Keep calm and carry on

Nunca peguei um avião, desde o 9/11, sem deixar de pensar na extraordinária vitória do terrorismo. As torres caídas ficaram naquele momento do passado, mas a Al-Qaeda continua presente na vida de qualquer pessoa que viaja. A sua marca está na enorme antecedência com que se deve chegar ao aeroporto, nas filas, nas inspeções, nas centenas de milhares de alicates de unha e de pequenos canivetes confiscados em nome da segurança.

Se Bin Laden fosse vivo, teria, por esses dias, mais um motivo para comemorar. O seu triunfo em Boston foi acachapante: uma das cidades mais civilizadas dos Estados Unidos, com quase seis milhões de habitantes, imobilizada por causa de um moleque de 19 anos. Ou, melhor dizendo, por causa da reação das autoridades a um moleque de 19 anos em fuga.

Longe de mim fazer pouco deste criminoso ou do seu crime; atacar inocentes não tem perdão em nenhuma circunstância. Apenas estranho a quantidade de policiais ostensivamente destacados para a caça, a ordem de recolher dada aos moradores da cidade, o trânsito parado, o comércio fechado. Estranho o excesso de cautela. Parece que nenhum dos comandantes da operação tomou conhecimento de uma das frases mais famosas dos últimos anos, “Keep calm and carry on”. Originalmente impressa em cartazes ingleses da década de 1940, que tinham como alvo ensinar ao público como se portar durante a guerra, ela está hoje espalhada por toda a parte, de capinhas de celular a objetos de decoração.

“Keep calm and carry on”: mantenha a calma e siga em frente. Os ingleses sabiam do que estavam falando. Continuaram a observar o seu sábio preceito mesmo depois que a guerra acabou, e não chegaram a perder a fleuma nem durante os atentados terroristas do IRA.

Manter a calma e seguir em frente é fundamental para a sanidade coletiva — e é, ao mesmo tempo, um poderoso recado para o inimigo. Uma rotina (quase) inalterada é uma decepção para terroristas, cujo objetivo é espalhar o pânico e chamar a atenção; uma cidade paralisada pelo medo é, ao contrário, o sonho de todos eles, a missão cumprida com louvor.

o O o

Dhzokhar Tsarnaev está sendo processado por uso de “arma de destruição em massa”; mas bombas caseiras como as que ele e seu irmão fizeram — e que são o terror dos soldados que lutam no Iraque e no Afeganistão — são conhecidas, há tempos, como IEDs, de Improvised Explosive Device, artefato explosivo improvisado. Esse exagero semântico é gêmeo do exagero da operação policial, e não pega bem.

o O o

Fiquei admirada com a eficiência das investigações. A polícia descobriu em tempo recorde a identidade dos criminosos, a imprensa foi atrás, a internet fez a sua parte e, pouco depois, já tínhamos uma boa noção de quem eram os dois irmãos. Apesar disso, ainda faltam respostas para muitas perguntas. À principal delas — por que eles fizeram isso? — vai ser difícil, se não impossível, responder. Por que um menino fica louco, vai para a escola e mata vinte crianças? Por que um homem sai pela rua atirando a esmo?

Na verdade, não sabemos. Não há como saber. Nada é motivo para justificar um assassinato quando se é uma pessoa inteira; tudo é motivo quando se ultrapassa certa fronteira moral. Tamerlan Tsarnaev (que tinha um lindo nome) pode ter se frustrado no casamento, pode ter desistido do esporte, pode ter tido uma visão, pode ter se cansado dos Estados Unidos sem ter se encontrado na Europa. Pode ter radicalizado a religião. Pode ter sido, como o tio apropriadamente disse aos jornalistas, um loser, um perdedor (e todo o resto, o Islã, a Chechênia, seria fake — uma ficção). Nada disso, porém, explica o que fez. Há incontáveis pessoas passando por problemas parecidos ou piores sem que lhes venha à cabeça a ideia de dar cabo dos seus semelhantes.

O diabo é que precisamos de uma resposta, nem que seja para nos distanciarmos de seres que não reconhecemos como semelhantes. Queremos nos certificar de que a maldade tem causa, é apreensível e, por causa disso, talvez não se repita; queremos nos sentir seguros. Desejos vãos.

Os motivos que levam um rapaz a fabricar bombas e a detoná-las entre inocentes não desaparecem com a morte do rapaz; outros rapazes iguais nascem, crescem e, um dia, aprendem a fazer bombas. Enquanto for habitado por seres humanos, o mundo não será lugar seguro para ninguém.

O segredo é manter a calma e seguir em frente.

o O o

Um dia, no já longínquo ano de 1982, alguém trocou o conteúdo de algumas cápsulas de Tylenol por cianureto e espalhou as caixas envenenadas por diversas lojas de Chicago. Várias pessoas morreram, entre elas três de uma mesma família: um moço que tomou uma cápsula, e a irmã e o cunhado que ficaram com dor de cabeça depois do enterro. O crime nunca foi solucionado. Foi a partir daí que remédios e alimentos passaram a ser lacrados. Até hoje penso nesse caso. Quem fez isso? E por que?

Vai saber.

(O Globo, Segundo Caderno, 25.4.2013)

 

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20 respostas em “Keep calm and carry on

  1. Cora, sou tradutora e quando li seu texto tive imensa vontade de traduzí-lo. Vou enviá-lo como um presente.
    Cora Rónai
    Traduzido em 1-5-2013 por
    Eliane Gomes Ferreira

    Keep calm and carry on

    An (almost) unchanged routine is a disappointment for terrorists.

    I have never got a plane, ever since 9/11, without failing to consider the extraordinary victory of terrorism. The fallen towers belong to that moment in the past, but Al Qaeda belongs to the everyday life of any traveler. Its brand name stands in how long in advance you should arrive at the airport, in the lines, the inspections, the hundreds of thousands of nail pliers and small pocketknives prohibited from carriage for security reasons.

    Had Bin Laden been alive, he would now have one more reason to celebrate. His triumph in Boston was remarkable ; one of the most civilized cities of the United States, with nearly six million inhabitants, immobilized because of a 19-year-old youngster. Or, rather, because of the reaction of the authorities to a 19-year-old youngster on the run.

    Far be it from me to make little of the criminal or his crime. Attacking innocent people can’t be forgiven under any circumstances. It was simply odd to see the many police officers ostensibly conducting the manhunt, Bostonians locking themselves indoors, the shut down of the entire transit system and all the businesses shut. The excess of caution seemed disproportionate. It was as if none of the vast operation task forces had thought of one of the most famous catchphrases in recent years, “Keep calm and carry on”.
    It was originally printed in English posters in the 1940’s. Its target was to teach the British public how to behave during the war. Today it is seen everywhere. You can find it on mobile protective covers and all sorts of decorative objects.

    “Keep calm and carry on”: keep calm and carry straight on. The British knew what they were talking about. They kept observing their wise precept even after the war had ended. They have not lost their phlegm even during the IRA terrorist attacks. Keep calm and carry on is fundamental for the collective health – and, at the same time, a powerful message to the enemy.
    An (almost) unchanged routine is a disappointment for terrorists whose aim
    is to spread panic and draw attention. A city paralyzed by fear is, again, the dream of them all, the mission accomplished with honors.

    Dhzokhar Tsarnaev is being prosecuted for using “weapons of mass destruction”; but homemade bombs as the ones he and his brother made – and which are the terror of the soldiers who are fighting in Iraq and Afghanistan – have long been known as FDI, Improvised Explosive Device or improvised explosive artifact. This semantic exaggeration equals to the exaggeration of the police operation, and that does not handle well.

    The investigations were as efficient as they could be and I was amazed. The police were able to pinpoint the identity of the suspects in record time, the media repeatedly got ahead of themselves, the internet did its part and, we soon had a pretty good idea of who the two brothers were. However, there still are few questions unanswered. The number one is why they did that. It will be difficult, hardly possible to answer. Why would a boy go crazy, go to school and kill twenty children? Why would a man go out on the streets shooting aimlessly?
    Actually, we do not know. There is no way of finding this out. No reason justifies a murder when you are a whole human being. There is a reason for everything when certain moral boundaries are overpassed. Tamerlan Tsarnaev (who had a beautiful name) may have been frustrated with marriage, may have quit practicing a sport, may have had a vision, may have been fed up of the United States without having ever identified himself with Europe.
    He may have radicalized religion. That’s a possibility, as his uncle appropriately told the reporters, a loser (and all else, the Isla, Chechnya, it would all be fake – a fiction). None of these reasons , however, explains what he did. There are countless people going through similar or even worse problems and it wouldn’t occur to them to murder their fellow creatures.

    The worst of all is that we need an answer, even if it is for no reason than keeping us apart from those we don’t recognize as our fellow beings. We just want to make sure there is an explanation, a meaning to evil and that due to this it may not happen again. We want to feel safe. Vain desires. The reasons that lead a young man to manufacture bombs and detonate them amidst innocent civilians do not vanish with his death and just like him, other children are to be born, to grow and, one day, to learn how to make bombs. As long as the world is inhabited by human beings, it will not be a safe place for anyone.

    The secret is to keep calm and carry on. One day, in as far back as 1982, someone changed the contents of some Tylenol capsules for cyanide and spread the poisoned boxes in various shops in Chicago. Several people were killed, including three from the same family: a young man who took a capsule, his sister and brother-in-law who had a headache after the burial. The crime was never solved. Since then medicine and food began to be sealed. I still think of this case. Who did such a thing? Why?
    Who knows?

    • Segue minha tradução para você com as correções que depois de enviar percebi necessárias:
      Cora Rónai
      Traduzido em 1-5-2013 por Eliane Gomes Ferreira
      Keep calm and carry on
      An (almost) unchanged routine is a disappointment for terrorists.

      I have never got a plane, ever since 9/11, without failing to consider the extraordinary victory of terrorism. The fallen towers belong to that moment in the past, but Al Qaeda belongs to the everyday life of any traveler. Its brand name stands in how long in advance you should arrive at the airport, in the lines, the inspections, the hundreds of thousands of nail pliers and small pocketknives prohibited from carriage for security reasons.
      Had Bin Laden been alive, he would now have one more reason to celebrate. His triumph in Boston was remarkable ; one of the most civilized cities of the United States, with nearly six million inhabitants, immobilized because of a 19-year-old youngster. Or rather, because of the reaction of the authorities to a 19-year-old youngster on the run.
      Far be it from me to make little of the criminal or his crime. Attacking innocent people can’t be forgiven under any circumstances. It was simply odd to see the many police officers ostensibly conducting the manhunt, Bostonians locking themselves indoors, the shut down of the entire transit system and all the businesses shut. The excess of caution seemed disproportionate. It was as if none of the vast operation task forces had thought of one of the most famous catchphrases in recent years, “Keep calm and carry on”.
      It was originally printed in English posters in the 1940’s. Its target was to teach the British public how to behave during the war. Today it is seen everywhere. You can find it on mobile protective cases and all sorts of decorative items.
      “Keep calm and carry on”: keep calm and carry straight on. The British knew what they were talking about. They kept observing their wise precept even after the war had ended. They have not lost their phlegm even during the IRA terrorist attacks. Keep calm and carry on is fundamental for the collective health – and, at the same time, a powerful message to the enemy.
      An (almost) unchanged routine is a disappointment for terrorists whose aim
      is to spread panic and draw attention. A city paralyzed by fear is, again, the dream of them all, the mission accomplished with honors.
      Dhzokhar Tsarnaev is being prosecuted for using “weapons of mass destruction”; but homemade bombs as the ones he and his brother made – and which are the terror of the soldiers who are fighting in Iraq and Afghanistan – have long been known as FDI, Improvised Explosive Device or improvised explosive artifact. This semantic exaggeration equals to the exaggeration of the police operation, and that does not handle well.
      The investigations were as efficient as they could be and I was amazed. The police were able to pinpoint the identity of the suspects in record time, the media repeatedly got ahead of themselves, the internet did its part and, we soon had a pretty good idea of who the two brothers were. However, there still are few questions unanswered. The number one is why they did that. It will be difficult, hardly possible to answer. Why would a boy go crazy, go to school and kill twenty children? Why would a man go out on the streets shooting aimlessly?
      Actually, we do not know. There is no way of finding this out. No reason justifies a murder when you are a sound human being. There is a reason for everything when certain moral boundaries are overpassed. Tamerlan Tsarnaev (who had a beautiful name) may have been frustrated with marriage, may have quit practicing a sport, may have had a vision, may have been fed up with the United States without having ever identified himself with Europe.
      He may have radicalized religion. That’s a possibility, as his uncle appropriately told the reporters, a loser (and all else, the Islam, Chechnya, it would all be fake – a fiction). None of these reasons , however, explains what he did. There are countless people going through similar or even worse problems and it wouldn’t occur to them to murder their fellow creatures.
      The worst of all is that we need an answer, even if it is for no reason than keeping us apart from those we don’t recognize as our fellow beings. We just want to make sure there is an explanation, a meaning to evil and that due to this it may not happen again. We want to feel safe. Vain desires. The reasons that lead a young man to manufacture bombs and detonate them amidst innocent civilians do not vanish with his death and just like him, other children are to be born, to grow and, one day, to learn how to make bombs. As long as the world is inhabited by human beings, it will not be a safe place for anyone.
      The secret is to keep calm and carry on. One day, in as far back as 1982, someone changed the contents of some Tylenol capsules for cyanide and spread the poisoned boxes in various shops in Chicago. Several people were killed, including three from the same family: a young man who took a capsule, his sister and brother-in-law who had a headache after the burial. The crime was never solved. Since then medicine and food began to be sealed. I still think of this case. Who did such a thing? Why?
      Go figure.

  2. Li em algum lugar que o caso do Tylenol foi solucionado e a pessoa culpada foi presa. Parece que ela provocou várias mortes para despistar a única morte que desejava.

  3. Embora eu não seja muito afeita a teorias da conspiração, na verdade acho que 99% delas são completamente malucas, nesse caso tenho muitas dúvidas a respeito das conclusões a que a policia de Boston e o FBI chegaram.
    Como entre tantas pessoas usando bonés e mochilas (e quem frequenta corridas sabe que essas duas peças compõe o figurino da maioria dos corredores) a polícia chegou aos dois irmãos? Qual foi o critério?
    Segunda dúvida: quantas mochilas o irmão mais novo usava? Na imagem que mostra o rapaz fugindo do local ele está com a mochila nas costas depois da explosão.
    Terceira dúvida: como o irmão mais velho entrou nu e ileso no carro da polícia e “morreu a caminho do hospital”, e, as fotos divulgadas mostram o rapaz cheio de hematomas? Acho que os policiais vieram fazer um estágio rápido com as polícias brasileiras…
    Quarta dúvida: como alguém que está portando vários explosivos não consegue se matar?
    Quinta dúvida: por que testemunhas afirmam que apenas a polícia disparou armas contra o irmão mais novo?
    Sexta dúvida: os “depoimentos” do rapaz no hospital foram feitos na presença de seu advogado?

    Por esses, e alguns outros motivos, tenho duvidado das investigações feitas nesse caso. Me parece que na pressa por mostrar serviço a polícia e o FBI “escolheram” os culpados. Acho que esse caso vai pra lista bem restrita de “teorias da conspiração” em que acredito, junto com a das mortes de Kennedy e Tancredo Neves (esta última menos do que a primeira).

  4. O irmão menor foi doutrinado pelo malucão do irmão maior ! E foi na onda dele.. Inacreditável ! ( digo isso, pois todos e todos dizem que o garoto sempre foi um bom menino, sem qualquer atitude ou suspeita de qualquer coisa que seja )
    Imagino o diálogo:
    – Vambora jogar umas bombas lá na chegada da corrida ?
    – Ops… Só se for agora, vambora !
    Garrote vil nele !

  5. Ótimo, Corinha. Food for tought.

    E tô pensando em como tem hora que é difícil ser inglês em atitude. Até em Boston.

  6. Quem sabe um dia o Brasil, pelo menos o Rio ou SP vão ter o privilegio de possuírem uma polícia ou ao menos um corpo de bombeiros como o de Boston. O povo daqui não reclama tanto por uma lei marcial imposta para facilitar o trabalho da polícia. Aqui nós acreditamos na polícia. Terroristas / extremistas religiosos passam a vida planejando um ataque. Keep caLm and carry on? Seria esta a mesma recomendação oferecida aos sobreviventes do holocausto? Acordem…

  7. Muito boa avaliação Cora desse comportamento prá lá de bizarro que os americanos adotam;esse estardalhaço todo,que mais paranóia provoca do que tranquiliza … e cá prá nós,é incrível a quantidade de malucos per capita que tem por aquelas bandas (palavras da minha filha,e que é americana).

  8. Ah, o crime em NY eu acompanho no NYT. A assassina quase não se justifica, já está em casa e será julgada em breve. No máximo alega q trabalhava mt mais q o acordado. A familia nunca mais voltou ao apartamento e mora em LA. A imprensa tem respeitado o apelo por privacidade e não os incomodam. As notícias são apenas sobre a babá. Criaram 1 fundação com nome das crianças. Dias depois teve um caso horrivel do mesmo tipo nos EUA.

  9. Tb sempre penso nesse do Tylenol pq só tomo esse medicamento para tudo (alergia barra pesada) e foi dos crimes mais interessantes da moderna comunicação.
    E, só de graça, capa do meu celular é “keep calm and stay sexy” já q entrei de cabeça numa geral corporal pós 40 e a academia fez coisas incríveis nos meu hormônios 🙂 (outra opção era “…buy shoes”, mas queria mesmo: “… adopt an animal”)

  10. É estranho esse “falso estado cataléptico” que faz com que os falecidos fiquem com dor de cabeça depois do enterro. Temendo isto, optei por ser cremado. Assim, ao chegar ao Inferno já estarei acostumado com o “calorzinho” e livre de qualquer dor de cabeça.Tu já imaginou aturar a casa do Tibinga lotada com a petralhada sarneysista com dor no porta-guampas?

    • Relaxa que foi instalado ar condicionado central e as recepcionistas oferecem um drink geladinho sempre que chega mais um. O calorzinho é coisa do passado. Ta por fora Strix

      • Tadinhas das garçonetes do infernal buteco. Eu bebo prá cacete, mas quero distância de bebidas alcoólicas geladas. O óleo fuzel formado pelo congelamento, dizem, é ruim pacas prô fígado.

  11. Excelente, Coríssima!

    Mesmo quando bombas declaradamente terroristas explodiam quase que semanalmente em Londres, Paris, Madrid e outras cidades européias não vimos este patético espetáculo de uma [virtual] Lei Marcial imposta à uma cidade*, com todo aquele aparato militar patrulhando as ruas, batendo nas portas e vasculhando a vizinhança, como ‘Tropas de Ocupação’.

    Observem que aquelas tropas — militarmente armadas até os dentes — eram da POLÍCIA e não do Exército (POLICE, estampado nos uniformes e veículos), um outro sinal da MILITARIZAÇÃO das polícias americanas, responsáveis pela Segurança Doméstica, sob a égide da desastrada política do ‘Patriot Act’ e da ‘Homeland Security’.

    Mesmo com a Lei Marcial imposta e milhares de policiais e equipamentos empenhados, o garoto conseguiu fugir A PÉ do cerco policial. Quase um Jason Bourne (e, se algum futuro ‘terrorista’ tiver um preparo semelhante ao Bourne, escapará facilmente e jamais será identificado).

    Vergonha também para mídia americana: ressuscitando um infame ‘Manhunt’ (‘Caçada Humana’) como vinheta na cobertura das TVs e perdendo, sem sequer uma única imagem, o alegado ‘tiroteio’ com os irmãos, que ninguém viu (e sabemos quantos tiros a polícia americana é capaz de disparar — soando como um intenso tiroteio, porém unilateral — contra um ‘perigoso’ suspeito, ainda que desarmado) e, mesmo assim, o aprendiz de ‘Jason Bourne’ escapou vivo, apenas ferido (mas deve ter ficado severamente ferido quando não uma, mas DUAS bombas foram explodidas ao seu lado, acuado dentro do barco).

    * lembrando que na Calamidade do Katrina, ao invés de equipes de socorro, vimos as mesmas ‘Tropas de Ocupação’ patrulhando as ruas, como se estivessem em território inimigo.

  12. Crônica ótima como sempre, mas estranhei tantas perguntas; quantas ,sem respostas , observamos por aí? E as pessoas que dão fim a propria vida , sem um motivo aparente? E quantas suportam as piores dores e seguem em frente, mesmo assim? Por isso aprendi a não julgar muito as pessoas. “Cada quar com com seu cada quar”, já dizia o caipira com ares de Platão…Quanto ao medo e procedimentos advindos de uma situação traumática , acho natural. Quem não colocou trezentas e cinquenta fechaduras na porta de casa após um assalto?Lembro-me quando minha filha era bebê, eu tinha o hábito de passear com a pequena em seu carrinho por determinada rua tranquila da Zona Sul. Até o dia em que dois idiotas tentaram puxar meu (fininho) cordão de ouro. Apesar de fino, o ouro era tão bom que não arrebentou e continuou em meu pescoço.Mas e o susto? E a vermelhidão na minha pele, provocada pelas mãos imundas dos dois trastes? O trauma , aliado ao pavor de que algo pudesse ter acontecido à bebê, me fez tomar verdadeiro horror ao tal passeio naquela rua, pra nunca mais. Fazer o quê, né?

  13. lendo a crônica e ouvindo – de onde? – “Essa Noite Não” (http://bit.ly/14SgLCs).

    toda vez que um doido aparece e faz uma coisa dessas, a gente fica bobo, porque não estamos preparados.

    a grande loucura, nesse caso, é exatamente isso que você aponta: todo um sistema de caçar monstro em ação, para pegar duas pulgas e, mesmo assim, deixando uma escapar a pé do primeiro cerco, invisível, como a Morena com seu bebê de colo num túnel do Rio.

    essa falta de noção demonstra o quão inúteis se tornam os sistemas inteligentes quando operados por gente burra (outro exemplo é o do atropelamento de Ana Maria Braga por um protótipo de carro inteligente operado por alguém que não sabe sair do esquema).

    no mundo dos super-heróis acostumados a usar super-poderes para tudo, vimos como é assustador quando, no plano real, essas fantasias correm soltas. o Hulk com luvas de box catando duas pulgas, esmagou uma e correu feito tonto atrás da outra, até que essa aparecesse ferida sabe-se lá como.

    tosco, tosco, tosco, esse mundo cheio de defesas esperando ataques e incapaz de medir as consequências.

    dá, de repente, um medo de que, para correr atrás de um inimigo lá do outro lado do mundo, essa gente sem noção ative um sistema global de perseguição com armas nucleares, capaz de destruir o mesmo mundo centenas de vezes, só pelo prazer de dizer que fez valer sua justiça contra uma única pulga manca e desbocada.

    eu tenho medo dos norte-americanos e dos fãs de seus super-heróis insanos.

  14. É, a vida perdeu algum colorido nessa era pós-terrorismo. Perdemos muito tempo com toda essa antecedência, ficamos proibidos de portar uma mera garrafa d’água através de um check point, percebemos olhares suspeitos cada vez que alguém com “aspecto árabe” se aproxima. É uma pena, mas eu nunca deixei de fazer nada por isso nem de ir a lugar algum. Ao Keep Calm and Carry On eu acrescentaria Maktub, se tiver que acontecer acontecerá. Me lembro sempre quando estive em Lockerbie, pouco depois da queda do jato, e ouvi as pessoas falando dos conhecidos que morreram. Pessoas que nunca voaram e morreram num desastre de avião, no interior da Escócia.

  15. me lembrei de outra crônica sua falando sobre essa coisa inexplicável, “Horror em Manhattan”. você sabe se aquele crime teve solução?
    []’s

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