A queda do balão em Luxor

Escrevi esse textinho para o jornal no dia em que o balão caiu em Luxor. Acesso à internet está sendo muito complicado nessa viagem, por isso ele só entra agora.

Andar de balão é um programa tão popular entre os turistas que visitam o Nilo que eu e os amigos com quem viajo viemos para a cidade um dia antes do planejado só para ver o nascer do sol no Vale dos Reis a bordo de um deles. Acordamos às 4h, chegamos ao campo de vôo às 5h e, às 7h30, voltamos para o hotel frustrados, sem termos voado: na segunda-feira, os oito balões que levantariam vôo ficaram no chão, vazios, por causa do vento forte. Apesar do transtorno, fiquei bem impressionada com a organização e a seriedade transmitidas pelo cancelamento.

Ontem acordamos com a notícia do desastre que matou 19 turistas. Foi uma comoção. Há poucos turistas nessa temporada, e temos, todos, consciência de que o que aconteceu com os passageiros do balão acidentado poderia ter acontecido com qualquer um de nós.

Para os egípcios que vivem do turismo, que movimenta 10% da economia nacional, o desastre é mais uma calamidade que atinge o já castigadíssimo setor. A crise economica mundial e a revolução de 2011 vêm afastando os viajantes sistematicamente. Apesar da alta temporada e dos preços camaradas, a maioria dos 300 navios que fazem cruzeiros pelo Nilo entre Luxor e Aswan está parada; as duas dezenas que continuam em serviço trabalham com muitas cabines vazias. O barco em que estou, por exemplo, que tem lugar para 80 passageiros, está navegando com 30.

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5 respostas em “A queda do balão em Luxor

  1. É uma pena que além dos problemas políticos que já afastam os turistas, a explosão desse balão seja mais um dado negativo.

  2. Além da forte crise, os países muçulmanos estão se deixando governar por fanáticos o que está diminuindo a qualidade de vida de seus cidadãos e afastando os turistas…uma pena. Este fanatismo religioso se entranha em todos os setores e o resultado é o volta à mediocridade, fruto da ignorância… destruindo tudo…

  3. Foi o que aconteceu quando estive lá depois do 9/11. Tudo vazio. Ficamos com muita pena, porque eles precisam muito dessa receita, mas para nós foi ótimo, passeamos e vimos tudo sem problemas. Na época, por conta dos atentados, havia franco atiradores protegendo os poucos turistas do alto dos monumentos, sempre que pegávamos o micro ônibus entre o barco e os monumentos éramos acompanhados por escolta policial, acho que nunca me senti tão segura.

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