A estação dos smartphones

É quase uma nova estação do ano: chega março e pipocam os novos lançamentos de smartphones mundo afora. É quando olhamos para os nossos telefones e nos perguntamos se não está na hora de trocar de aparelho. Os novos têm mais pixels, maior resolução, novas funções… Mil tentações para conquistar o consumidor e separá-lo rapidamente das suas rúpias!

O interesse dos usuários é justificado. Ao contrário de outros produtos tecnológicos, smartphones (ainda) são uma espécie em evolução. Eu me lembro bem da época em que os desktops eram novidade. Todos sabíamos quais eram os processadores mais poderosos e recitávamos, uns para os outros, as nossas listas de aspirações impossíveis. Trocávamos de PC com uma frequência espantosa.

Hoje os desktops deixaram de ser máquinas temperamentais ou mesmo interessantes, e viraram praticamente linha branca. Comprar um computador novo é tão emocionante quanto, digamos, trocar de fogão ou de geladeira.

Um dia — que não está muito distante — os smartphones alcançarão o seu optimum. Eles chegarão a um desempenho ideal consumindo um mínimo de bateria; terão a melhor resolução de tela possível; virão com uma capacidade de armazenagem de música e de fotos muito superior às nossas necessidades. Todos, de todas as marcas, serão muito parecidos entre si (como, aliás, já são).

Apesar disso, acho que continuaremos trocando de aparelho. É que convivemos de forma muito intensa com os nossos telefones. Eles nos acompanham 24 horas por dia, “dormem” ao nosso lado e são o objeto sem o qual não saímos à rua. As chaves podem ficar se há alguém em casa; a identidade e a carteira não vão quando vamos caminhar na praia; mas o telefone vem junto.  Ele é mais do que um gadget. É a nossa conexão com o mundo e, ao mesmo tempo, um acessório de moda.

Os celulares podem, de certa forma, ser comparados aos relógios, que unem à utilidade o papel de fashion statements.

o O o

Essa semana foi marcada pelo lançamento do Samsung Galaxy S IV, um dos smartphones mais aguardados da temporada. Já nos habituamos ao fato de que o topo de linha da coreana é o topo de linha da família Android: ele aponta os rumos que orientam a plataforma. A importância do lançamento ficou mais evidente diante da reação da concorrência: Phil Schiller, diretor de marketing da Apple, se deu ao trabalho de conceder uma entrevista desancando o Android; a HTC fez ações de marketing na fila de jornalistas que esperavam a abertura do Radio City Music Hall, em Nova York, para a apresentação do novo Galaxy; e a LG fez joguinho de palavras com o número 4 num cartaz em Times Square.

Embora parecido com o Galaxy S III e com o Note, o S IV traz grandes novidades. A que mais tem chamado a atenção de quem já o viu é o reconhecimento de movimentos dos olhos, o que faz com que um filme, por exemplo, pause automaticamente quando deixamos de olhar para ele, ou com que a tela de um browser role à medida em que lemos o conteúdo da página exibida.

Ele também reconhece gestos, e permite que se vejam fotos ou se atendam chamadas sem tocar na tela, o que é uma grande invenção para quem não aguenta mais as telas sujas do nosso cotidiano.

Mas o recurso que me deixa mais curiosa é o S Translator, um tradutor através do qual pessoas que não falam a mesma língua podem conversar, verdadeira mão na roda em viagens internacionais. Por enquanto, o S Translator suporta nove línguas, entre elas o português do Brasil. As demais são chinês, coreano, japonês, francês, alemão, italiano, inglês e espanhol.

(O Globo, Economia, 16.3.2013)

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12 respostas em “A estação dos smartphones

  1. “Corita”, a pergunta mais clichê que não quer calar: qual sistema é melhor: iOS, Android, Windows 8? – sabemos que isso depende do usuário e o mais recomendado é ter seus gadgets com o mesmo sistema para facilitar a comunicação, mas pra vc, num tablet, qual dos 3 é melhor pra vc?

  2. o que mais me impressionou foi o tradutor. Em Star Trek havia um tradutor universal (nesse caso, universal é literal!). 🙂 Mas o telefone “ouve”? Ou só para mensagens escritas (aí não é novidade)? E traduz como? Exibe mensagem na tela?

  3. E se a pessoa for vesga, ele rola a tela como?
    (Desculpem, infame, bom dia rsrs)

    O tradutor me parece interessantíssimo.

  4. Reconhece o movimento dos olhos?! Deus do céu. Nem os smartfriends têm sido assim! Muito sedutor esse SG S IV.

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