sobreposição. Todos estes serviços listados acima operam dentro da limitada faixa de ‘Ondas de Rádio’ do espectro.

A Rádio MEC, por exemplo, tem duas freqüências no Rio: FM 98.9 MHz e AM 800 kHz

Isto significa que nenhuma outra emissora pode transmitir sinais nestas duas especificas frequências (a bandalha das ‘Rádio-Piratas’), nestes ‘canais de sintonia’.

Justamente para evitar as interferências, que a ‘Frequência de Sintonia’ de cada Emissora (de Rádio, ou de TV) é ‘concedida’ pelo Governo.

Deveria ser apenas uma questão técnica da Anatel (? é isso? imagino que este seja o Órgão Regulador): a Rádio MEC tem a permissão de operar na frequência FM de 98.9 MHz. Com um pequeno intervalo entre as vizinhas. Assim, a Beat98 FM ocupa 98,1 MHz e a JB FM ocupa 99,7 MHz. E assim por diante, uma ao lado da outra, ocupando seu respectivo lote. Dá para perceber que se trata de uma limitada oferta de ‘Canais/Frequências Alocadas/Concessões’, de 87.5 a 108 MHz (para Rádio AM)

Isto, nas mãos de governos centralizadores (como Brasília sempre foi e sempre tem sido), a distribuição de Concessões de Rádios e TVs é [apenas mais um] instrumento de PODER POLÍTICO (assim como, por exemplo, a ‘Verba das Prefeituras’, também distribuída por Brasília)

A ‘concessão’, portanto, nada mais é que uma espécie de ‘arrendamento’ de um terreno, onde quem recebe este arrendamento tem a liberdade de ali produzir ou construir o que for capaz. Além dos Impostos que pagará, não deve mais nada ao Governo que concedeu. Mais ou menos como uma Empresa de Navegação que recebe a concessão para operar nas águas brasileiras. Ela tampouco é ‘dona’ das águas, apenas recebeu o direito de navegar naquelas rotas concedidas. Mas as pessoas enchem a boca para falar “é uma concessão do Governo!” como se tratasse de um “favor real” dos tempos monárquicos.

o O o

Evidentemente — e que, pelo visto, não interessa a Governo algum — já existe tecnologia (Frequency-hopping spread spectrum, como ocorre na frequência ‘vale tudo’ dos 2,4 GHz) capaz de transmitir múltiplas ‘estações/canais’ numa mesma faixa de banda…

Se implementada tecnologia semelhante, emissoras várias, de Rádio e TV (com esta tecnologia para Transmissores e Receptores, evidentemente), poderiam transmitir seus sinais sem pedir permissão/concessão dos Governos…

Como, de uma certa maneira, é o que ocorre na… Internet: taí o ‘Porta dos Fundos’ veiculando com sucesso seus filmetes, dispensando aval, ou contrato com qualquer Emissora.

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29 respostas em “A questão da ‘concessão’, para rádios e TVs

  1. O FHSS(Frequency-hopping spread spectrum) não permite exatamente a transmissão de múltiplas emissoras/canais em uma única faixa de banda.
    A frequência de 2,4GHz na verdade é uma faixa entre 2,4 e 2.4835 GHz de uso não licenciado, sendo adequada para equipamentos de pequeno alcance como modens, bluetooth, microondas, etc.
    O FHSS faz com que a transmissão de dados de uma fonte alterne pseudo-aleatoriamente ao longo de 14 frequências nessa faixa, o que diminui o risco de colisão de dados de 2 transmissores independentes(não cooperativos entre si).
    Caso tenhamos 15 transmissores simultâneos usando o FHSS, teremos pelo menos 2 emissores na mesma frequência, o que implicará em interferência. A mesma coisa ocorreria caso distribuíssemos essas 14 frequências fixamente para 15 pessoas. 2 delas teriam que dividir a mesma frequência, causando interferência.
    O “ganho” do uso da FHSS vem do fato de termos poucos transmissores independentes em uma mesma área de alcance.

    • Vc está apresentando uma limitação de conexões simultâneas, adequadamente projetada para os dispositivos nesta faixa de frequência, como se fosse uma limitação intrínseca da FHSS. Afinal de contas, para quê se projetaria um Bluetooth capaz de suportar milhões de conexões simultâneas? é não apenas um exagero, mas sobretudo um desperdício

      Utilizando a FHSS, por exemplo, alguns Handheld Radios operam com 10 BILHÕES DE CANAIS !!!

      O que teorizo é: se a faixa VHF das Emissoras de TV utilizasse a FHSS, teríamos um número muito maior de ‘Canais’ do que os atuais de 2 a 13.

      • Eu entendi, só que a sua teoria está equivocada.A tecnologia FHSS não consegue fazer 2 transmissores compartilharem a mesma frequência. Ela apenas torna mais improvável que estes 2 transmissores sem encontrem dentro de uma FAIXA de frequência. Caso eu tenha apenas uma frequência (não uma FAIXA, como entre 2,4 e 2.4835 GHz), eu não conseguirei realizar 2 transmissões ao mesmo tempo.

        Você parece que entendeu errado a limitação que eu apresentei. Um Bluetooth, por exemplo, pode se conectar com um número grande de dispositivos mas não por causa do FHSS, e sim porque a transmissão eletromagnética atinge a todos os receptores em uma determinada área. Mas se temos 2 pessoas utilizando o Bluetooth, cada um ligando o seu celular ao fone de ouvido, por exemplo. Bastaria que fosse utilizado frequências distintas (dentre as 14 disponíveis) para que não tivéssemos interferência. No entanto, um dispositivo pode não ter conhecimento de outro, o que pode fazer eles escolherem a mesma frequência e sofrerem interferência permanente. O FHSS faz com que eles variem a frequência na transmissão. Desta forma, mesmo que 2 dispositivos enviem inicialmente na mesma frequência, dificilmente os dispositivos “saltarão” para frequências iguais, tornando a interferência apenas momentânea.

        Esse limite de 10 bilhões de canais é teórico. O que este rádio faz é saltar por 50 frequências dentre 700 disponíveis para a transmissão na faixa de 915MHz(faixa reservada para radioamadores). Caso 2 rádios acabem “saltando” em uma mesma frequência (mesmo momentaneamente), ocorrerá interferência. Ou seja, 701 rádios destes implicaria em interferência certa entre pelo menos 2 rádios sempre (um número até menor já tornaria a interferência entre 2 rádios um evento constante).

        O números de canais de transmissão em uma faixa também não é arbitrário. Ele é limitado pela capacidade do canal (Teorema de Nyquist e o Teorema de Shannon-Hartley). Quanto menor a taxa de bits transmitido em um canal, menor é a banda que precisará ser utilizada ( o que implica em mais canais). A transmissão de áudio e vídeo (imagem e som de um programa) requer um fluxo muito maior de dados do que a transmissão apenas de áudio (voz humana). Sendo assim, uma faixa que comporte 700 frequências para transmissão de Walker-Talks, comportará uma quantidade menor de frequências para a transmissão de uma emissora televisiva.

        • Releia meu último parágrafo e veja o q escreveu no seu primeiro parágrafo.

          Eu teorizo e citei especificamente a utilização da FHSS na FAIXA dos sinais VHF (dos canais 2 a 13 da TV aberta convencional) e não numa única frequência.

          Assim, teoricamente, a quantidade de ‘Canais de TV’ possíveis e disponíveis multiplicar-se-ia quase que exponencialmente. Era uma ‘notinha de rodapé’, neste post cujo tema é a concessão de Canais de TV [e Rádio]

          Evidentemente que não seriam os “10 Bilhões” do radinho. Mas se a FHSS consegue espremer 10Bi (de áudio, baixa taxa de bits) na faixa reservada para radioamadores, pelo menos uma centena (ou mais) de Canais de TV igualmente desfrutariam da faixa VHF

          Mas esta é uma discussão meramente teórica/acadêmica e governo algum no mundo (pelo menos, por enquanto) pretende mudar o sistema de Alocação de Frequências em vigor.

          • Eu entendi, amigo
            O que estou dizendo é não ser possível “multiplicar” o número de canais de TV usando técnicas de Spread Spectrum pois elas só tornam menos ruim que fontes não colaborativas entre si dividam esta faixa.
            A melhor situação continua sendo com você alocando cada emissora de TV(ou qualquer outro emissor eletromagnético) em uma frequência fixa.

            Não sei se você lembra, mas a alguns anos atrás o governo começou a transição da TV analógica para a digital. A TV digital permite que a transmissão seja compactada, permitindo mais canais em uma mesma faixa comparado com a analógica.

            Ou seja, no meu entendimento não é por falta de interesse do governo que temos a quantidade atual de canais disponíveis(quase certeza de que são mais do que apenas 12), e sim porque não existe interesse de se investir em um novo canal televisivo.

    • Agora que finalmente vc conseguiu fazer um comentário que não é um disparate, só falta aprender a não fugir do assunto do post. O que isso tem a ver com concessões de radio e tv?
      Chatinho ficar ensinando netiquette 101 pra marmanjo

  2. Olhando rápido o TOM tem razão, mas pensando bem ele ‘desenhou’ para entendermos o princípio capitalista do ESTADO ZERO, onde as leis do mercado se harmonizam entre si. Quem pode mais pode tudo. Quem pode menos se contenta com as sobras. Uma pena Tom…

  3. Qual é o ponto desse artigo? Dizer que os Marinho podem espizinhar nossa cidadania como bem entenderem? Que puxa-saco de patrão!…

  4. …pois então: discuti recentemente com um cliente sobre a sanha dele em ter um programa num canal “comunitário” na NET [a cabo, da Globo]. Veio com mapas de audiência, tabelas de preços onde acrescentaria 40% para revender espaço publici[o]tário, etc

    …mostrei 3 cases: Jovem Nerd, Porta dos Fundos e Mundo Canibal. Hospedados no YouTube, na verdade viviam da audiência dos respectivos sites. E oriundos de Conteúdo®. Quando mostrei o valor que os sites/canais arrecadam proporcionalmente se comparados se estivesse na TV, ele desistiu do canal comunitário na “tv”.

    …quando o acesso à web for mais barato e eficiente do que um aparelho de tv e de rádio [já que os custos de produção caíram, menos o de inteligência, rsrsrs], quem sabe a hegemonia destas concessões deixe de ter importância.

  5. Grande Tom!
    Felizmente a dona do blogtequim resolveu manter abertas as portas. Caso contrário perderíamos ensinamentos e explicações como esta.

  6. É esse um dos motivos pelos quais admiro demais Tom Taborda : ele é tão…”antenado” !…rs

    Também muito esclarecedor o comentário de Lilly : nada como ter vivido uma certa realidade
    pra também poder falar de cátedra e com propriedade sobre o tema !

    • Obs.: foi justamente a tecnologia do Frequency Hopping que possibilitou a explosão da telefonia celular: permitindo múltiplos aparelhos se conectarem simultaneamente — celular A para Celular B — sem interferências nas ligações individuais, todos utilizando a mesma frequência (o mesmo ‘canal’)

      Ou seja: não é mais necessário sintonizar no canal ‘xxx.x MHz’ para ‘A’ falar com ‘B’. Vários celulares compartilham simultaneamente o mesmo canal, sem interferências

    • O FHSS(Frequency-hopping spread spectrum) não permite exatamente a transmissão de múltiplas emissoras/canais em uma única faixa de banda.
      A frequência de 2,4GHz na verdade é uma faixa entre 2,4 e 2.4835 GHz de uso não licenciado, sendo adequada para equipamentos de pequeno alcance como modens, bluetooth, microondas, etc.
      O FHSS faz com que a transmissão de dados de uma fonte alterne pseudo-aleatoriamente ao longo de 14 frequências nessa faixa, o que diminui o risco de colisão de dados de 2 transmissores independentes(não cooperativos entre si).
      Caso tenhamos 15 transmissores simultâneos usando o FHSS, teremos pelo menos 2 emissores na mesma frequência, o que implicará em interferência. A mesma coisa ocorreria caso distribuíssemos essas 14 frequências fixamente para 15 pessoas. 2 delas teriam que dividir a mesma frequência, causando interferência.
      O “ganho” do uso da FHSS vem do fato de termos poucos transmissores independentes em uma mesma área de alcance.

  7. Isso é o que deveria ocorrer. Porém, como aqui é a terra do “jeitinho”, qualquer político poderá ter sua emissora (rádio ou TV), caso queira. Conheço o “ramo” desde fins da década de 1960 e, pelo visto, nada mudou. O que mudou foram os ditos concessionários e os políticos. Algum de vocês já viu alguma coisa funcionar no País sem o famoso jeitinho, já? Eu, não! Obs.: Nas emissoras nas quais trabalhei não houve jeitinho, não! O que houve foi muito trabalho para se “ganhar” uma concessão! É muito papel e muita certidão.

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