Uma semana agitada

Esta foi uma semana de fortes emoções no planeta tecnologia. A Apple fez o seu tão esperado lançamento do iPad Mini, e o Surface — tablet da Microsoft — chegou às lojas, assim como o Windows 8. Mas quem vive ligado no mercado nem vai poder respirar direito; já na próxima segunda-feira, a Google faz um mega evento em Nova York para anunciar novos produtos.

A apresentação da Apple, transmitida ao vivo pela internet, causou um pequeno terremoto nas redes sociais. Nem tanto pelo iPad Mini, cujas principais características já haviam vazado por todos os lados, quanto pelo inesperado anúncio do iPad 4, que nem mesmo os blogs especializados em vigiar os menores movimentos da Apple foram capazes de prever.

Vindo pouco mais de seis meses depois do lançamento do iPad 3, descrito por Tim Cook, na época, como o Ó do borogodó, o lançamento deixou muita gente indignada. Quem acreditou em Cook e gastou os seus caraminguás no dito Ó não achou graça nenhuma ao saber que, se tivesse esperado um pouco mais, poderia agora, com o mesmo dinheiro, ter levado um tablet com o novo conector da Apple, uma camera frontal HD, o dobro do desempenho e um wi-fi muito mais rápido. #puxadadetapetefeelings total.

O fato é que, a essa altura, estamos todos acostumados com um certo grau de obsolescência programada. A tecnologia muda tão rápido que ninguém sabe mais onde ficam as fronteiras entre a técnica e o marketing, entre o que ficou efetivamente desatualizado e o que ainda funciona muito bem, obrigado. Os usuários da Apple têm consciência de que, a cada ano, os produtos que adquiriram no ano anterior ficarão defasados. Este é o jogo. Muitos até planejam a sua estratégia de upgrade em torno disso.

Quando o tempo de substituição de versões cai, porém, pela metade, há uma quebra nesse acordo tácito, e os consumidores se sentem justificadamente lesados. Pior ainda quando o aparelho que mal terminaram de pagar é retirado do mercado, como acaba de acontecer com o iPad 3.  A apresentação deste iPad extemporâneo foi, consequentemente, recebida com muita polêmica nas redes.

Quanto ao iPad Mini, veio com menos recursos e mais preço do que se esperava. Veio também com slides em que Tim Cook o comparava aos “outros” tablets de 7″, evidentemente o Nexus e o Kindle Fire HD. Péssima idéia! Não é desfazendo da concorrência que um fabricante deve elogiar o que faz. A impressão que fica não é tanto a de que o produto sendo anunciado é bom, mas sim que a empresa está com medo da concorrência. Vibrações muito negativas.

Cada parágrafo dito por Tim Cook era saudado com palmas e vivas, o que dava a impressão, para quem assistia online, de grande entusiasmo por parte dos analistas de mercado e da imprensa especializada. O detalhe que nem todos sabem é que, nos eventos da Apple, as primeiras filas — cujas manifestações os microfones captam melhor — são ocupadas por funcionários das empresa. A imprensa dificilmente bate palmas. Já a opinião dos analistas foi traduzida rapidinho pelas ações da casa, que despencaram depois da apresentação.

o O o

O Surface, tablet da Microsoft, está sendo recebido com ressalvas. O hardware foi universalmente elogiado em termos de design e acabamento, e a engenhosa capa que se transforma em teclado quando aberta parece ser um acerto, mas o Windows 8 tem uma curva de aprendizado que não tem agradado, assim como a escassez de aplicativos para a plataforma. Para alguns analistas, o Surface é mais PC do que tablet: uma boa ferramenta do ponto de vista da produtividade, que deixa a desejar como brinquedo.

(O Globo, Economia, 27.10.2012)

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5 respostas em “Uma semana agitada

  1. Felinos do faraó deixaram descendentes
    Primeira análise de DNA de múmias de gatos mostra que animais modernos têm linhagens de seus ancestrais
    Diversidade genética sugere que povo do Egito antigo foi o primeiro a produzir raças domésticas de gatos
    As dinastias faraônicas que governaram o Egito por milhares de anos acabaram se extinguindo, mas o mesmo não se pode dizer de um personagem quase tão aristocrático do país do Nilo: o gato sagrado.
    Ocorre que os felinos mumificados do Egito antigo deixaram descendentes na população moderna de bichanos do país, revela a primeira análise de DNA feita com múmias de gatos.
    O estudo descrevendo a descoberta está na edição deste mês da revista especializada “Journal of Archaeological Science” e foi coordenado por Leslie Lyons, da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da Califórnia em Davis.
    Essa não é nem de longe a única incursão de Lyons no mundo felino. Ela participou da equipe responsável por clonar um gato doméstico pela primeira vez, em 2002.
    MODELOS
    Em conversa telefônica com a Folha, a pesquisadora explicou que ela e seus colegas se interessam por múltiplos aspectos da genética felina, em parte porque os bichos podem funcionar como bons modelos para doenças humanas, segundo Lyons.
    No entanto, para mapear com precisão a história populacional e a variação genética dos bichanos é interessante entender como essa diversidade surgiu.
    “No caso do Egito e do Oriente Médio como um todo, por exemplo, será que a diversidade atual é representativa da que existia há milhares de anos? Imaginávamos que isso era possível, mas migrações humanas poderiam muito bem ter trazido populações de outros locais.”
    Foi para tentar testar isso que ela e seus colegas se puseram a estudar múmias de gatos, que foram produzidas literalmente aos milhões a partir do chamado Período Tardio egípcio (entre os anos 664 a.C. e 322 a.C.).
    A prática atingiu seu apogeu, contudo, nos séculos seguintes, quando o Egito foi dominado pelos macedônios e pelos romanos. “A casta sacerdotal egípcia perdeu poder e riqueza. Passou a usar a ‘produção’ de múmias felinas como uma espécie de indústria”, explica Lyons.
    Os antigos egípcios, no culto à Bastet ou Bast, sua deusa com cabeça de gato, ofereciam as pequenas múmias felinas como um presente à divindade.
    MITOCÔNDRIA
    O processo de mumificação dos gatos, embora preservasse a estrutura do corpo, acabou dificultando a vida de Lyons e seus colegas, porque atrapalhou a preservação do DNA. Os pesquisadores só conseguiram extrair material genético de três múmias felinas, a partir de ossos das patas e da mandíbula.
    Esse DNA veio das mitocôndrias, as usinas de energia das células. Além de ser mais fácil de obter por estar presente em muitas cópias na célula, ele é útil para estudos genealógicos porque ajuda a traçar a linhagem materna (é transmitido apenas de mãe para filha ou filho).
    A análise dessas sequências genéticas não deixou dúvidas: os gatos do Egito moderno ainda carregam linhagens de DNA mitocondrial presentes em seus ancestrais que viveram há 2.000 anos.
    Mais importante ainda, para Lyons, a diversidade genética encontrada nos gatos egípcios antigos e modernos sugere que o povo dos faraós foi o primeiro a produzir raças domésticas de gatos.
    Segundo ela, no entanto, é difícil dizer se eles foram os pioneiros na domesticação da espécie. “Nesse ponto, é difícil separar a diversidade do Oriente Médio como um todo da do Egito”, afirma.

  2. Pois é, a gente até sabe que a Apple funciona com a metodologia da obsolescência programada, mas dessa vez achei uma verdadeira falta de respeito com o consumidor. Eu tenho o iPad 3 (apesar de este não ser o nome oficial, essa é a forma de se referir à minha versão para que os outros entendam de qual se trata… já que até isso eles bagunçaram: o nome, a forma de identificar cada versão) e achei o fim da picada meu produto simplesmente sair de linha (!) poucos meses depois de ser lançado. Passou dos limites! Mas não tenho compulsão por trocar, ainda bem: ficarei com o meu até que realmente ele passe a não conseguir mais dar conta do recado. E quanto ao iPad mini, só os tolos o comprarão agora, pois está nítido que em breve será lançada a atualização dele, que passará a ter tela retina (provavelmente em abril, aproximadamente).

  3. é Cora …
    mesmo sendo uma aficcionada pelos produtos da Apple,não deixo de reconhecer esse grande circo que ela sempre fez em torno dos seus lançamentos;marketing total !
    e que era feito com grande maestria pelo Steve jobs devido ao seu carisma,hoje,não tem carisma e só restou apelação …

  4. Cora, você já teve algum contato com o Windows 8? Já instalou em alguma máquina? Você provavelmente teve conhecimento da possibilidade de upgrade por apenas R$ 69,00! Eu mesmo, devo baixar e pegar uma licença, embora esteja com receio de usá-lo com aquela interface! (devo continuar com o meu Windows 7 rodando “redondinho” durante um bom tempo!) Abraços!

    OBS: Achei o hardware do Surface muito interessante, agora já o preço…

    • Ainda não vi o Windows 8 não. Confesso, aliás, que não tenho nenhuma vontade de instalar na minha máquina, que acabei de trocar e que está redondinha com o 7…

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