De volta ao Facebook

Sempre preferi o Twitter ao Facebook. O Twitter é rápido, direto e não dá margens a cobranças entre amigos. Mas, nos últimos tempos, a internet inteira parece ter se mudado para o FB. Comecei a perder compromissos sociais interessantes porque os convites iam direto para a caixa de mensagens, em vez de serem enviados por email; perdi boas conversas e fiquei boiando em encontros da vida real em que o papo remetia à vida online; acabei desatualizada até em relação às fotos dos meus netos.

Fiquei sem saída e acabei me rendendo ao inevitável: voltei a frequentar a rede que, por ironia, é tudo o que a AOL, que eu sempre detestei, sonhou ser. A AOL, como vocês sabem, é aquele provedor hoje vencido que, nos anos 90, criou uma espécie de curralzinho para que seus usuários pudessem frequentar a perigosíssima internet sem sustos. O usuário AOL se conectava via AOL, frequentava foruns na AOL, fazia compras na AOL e, através da AOL, se comunicava com os amigos. Um sistema para toupeiras.

O problema é que, quando me inscrevi, lá se vão muitas luas, o Facebook ainda era bastante primitivo. Tudo era complicado de fazer, a começar por separar as pessoas em diferentes categorias. Assim, família e amigos íntimos tinham o mesmo status de conhecidos casuais ou mesmo desconhecidos.

Durante algum tempo, aliás, fiquei na dúvida se deveia acrescentar à minha lista de amizades só as pessoas que eu de fato conhecia, ou se devia abri-la também aos leitores que, gentilmente, me procuravam. Optei pela segunda hipótese porque ficaria muito antipático dizer não. Na época, ainda não existia a alternativa de aceitar assinantes.

Com isso, logo bati em cinco mil amigos, máximo que o FB permitia por pessoa. E logo saltei fora, porque era — e é — humanamente impossível conviver com tanta informação ao mesmo tempo. Estamos falando, lembrem-se, de um Facebook que não oferecia a possibilidade de se escolher o que apareceria na página que hoje se chama timeline.

Antes de adicionar os novos contatos, eu fazia questão de ler os perfis das pessoas que me procuravam em detalhes; depois, passei a ler por alto, só para garantir que não estava abrindo a porta para trolls, haters e outras categorias igualmente malsãs. Mas me lembro que, uma vez, esbarrei com uma menina criacionista, e fiquei mergulhada em dúvidas, sem saber se a adicionava ou não. Uma pessoa criacionista, em pleno século XXI, como assim? Mas como havia várias fotos dela com gatos, conclui que, apesar de tudo, ela era gente boa. Adicionei.

Agora, nessa volta, estou tentando transformar o FB num ambiente que me permita interagir com os amigos com um mínimo de conforto. Fiz ajustes mais sensatos do que os que tinha, e estou reduzindo o que aparece na timeline a um mínimo indispensável. Isso é particularmente importante porque, como toda rede social, o FB também sofre com a praga da auto-ajuda: a quantidade de gente que posta todos os dias frases grandiloquentes e vazias é assombrosa.

Tenho esperanças de, até a Copa, ter transformado a minha experiência com o FB em algo palatável.

o O o

Por falar em redes sociais: fiz uma pesquisa rápida pelo Twitter para saber se alguém vai com a cara do Google+, de que gosto ainda menos do que do Facebook. Das pessoas que me responderam, 14 não gostam, cinco gostam e cinco não têm certeza se gostam ou não. Duas respostas típicas:

@alice: “Tenho conta, mas não uso. Estou esperando a situação ficar insustentável no Facebook pra fugir pra lá (o que não demora a acontecer)”

@cardoso: “O hangout é legal e tudo mas dá um trabaaaaaaaalho…. Eqüivale a escrever uma tese de doutorado para asistir um programa de tv.”
(O Globo, Economia, 3.11.2012)

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9 respostas em “De volta ao Facebook

  1. Eu entrei no Facebook quando vc começou a falar maravilhas dele e ai fui experimentar, gostei, apesar de complicado, poucas pessoas, pouco bla bla bla… Agora está ficando chato demais, muita piadinha, frases vazias… já procurei um substituto e não encontrei, então vou ficando, até me cansar totalmente.

  2. Excelente decisão (espero que o Zeca Camargo também compreenda isso 😀 ). Basta “curtir” as páginas certas e lá estarão todas as manchetes das suas mídias favoritas. E permitir visualização de postagem somente dos familiares e amigos da vida real. E a comunicação com eles é instantânea também.

  3. Tenho meia duzia de amigos reais no FB. No linkedin, tenho mais de 500 ! ( lá é só profissional )

  4. Gostei de sua decisão. Tento ser o mais moderado possível respeitando o direito dos outros em não gostarem do que digo, penso e transmito quando imagens posto, não sendo espaçoso (termo utilizado pelo meu neto). Seja bem vinda ao Face.

  5. Pois é… o Facebook vai acabar um dia, como todos os outros acabaram. Quanto a isso não tenho dúvida alguma. E é tudo uma questão de tempo!
    Enquanto isso a gente vai ficando…

  6. Nunca fui assídua no facebook,entrei por conta da minha filha morar no exterior e assim
    participar um pouco da sua vida social virtual e ficar à par dos seus trabalhos por lá …
    quanto ao Google+,minha situação é exatamente como a da @alice …

  7. “O FB também sofre com a praga da auto-ajuda: a quantidade de gente que posta todos os dias frases grandiloquentes e vazias é assombrosa”. Perfeito, Cora! Realmente o facebook virou um grande para-choque de caminhão, embora elas não sejam tão divertidas. Um abraço,

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