Questão de imagem

Lucas

Comecei a fotografar com celulares quando a Nokia lançou o 7650, primeiro aparelho com câmera integrada do mercado. Corria o ano de 2002, e o 7650 era diferente de tudo o que eu já tinha visto, a começar pelo novo sistema operacional que trazia, chamado Symbian. O 7650 era um slide, ou seja, a parte de baixo escorregava, revelando o teclado. A câmera produzia fotos em 640 x 480 pixels — mas, embora miúdas, ela tinham excelente qualidade. Começou aí o meu caso de amor com as fotos de celular, tão incompreendidas durante tanto tempo.

Ao longo dos anos, incontáveis smartphones passaram pelas minhas mãos. Apesar de ter feito milhares de fotos com eles, e de ter até publicado um livrinho com o melhor dessa produção (“Fala Foto”, de 2006, peblicado pela Editora Senac), nunca consegui abandonar inteiramente as câmeras.

Ao contrário. Quanto melhores ficavam as câmeras dos celulares, mais eu sentia falta de um equipamento que me desse imagens mais bem resolvidas tecnicamente. Eu olhava para uma ótima foto obtida com um smartphone, e sentia falta de um foco mais bem definido, de uma sensação de profundidade, de cores mais fiéis.

O problema é que as digitais compactas que eu usava também não me davam isso. Com o tempo, suas imagens passaram a ser apenas um pouco melhores do que as dos celulares.

Resultado: acabei comprando uma DSLR Nikon e várias lentes. De todas elas, a única que me deixa 100% satisfeita, em termos de imagem, é uma  105mm f2.8; nas fotos capturas pelas outras, sempre acho que poderia haver mais detalhes, mais nitidez. A culpa não é das lentes, que são muito boas. É minha. É que cresci com um avô que usava Rolleiflex, e passei a juventude vendo fotos dos antigos craques das Leicas e Hasselblads. Concorrência injusta!

Usei a câmera por uns dois anos, fiz upgrade, comprei mais lentes. Mas, na última viagem que fiz, ela nem saiu da bolsa. Pior: a própria bolsa não deixou o quarto do hotel. Não sou fotógrafa profissional, não ganho a vida com as imagens que capturo. Hobby por hobby, levar uma compacta no bolso do jeans era bem mais prático, especialmente quando a compacta tem a qualidade da Canon S95 que levei comigo. Mas mesmo ela perdeu a vez, frequentemente, para o iPhone, com o qual fiz a maioria das fotos. Em certos casos, praticamente não havia diferença de resultados entre um e outra.

De lá para cá, comprei uma nova compacta, a Sony Cyber-Shot RX100. Ela não tem o superzoom que algumas das suas irmãs possuem — agora mesmo, na CES, a Sony apresentou a Cyber-Shot H200, com zoom 26x e wi-fi embutido — mas tem a melhor qualidade de imagem que já encontrei numa compacta. Seus closes são fantásticos, o bokeh é lindo e a riqueza de detalhes que obtém precisa ser vista. Além disso, ela tem uma ótima lente Zeiss f1.8 e trabalha muito bem em más condições de luz. O segredo do seu sucesso é um sensor quatro vezes maior do que o das compactas “normais”.

A bichinha é cara para uma compacta: custa cerca de US$ 650 nos Estados Unidos, e sai a mais de R$ 2 mil no mercadolivre.com.br. No entanto, não me arrependo de ter gasto esse dinheiro, Ao contrário. Estou tão satisfeita que já penso em vender a Nikon e as lentes.

Tenho certeza de que com um bom smartphone e com a RX100 serei feliz para sempre. Ou, pelo menos, até o próximo lançamento.

(O Globo, Economia, 12.1.2013)

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6 respostas em “Questão de imagem

  1. Cora muito legal compartilhar conosco sesu anseios sobre máquinas e fotografia.

    Compartilharei a minha experiência como amador e adorador também, comecei nas digitais em 2004 com uma casil exlim ex-20, 3.2MBpixel num sensor de quase uma polegada. Em 14 dias em Paris tirei umas 1200 fotos, era novidade,  limite era na verdade a duração da Bateria que no fim de umas 320 fotos já estava pedindo arrego.
    De lá para cá tive também da caso uma High Speed com super zoom, defeito não gravar áudio nos vídeos, vendi comprei uma DSLR Cânon modelo de entrada TSi, na época não gravava vídeo e isso acho que pode ter me traumatizado um pouco, pois sempre fui de fazer fotos e vídeos. Quando comprei a DSLR esperava que a qualidade das imagens melhorasse ou que talvez eu voltasse a ter o prazer de juntar os semi circulos quando focava das lentes, ainda analógicas, Yashica de 50mm.
    Mas nem uma coisa pouco outra, talvez a falta de uma foco manual mais parecido com analógico, foi o que mais me frustrou. Além do que, convenhamos, mas para nós amadores que não ganhamos o pão de cada dia com fotos, é um saco ficar trocando de lente, ainda mais as da Canon que tive que eram 28-70 e 70-250mm então a divisão da lente era no range que mais gostava de usar. Hora a menor não era suficiente, hora a maior faltava pouco para se tornar a única lente, além do peso, flash, pilhas extras para flash, entre outras coisas que tornaram meu hobby menos presente.

    Quando notei que estava tirando menos fotos por que não gostava de levar a mochila sempre que íamos a um almoço ou jantar entre amigos, resolvi voltar vendê-la e de lá para cá tenho me mantido nas super zoom pois são bem mais compactas do que as DSLRs e tem flexibilidade de tirar fotos como este sua, em dois planos, usando mão dos mais de 20x de zoom. Antes de ter minha Panasonic FZ-100, comigo há mais de dois anos, tive a cânon S3IS, excelente por sinal, com 10x ou 12x e tive a Caso FH-25 HS. Mas acho que a Panasonic com as lentes Leica acabou me conquistando pelas excelentes fotos e boa flexibilidade, vídeos em AVCHD com ótima qualidade e baixo consumo de memória, entre vários outros recursos, boa empunhada, display flexível.
    Ainda fico me pegando namorando alguma DSLR que agora faz vídeo e já estão bem mais incorporadas de recursos, mas sempre me lembro do peso e trambolho.

    Foi quando descobri as Mirror Less, que são essas máquinas do estilo da Rx100, pequenas, compactas, mas que atendem um público mais exigente que gosta de brincar com os recursos nas fotos, ela não são tão caras como as DSLRs, mas também são melhores que as pequenas portáteis point and shoot. A única dúvida que tenho nessas é deixar de ter o zoom, ferramenta importante para paisagens, fazer planos, etc. Essa sua o zoom ótico equivalente seria 3,6x, você achou suficiente para suas fotos?

    Como essas máquinas hoje vem com ângulo bem aberto, 32, 28 ou até 18mm, para que ela se aproxime do olho humano já gastamos o zoom quase todo. Dizem que o mais próximo do olho humano é uma lente foco fixo de 50mm, nas analógicas.

    Eu, antes de ler seu review estava mais propenso e me manter na Panasonic, pensei na GH3, mas desanimei, e achei a FZ-200, que faz filmes em 120fps…ahummm…Me interessei, mas quase fiquei na dúvida ente ela é a Cânon SX50 IS, com zoom de 50x ótico, 35-1200mm, é algo que nunca imaginei, mesmo que não use os 50, hoje eu tenho só 24x e até então me atende bem, mas é uma tentação.

    Enfim agora mesmo sem o zoom comecei a cogitar essa da Sony que você indicou pois o sensor dela voltou a ser grande, eu digo voltou pois na época da minha primeira ele tinha quase, esse tamanho e 3.2MBpixel distribuído nesta área. E alguns aspectos achei ela melhor que muitas outras de 6 ou 8 mbpixel da época seguinte.

  2. Linda a foto do Lucas, com seu olho refletindo o ambiente e o Toró na rede, atrás.
    Todas as suas fotos que tenho visto no Instagram, tiradas com a RX100, são de babar. Mas, se alguém fizer uma busca com a tag desta máquina vai verificar, rapidinho, que só ela não adianta: ao menos tem que ter um gato de olho azul, também… rs… Bom domingo!

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