Os cheiros do Oriente

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Não adianta: por melhores que sejam os melhores perfumes, não há cheiro mais gostoso nessa época de calor causticante do que o cheiro de banho tomado. Nós brasileiros, viciados que somos em banho, sabemos que até o mais humilde sabonete Lux faz bonito em 40 graus à sombra.

Os perfumes que usamos no verão têm um papel muito bem definido: eles servem para prolongar essa sensação de limpeza. São fresquinhos, têm cheiro suave e evocam brisas marinhas ou plantinhas silvestres.

Por isso, uma das coisas que estranhei na Índia, quando estive lá, foi o uso indiscriminado de perfumes fortes em qualquer época do ano.

Vale lembrar que, quando faz calor na Índia, faz calor de verdade. No verão, tudo para, e quem pode foge para as montanhas — a tal ponto que a nossa data nacional, o 7 de setembro, nem é festejada na embaixada em Nova Delhi. A festa brasileira acontece em 15 de novembro, data da proclamação da república, quando a temperatura permite, enfim, reuniões civilizadas.

Ainda assim, indianos e indianas não abrem mão dos seus perfumes — que são, aliás, bem diferentes dos nossos. Os perfumes orientais, fabricados da mesma forma há milhares de anos, são inteiramente naturais, baseados em óleos essenciais obtidos a partir da destilação de flores, ervas e madeiras.

São fortíssimos e devem ser usados em doses de fato homeopáticas.

Conhecidos como attar — palavra de origem persa que significa fragrância — esses perfumes vêm em frasquinhos miúdos e são, com frequência, preparados especialmente para o freguês. Fiquei fã de uma lojinha na Velha Delhi em que o perfumista tinha toda a paciência do mundo para interpretar as fantasias da clientela.

Um dia pedi um cheiro de chuva e de terra molhada. Vocês acham que o perfumista jogou a toalha? Que nada. Misturou um óleo daqui, outro dali e deu a tarefa por concluída. Cheiro de chuva passou longe, é claro, mas o perfume, puxado no jasmim, era bastante bom.

Esses pequenos tesouros líquidos são relativamente baratos, primeiro porque vêm em quantidades minúsculas, depois porque, conhecidos desde sempre, não precisam do marketing de guerra dos perfumes ocidentais.

Aqui no Brasil eles podem ser encontrados no mercadolivre.com.br, oferecidos por vendedores que os trazem de Dubai.

(Desculpem a marca d’água na foto, mas se quisesse comprá-la custaria US$ 50 de inscrição no site vendedor…)

 

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15 respostas em “Os cheiros do Oriente

  1. Cora, como eu me identifiquei, de corpo, banho 😉 e alma, com seu 1o parágrafo. Eu adoro a sensação daquele aroma leve e refrescante que fica em cada um após o banho. Aquele cheirinho sutil de ‘banho tomado’.
    Patrícia M. M. , vou comprar e experimentar. Gosto de variar de sabonetes.

  2. Cora, experimente dois sabonetes líquidos (que são melhores) baratinhos e deliciosos; Lux Pera e o Palmolive Coco. Os dois são ótimos no preço, no cheirinho, deixam a pele macia e não ressecam como os em barra. Pra completar essa frescurite toda, o hidratante com enxague da Natura, de algodão. Maravilhoso! Três produtos bem em conta(só o da Natura é um pouco mais carinho), bons e muito cheirosos. Leitores/as também podem dar pitacos aqui, né?

  3. Você conhece a marca Amouage, Cora? Criada pelo sultão de Omã para reviver a tradição do sultanato como grande fornecedor de perfumes. Seus attares são considerados pelos peritos no assunto como obras primas. http://www.amouage.com

    • Conheço de ouvir falar, mas nunca encontrei à venda em lugar nenhum para experimentar. São caros demais para comprar via email, no escuro…

  4. Perdão, mas não consigo pensar em outra coisa, com relação à Índia, com o que ocorre com as mulheres. O restante, pra mim, é perfume mesmo. Triste país!

    • Não seja injusta com o país, Lilly! A mentalidade geral em relação às mulheres ainda é retrógrada, de fato, como em todo o Oriente, exceções feitas ao Japão e a Israel — mas na Índia, pelo menos, a revolta é geral e milhões de pessoas estão protestando por toda a parte. Não consigo imaginar um quadro desses em nenhum outro país da região. Seria possível a população ir às ruas na China? Ou sair em defesa das mulheres nos países islâmicos?

      Ao mesmo tempo, quando deixam a prisão da miséria e do sistema de castas (que também pesa muito sobre os homens), as mulheres podem alcançar postos importantes. A presidente é mulher, a governadora de Delhi é mulher, a pessoa mais poderosa da área política é mulher, e ainda por cima estrangeira: Sonia Gandhi. A sogra dela, Indira Gandhi, mandou e desmandou no país. Encontrei mulheres indianas desempenhando “n” funções diferentes, de ministra do exterior a gerente de banco.

      • Concordo com você, Cora. A India tem um longo caminho, como tantos outros países, incluindo o nosso. Quando me lembro daquele rapaz assassinado por espancamento por estar abraçado ao pai e me parece que também foi o caso de dois irmãos gêmeos, aqui neste nosso país, por pura intolerância, fico muito envergonhada. O cerumano precisa evoluir muito, em todos os países do mundo. A maldade humana não respeita geografia. Quem não se lembra do massacre na Noruega, país com população educada, IDH altíssimo?

      • Cora, respeito sua opinião, trata-se de um país milenar, que ainda tem tradição, porém fico com a minha. Perdão. Outros problemas que me revoltam são o trato com animais. Veja só: o Japão desenvolve produtos de técnicas surpreendentes, porém matam e matam baleias, golfinhos e outros bichos. A China também mata cães para comê-los. Fazem “espetinho” dos coitados! Tudo isso em pleno século 21. Pode, quem quiser, me chamar de cruel, porém, quando alguma criança pisa (querendo) no meu pé, ou me belisca (também querendo), “retribuo” na mesma hora e na mesma moeda. Assim, ela aprende que a dor que sinto, ela também vai sentir. Daí, a máxima que ela aprenderá: não faça aos outros aquilo que não quer que façam com você. Simples assim. Depois de falar dos perfumes indianos, podemos até ouvir Perfume de Gardênia, música com ritmo que precedeu o tango, que muitos brasileiros gravaram. Eu, particularmente, não tenho a mínima ideia do cheiro da gardênia. Se já senti, esqueci. Estou me achando atualmente azeda, mas não me arrependo. Aviso: por favor, não se azedem como eu. Sejam, apenas, realistas.

  5. Uma “viagem” este seu texto.
    Lembrei do tempo em que eu esfregava essência de patchouli nos pulsos e na nuca.
    Lindos vidrinhos.

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