Alá-lá-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô

Na semana passada, fiz uma declaração apressada no Facebook:

“Olá, meu nome é Cora Rónai e estou há 24 horas sem ligar o ar refrigerado.”

Durou pouco a minha determinação. No dia seguinte ligaram o maçarico de novo e eu, claro, liguei o ar. Salvo esse breve interlúdio, respiro por aparelhos (Consul e Electrolux) há mais de um mês. Como venho de um mundo em que ar refrigerado só existia nos cinemas e em lojas como a Sears ou a Sloper, não gosto dessa dependência. Não gosto de não conseguir dormir sem criar uma atmosfera artificial, não gosto de não conseguir trabalhar à temperatura ambiente, não gosto de ficar ressentida com a natureza lá fora só porque ela não tem ar condicionado central.

Não estou sozinha nessa relação de amor e ódio. Na edição de 5 de janeiro, a “The Economist” trouxe matéria assinada pela sucursal de Dubai a respeito do planeta refrigerado em que vivemos. Nela descobri um autor que não conhecia, o cientista Stan Cox, e um livro que já encomendei, chamado “Losing our Cool”. Sua descrição na amazon.com diz o seguinte:

” Embora salve vidas em temperaturas muito altas, o ar condicionado está modificando a sensibilidade dos nossos corpos ao calor; os nossos índices de infecção, alergia, asma e obesidade; e mesmo o nosso impulso sexual. O ar condicionado corroeu vínculos sociais e prejudicou a aventura da infância; alterou a forma como dormimos, comemos, trabalhamos, compramos, relaxamos, votamos e fazemos tanto o amor quanto a guerra.”

Não é pouca coisa para uma tecnologia já centenária, que evolui a passo de cágado. Gwyn Prins, professora da Universidade de Cambridge, acha que a dependência física do ar refrigerado é a epidemia “mais difundida e menos notada da América”.

Parece exagero e talvez seja, mas o fato é que cada vez convivemos menos com o calor. Dormimos cobertos o ano inteiro. Saímos do ar refrigerado de casa para o ar refrigerado dos carros, que nos levam para escritórios e lojas igualmente refrigerados. Chegamos ao cúmulo de andar com xales ou casaquinhos na bolsa, em pleno verão, para não passar frio no cinema ou no restaurante — num fenômeno semelhante, ainda que inverso, ao do superaquecimento de ambientes no inverno do hemisfério norte.

Em suma: perdemos — ou estamos perdendo — o nosso fio terra.

o O o

A matéria da “The Economist” tem dados interessantes. Até os anos 50 do século passado, viviam na região do Golfo menos de 500 mil pessoas. Hoje já são mais de 20 milhões de habitantes, instalados em prédios  que, sem ar refrigerado, não teriam a menor condição de habitabilidade.

Naturalmente, não há nada de democrático no uso do ar. Os ricos, pessoas e países. abusam do fresquinho, enquanto os pobres sofrem em silêncio. Os Estados Unidos gastam mais energia com refrigeração do que a África inteira gasta com tudo; e, ainda assim, a despesa com refrigeração corresponde a apenas 8% dos gastos de um típico lar norte-americano, contra os mais de 40% representados pelo aquecimento.

O impacto do ar refrigerado nos ambientes onde vivemos é óbvio, ainda que relativamente pouco estudado. Os belos e altos pés direitos que caracterizavam as construções em países tropicais foram substituídos por tetos rebaixados, e varandas e alpendres são cada vez mais raros. Antes construídos em torno de pátios internos, os prédios viraram caixotes compactos em que o ar, propositalmente, não circula. Sem falar que há cada vez menos espaços públicos ao ar livre, o que muda a dinâmica da interação social. Antigamente as pessoas se encontravam na praça, que era lugar de convivência e passagem; hoje se encontram nos shoppings.

O Rio, felizmente, se salva desse quadro patético graças à praia, que continua sendo o grande ponto de encontro da cidade.

o O o

O Facebook deu de fazer perguntas aos usuários. Agora mesmo me perguntou como eu estava me sentindo, mas não lhe fiz caso. A ideia é, suponho, dar um empurrãozinho nos novatos que não sabem ainda se comunicar na rede social. O truque, que funciona nos EUA, de onde foi importado, não dá certo entre nós, latinos, que não carecemos de assunto. O resultado é que a maioria das pessoas responde, quando responde, com maus modos e irritação. Mas há quem responda com humor e elegância, como o poeta e diplomata português Luis Filipe de Castro Mendes, que há alguns anos serviu como cônsul aqui no Rio:

“Ainda bem que pergunta. Realmente ninguém tem interesse em saber como eu me sinto (rabujento, irritado com as notícias, saudoso do futuro, esfíngico e fatal, com os pés frios, acabrunhado pela miséria do mundo, já com um bocado de sono, cheio de fome e de sede de infinito, tenebroso, belo, inconsolável, contribuinte sem dívidas ao fisco, um pouco blasé, príncipe de Aquitânia com a torre abolida, lúcido, merda, lúcido, com a televisão já desligada, caminhando radioso sobre a minha miséria, se quiserem continuo…). E é isto, só o Facebook quer saber como me sinto. Ninguém mais. Nem eu.”

(O Globo, 10.1.2013)

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63 respostas em “Alá-lá-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô

  1. Ar condicionado é questão de gosto e manutenção.

    Conheço gente que não vive sem e gente que detesta. Mas, o principal pra quem gosta e tem é fazer a manutenção correta. A limpeza do filtro tem de ser feita periodicamente, do contrário se torna uma fonte incrível de ácaros, e espalha sujeira no ar, o que pode causar alergias, e outras doenças respiratórias. Os manuais de instrução geralmente indicam tanto a forma de limpar o filtro de maneira correta como a periodicidade em que isso deve ser feito. Em casas/aptos. essa responsabilidade é do morador, já em escritórios e condomínios que tem ar condicionado central do administrador/síndico. Economizar na limpeza e manutenção do ar condicionado costuma sair mais caro, em gastos com remédios.

    Vivo sem ar condicionado na boa, e se não vivesse teria de mudar de apartamento. O meu foi construído nos anos 60, se colocar um ar condicionado aqui posso causar sérios problemas à rede elétrica do prédio – que não tem condições de aguentar a carga que um aparelho desses requer. Além disso moro num apartamento que fica de frente, ou seja, colocar um ar condicionado é considerado alteração de fachada. Graças a Deus o apartamento tem pé direito alto (acho que deve ter 3 metros ou um pouco mais) e é bem ventilado. Infelizmente pega sol a tarde toda, o que no horário de verão quer dizer até cerca das 20 horas 😦

    Muita gente que conheço e que não gosta do ar condicionado por causa do tal “choque térmico” também é bem comodista em relação a isso, quer dizer, vai a lugares onde sabe que existe esse aparelho ligado no talo (como cinemas e bancos) e não leva nem um chale ou blusinha pra se proteger lá dentro. Tinha uma amiga minha friorenta por natureza, que costumava ir ao cinema de regata. Um dia perguntei a ela por que afinal não levava uma blusa leve pra se proteger no cinema, e ela respondeu que tinha preguiça de carregar, depois disso cada vez que ela reclamava eu mandava calar a boca sem piedade.

  2. São Paulo tem gente andando de blusa. a temperatura baixou, mas está longe de fazer frio…

    pessoas têm perdido sensibilidade e culpado, entre outras coisas, o tempo.

    não gosto de ventiladores, circuladores, condicionadores de ar etc. (são coisas, não têm vida, portanto, não gosto nem desgosto. não amo nem odeio.) convivo com eles, o mínimo possível.

    há invenções que aumentam nossa adaptação ao ambiente, há outras que não: colocam-nos numa bolha, tornam-nos dependentes do artifício; a longo prazo, cheiram a armadilha. aparelhos de ar-condicionado estão entre essas últimas.

    seja como for, aqui em casa, uma janela aberta à noite tem dado conta do recado. aberta, mas com tela de proteção, para os gatos, posto que há assassinos ocultos entre os vizinhos, sem falar na ameaça do trânsito.

    bons ventos a todos.

  3. Esqueci de confessar::
    “Meu nome é Tom Taborda e sou ArCoDependente. Sem esta droga, morro de suores”
    😉 🙂

    • Quando eu morava no Rio, Tom, também era. Morei em um apartamento no Jardim Botânico que era pequeno e um aparelho conseguia refrigerar a sala e o quarto. Era primeiro andar, acabava sendo barulhento e poeirento, assim nós moramos lá por dois anos e durante esse período o ar só foi desligado quando viajamos 😉

  4. Eu adoro o calorão. O bafo morno no rosto e no corpo. Sair de 18 graus e levantar a cara pro sol quando saio do prédio com as mãos e os ossos gelados do meu ar de consultório.
    Adoro a praia até o último instante, quando o corpo pingando de calor tem o mar pra mergulhar e ficar.
    Detesto não poder me aquecer. Sofro de frio e tristeza em lugar de pouco sol, pouca luz.
    Eu tenho o privilégio de morar num lugar lindo, bairro maravilhoso, vista divina e com sol escaldante. Tem vento quente de dia e brisa fresquinha de noite, e confesso que o luxo a que me concedo de ter e usar o ar condicionado todas as noites do ano é por causa do silêncio que eu preciso pra descansar. Pior que as construçōes equivocadas pro nosso clima, o barulho dos carros me inferniza. Eu vivo no calor, abstraio dele, sei resfriar meu corpo se tenho tranquilidade. Ou pelo menos um ventilafor, vai! A falta de silêncio é que me mata. Por este motivo, um dia ainda vou me mudar pro mato. Ou pra uma praia deserta, porque pra mim, o som do mar sem gente, é silêncio também.
    Eu posso morrer de barulho, de calor não.

    Adorei seu texto, Corinha. E o bônus! esse texto do Luis Filipe. Muito bom!!!

    • Concordo com você: barulho é insuportável.
      Mas, embora não tenha bela vista- ou, justamente por não tê-la- moro num apê muito silencioso. São opções.
      Daqui onde estou, neste momento, não ouço um pio- ou, corrigindo: só ouço pios. Como os vizinhos pouco usam o ar, passarinhos fizeram ninho em um aparelho acima do meu.

      • Ah sim! Se eu pudesse dar um “pause” nos carros e deixar só os pios no “play”, eu dava os aparelhos de ar de presente pra quem quisesse.
        No Leblon eu tinha um silêncio dos deuses, mas a umidade em casa era um horror. Não sei mais o que é mofo, parede verde, roupa com cheiro de guardada, nem filho doente! A casa nova tem luz, alegria, saúde e… carros que passam sem cessar. C’est ça. 🙂

        • Se consola, já morei num apartamento barulhento, escuro, com mofo nos armários e só uma frestinha de vista. 😉 aproveite a paisagem

  5. por outro lado, que preguiça de gente “blasé”, que tem necessidade de ficar se afirmando: “olhem para mim, gente, vejam como eu sou blasé…”
    []’s

  6. “E em meio disto o aroma
    Que a brisa traz me assoma
    Um momento à consciência
    Como uma confidência.”
    (Fernando Pessoa)

    Aqui tem brisa, CorAnarina, graças aos ventos vindos do Atlântico, aqui tem brisa, graças a praça aqui defronte, no meu quarto tem brisa e brisa que sopra nas noites quentes de verão, movendo as cortinas de chitão colorido, só pela manhãzinha que esquenta, o sol nasce encalorando tudo, nas noites, brisa, assim que o corpo começa a suar, vem a brisa refrescando, e sim, uma brisa é muito mais erótica que um ar refrigerado, ao menos para mim, que gosto de janelas abertas, mas em casos emergenciais de quarenta graus, há sim que ser dependente do ar, uma adita da temperatura amena, lá no inverno a gente vai a reunião dos dependentes do ar-condicionado, mas em pleno verão louco carioca, é um vicio teleradíssimo, eu entendo, comadre, abençoado ar que refresca.
    Mas como eu vivo de brisa, CorAnarina, nem tenho ar em casa, a brisa dá conta e a brisa reconta tudo, nos faz poetas, nos faz uma cóçega nos dedos para versejar, me faz cantar summertime a toda voz, em vez do seu alalaô…

    • Falou e disse, Matilda. Vamos relembrar Bandeira e esquecermos das cordas dissonantes daqui:

      Pneumotórax
      Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
      A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
      Tosse, tosse, tosse.

      Mandou chamar o médico:
      – Diga trinta e três.
      – Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
      – Respire.

      – O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
      – Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
      – Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

      Então, vamos tocar…

  7. Mas porque o Facebook não me pergunta como estou passando? Eu não gosto muito dele, admito, mas estou me sentindo meio rejeitada… Rsrs

    O texto é ótimo, como sempre.

    Sou fã de ar condicionado, uso direto sem qualquer culpa (se tiver $ para a conta no final do mês). O problema maior é o calor que fica armazenado nas paredes (caloria mesmo, da física) e parece emanar, durante a noite.
    Sem pelo menos esfriar o quarto, a noite é difícil, depois de uma tarde com sensação térmica de 51graus, como aconteceu no Rio na semana passada- informação do Weather+ app.

    Mas, sobrevivo sem: dava aula no Fundão, sem ar refrigerado, quando aconteceu o fenômeno El Niño anterior a este.

  8. Eu tenho ar -condicionado, mas sou medrosa e não ligo à noite, medo de incêndio…Uma vez , minha mãe disse uma frase que eu nunca mais esqueci;que quarto fechado com o ar ligado “vira” ambiente de CTI. Não gostei da imagem e evito ao máximo manter esse “ambiente”. Mas é claro que não nego a delícia que é trabalhar em locais geladinhos(pero no mucho), já que não tenho essa sorte ainda…Ventilador potente quebra bem um galho, até os leques de sinhazinha tb, o negócio é se refrescar, rs Quanto ao título da sua crônica, canto o dia todo essa música quando está calor ou então a da Aurora…”e ar refrigerado para os dias de calor ” , que mesmo no Rio mais fresquinho dos anos 40, era o sonho de consumo de todo mundo!

    • Patrícia, é justamente o contrário. O ar-condicionado, como diz o nome, condiciona ao ar. Ele não só o refrigera. Muitos ar-condicionados tem ciclo reverso. São também aquecedores de ar. Além de, portanto, regular a temperatura, eles filtram as impurezas. E os mais modernos possuem filtros ativos contra ácaros.

      É pena ver a irresponsabilidade de certos pais, que incutem dogmas absurdos a partir de frases de efeito ridículas, em seus filhos.

      • Pena é você , Luis Santos, rechaçar tudo o que as pessoas escrevem aqui. Ai, que preguiça disso, vc não me conhece, nem à minha mãe e vem com esse papo chato? Vai catar coquinho/ lamber sabão/procurar sua turma , com esse “discurso” sem graça…

        • Pena eu ser uma opinião discordante? Nem sabia que eu estava “rechaçando tudo o que as pessoas aqui escrevem”. Não parei para contar isso. Se você o fez, está mais atenta à minha opinião que eu mesmo. Talvez solicite minha exclusão, ou eliminação, o que dá no mesmo.

          Sim, tenho uma opinião diferente da sua, mas não te mandei, como mesmo, “catar coquinho” ou “lamber sabão”.

          Notou que o post da Cora, bem como as respostas, são públicas e de livre acesso. Para o uso dessa liberdade é necessário um mínimo de bom senso ao lidar com as opiniões divergentes.

          • Ah, claro, vc com essa educação de” lord” só disse que minha mãe” é irresponsável e diz frases ridículas”.Mas não pense que vou ficar nesse looping eterno com vc não; mesmo que escreva mais um de seus ” argumentos brilhantes”, não vou mais lhe responder. Passe bem, Dr. Sabichão.

          • É bom que parem com essa briguinha, crianças! Papai-do-Céu não gosta, tá?; e, de castigo, pode mandar os dois para o lugar prá lá de quentinho onde o Chavez(aquele da Venezuela, não o do Silvio Santos, claro) vai passar a Eternidade. Portanto, comportadinhos, tá?

        • Eu acho que este Luis Santos é, na verdade, ou na inverdade, o famoso Antonio Lobo Tunes que andou assombrando o blog há tempos ! ( risos )

  9. A verba para o Ar-Condicionado apenas das tendas provisórias das tropas americanas no Iraque (US$ 20 B) é superior ao orçamento anual da NASA (US$ 19 B)
    http://gizmodo.com/5813257/air-conditioning-our-military-costs-more-than-nasas-entire-budget

    Enquanto isso, nesta mesma regiião, os ‘bárbaros e primitivos’ persas desenvolveram a arquitetura dos ‘bâdgir’ (Windcatcher)
    http://en.wikipedia.org/wiki/Wind_tower
    Que, já, em 400 a.C., permitia o armazenamento de gelo o ano inteiro
    http://en.wikipedia.org/wiki/Qanat#Cooling
    😉

    Aqui em Pindorama, os mestres-de-obra portugueses sempre souberam construir casas ecologicamente apropriadas ao nosso clima (pé-direito alto, paredes grossas). Mas os ‘brilhantes’ arquitetos modernos insistem no erro de inapropriadas caixas de vidro, ‘estufas’ literalmente, sob o nosso Sol inclemente…
    😦

      • Acho que o modismo não é estético, e simplesmente econômico. Em vez de um prédio com 10 andares faz-se um de 15, com a mesma altura. Tenho saudades da casa da minha avó no Méier, com seu pé-direito de mais de 3 metros.

    • Oi, Tomzinho, Feliz Ano Novo! Parte do meu comentário é devido a você, sempre me dando dicas de situações celestes para observar. Obrigada, meu amigo! saudades de você 😉

      • Aaaaa nosso querido Tom Sheldon Cooper Taborda ;D.
        O que seria da gente aqui sem os seus preciosos links? Só o Blog da Cora 😉 tem ele. Só! Valeu os links meu querido.

  10. Ai maravilha Corinha. O Luis Filipe também, eu queria mais e vou “linkar” seu blog para amigos lusos.
    Apesar de usar o ar , prefiro a janela aberta em casa e no carro. A primeira coisa que faço em um hotel, mesmo no verão, é abrir a janela e quando não é permitido (como a maioria em New York ) me sinto enclausurada.

  11. Como tenho intolerância física ao calor – tenho rosácea, fico com o pescoço cheio de brotoejas, sem contar meu humor, que fica bem comprometido – tomei a decisão de me mudar para a serra. Durante muitos anos saia pela manhã, cheia de casacos pra ir trabalhar no Rio, e ao chegar descascava aquele tanto de roupas. Hoje, já não trabalho mais no Rio. Construi minha casa com muitas janelas, sala com pé direito duplo, e não tenho aparelhos de ar condicionado. Mesmo nos dias mais quentes, um ventilador de teto no quarto dá conta do serviço – em geral, é desligado na madrugada pela brisa fresquinha que chega. No final do ano passado tivemos alguns dias bem quentes – estamos pagando o preço do assoreamento dos rios, do corte indiscriminado de árvores – e o povo começou a instalar ar condicionado por todos os lados. Eu continuo firme na decisão de não aderir. Acho que consigo sobreviver a alguns poucos e desagradáveis dias de calor excessivo, sem ceder à feiura dos aparelhos e a dormir com tudo fechado. Adoro dormir com as portas da minha varanda escancaradas, ser acordada pela lua que me visita, vislumbrar Vênus e ouvir o pio das corujas. O único “barulho” por aqui é dos pássaros, de um ou outro galho de árvore que cai, natureza que vive! 🙂

  12. pelo menos a impertinência do facebook teve um fruto legal: o escrito do luis filipe.
    coisa boa é ir para lumiar e me livrar da ditadura do ar-condicionado.
    é impressão minha, ou o povo daqui está meio mal-humorado e com um certo déficit de educação hoje?
    []’s

  13. De quando eu vez pintam estas notícias, de “especialistas” como o tal Stan Cox, que desanda a escolher um aparelho elétrico do mundo moderno como o vilão da vez. Em geral o fazem com os eletrônicos. Gostei da inovação de escolher algo que até minha a avó usava.

    Lilly, tem gente que morre por azeitona. E é verdade. Você apontar que a mala, digo, ex-ministro Sérgio Motta morreu por causa do ar-condicionado é transferir. Ele não morreu por causa do ar-condicionado. Ele, ao que me consta, não caiu na cabeça dele. Morreu por causa da falta de manutenção no sistema de condicionamento de ar, que teria lhe causado uma infecção pulmonar. Claro que os trocentos cigarros que fumava não tiveram nada a ver.

    Bem, voltando ao tal Stan Cox, se o ar-condicionado lhe deixa broxa, isso é problema sexual dele, e dos(as) parceiros(as) dele. Eu não tenho esse problema, nem usando o ar-condicionado.

    Lilly, sou carioca, mas moro em SP. Fica fácil você morar aqui e se gabar que não usa ar-condicionado. E se considera uma heroína por morar em SP, e não usar ar-condicionado, quando os prédios aqui nessa joça NEM TEM POSSIBILIDADE de instalar ar-condicionado. Essa foi a melhor de todas.

    • Meu caro, você está completamente equivocado, ou não interpretou exatamente o que quis dizer. O paulista, ou paulistano (meu caso), não necessita tanto de ar refrigerado, mas aqui existem, sim, muitos e muitos aparelhos centrais. Agora, neste instante estou me dirigindo à clínica de fisioterapia, na qual existe ar-condicionado total e geral. O que tenho medo é do mau uso de qualquer aparelho, principalmente desse tipo. Pois fique sabendo que já fui vítima de um problemão com ele, quando fiquei numa sala do centro de Sampa, com o aparelho esparramando frio gelado na minha cabeça. Custou-me uma sinusite que durou muitos e muitos anos e dores terríveis. Mas já fiquei em cidade fora do Brasil, por algum tempo, com ar-condicionado central ligado dia e noite, o qual não me deu problemas. O jeito é cuidar bem daquilo que utilizamos, para que não nos cause doenças e do qual podemos desfrutar sem susto algum. Quanto ao Serjão, que citei como exemplo, ele foi vítima, sim, do aparelho, como foi constatado. Já afirmei aqui que fumei durante 46 anos – nos últimos anos, 3 maços de cigarros por dia – e não tenho sequela alguma.

      • Lilly, opiniões não podem estar equivocadas, dado que são somente isso, opiniões. Claro que em SP existem aparelhos de ar-condicionado, mas estou falando dos prédios residenciais. Virtualmente nenhum possui provisão para ar-condicionado. O meu não tem. E nem ventilador tenho. Não acho que isso seja uma coisa boa. A cidade fica mais quente a cada ano. Prédios novos, estupidamente, continuam sendo construídos sem essa provisão. E isso em uma época em que os aparelhos split permitem projetos bastante atraentes do ponto de vista estético.

        Você diz que teve problemas uma vez com o ar-condicionado. E relata o caso em que você, claramente, não teve problema com o ar-condicionado, e sim com o humano estúpido que direcionou o ar para a sua cabeça. Me vem a cabeça o motivo de você não ter mudado de lugar, mas deixa pra lá.

        Mas cita esse caso seu com o ar-condicionado como cita sua experiência com o tabaco, querendo que demonstrar que, pelo seu caso, é perfeitamente possível fumar 3 maços de cigarro ao dia sem “sequela alguma”.

        Disse alguma novidade? Claro que não! É perfeitamente possível dirigir de SP para o Rio e 3 horas e meia, como fazia um amigo, que beirava os 180Km/h na Dutra. Nunca lhe aconteceu um acidente. Mesmo tendo feito mais de 200 viagens SP->RJ->SP. Felizmente, para ele e para outros, um belo dia acordou e passou a dirigir com velocidade mais prudente. Custei a acreditar, mas fui uma vez com ele de carona e constatei.

        A diferença entre ele e você é que o passado dele de corredor não implicará em nenhum problema futuro. Se você quer acreditar que os cigarros do Sérgio Motta nada contribuiram para que a infecção pulmonar dele, derivada do fundo do ar-condicionado, tenha resultado em morte, é direito seu, como é direito de quem acredita que a viagem à lua for forjada, e que Elvis estão vivo.

        Assim como você acredita que, pelo fato de não ter sequela alguma hoje, não terá nenhuma no futuro.

  14. É mesmo impossível viver no Rio sem ar condicionado. Confesso que fico adiando tudo que tenho que fazer na rua por conta do calor. Quanto aos apartamentos atuais, além do teto rebaixado, surgiu uma nova mania nas construções de uns anos para cá: banheiros sem janela. Existe um bairro aqui, no Rio, (não vou citar o nome), onde as unidades têm 5, 6 banheiros, mas, TODOS sem janelas. Socorro! E os preços são altíssimos… Cruzes!

  15. Brilhante! Concordo, mas não consigo abrir mão do ar condicionado. Caramba, o Rio tá muito quente. Fui visitar uma senhora no Rio Comprido, permanecemos na varanda, ventava mas a sensação era de um dragão soprando labaredas de fogo em nossa direção….
    Viva o ar condicionado!!!!! Decididamente, detesto o verão. Amanhã mesmo, me mando para meu refúgio onde não é preciso ligar o ar para dormir e respirar naturalmente. Nem tampouco – calefação!!!!! Adoro Frio..
    Meu nome é Virginia Reis e ficarei 2 meses SEM LIGAR O AR CONDICIONADO…..

    • Ai Virgínia Reis que invejinha… Também sou da sua turma, detesto me sentir suada, abafada e em uma fornalha.
      Calor, ainda vá lá, mas o que se passa no Rio no verão, todos eles de uns 20 anos, é um verdadeiro martírio.
      Eu tenho muita dó de quem não possui um ar geladinho para dormir.

  16. Pois eu amei esse post.
    Na casa da minha mae nao tem ar condicionado em quarto algum.Ventiladores potentes,mas ar nao.A imploro nunca comprar algum.
    nem no dia mais quente do rio de janeiro eu achei insuportável como da forma q o povo reclamava.Um mal-humor geral,nao compreendi aquilo.
    Tinha sempre um ventinho correndo.
    Vi sim,pessoas muito mal vestidas de preto ou de meia-calca em pleno meio-dia no centro da cidade.Uns loucos ate´de botas!!!
    Um amigo meu ta´sofrendo pq seus pés cozinharam dentro do tênis e se infeccionaram.Ah,o q e´isso?Nao da´pra botar uma franciscana?
    mas,quem sou eu pra falar? Tô aqui sofrendo c o cinza,com esse frio de raxar a bunda e o nariz e tb fico mal-humorada qdo chega maio e o sol nao deu as caras.
    Mas,nao sou dependente do aquecedor.O único lugar muito legal foi no banco bradesco méier,temperatura amena,um frescorzinho perfumado,uma delícia.
    beijao pra vcs.feliz ano novo!!!

  17. Comecei a ler o seu espécime de diário por RecomendaçãoRecorrenteRedundante do Eduardo Almeida Reis. Como você eu tenho gatos, hóspedes, em minha casa. Não havia gostado de nenhuma publicação sua. Essa de hoje me está muito boa. Encontrei uma Cora de quem vou gostar, dora-dora-dora em diante!

    • Respeito a opinião e o gosto de cada um, mas não ter gostado de NENHUMA publicação da Cora, é difícil de encontrar alguém. NENHUMA foi dose!!! De uma fã super suspeita de Cora Rónai…

        • Uma correção e um esclarecimento para o bem do povo 🙂 “é difícil encontrar alguém”
          “fã super suspeita” pq gosto de tudo que a Cora escreve. Sempre.
          Eu e MUITOSSSSS!

      • Prezada VA:

        Eu gosto pouco e de poucas coisas. Não por pãodurismo. É mesmo por carência de recursos de gostar. Do Millor Fernandes, desde Lições de um Ignorante [terceira edição de 1967, comprado à Editora Alvorada, na Galeria Belfort Arantes nº 7, Xis de Fora das Minas Gerais] presente do pai, até quase toda a grande obra dele, só gosto de uma frase, e de um Shakespeare que ele traduziu. Há um parágrafo de Machado de Assis que me comoveu, e depois me encantou e me encanta até hoje. Três versos de Fernando Pessoa, desses eu gosto. Do Encontro Marcado de Fernando Sabino, que eu li tantas vezes eu não gosto, mas daqueles versos de Drummond, “No encontro malogrado entre a vida e Marciano…” eu gosto um tanto. E por aí vai. É a carência de recursos de gostar. Em tempo, gosto um tanto daquele Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”.

        Agora, coisa que eu gosto muito, muito, mesmo, e sempre, é da chuva.

        Com meus respeitos!

        • Eu não disse que Todos gostam da Cora, e sim: Muitosss!
          Ah eu gosto muito de tantas coisas… uma é viajar, o que faço com frequência , outra é ler, o que faço com mais frequência ainda, amo os animais (até jacaré de papo amarelo) e cinema. Fico por aqui, pois sou de poucas palavras escritas ou faladas.

  18. Se vocês, cariocas, estão sofrendo assim com o calor, com tanta praia desfrutável, imaginem viver uma cidade de pedra e de prédios como Sampa. Como sou meio alérgica a ar-condicionado, utilizo meu bom e valente circulador de ar Arno. Mas apenas no quarto. No restante do apartamento, as janelas são abertas (todas com redes, claro!). Meu circulador nunca falha. Eu e minha Pequena dormimos a valer… Lembro a todos que o Serjão Motta morreu por causa do aparelho de ar-condicionado que não tinha manutenção. Há males que vêm pra males…

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