Walmor

Walmor Chagas

A última entrevista, AQUI. Assistam.

Walmor Chagas foi o homem mais bonito que conheci, ever. Porque não era só bonito. Era de uma inteligência e de uma ironia fantásticas, e isso se percebia no olhar, no jeito de ser. Era ainda mais impressionante ao vivo do que no cinema ou na televisão.

Fomos muito amigos, e muito próximos durante o tempo em que ele viveu no Rio. Não conheci ator como ele, nem no Brasil, nem em qualquer outro país.

Não consigo me acostumar com a ideia de que ele não existe mais.

Deuses não deveriam desaparecer.

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23 respostas em “Walmor

    • Tb acho! Ele e Aracy e Lucelia,muito bom! Mas fez uma dupla otima c a Georgia Gomide em outra novela ,os dois estavam maravilhosos, so pra variar…e ela morreu triste,sem trabalho e sem o reconhecimento merecido,pois tb foi uma grande atriz…

  1. Tive o privilégio de “conhecer” o Walmor numa Fenit – no Ibirapuera – eu tinha 16 anos!.
    Um Gentleman! (eram muito raros na época e principalmente no evento).
    Ficou guardado pra sempre no meu coração, a atitude, o respeito e a bondade dele!
    Acho que posso contar em menos de uma mão, seres humanos tão bondosos e respeitosos como ele!

  2. Relembrando: It, conforme o Houaiss, quer dizer: “um quê, um certo traço ou alguma coisa que fascina, encanta, atrai; charme, magnetismo.”. Esse termo foi muito usado, há muitos anos…
    Quanto ao Walmor, realmente, ele não se conformava com o peso dos anos. Já não enxergava e isso era um grande problema pra ele. Também, não queria dar trabalho a ninguém.
    Já repararam que os grandes atores, cantores ou compositores são do signo de virgem? Lembro-os: Walmor Chagas, Paulo Autran, Raul Cortez, Malu Mader, Fernanda Torres, Carolina Dieckmann, Glória Pires, Sônia Vieira, Tônia Carreiro, Tony Ramos, Alessandra Negrini, Luana Piovani, Thiago Rodrigues, Luciano Huck, Beyoncé, Leandra Leal, Ana Carolina, Wolf Maya, Amy Winehouse e Michael Jackson, são alguns deles.

    • Oi Lilly?! Interessante sua proposição de conexão entre signo zodiacal e a carreira ou forma de expressão que a pessoa exerce na vida. Observe com atenção?
      Cora Ronai é Leão; Millor Fernandes era de Leão; Drummond era de Libra; Rubem Braga de Capricórnio; Fernanda Montenegro é de Libra; Raul Seixas era de Cancer; Miguel de Cervantes era de Libra; Pablo Picasso de Escorpião; Juan Miró de Áries; Dali era de Touro; sua mulher Gala era de Virgem; Lucien Freud Sagitário; Sigmund Freud era de Touro; Carl Gustav Jung era de Leão; o Rei Roberto Carlos é de Áries; Frank Sinatra era de Sagitário; Jerry Lee Lewis era de LIbra; Shakespeare era de Touro; Fernando Henrique Cardoso é de Gêmeos; Adolf Hitler era de Áries; Fidel Castro de Leão; Hugo Chavez de Leão; Obama é de Leão; Vinícius de Morais era de Libra; Elis Regina era de Peixes; Xuxa é de Áries; Flávio Cavalcanti era de Capricórnio; Fausto Silva é de Touro, Galvão Bueno é de Cancer; Glória Perez é de Libra; Lula é de Escorpião; José Sarney é de Touro; Fernando Collor é de Leão.

      Como pode perceber Lilly, tem tudo a ver, com tudo, né?

      “While my eyes go looking for flying saucers in the sky”

      Bom domingo para você!

      • Pensei nisso instantaneamente, Adolfrapanui.
        Obrigada pelo texto explicativo. Me poupou o trabalho de argumentar com a Lilly.
        🙂

        • Dona Monca?!

          Em primeiro lugar, elogio seu apelido MONCA. Sonoro e divertido!!!

          Segundo lugar, para tratar de astrologias sou Adolfero Rapa Nui, antepassado dos remanescentes do povo Rapa Nui, da Ilha de Páscoa. Mistérios, navegações e mapas estelares, era com a gente mesmo. Confeccionavamos moais, como Obelix carregava menires. Uma idiossincrasia, de um povo, como outra, de outro povo, qualquer. Eventualmente me manifesto na pós-modernidade.

          Terceiro, antigamente a gente viamos mesmo discos voadores no céu!

          Quarto, eran bom que a senhora gostasse dos gatos. Se gostar e tiver hóspedes felinos, a gente pega amizade.

          Aguardando confirmação, ansioso até!

          Ad RN

        • Essa terceira idade está me fazendo muito mal… Só escrevo besteiras e as pessoas leem e têm de pensar como retrucar. A vocês, perdão pelo trabalho. Sinto muito!

          • Ô, Lilly! Liga não. Eu sou a rainha da bobagem por aqui…
            Acresça ao sorvete do Adolfero, uns biscuits gaufrettes por minha conta e vamos mudar de assunto.
            🙂

  3. Quando é que o Brasil vai ter uma clínica onde a gente possa morrer com dignidade?
    Eu não queria ir procurar isso na Suíça.
    Polêmicas à parte, suicídios sangrentos são muito mais tristes.
    Quem não consegue ir bem até o final deveria ter alternativas menos humilhantes e não ilícitas.

    Aproveitando a fala mórbida, quando assisti Hiroshima Mon Amour, há mil anos, nunca me passou pela cabeça, e imagino que nem pela de Emmanuelle Riva, que ela faria um dia, o papel de Anne, em “Amor” que está passando no cinema.
    Eu gostaria de ter uma morte que combinasse com aquilo que fiz dos meus dias terrenos.

    • Sinto desapontá-la quanto à Suíça. Não temos aqui clínicas onde se oferece eutanásia (ou a entendi mal…). Existem, sim, duas organizações privadas que se dedicam a esta, como eles mesmos chamam, “ajuda”: Exit (a mais antiga) e Dignitas. Ambas muito controversas. E muito procuradas por estrangeiros, especialmente vindos dos países vizinhos.
      O que nos distingue, talvez, é o pioneirismo e estímulo em matéria de determinações do próprio cidadão relativas às últimas medidas a serem tomadas pelos médicos/hospitais em caso de morte cerebral irreversível, doação de órgãos etc. Havendo um termo deste tipo, é vinculante tanto para a família como para terceiros. Mas não dá autorização a medidas que levem a acelerar a morte de alguém, apenas para não continuar um tratamento de vão prolongamento da vida.
      Muitos de nós suíços ou habitantes do país leva, também, consigo uma carteira de identidade de doador de órgãos para casos de morte por acidente.

      • Eu falava justamente de modelos como a Exit e a Dignitas, Silvia.
        Li tudo que encontrei na internet sobre as duas.
        Sei das controvérsias, da dificulade de se estabelecer quando é justo ou não ajudar uma pessoa a deixar de viver. Duvido que haja um consenso em qualquer parte do mundo a respeito.
        Um prolongamento de vida em vão é absurdo por si. Deixar o desejo expresso registrado ajuda mas é preciso se estar meio morto pra desligarem aparelhos.
        Eu gostaria de se um dia ficar muito idosa e cansada de viver, pudesse escolher cessar, de caso pensado, sem violência. Porque depois de decrépita e inválida serei um peso pra quem me acompanhar, e pra que viver assim? Nesse quesito custo a aceitar os ‘desígnios de Deus’. Que a medicina nos seja leve!
        Não seria mais bonito o Walmor ter morrido com acolhimento?
        Eu sei que a Exit e a Dignitas não são exatamente o que eu gostaria mas é o mais próximo.
        Em resumo, eu gostaria que o suicídio como vemos no mundo, tivesse alternativa decente.
        Que as dores da alma que não têm cura, tivessem uma solução menos sofrida do que se viver na escuridão ou de se destruir dramaticamente.

        • Entendo o seu ponto de vista, Monca. Mas tanto a Exit como a Dignitas asseguram respeitar as leis suíças e não ajudar na “abreviação” de vidas de pessoas que não suportam mais as dores psíquicas ou “da alma” como você tão bem as define. Ajudam apenas em casos de doenças (físicas) incuráveis. E tanto uma como a outra organização têm sido também muito combatidas por vizinhos dos apartamentos onde se instalam para praticar os atos de “suicídio assistido” tendo, inclusive, em certos casos de mudar de local. Os vizinhos não suportavam mais o constante transporte de defuntos… A situação não é nada fácil… Condivido a sua preocupação em relação ao que possa nos aguardar nos últimos dias, meses, anos de vida. Mas não tenho uma solução para mim.
          Quanto ao Walmor, sinto muitíssimo que tenha usado de um meio tão violento. Espero que encontre a paz agora.

    • Monca:

      Você escreveu: “[…] Eu gostaria de ter uma morte que combinasse com aquilo que fiz dos meus dias terrenos.”

      Eu bebia como Vinícius de Morais, comia com apetite de Mario Henrique Simonsen. E fumava, muito. Jamais tive nada, até chegar aos 45. Comecei com uma inquietação no meio da noite, que se tornou insônia no meio da noite. Num check-up diagnosticaram Hipertensão Arterial Sistemica, leve, não preocupante. Recomendaram-me mudança de hábitos e os tradicionais comprimidinhos. Eu não sou muito bobo. Aquilo me incomodou, como se um urubu enorme houvesse pousado em minha cabeça. Pra encurtar a prosa, emagreci, parei de beber uisque, larguei o cigarro e os charutos. Mudaram os hábitos ou mudei eu? As capacidades do corpo mudaram. O que fiz foi somente adequação. Com calma, paciência, espera cuidadosa. E do que se trata toda essa ginástica? De um preparo para o encerramento de certas atividades. Primeiro umas, depois outras vão se desligando, expontaneamente. Então Monca, sei de mim, que nalgum momento em todos nós chega o tempo antes do fim. E não tem remédio senão o aceitar, suave, homeopático. O alívio está em nós mesmos.Então, se há conformação, quer dizer adequação da forma, às circunstâncias da vida, pode-se cancelar muitos “decretos” decretados em tempos de juventude. Pode-se mesmo ajustar uma morte de acordo com o que se faz em dias terrenos.

      ……………………………..

      Dizem que que no fim o bem sempre triunfa. Mas Napoleão, Stalin, Batista, Trumam, Salazar, Perón e Franco, morreram na cama. Sócrates, Lincoln, Ghandi e Luther King, não.

      Millor

      • Mas o tempo antes do fim são todos os dias desde o momento em que criamos consciência. Eu vivo bem, me sinto feliz (mesmo quando não estou feliz de verdade 😉 ) e procuro espantar meus próprios urubus pousados, com delicadeza. Não me debato com os medos, nem me assombro demais com a idade avançando. Mas aos 49 me flagro sentindo uma saudade do que ainda não acabou mas que eu sei que vai acabar. Então eu corro, e me agito mais do que é preciso, pra não ‘desperdiçar’ tempo; enquanto à esta altura eu já deveria ser uma criatura aquietada, serena, a viver com a calma que faz os dias passarem mais lentamente.

        O que eu havia escrito antes, foi efeito colateral pela morte do Walmor, e de ter me comovido com o filme “Amor” de Michael Haneke que fui assistir na semana passada.
        Já passou, Adolpho. 🙂

        ………………..

        “Treme, carcaça! Tremerias muito mais, se soubesses aonde vais”
        Já leu isso do general que morrendo de medo, deu voz de comando e carregou a tropa pra guerra?
        Eu sou meio assim, mas no entanto, intuo que a minha morte vai ser dormindo, calmamente.

  4. Assisti agora à entrevista, conduzida por ele, impressionante. Em todas as falas transparece o cansaço, o medo de perder a independência, o temor à decrepitude. Entendo, se foi suicídio, o percurso. Grande Walmor Chagas, irônico, inteligente, observador, sincero, admirável. Obrigada por compartilhar, Cora!

    • Tive a mesma impressão que a Eduarda sobre o cansaço e temores (li que estava perdendo a visão).
      Senti, também, enfado ou pouco interesse sobre o que a vida ainda poderia lhe trazer. Sinais bem evidentes.
      Sua linda e leonina cabeça sempre me pareceu mais apropriada a um Senador Romano e não me lembro de ninguém que se assemelhe a ele, atuando ou fora do meio artístico. Vi-o no placo: Era uma real presença. Aplomb – era a palavra que procurava…
      Agora, como sua última cena, exerceu o seu direito de cerrar às cortinas e ir para às coxias. RIP, Walmor e solidariedade à familia.
      Norma

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