Intel inside

Se todo mundo usasse iPhone, a vida dos colunistas de tecnologia seria um tédio. Haveria uma semana frenética em que se descobriria, no lançamento, se as previsões e vazamentos estavam certos; uma semana de análises e resenhas… e outras 52 de especulação! Muito pouco para um campo em que, hoje, acontecem todas as novidades.

Felizmente o mundo é vasto e variado, e nele cabem todos os gostos. Felizmente, também, o Android é uma plataforma espetacular, adotada por inúmeros fabricantes, o que garante sempre um aparelho novo para dar aquele passo à frente de que vivem a indústria e, claro, seus comentaristas.

Pois este novo passo foi dado, mais uma vez, pela Motorola — que, sem contar com o oba-oba gerado pelo charme do iPhone ou pelo design matador da Samsung, vem sendo uma constante inovadora no setor, produzindo aparelhos bonitos, surpreendentes e singularmente bem construídos.

O Razr i, que chega ao Brasil menos de um mês depois do seu lançamento mundial, é um digno portador do nome Razr, ressuscitado pela Motorola depois de um longo tempo em banho-maria. Ele chama a atenção assim que é ligado: na tela aparece o familiar logo “Intel Inside”, com que há tanto tempo convivemos nos PCs, mas que é novidade em smartphones.

Na verdade, estou sendo injusta. O Razr i chama a atenção antes mesmo de ser ligado. Como os demais componentes da família, ele é extremamente bem acabado, com a clássica combinação de metal e kevlar: gostoso de pegar e bom de olhar. Ao contrário dos outros Razr, porém, faz o gênero compacto. Tem a largura do iPhone 4, sendo apenas um pouco mais comprido. Quando ambos estão ligados, percebe-se o quanto a tela do Motorola, que eliminou as margens laterais, é maior. Em termos de resolução, a tela Retina do iPhone é imbatível, mas a deste Razr i é excelente e não deixa nada a desejar.

O aparelho vem com 1Gb de RAM e 8Gb de memória interna, que pode ser ampliada até 64Gb, e roda o Android 4.0 Ice Cream Sandwich, com promessa de breve upgrade para Jelly Bean. Seu desempenho é ótimo, coisa que se percebe especialmente na web. A duração da bateria é outro ponto positivo.

O Razr i tem pequenos detalhes muito bem pensados. Quando se rola a tela para a esquerda, aparece o painel de configurações. Adoro tê-lo sempre à mão. Gostei também  dos widgets de horário, clima e bateria da tela inicial, arrumados em círculos, práticos e bonitinhos.

Outra coisa de que gostei muito: o botão físico para a câmera que, como eu disse acima, é muito rápida, boa para fotografar crianças e bichos. Ela consegue capturar dez imagens em menos de um minuto, um feito e tanto para um smartphone. Consegue também se ajustar com velocidade a diferenças de luminosidade: por exemplo, se você está dentro de casa e sai para a rua, ou vice-versa. A qualidade das fotos e dos videos é boa, mas não excepcional.

Enfim, o que é que o Razr i não faz? Conexão HDMI. Segundo Jim Wicks, diretor de design da Motorola, a empresa resolveu eliminar o conector HDMI do aparelho porque ele não é usado por praticamente ninguém. A vantagem disso é que o aparelhinho, com todos os seus predicados, chega ao mercado com um preço bastante razoável para máquina tão completa: o modelo desbloqueado, que está nas lojas desde a semana passada, custa R$ 1,3 mil.

(O Globo, Economia, 13.10.2012)

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11 respostas em “Intel inside

  1. Lá pelos anos 80 do século passado, quando a internet era apenas a ARPA Network do Pentágono, a Intel lançou um Pentium com tremendo erro no processamento de ponto flutuante, o qual não é um ponto que flutua por aí, mas algo essencial em computação científica porém não essencial para que a maioria silenciosa possa ignorá-lo e dormir ao mesmo tempo. Sem redes socias, sem email, só com um mínimo da boa e velha maldade humana, a piada se espalhou pelo mundo: Intel Inside não é um slogan: é um AVISO! Só mesmo uma Intel para aguentar a vaia sem perder o rebolado nem o bordão.

  2. Não é fato que ninguém use a saída HDMI; por exemplo minha TV Sony apesar de razoavelmente moderna não possui entrada USB, sómente HDMI; o Blu Ray da Samsung que possuo não lê mp4 na entrada USB; solução: sáida HDMI do N8 da Nokia cuja resolução bota muito lançamento no chinelo.

    • Não, ele é multithreading e quando necessário emula um dual core tão bem que os aplicativos o reconhecem como tal. O aparelhinho tem um ótimo desempenho…

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