Será que acordamos?

Estou maravilhada com o que está acontecendo no país. Há quem se queixe que a população não se manifestou em relação ao mensalão, à PEC, à roubalheira em geral e à da Copa em particular, e que o preço da passagem seria uma causa “menor”; mas a gente nunca sabe qual é a gota d’água, qual é o estopim que faz com que todo mundo tenha vontade de gritar junto. O que no começo era só um protesto contra 20 centavos virou o protesto que todos queríamos, contra todas as desfeitas que nos vêm sendo feitas de todos os lados, por todos os partidos, por todos os poderes.

É um protesto que, pelo menos à primeira vista, “pegou”.

Ao longo dos últimos anos, fui chamada para N manifestações diferentes, muitas das quais coincidiam com a minha opinião. Nenhuma, porém, tinha jeito de dar liga. Faltava sempre alguma coisa que não sei definir — e que talvez fosse até a polícia na rua, quem sabe? Faltava a empolgação geral, o arrepio na espinha, a massa crítica.

Agora é diferente.

Pela primeira vez em muitos anos — mais especificamente, desde o impeachment do Collor — dá para sentir uma tensão no ar, um alento, o brilho de uma esperança coletiva que não discrimina sexo, idade, classe social.

As manifestações da semana que vem podem não dar em nada. A ideia dos panos brancos nas janelas pode — sem trocadilho — passar em branco. É possível até que o momento de indignação geral já tenha passado quando a quinta-feira chegar e for a nossa vez de, aqui no Rio, ir às ruas. Penso muito nisso, para não dar corda demais às minhas expectativas e não me amargurar se nada acontecer.

Mas também pode ser que estejamos diante de um grande momento. Que não será apenas um protesto contra o aumento das passagens, mas uma formidável manifestação de cidadania — algo de que nos orgulharemos no futuro, e que contaremos, cheios de saudades, aos nossos filhos e netos.

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36 respostas em “Será que acordamos?

  1. FINALMENTE! O povo passivo aos mandos e desmandos do Poder Público DESPERTOU e está mostrando sua força. A luta precisa e tem que continuar para impedir que os governantes usem a redução da passagem, como já estão fazendo, como desculpa para justificar o caos já existente na saúde, educação, moradia e segurança. O que onera os cofres públicos não é o pouco que o povo recebe, é o muito que é destinado aos interesses pessoais dos representantes do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário. O povo não pode aceitar, muito menos admitir, que os governantes venham dizer que outras áreas serão prejudicadas por causa da redução da passagem. O que tem que ser reduzido são as mordomias, as tantas secretarias disso e daquilo que funcionam como “cabides de empregos”, os assessores de “PN”, etc, etc.
    ACORDA BRASIL, O PODER EMANA DO POVO E TEM QUE SER EXERCIDO A FAVOR DO POVO!

  2. Cora,
    ontem vislumbrei de perto o que aconteceria. Tive um compromisso próximo ao largo da Batata, e dei uma volta maior para chegar lá – a pé pois moro em Pinheiros. Saí do compromisso às 17 horas, e vi muita gente, jovem e nem tão jovem indo para a manifestação, portando cartazes, entusiasmo e flores. Muitas mulheres levavam flores pro Largo da Batata.
    O “vem pra rua você também” do comercial da Fiat virou “vem pra rua protestar você também”, a molecada cantava isso aos bandos descendo a rua Cardeal Arcoverde em direção à concentração.
    Foi a primeira vez em muitos anos, acho que mais de 20, que vi as lojas da rua Teodoro Sampaio fechadas durante a semana. E olhem que moro aqui desde que nasci (há mais de 40 anos).
    Estou comentando aqui porque ontem vi e li muitas pessoas perplexas com o fato de não haver um líder, nem uma palavra de ordem nas manifestações. Alguns acham que isso é porque há apenas oba-oba, outros (como eu) que é porque as redes sociais pulverizaram eventuais lideranças e palavras de ordem.
    Acho que o Min. Gilberto Carvalho expressou bem a perplexidade de muitos quando se manifestou: http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2013/06/18/ministro-de-dilma-diz-que-ainda-nao-entendeu-protestos-pelo-brasil.htm
    Tenho a impressão de que está na hora de um estudo profundo sobre a importância das redes sociais não só nesse como em outros protestos pelo mundo.

  3. Prezada jornalista, sim , hoje foi épico, mas é obrigatório dizer que tudo isso só foi possível por causa da Internet, FB em particular, porque se dependesse da grande mídia corporativa nacional ninguém saberia que haveria uma manifestação e apenas uns gatos pingados compareceriam. Sinto muito em
    dizer , mas esta mídia corporativa brasileira tem por muito tempo freado a mudança. Vamos ver se agora vai. Abs.

    • É, agora entrei em estado&de&confusão eis que……. sai há muito do FB e só leio a mídia, hã, convencional. Então não sei se estou na turma da Solante Passos, viu Solange? Acredito com firmeza que a internet é uma linda de uma revolução só que sou das antigas…….. como me disse outro dia um simples mortal ( feito eu) ”velho a gente joga no lixo, a sra. é vivida” e achei uma coisa linda ele se expressar de forma tão nítida. Os mais antigos sofreram demais com nosso País…… e somos plugados é nisso. Saudações!

      • é isso aí, maria luiza, só quero ver quando esse povo que fala em “mídia golpista” olhar para o lado, na manifestação, e notar que está de braço dado com a “elite burguesa”. e vice-versa.

  4. Pela parte que me toca – sim, sei que é piquinininha! – também estou maravilhada, feito a Cora! e hoje andei um bocado por Sampa e senti que a maioria aprova e senti…… corações incendiados! Quero poder sonhar, algo que, francamente……… tinha terminado! E deixo um abraço grande e esperançoso pra todo mundo aqui, tá?

  5. As passeatas me deram um alento.
    Pouco tempo antes de elas começarem eu pensava, pela primeira vez, se não seria melhor
    viver em outro lugar, porque a leitura diária dos jornais, nas entrelinhas, dizem todos
    os dias que somos idiotas.

  6. Eu tb queria acreditar… ainda estou meio extasiada. Ou seria anestesiada? Bem, espero que não seja coisa de articuladores momentâneos, que seja sim o acordar dum gigante há muito adormecido: o povo brasileiro.
    Beijos Cora.

  7. não pratico o coitadismo, mas que pena que sinto de mim… não consigo sentir um milésimo de simpatia por esse movimento. muito menos empolgação. o que ouvi de um jovem garçom quando alguém comentou sobre uma manifestação prevista para o final da tarde, define mais ou menos a situação: “ai meu saco, já vem esses playbozinhos de merda ferrarem (não foi bem essa a expressão) com minha volta pra casa”. mas o povo, como se sabe, não consegue entender o momento mágico que estamos vivendo. enfim…

    []’s

  8. Embora já não seja tão jovem, hoje à tarde estive na Quinta da Boa Vista (moro bem perto) e pude testemunhar com meus próprios olhos o quanto a cobertura das manifestações tem sido maldosamente tendenciosa.

    Não vi um único ato de vandalismo, mas presenciei um sem-número de truculências policia. Bombas de gás no meio de crianças, corre-corre, cassetetes, balas de borracha. Um verdadeiro e triste horror.

    Para quem não conhece o Rio, o choque forçou os manifestantes para dentro da Quinta, local usado nos fins de semana para recreação majoritariamente infantil.

    Um ato arbitrário e covarde, que certamente ficará impune e ainda será comemorado por parte da população como sendo uma “atitude correta e enérgica da polícia contra os baderneiros”.

    • Rafael, não tenho tanta certeza que a população festejará essa truculência da polícia como ato enérgico contra os “baderneiros” ….. Caro, muito pelo contrário. A população, que já não aguenta mais esse horror reinante, pensará justo como a Cora escreveu acima : Pode ser que estejamos diante de um grande momento. Que não será apenas um protesto contra o aumento das passagens, mas uma formidável manifestação de cidadania — algo de que nos orgulharemos no futuro, e que contaremos, cheios de saudades, aos nossos filhos e netos.”
      PARABÉNS por ter participado e constatado que ainda não estamos preparados (dirigentes) nem sabemos lidar com a DEMOCRACIA.

  9. Se, apesar dos excessos e atos de vandalismo, conseguirmos acabar com a roubalheira generalizada e as outras sacanagens promovidas por esses vagabundos que ocupam as esferas do “pudê”, terá valido a pena.

    • “apesar dos excessos e atos de vandalismo” vale a pena? como assim? algo como “uma revolução francesa”? ou como “uma revolução castrista”? ah, Heloísa… será que com esse tipo de procedimento consegue-se mesmo acabar com a vagabundagem? ou é só um jeito de acelerar o rodízio de vagabundos? e, uma outra dúvida, sincera, é movimento pelo passe livre ou revolução? será que não se está despejando sobre essa gente o peso de muitas ideologias reprimidas? e será que é o melhor jeito de esclarecer as coisas? sério: pelo que estão se manifestando? o que querem com isso? onde acaba? como acaba? é só uma tsunami ideológica reforçada por gente que resolveu sair do ostracismo confortável da paz capitalista, quase 30 anos depois? até onde vai esse movimento? aonde quer chegar? tá muito misturado pra dar certo, tá muito sem cabeça pra ter algum controle, não tá? dúvidas malucas, eu sei… mas, será?

  10. Bem… participar não faz parte dos meus objetivos, mas posso simpatizar com este ou aquele movimento, mas estes ultimos não tem tido a minha simpatia…
    Manifestantes que querem porque querem ser escutados à força, enchendo o saco de todo mundo, atrapalhando o famoso direito de ir e vir, não me atraem.
    Assim como não simpatizo com familias de coitadoinhos que resolvem parar rodovias para protestar por isso ou aquilo e por aí vai..
    Simpatizaria se os manifestantes fossem para a rua onde mora o Cabral, aqui perto de casa, posso dar o endereço, ou para a rua do prefeito, na Barra da Tijuca.
    Quem sabe até poderia estar no meio destes, pois estaria enchendo o saco de quem deve ter o saco enchido !
    Quanto às toalhas brancas, quando é para colocar panos brancos na janela ?
    Já tem dia e horário ?

  11. Cora, você e “talvez” toda a populaçāo brasileira…. Chegou a hora de acordarmos depois de tantos anos de marasmo….. Agora, estou orgulhosa do nosso povo, dos nossos jovens que estão sabendo fazer a hora….

  12. O alcaide de Sampa é um maria vai com as outras. Quer ficar sempre em situação privilegiada, puxando o saco da plebe. Ele é tão infantil, mas tão idiota, que quer fazer a tal reunião com os “indignados” dos R$ 0,20 que, claro, não chegará a conclusão alguma. A estratégia do partido dele é sempre desestabilizar quem está no poder e está agradando. Quem é ele que nem soube administrar os exames de um simples Enem? De certa forma, penso que alguma coisa deverá ocorrer porque, após as vaias do DF – coisa quase que inédita para a senhora que estava no palanque -, o Brasil está (ainda que aos poucos) mostrando sua cara de nojo, de insatisfação e de revolta com os poderes dos atuais mandatários que se julgam acima da lei e acima do povo. Tomara, sim, que essa novela repleta de canastrões chegue a um bom termo. Tomara!

    • ah, Lilly… como você fala assim do Haddad? tsc, tsc, tsc! 🙂 quanto desamor em seu coração. 🙂 uma menina tão bonitinha, com sentimentos tão ruins. 🙂 ahahaha… fato: o fulano é a larva disforme que elegemos por aqui. pra ver como a maioria consegue apoiar coisa ruim, viu? 🙂

          • vixe! coitado! deu até medo, agora. já pensou, o prefeito do nem-nem desce do helicóptero e… ZAPT! KAPOF! Lilly nocauteia prefeito com pau de macarrão. 🙂 dia seguinte, na imprensa: “cidadã revoltada transforma cara de prefeito em pastel”. 🙂

        • triste, mas, depois de eleito, é “nosso” prefeito. ô, mancha no currículo! ahahaha… por essas e outras, qualquer diretor de “O Dentista Mascarado” zoa “nóis”. 🙂

        • Cláudio Rúbio, sobre o que você escreveu, vontade não me falta. Só que não seria com pau de macarrão, não. Não tenho vocação pra coisa de “mulherzinha”. Seria muito – mais muito, mesmo – mais feia. Vamos aguardar as novas notícias, pois não está havendo entendimento entre as partes envolvidas nos R$ 0,20(!).

          • Lilly, não estão mais querendo redução de passagem, isso ficou menor agora, menina. já estão naquela fase do RPG patrocinada pelo Johnny Walker Red Label em que o gigante acorda e sai esmagando a cidade… uma coisa meio Godzilla e tal… 🙂 tem de acompanhar o movimento, poxa! 🙂

            (AVISO: brincar é uma forma saudável de nos manifestarmos diante daquilo que ainda não entendemos, mas que nos despertou a atenção. outras formas, menos saudáveis existem, mas é melhor não divulgar.)

          • errei.

            preciso retratar-me.

            não estão na fase Johnnie Walker. pelo número de gente que se auto-declara despertando de um adormecimento de décadas, e pelo volume de figurantes, entraram na fase de The Walking Dead.

  13. será? será que “acordamos” (?) mesmo só agora? será que estamos mesmo “todos” (?) dormindo desde que se foi o último (ou mais recente?) ditador? será que só agora vem “a democracia” (?) que “todos” (?) esperávamos? será? será que ela vem assim, de sopetão? e, se vem só agora, será que fica? hummmm…

    o que sei é que, aqui em São Paulo, a julgar pelos discursos inflamados na Câmara, no dia 12, o PT resolveu elogiar abertamente “seus meninos”, a “juventude petista”, que, segundo o presidente da bancada do partido, “é a maioria expressiva da militância do MPL”, deixando para “o PSOL e o PCO” a parte da bandalheira. e o Haddad, desde o fim do primeiro protesto, mudou o discurso (antes alinhadíssimo ao de Alckmin) completamente, aproveitando os confrontos para destacar “a truculência da PM”.

    como a mim ainda cheira estranho, continuo criticando os excessos, todos, de todos os lados e da maioria dos discursos. mais desconfiado que mineiro que entregou o queijo ao segurança, ainda digo não. mas… será?

    pelo sim, pelo não, dá cá meu queijo e bom passeio a todos. só não esqueçam os casados e não quebrem a fechadura, que, depois, pra consertar, vão mais uns 30 anos com um tijolo ao pé da porta. 🙂

    beijos!

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