O inverno da nossa esperança

O Brasil tem uma dívida de gratidão com o governador Geraldo Alckmin. Se ele não tivesse soltado a tropa de choque em cima dos manifestantes que protestavam em São Paulo contra o aumento do preço das passagens, é possível que o maior movimento social do país jamais tivesse chegado às ruas. A onda de indignação começou a se formar assim que as primeiras fotos e vídeos das agressões da polícia circularam pela internet; ela se transformou em tsunami quando, horas depois, o governador veio a público defender a polícia e atacar os manifestantes. Como assim? Quer dizer que o cidadão, que paga a conta, ainda tem que aguentar todos os desaforos do governo caladinho, fechado em casa?! É isso?!

Para quem estava nas redes sociais, o que aconteceu a partir daí rolou como um filminho. Subitamente, todos os outros assuntos retrocederam, como fez a maré na Ásia, e as timelines foram tomadas pela insatisfação geral. No sábado, o Twitter e o Facebook mal aguentavam o peso da comoção. Algo de grande e de inesperado estava se formando. No dia seguinte, tentei definir o que estava sentindo:

” Estou maravilhada com o que está acontecendo no país. Há quem se queixe que a população não se manifestou em relação ao mensalão, à PEC 37, à roubalheira em geral e à da Copa em particular, e que o preço da passagem seria uma causa “menor”; mas a gente nunca sabe qual é a gota d’água, qual é o estopim que faz com que todo mundo tenha vontade de gritar junto. O que no começo era só um protesto contra 20 centavos virou o protesto que todos queríamos, contra todas as desfeitas que nos vêm sendo feitas de todos os lados, por todos os partidos, por todos os poderes.

É um protesto que, pelo menos à primeira vista, “pegou”.

Ao longo dos últimos anos, fui chamada para N manifestações diferentes, muitas das quais coincidiam com a minha opinião. Nenhuma, porém, tinha jeito de dar liga. Faltava sempre alguma coisa que não sei definir — e que talvez fosse até a polícia na rua, quem sabe? Faltava a empolgação geral, o arrepio na espinha, a massa crítica.

Agora é diferente.

Pela primeira vez em muitos anos — mais especificamente, desde o impeachment do Collor — dá para sentir uma tensão no ar, um alento, o brilho de uma esperança coletiva que não discrimina sexo, idade, classe social.

As manifestações da semana que vem podem não dar em nada. A ideia dos panos brancos nas janelas pode — sem trocadilho — passar em branco. É possível até que o momento de indignação geral já tenha passado quando a quinta-feira chegar e for a nossa vez de, aqui no Rio, ir às ruas (eu estava mal informada, não sabia que já tínhamos protesto marcado para a segunda-feira). Penso muito nisso, para não dar corda demais às minhas expectativas e não me amargurar se nada acontecer.

Mas também pode ser que estejamos diante de um grande momento. Que não será apenas um protesto contra o aumento das passagens, mas uma formidável manifestação de cidadania — algo de que nos orgulharemos no futuro, e que contaremos, cheios de saudades, aos nossos filhos e netos.”

Até agora, 2h12 de quarta-feira, não tenho motivo para amargura; ao contrário, estou feliz, orgulhosa do meu país e da minha cidade. Quem pede foco aos manifestantes ainda não entendeu que, antes de qualquer coisa, este é um movimento pela cidadania, um movimento que diz ao poder canalha que temos que ele não nos representa.

“O povo unido protesta sem partido”, gritava a moçada em Porto Alegre. Eles me representam.

o O o

A hashtag #ForaDilma disparou para o primeiro lugar nos TTs (trending topics) do Twitter na terça-feira à noite, logo após a burocrática e irrelevante declaração da presidente sobre as manifestações. Não tenho nenhuma simpatia por ela, muito antes pelo contrário, mas acho que definitivamente não é por aí — mesmo porque as alternativas para substituí-la, ao menos no momento, são Michel Temer e Renan Calheiros.

A meu ver, as manifestações não são contra A, B ou C, mas contra a classe política como um todo. Cansamos de ver o nosso dinheiro indo para o lixo, cansamos de ver Brasília transformada num balcão de negócios, cansamos da roubalheira e do deboche dos nossos governantes. Todos eles. De todos os partidos, de todos os poderes e de todas as esferas.

“O povo acordou, o povo decidiu, ou para a roubalheira ou paramos o Brasil”, entoavam os manifestantes em Juiz de Fora. Eles me representam.

o O o

Justo no meio disso tudo, a presidente — a “presidenta”, a chefona, a manda-chuva, a über-faxineira, a mulher que só fala aos gritos com os seus comandados — deixou Brasília para ir a uma consulta urgente em São Paulo… com o seu marqueteiro!

Putz. Essa não entendeu nada mesmo. E não, ela não me representa.

o O o

Há pouco tempo, vi uma foto da Avenida Rio Branco muito parecida com a que vimos no dia da manifestação. Era a foto do desfile do Bola Preta no carnaval, lembram? A diferença é que naquela foto, segundo a polícia, havia um milhão de pessoas. Eu não sei como essas contas são feitas, mas eu gostaria muito que alguém me explicasse por que a avenida cheia no carnaval tem um milhão de pessoas, e a avenida cheia na manifestação tem cem mil. Aceito desenhos.
(O Globo, Segundo Caderno, 20.6.2013)

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60 respostas em “O inverno da nossa esperança

  1. Eu fui em mais de uma manifestação. Ontem, depois de postar aqui, acompanhando os noticiários, comecei a perceber que o movimento está se degradando rapidamente.
    O que ocorreu ontem no centro DEPOIS da manifestação e o arrastão que acabou de acontecer na barra, somados à tentativa de invasão do Itamaraty em Brasília mostra que o movimento foi “tomado” por criminosos.
    Parece ser momento de fazer coro com o MPL de SP que suspendeu as passeatas.
    Eleger uma liderança, ou mais de uma, também seria útil para dificultar a ação de vândalos.

    Enquanto o manifesto servir de terrorismo para os moradores dos locais onde ocorrem, eu não participo mais.

  2. Xá vê se eu entendi: o Alckmin solta tropa de choque no povo então impeschment na Dilma.

    Tá, né.

  3. O que mais estranho em todo esse embróglio é que as “cabeças pensantes”(Lula, Dilma, Dirceu, a petralhada toda) estão todas caladas. Não se manifestam.. Parece que estão “atrás da moita” e todos nós sabemos que, no escondidinho da moita, ou nós passamos o ferro ou somos ferrados.

  4. Como sempre um texto brilhante, hein Cora!
    Um dos cartazes mais legais, pescado pelo Marcelo Coelho: “COPA EH O CARALHO!”
    Curto e grosso…

  5. Cora,

    esclarecendo a sua dúvida sobre o número de manifestantes X número de foliões, é porque nas manifestações o pessoal é mais gordinho, então um manifestante ocupa o lugar de 10 😉

    Adorei o texto.

  6. Televisão de Roberto “Participamos da Revolução” Marinho, como da outra vez, está próxima de acertar o GOLPE fatal na Dilma: são mais de 4 horas no ar incitando a turba. Vão conseguir.

    • Deus me livre de ser presidido por Michel Temer. Ou, na linha sucessória, por Renan Calheiros…

  7. A propósito, acabei de chegar em casa, vindo da Prefeitura do RJ, onde para variar, sobrou truculência, bomba e gás.
    Caminhamos de ponta a ponta e em dado momento, subi em uma passarela (na altura da praça onze) e pude constatar que se hoje havia apenas 300 mil, NUNCA no carnaval de ano algum passou de 500, quiçá 1 milhão.

  8. Seria bom que você levantasse toda a sua indignação cívica contra o financiamento que o dinheiro público, o dinheiro dos impostos, fez e faz – inclusive o de alguns governos do PT -dos negócios criminosos de seus patrões – apoiadores de golpes e do que há de mais atrasado desde sempre. Não é defensável indignar-se só pela corrupção do “outro” e, ao mesmo tempo, admitir todo golpismo, toda a corrupção, todo imoralismo se ele não é de esquerda. Essa honradez indignada não alcança as falcatruas dos governos do PSDB, não alcança os seus colegas da Veja, provada e comprovadamente associados ao bandido Carlinhos Cachoeira (como alguns do PT também – mas esses podem ser citados, claro, os demônios de sempre podem), não alcançam os privilégios de Joaquim Barbosa e dos ministros no STF, não alcançam FHC sendo financiado pelo Itaú etc etc. Afinal, se há uma coisa que vocês sabem bem – vocês que representam os 10% da população que vive descolada da realidade desse país – é mentir e golpear com cara de gente decente a maioria há 500 anos. Vocês não são decentes; vocês são imorais.
    Querem tirar a Dilma ou qualquer outro? Tirem. Pelo voto. Ganhem as eleições. Fora disso, nem pensar. Sim, o Brasil mudou. Apesar de vocês.

    • Essa ideia plantada de que o PT inventou a corrupção também me incomoda muito.
      Torço para que as pessoas pesem os avanços obtidos no social (apesar de logicamente não estar feliz com o PT).
      Implica-se com o fato de ainda hoje criticarem o governo tucano, mas o endeusamento (baseado infelizmente na amnésia) desta época é revestido de latente má fé.
      FH entregou o país com 33 ministérios (O PT ampliou para 37).
      O desemprego estava na casa de 13%, o salário mínimo era realmente uma piada e o dólar valia bem mais do que vale hoje, apesar do recente aumento.
      Não acho que caiba de defender um ou outro governo, mas embora não esteja nem perto de estar satisfeito com o ruim, não quero voltar ao pior.
      Minha maior mágoa com o partido é o fato de que no primeiro mandato, o Lula possuía a popularidade, a maioria no legislativo e o campo aberto para todas as reformas que tanto precisamos.
      Ficar na mão do PMDB de Sarney, aliar-se a Calheiros e Barbalhos, necessário para a reeleição e para viabilizar o governo Dilma, minou o executivo. Não tem mais margem de melhora. Se por acaso Aécio ganhar, precisará do mesmo PMDB para governar.

      A recente chantagem feita pelo Renan com a diminuição da conta de energia mostra bem o funcionamento do Senado.
      O que todos precisamos entender com urgência é que não adianta colocar o Gandhi ou Luther King no lugar da Dilma.

      Nosso câncer é e sempre foi o Legislativo.

      Tiririca e Romário, tão ridicularizados e criticados, estão entre os mais assíduos. Isso só pode ser um nefasto indicador de a quantas anda o Congresso.

      Por aqui, uma ALERJ comandada por bandidos do naipe de Paulo Melo e Picciani não nos reserva melhor sorte.

      O Legislativo é a saída. Vamos aprender a votar para deputado.

      É isso que eu tenho dito com minha mísera presença nas manifestações.

    • Quando a imprensa vira a ‘oposição’ (uma vez que não há uma oposição, senão um ‘clube’ de encastelados) é sempre um risco – não se deve misturar o ingrediente do ódio de partidarismos e manipulações nesse caldeirão, porque o que se busca é representatividade efetivamente democrática – que os políticos eleitos nos representem em nossos interesses coletivos, e não a si próprios e a interesses privados. O que as ruas estão a dizer é que não queremos que nos digam (e isso a imprensa já deveria ter aprendido) em quem votar, o que consumir, como agir etc… É isso. Avanços econômicos (e isso é inegável, e imputável ao governo PTista) não bastam, e talvez sejam o que estão a fomentar também o grito por mudanças, por qualidade nos serviços públicos, por inclusão (não somente econômica) em melhores condições de vida.

    • Brilhante texto, Daniel. Adorei o trecho “essa honradez indignada não alcança as falcatruas do governo do PSDB, não alcança seus colegas da Veja…”. Prossigo aguardando ansiosamente pelo que Cora tem a lhe responder…

      • Prezado Antonio
        Nao há discussão possível, mas sim a simulacao dela. Veja, a Globo agora tenta se apropriar da pauta das manifestações porque não houve outro jeito. Mudou repentinamente.
        Essa turma que fala compulsivamente de honestidade (como Janio, como Collor, com os golpistas de 64), como essa jornalista, não responde e nunca responderá, nunca levantará, por exemplo, questões bem objetivas: a Globo e uma das maiores devedoras da Receita Federal, sonega justamente o dinheiro da educação, da saúde, do transporte, dos serviços públicos. Que indignacao seletiva e essa?
        Não, isso não e imoral para quem se locupleta no dinheiro do povo como eles, eles que não são casos de desejado sucesso empresarial, mas do desvio, da mamata e dos negócios inconfessáveis.
        Nunca veremos na grande imprensa e na voz de seus funcionários, como a dona desse blog, qualquer visão realmente de fundo sobre os problemas do país. Essa visão rasa e “fofa” que nao questiona nada é o limite. Ou o máximo que veremos, como resposta, será um clichê, um negaceio qualquer, um adjetivo: toda crítica se resume a “PTralhada” ou a “autoritarismo de quem e contra a liberdade de expressão” ou outra bobagem qualquer que nada responde e que só a ignorância democrática abissal da classe média brasileira pode engolir. Interditam o debate para esconder a agenda real de seus interesses econômicos objetivos.
        A luta por um país democrático e próspero se dá em muitas frentes. E já não é uma minoria atrasada e preconceituosa, que faz exatamente tudo o que critica, que pode atravancar isso. A democratização da comunicação no Brasil é urgente – ja passou da hora dessa oligarquia (que o PT ao assumir o poder decidiu nao enfrentar) ser apeada.
        Precisamos lutar para simplesmente ter o que países europeus e mesmo os EUA já tem: mecanismos de legislação que impeçam a ditadura virtual da comunicação de massas em que nos encontramos. E atuar fortemente na internet contra o discurso da desinformação que essas empresas praticam.
        Um abraço.

        • Quer dizer que vc pensa que a Cora eh desonesta porque nao aponta as falcatruas do patrao… no jornal dele! Gostaria de saber ONDE vc trabalha – qual o TEU patrao e se vc sai por ai esmiucando publicamente a empresa dele. Quero ver!
          E – por favor – leia as cronicas da Cora durante os governos de Fernando Henrique antes de fazer esse tipo de insinuacoes.

          • Bingo: essa é a ética de vocês. Dois pesos, duas medidas. Seletiva. Falta coerência, falta autoridade. Não se sustenta quando confrontada.
            Não mire o mundo pelos seus valores, meu caro: meu patrão, que é pequeno, não sonega impostos, muito menos bilhões deles. Eu não sonego impostos. A maioria das pessoas não sonega impostos.
            O discurso moralista de vocês não agüenta ir nem ali na esquina. E por isso que esse tipo de pensamento tem que ser denunciado.
            Insinuações são vocês que fazem, estou falando claramente que a Globo deve fortunas para a Receita. Dá pra entender? Você se interessa em se informar e denunciar isso? Você acha isso importante? Qual o impacto disso para os serviços públicos? Isso e ético?
            Falo também que você e sua articulista de indignação seletiva e outros tantos não acusam os governos do Psdb, a bandidagem da Veja com Carlinhos Cachoeira provada e comprovada (nao e opinião minha, há documentos), os privilégios escandalosos dos ministros do STF (que só o Estado de SP não teve a cara de pau de não levantar). Isso é fato e é concreto.
            Mas, claro, na sua ética torta tudo isso não e importante. É por isso que vocês são tão corruptos quanto FHCs, Dirceus, Perillos e companhia. E o movimento que está na rua é contra vocês

        • Discurso contrário à mídia tendenciosa td. bem camarada..mas daí a querer justificar e defender com esse discurso o establishment que está aí a 10 anos dilapidando magistralmente diga-se de passagem a coisa pública…não dá né! Palavras de ordem só nos palanques de “onda vermelha”. Ao dizer que “o PT ao assumir o poder decidiu nao enfrentar” vc. está corretíssimo: não enfrentou a reforma tributária, não enfrentou a reforma do judiciário e tantas outras…e governa com PECs e distribui suas benesses de cabestro com o dinheiro público enquanto coloca o resto nos mensalões….
          Manifeste-se, mas saiba que todo discurso pode e é lido…todas as intenções nas linhas e entrelinhas ficam ali registradas…isso não é próprio somente das grandes mídias….
          #contraapec37 #forapopulismo #cidadania

          • Esses 10 anos não se resumem a corrupção. Você fala isso ou por desconhecimento ou por má fé. A corrupção nao foi inventada nesse governo. FHC comprou a reeleição escandalosamente e as privatizações foram o maior saque da história republicana. Livros de história, por favor. E sem indignação seletiva.
            Há conquistas sociais reconhecidas mundialmente. Redistribuição de renda. Isso mudou bastante o país. Ainda que nao suficientemente.
            Mas chegou-se a um momento em que é preciso avançar e não e pelo caminho desse discurso desinformado. E preciso mais serviços públicos, mais impostos pra grandes fortunas (o problema da carga tributária não é o excesso, mas a má distribuição e a corrupção desde sempre) – o Brasil tem uma carga tributaria 15% menor que a da Suécia e 15% maior que a do México. Queremos ser a Suécia ou o México?

  9. Cora, sua maneira de enxergar e apresentar as coisas que vemos são únicas, contagiantes e quase poéticas! Mas, como ainda é cedo para sabermos como as coisas vão se encaminhar daqui pra frente, é bom mantermo-nos sempre atentos para enxergar os “sinais dos tempos” e dizer “alto lá!”, quando necessário. Queria compartilhar com você um depoimento bastante pessoal e que me tocou muito, da professora Janaína Paschoal, sobre os últimos dias:

    “Há duas décadas, quando o presidente do Centro Acadêmico “XI de Agosto” me destacou para falar algumas palavras para recepcionar Lindbergh Farias, pouco antes de sairmos em passeata pela derrubada de Collor, eu peguei o microfone e disse: “Nós vamos a essa passeata porque a causa é justa, mas sua cara bonita não me engana”. Por pouco não fui destituída do cargo. Creio que meus colegas de chapa nunca me perdoaram. Há alguns anos, durante uma cerimônia em que todos reverenciavam o então ministro da justiça, Márcio Tomaz Bastos, eu o questionei sobre a quebra do sigilo do caseiro Francenildo. Cortaram-me a palavra e, até hoje, há quem não me cumprimente direito pela absurda falta de sensibilidade e educação.”
    ( http://abr.ai/17ki7an )

    Abraço!

  10. Salve Cora.
    Mais uma vez um grande título e um texto enxuto com tudo que eu gostaria de dizer.
    Enquanto houver imprensa livre “eles” não ganham.
    .
    Parabens

    • “Imprensa livre”? Você deve estar falando de outro país, não do Brasil. Talvez da Inglaterra, que colocou Rupert Murdoch no seu lugar em nome da democracia.
      Os Marinho, os Frias, os Mesquita e vários etc apoiaram, defenderam e se beneficiaram da ditadura. Livros de história, por favor.
      Hoje, defendem suas teses, as mesmas de ontem, e todo dia vertem sua indignação seletiva, aquela que cativa uma classe média inculta e despreparada, pra defender interesses econômicos muito objetivos. E, para o trabalho sujo, há alguns jornalistas, que não vivem a vida da maioria, privilegiados e encastelados que estão, para fazer seu trabalho sujo.
      Vamos defender ideias, mas com o mínimo de informação.

      Informação: A Inglaterra não é governada pelo PT ou filial do PT.

      P.S.: Nossa classe média também não é “Padrão Fifa”.

  11. “Now is the winter of our discontent!”

    Coríssima! Que espetáculo de texto, cristalino e bem-alinhavado, amarrando todas as pontas. Disse tudo (e olha que não faltam colunistas de respeito com coisas a dizer)

    BRAVA! (aplaudindo de pé)!

  12. A grande maioria do povo brasileiro que se prepare. Tem muita gente que oficialmente não está na política, mas mama junto! É só ver os raivosos aparecendo de tudo que é canto! Essa briga vai longe, ninguém vai querer largar a mamata!

  13. Um dia ainda escrevo assim, kedves Cora!

    Quanto aos números, a Rio Branco tem coisa de 1000m entre a Pres Vargas e a Cinelândia, e uma largura de mais ou menos 33m, incluindo as calçadas. A Cinelândia ocupável tem uns 10.000m². Se não contarmos com as transversais e usarmos a taxa de ocupação média de, digamos, 4 pessoas/m², chegamos a pouco mais de 170 mil.

  14. A Cora Ronai e a todos que estão postando seus comentários:
    Bem se vê que há patruleiros voluntários ou pagos e profissionais de plantão nas redes sociais, assim como aqueles que vandalizam as manifestações, nos escalarecendo sobre qual Democracia estão falando….a dos camaradas, onde para quem não está alinhado é desrespeitado através de um “discurso” raso e sofrível! A sociedade é plural, queiram ou não pratuleiros de plantão! Há descontentes, há revoltados, há discordantes sim! A convivência numa real democracia é assim…. #forapopulismo #contraapec37 #corrupçãonão #vandalosdecarreiranão #pelacidadania

  15. Quando um jornalista de ética rasa vem a público vender conveniências em troca de se manter no emprego, eu digo quão escabroso são certos princípios morais. Eles não publicam, mas leem.
    Essa imprensa VAGABUNDA e golpista não derrubará a Dilma.

    • A gente percebe logo quem é do PT quando faz uso desse tipo de palavras “vender-se para se manter no emprego”. Eles não entendem lhufas de nenhum outro assunto e repetem religiosamente esse mantra, fruto da lavagem cerebral feita pelo Ali-Lulá e seus 40 ladrões.

  16. Concordo inteiramente com seu texto. Graças a Deus temos alguém como você para transformar em um texto tão bom o que sentimos no peito e não conseguimos exprimir tão bem. Parabéns e continue assim, precisamos mudar este país.

  17. Para fazer um desenho é preciso integridade, Cora. Como faze-lo com um cálculo que não nos representa? Talvez a matemática explique, a imagem, não.
    E, de novo, o Municipal desprotegido por um governador que soube proteger o Palácio Guanabara… E isto depois do que aconteceu com o Municipal de São Paulo. Este, definitivamente, não me representa.
    Boa sorte para todos nós.

  18. Estou muito emocionada com tudo isso. Cora, me emocionei com seu texto.
    Até que enfim nosso povo mostrou que tem sangue veias e sonho no coração.
    Minha amiga Marly chorou muito ao ler suas palavras cheias de verdade.
    Ela se recordou dos momentos vividos em 68 como estudante de história da Universidade Federal (atual UFRJ) quando tínhamos tantos sonhos e espectativas que não se realizaram.
    Estamos realmente num momento histórico que espero ver um futuro melhor para o nosso país.
    Estou totalmente de acôrdo com os comentários do Afonso e da Marise.

  19. bela análise. texto lindo.

    embora eu não goste desse movimento e não tenha desenvolvido maior simpatia por ele depois que a sanha de hominho-macho do Alckmin forjou seus mártires a cassetetes e balas de borracha, concordo com a gênese desenhada e admiro o amor com que escreve, Cora.

    (difícil pensar diferente, mas ainda penso. desconfio e não apoio. não confio em cidadania assim, construída a partir do telhado; não enxergo os fundamentos, não vejo a mesma multidão engajada nos “pequenos” movimentos preciosos do cotidiano, em suas escolas, suas ruas, seus bairros, suas praças, seus clubes, seus habitats, seus biomas… enfim, sou muito lento para essas coisas. ainda acredito que o espaço público seja público e que isso signifique que é para ser utilizado livremente por todos, não tomado por alguns, ainda que sejam muitos, policiais ou manifestantes, nem que seja em nome da liberdade – se for através de uma supressão, ainda que pacífica, da mesma liberdade que se diz defender.)

    só acho que o pior desse movimento todo foi a manifestação dos vândalos. e, se os manifestantes “legítimos” conquistaram (não os 20 centavos, mas) o espaço midiático que queriam (acredito que um espaço bem maior do que eles mesmo esperavam conquistar), os vândalos também.

    ah, como sempre, escrevo demais e devo escrever muita bobagem. o que queria dizer, disse na primeira linha. é isso.

    • Cláudio Rúbio, gostei deste ponto colocado, dos pequenos movimentos, tão necessários para que o grande movimento não seja, no fundo, uma solução mágica, quando não uma hipocrisia.

      • denirmm, é mais ou menos por aí, o movimento dito “pequeno” pode abrigar grandes causas e, como casa de mãe, pode ensinar muita coisa a quem dele participa, é bom educador, é luta; já o movimento “maior” em número de participantes, como uma “rave”, atrai proporcionalmente maior número alienados e outros tais, que entram e saem iguais, sem mudança, sem aprendizado, sem envolvimento, sem compromisso, por badalação, por frisson, é bom divulgador, é panacéia. um é para realizar, o outro é para impressionar. tudo isso em tese, claro, pois há exceções de todos os lados.

  20. Cora, a questão da multidão na Rio Branco é que no desfile do Bola Preta a avenida estava muito mais “entupida” de gente, ao ponto de não ser possível sair do lugar, e havia gente espalhada até pelas ruas laterais, vide o rastro de lixo que foi deixado pelas redondezas. Na passeata a movimentação foi tranquila, e quando se concentrou na Cinelândia a multidão não passava da Almirante Barroso.

    A movimentação via Facebook e outras redes sociais é muito válida, mas também tem muita manipulação. Estão sendo postadas fotos de outros eventos, em outras épocas, como se fossem dos protestos recentes, e declarações polêmicas estão sendo tiradas de contexto para distorcer a opinião, como foi o caso do Pelé e do Ronaldo.

  21. Pingback: O inverno da nossa esperança

  22. Parece que o “gigante” não está mais de joelhos… – na verdade é um grito para que se mude a forma de fazer política neste país. A democracia restrita ao ato de depositar um voto nas urnas talvez baste aos políticos (que, depois, fazem e desfazem com esse poder que lhes outorgamos), mas já não nos basta – daí a importância da participação efetiva, da nossa voz ouvida nas ruas… devem a nós esse respeito, e isso se traduz em honestidade no uso do dinheiro público, em serviços públicos de qualidade… assim se aprende a ser uma Nação.
    Sob a perspectiva de ‘agradecimento’ ao governo paulista… tbém se deve agradecer a ‘vinda’ desses eventos esportivos… Copa do Mundo & tais… culminaram nesse ‘despertar’, pois, se é possível investir em padrões de qualidade para ‘arenas’ , também deve ser para escolas, transporte, moradia, hospitais, praças…

    • Certíssimo, caro Afonso. Corretíssimo.
      O que me incomoda ainda é o fato de “jogarem na cara da gente” que, para tirar 10 centavos das passagens, outras áreas serão afetadas e atingidas com cortes.
      Ou seja, quando a nação reclamar de falta de médicos, greve de profissionais de ensino e ausência de melhorias no desenvolvimento das cidades, vão colocar o fardo no Movimento.

      Cora, sua crônica me representa!

  23. Grande texto, Cora. Parabéns pelo poder de síntese de tudo que a maioria está pensando e almejando. Dá muita revolta mesmo ver um sujeito dentro de um carro na ponte Rio-Niterói, sozinho, sendo entrevistado e reclamando que atrapalharam a volta dele pra casa. Que tal parar de pensar no próprio umbigo e se solidarizar com os outros, que pegam um ônibus lotado de um lado da poça, depois uma barca seguida de outro ônibus, tudo isso com um custo mínimo de 20 reais por dia? E não adianta falar em vale-transporte, porque mesmo esse é pago parcialmente pelo trabalhador e muitos não recebem o benefício. Eu não ando de ônibus, mas consigo empatizar com meus semelhantes. Enquanto o nosso povo continuar pensando só no indívíduo – ele próprio – nada mudará.
    A propósito, o cinismo dos políticos e a omissão de alguns jornalistas me assombram. Quando os dirigentes dizem que terão que cortar investimentos pra cobrir o desconto nos transportes, não há um jornalista pra perguntar porque não cortam parte dos funcionários supérfluos, a frota de carros dos políticos, os litros de gasolina, os auxílio-alimentação, terno e sei lá mais qual, as incontáveis idas a Paris pra ver sei lá o que, enfim porque o corte só pode ser do lado de cá? O que se vê é comentarista dizendo que “vão ter que cortar pra acertar o orçamento” mas não há um pra sugerir onde o corte não prejudicaria a população.

    • dNA
      cORA
      a DEMOCRAcia como a gente conhece pressupoe partidos politicos, e eles tem todo o direito de se manifestarem.
      Seu texto como todas suas idéias são tendenciosas.
      joão antonio

      • Ideias sao, por principio, tendenciosas! Cabe a voce concordar ou nao concordar…
        (E acho que a Marise nao esta aqui respondendo pela Cora, vc escreveu no espaco errado.)

  24. Sensacional Cora, como jornalista e formadora de opinião, vc. me representa.
    Agora uma pergunta que não quer calar: cadê a classe artística? Principalmente Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso, aqueles que têm sempre algo a dizer e que estiveram no último 10 anos comprometidos com o establischement??? Só para apimentar, porque esses, como formadores de opinião, não me representam…..

  25. Mas nao estamos mesmo protestando por causa dos números manipulados e/ou absurdos?
    A conta diminui ou aumenta, conforme a conveniência, depende pra quem convem a matemática.
    Agora querem dar desconto no número de manifestantes? Esse não cola.
    (Nem os 10 centavos a menos!)
    Ainda falta muita marcha e conversa mas
    nunca antes na história desse país, me comovi tanto com um movimento.

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