Sanidade na loucura

Já perdi a conta do número de vezes em que reclamei da quantidade de email que recebo e da minha completa incapacidade de administrar uma caixa postal selvagem. Se você é um dos que já leu essas reclamações e não me aguenta mais falando sobre isso, não fuja: dessa vez, por incrível que pareça, tenho boas novas!

Depois de muita chateação, depois de experimentar todo tipo de solução, depois de quase apagar tudo para recomeçar do zero com um nome fictício, finalmente encontrei uma solução. Simples, eficiente, bastante em conta. Chama-se Sane Box (sanebox.com), nome mais do que merecido, e funciona como um filtro de mensagens importantes e mensagens que podem ser deixadas para logo mais. Nada é removido definitivamente.

É nesta filtragem que está a beleza da coisa. A margem de acerto do Sane Box é assombrosa. Se por acaso o programa deixar para depois uma mensagem que deve ser lida imediatamente, você pode ensiná-lo a não repetir o erro. Ele aprende.

Como funciona? Os emails chegam e, antes que você os veja, o SB os separa em importantes ou não, e desvia os emails não importantes para uma pasta chamada SaneLater. Esta separação não interfere com pastas já existentes. Para poder chegar à conclusão do que irá para a pasta SaneLater e do que ficará na caixa de entrada, o programa analisa todo o conteúdo da sua caixa postal e se conecta às suas redes sociais para saber quem, dos correspondentes, é conhecido e tem prioridade. Antes que alguém pergunte: não, o programa não lê as mensagens, apenas os “envelopes”.

O acontece em seguida parece mágica. O movimento de entrada muda de forma drástica. Se o Gmail fosse uma avenida, eu diria que todas as mensagens somem das ruas como automóveis em dias de jogo do Brasil na Copa, quando só veículos ocupados por gente que de fato tem algo urgente a fazer circulam: uma ambulância aqui, um taxi ali, uma moto.

Se a sua auto-estima não anda aquelas coisas, pense duas vezes antes de instalar Sane Box: você vai ter a impressão de que, subitamente, perdeu muito da sua popularidade.

Usei o Sane Box durante as duas últimas semanas em período gratuito de teste. Minha vida mudou. Deixei de ter medo da mailbox, que voltou a ser a primeira coisa que checo no computador.  Também comecei a reavaliar o que anda entrando na caixa postal, coisa que se pode fazer quando ela passa a ser um lugar tranquilo.

Para que eu eventualmente não perca alguma notícia importante, o Sane Box me manda diariamente, em horário determinado por mim, uma lista do que veio para a caixa de entrada e do que foi para a SaneLater. Nos primeiros dias, li esse relatório religiosamente. Foi através dele que treinei o programa para deixar passar as mensagens de certos remetentes — no total dez em 14 dias de uso, e mesmo assim porque sou menos severa do que o Sane Box a respeito do que é importante. Terminado o prazo do teste, o programa me mandou o resultado dos seus serviços: 654 mensagens removidas da linha de fogo e, diz ele e acredito, mais de cinco horas poupadas.

Fiz uma assinatura anual por US$ 89, mas para caixas postais menos tumultuadas há uma opção mais barata, por US$ 39 anuais (US$ 49 por dois anos). Acreditem: diante dos serviços prestados, esses preços são verdadeiras pechinchas!

Como infelizmente o mundo não é perfeito, só posso aplicar esta maravilha curativa ao meu endereço pessoal. O do jornal vai continuar uma doideira, porque caixa de entrada de jornalista desafia até os melhores algoritmos.

(O Globo, Economia, 2.2.2013)

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8 respostas em “Sanidade na loucura

  1. “Há momentos em que os homens são donos de seus fados. Não é dos astros, caro Brutus, a culpa, mas de nós mesmos, se nos rebaixamos ao papel de instrumentos.”

    Cassio falando a Brutus, in Julio Cesar, de Shakespeare

  2. O Face e o Google:

    “Como fizeram isso?

    Usaram cartas da agência de segurança nacional e mandados para buscar os dados de e-mail das pessoas envolvidas em nossa organização. Isso saiu do Google, da conta do Twitter, onde pessoas entraram para acompanhar nossa conta. No caso do Facebook, é algo impressionante. As pessoas estão fazendo bilhões de horas de trabalho gratuito para a CIA. Colocando na rede seus amigos, suas relações com eles, seus parentes, relatando o que estão fazendo, dizendo que viram aquela pessoa naquela festa, outra naquela loja. É um incrível instrumento de controle. Países como a Islândia têm uma penetração no Facebook de 88%. Mesmo que você não esteja no Facebook, seu irmão está e está relatando sobre você.”

    http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,e-bom-que-os–governos-tenham-medo-das-pessoas-,992367,0.htm

  3. O Face e o Google:

    “O sr. aponta para o poder de Facebook e Google. Como esses sites são usados contra civis?

    O Google sabe o que você estava pensando. E sabe o que você pensou no passado, porque quando você quer saber algum detalhe, busca no Google. Sites que têm Google Adds, ou seja, todos os sites, registram sua visita. O Google sabe todos os sites que você visitou, tudo o que você buscou. Ele te conhece melhor que você. Você sabe o que você buscou há dois dias? Não. Mas o Google sabe. Alguém pode dizer: o Google só quer vender publicidade. Mas, na realidade, todas as agências de inteligência dos EUA têm acesso ao material do Google. Eles acessaram isso em nosso caso.”

    Julian Assange

    http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,e-bom-que-os–governos-tenham-medo-das-pessoas-,992367,0.htm

  4. A vigilância:

    “A comunicação entre indivíduos ocorre pela internet. Sistemas de telefone estão na internet, bancos e transações usam a internet. Colocamos nossos pensamentos mais íntimos na internet, detalhes, como o diálogos entre marido e mulher e até nossa posição geográfica. Enfim, tudo é exposto na internet. Isso significa que grupos envolvidos na vigilância em massa realizam uma apropriação enorme de conhecimento. Esse é o maior roubo da história. A tecnologia está sendo desenvolvida para essa vigilância em massa e vendida por empresas de países como a França, que vendeu um sistema de vigilância para o regime de Muamar Kadafi. Na África do Sul, há um sistema desenhado para gravar de forma permanente todas as ligações que entram e saem do país e as estocam por apenas US$ 10 milhões ao ano. Está ficando barato. A população mundial dobra a cada 20 anos. O custo de vigilância está caindo pela metade a cada 18 meses.”

    Julian Assange, em entrevista ao Estadão.
    http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,e-bom-que-os–governos-tenham-medo-das-pessoas-,992367,0.htm

  5. Essa história de se conectar com as redes sociais e com os meus e-mails, não me agrada ! Todo mundo ( lá do outro lado, é claro ) sabendo tudo a meu respeito…. Hmmm…. Não é a minha praia !

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