Câmeras e viagens

Há seis anos, uma moça chamada Lindsay Scallan estava fazendo um mergulho noturno no Havaí quando a Canon que levava presa ao pulso escorregou e sumiu na escuridão. O mar estava agitado, a visibilidade era ruim e foi impossível localizar a câmera. Lindsay voltou para casa certa de que jamais veria as fotos das suas férias de 2007.

Corta.

No mês passado, Douglas Cheng, funcionário da China Airlines, estava passeando na praia, em Taiwan, a oito mil quilômetros do Havaí, quando encontrou um objeto coberto de algas e cracas. Era uma caixa estanque. Para sua surpresa, a câmera abrigada por aquela caixa maltratada estava intacta; o cartão de memória não tinha sofrido dano algum, e revelou fotos de uma lourinha que ele presumiu ser a proprietária da Canon.

Começou aí o seu trabalho de detetive. Entre as várias imagens, havia a foto de um catamarã chamado Teralani 3. Uma busca rápida na internet deu a sua localização em Maui. Douglas entrou em contato com o escritório havaiano  da China Airlines, que por sua vez procurou as autoridades de turismo da ilha. A lourinha foi identificada como Lindsay Scallan — que quase caiu das pernas quando soube que a sua velha câmera havia sido encontrada.

A história é tão improvável e tão boa que a China Airlines convidou Lindsay para ir a Taiwan reencontrar-se com a Canon. Quanto à Canon propriamente dita, ainda não se manifestou — mas merece pelo menos uma salva de palmas pela qualidade da construção das suas caixas estanques.

E, por falar em câmeras: até o dia anterior à viagem para o Egito fiquei em dúvida se levava ou não a minha DSLR, uma Nikon D5100, equipada com algumas lentes. Na última viagem à Índia, ela praticamente não saiu do hotel. É que levei também uma Canon S95, escolha mais lógica para enfrentar as multidões de Nova Delhi e de Bombaim.

O Egito, porém, é outra história. Os monumentos não pedem agilidade, como as ruas movimentadas, mas raciocínio e capricho. Eu me perguntava se, uma vez lá, não sentiria falta de um bom zoom, por exemplo, ou da Sigma 10-20mm, uma grande angular que nasceu para fotografar paisagens. Na Hora H, contudo, o bom senso falou mais alto: para que levar aquele peso todo? Assim é que a Sony Cybershot RX100 (20 Megapixels, zoom óptico de 3.6x) foi a única câmera a viajar comigo.

Não me arrependi da decisão em momento algum. Cada vez fico mais apaixonada por essa câmera tão bonita quanto competente: seu design, muito parecido com o da Canon S95, é lindo, e seu material e acabamento são impecáveis. E, mais importante, a qualidade de imagem é extraordinária. A RX100 é miúda no tamanho (cabe no bolso) mas se porta como gente grande. Seu segredo é um sensor duas vezes maior do que o que se encontra habitualmente nas compactas.

Achei que ela se destaca em particular nos closes e nas noturnas. Nos closes desfoca o fundo com a elegância de uma DSLR; nas noturnas faz imagens com grande nitidez e riqueza de detalhes. Tem, de quebra, uma função panorama divertida e bem resolvida. O LCD também chama a atenção.

A RX100 é quase tão rápida no gatilho quanto uma DSLR, e funciona muito bem em modo automático. Para quem não gosta ou não quer se preocupar com aspectos técnicos, oferece vários tipos de cenas; e, para a turma do Instagram, não só a possibilidade de trabalhar em formato 1 x 1, mas nada menos do que 33 filtros diferentes para tratar as fotos.

A pequena notável da Sony custa US$ 650 nos Estados Unidos. Não é barata, mas vale cada centavo.

(O Globo, Economia, 30.3.2013)

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11 respostas em “Câmeras e viagens

  1. I loved following your trip in Egypt on Instagram. The photos were magnificent, and the variety of subjects was a treat. And I think I am going to buy this same camera before my next trip.

    • I strongly recomend it! It’s the best compact I’ve ever used. There are more pix to come, lots of night scenes, I just need some time to edit them.

  2. Essa história da câmera foi o máximo mesmo, quando li não acreditei! Uma salva de palmas para todos os envolvidos né, porque não é todo mundo que ia correr atrás de procurar quem era o dono, muito menos em outro país…

  3. Que história interessante e que máquina boa! Na próxima vez que eu for visitar meu filho pretendo comprar uma nova, pois a minha nikonzinha pifou e estou usando uma mais antiga do meu marido (pentax). Meu filho se mudou de Santa Cruz (Ca) para Maui e está muito feliz lá. É bem mais longe, e são 7 horas de fuso e isso torna a comunicação mais complicada. Mas se ele está feliz, é o que importa…

  4. a melhor câmera que tenho ainda é aquela Lumix DMC-FZ20 que comprei de você há uns anos. 🙂

    não fosse tão gordinha, só tiraria fotos com ela. mas, até por ser menos portátil que as outras, ela fica para as ocasiões mais especiais.

  5. Eu comprei uma Sony WX-100, também com zoom ótico 10x que tem uma nitidez absolutamente fantástica. Mínima, cabe na palma da mão. Ainda estou me familiarizando com ela. Tem filtros também.

    Mas, minha implicância com o meu modelo- e da outra Sony bem baratinha e roubável, que eu tenho- é que, nas bordas da imagem, acontece uma distorção de perspectiva. Como no IPhone.
    Em nenhum modelo (tenho 3, fui fazendo upgrade e uma é à prova d’água) da Lumix-Panasonic, de preço equivalente, acontece isso.
    Nem no da Samsung velhinha, sem sequer estabilizador de imagem, que eu ainda adoro.

    Minha pergunta é- e agradeço se obtiver resposta- isso se passa com a sua RX-100? Pode-se fotografar as palmeiras da Paissandú sem parecer que todas estão caindo em cima de você? No retângulo original, digo, no quadrado do Instagram não vale e sem pegar só o miolo da foto.

    • Denise, eu tb também tenho uma Sony WX-100, o zoom dela é excelente, assim como a qualidade do vídeo. Contudo, também estou mudando para a RX-100…. pode pegar sem medo!

  6. As câmeras compactas atuais são realmente muito cômodas de portar em viagens e não deixam a desejar em termos de qualidade. A única coisa de que sinto falta é do visor ótico. Em ambientes com muita claridade, é quase impossível ver o que se está fotografando.

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