Às vezes nada dá certo

Fico muito admirada sempre que leio matérias onde colegas esgrimem, com desenvoltura, números e parágrafos de lei. A única lei que conheço com intimidade é a Lei de Murphy — aquela que diz que, se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará. Sei que ela vive à espreita e ataca quando menos se espera. Terça-feira, por exemplo: sentei para escrever esta coluna, e estava pondo os pensamentos em ordem quando o eletricista que instalava um ventilador na sala veio consertar a tomada do computador no escritório, que estava meio solta na parede. Coisinha rápida, simples aperto de parafusos.

Desliguei a máquina e passei o espaço para ele. Em menos de dez minutos, a tomada estava consertada, e tudo funcionava a contento — com exceção do computador, que morreu sem dar um pio. Como explicar isso? Ele foi desligado segundo todas as regras e saiu do ar educadamente. Liguei para o Marcelo Temporal, seu veterinário, e chegamos à conclusão de que a fonte foi para o espaço. Justamente quando preciso escrever a coluna, justamente quando um eletricista mexeu na sua tomada — à qual, diga-se, nem estava conectado no momento. Murphy típico.

Já passava muito da hora do almoço. Botei um ovo para cozinhar, liguei desesperada para o jornal avisando que talvez não tivessemos crônica essa semana, tirei o notebook do armário, religuei os cabos da internet para não ficar desligada do mundo, conectei e desconectei diversos outros cabos para ver se, por milagre, o PC ressuscitava, peguei um pano na área para limpar a poeira dos cabos mais escondidos com os quais ninguém mexe nunca (muito menos a faxineira), lavei as mãos, voltei para o escritório, telefonei novamente para o jornal para avisar que sim, teríamos coluna, posto que a internet felizmente estava de volta e, enfim, sentei para trabalhar.

Abri o MacBook Air e, como sempre acontece quando preciso dele, fiquei dando tratos à bola para descobrir como executar os comandos mais simples, já que estou fazendo o que sempre recomendei aos meus leitores que não façam, ou seja: trabalhar com dois sistemas diferentes. Acontece que, quando comprei esse notebook, ele era o mais leve do mercado, e imaginei que, àquela altura, eu já não sofreria tanto com as suas idiossincrasias. Pois imaginei errado. Se eu tivesse esperado um pouco mais, poderia ter comprado um notebook Windows igualmente leve, mas muito familiar e bem superior para escrever. Paciência; pior seria não ter notebook algum nesse momento.

Mal começara a escrever quando ouvi estalos sinistros vindos da cozinha. Pulei da cadeira. Quando voltei, tuitei para a minha turma:

“A @RobertaSudbrack nunca mais vai falar comigo. Acabo de queimar um ovo cozido — e uma panela.”

Lei de Murphy mais uma vez, evidentemente. Mas, graças ao espírito de solidariedade que percorre o Twitter, descobri que não sou a única pessoa que consegue queimar água.

o O o

Vou viajar em setembro. Tinha vários destinos em mente, a começar por Vietnã, Laos e Camboja, o Uzbequistão e, sobretudo, o Egito, onde a chapa está quente mas, por isso mesmo, as atrações turísticas devem estar vazias. Desde criança sonho conhecer as pirâmides e o Museu do Cairo. Como todo mundo, gosto de imaginar que sou uma pessoa firme, decidida e pouco influenciável. Bastou, porém, que minhas sobrinhas postassem umas fotos de Istambul no Instagram para que eu sentisse uma enorme saudade da Turquia, onde estive no começo do milênio. É isso, pensei. Vou realizar outro sonho, o de ir à Turquia, e ficar só em Istambul, flanando desocupada por aquela linda cidade, explorando cada cantinho fora de mão.

Nisso, Marcelo Balbio e Toni Oliveira foram para o Marrocos, e passaram a postar lindas fotos de Marrakech e Essaouira. E eu logo mudei de idéia. É que, bem ou mal, já conheço a Turquia — mas nunca estive no Marrocos. Comecei a pesquisar cidades, roteiros e hotéis. Até que, almoçando com amigas, alguém deu a idéia de irmos todas ao casamento da filha de uma delas, em Londres. Faz tempo que não vou à Inglaterra com calma. Sempre passo por Londres a caminho de outro lugar, o que não é a mesma coisa do que ir com a disposição de ficar lá. Além disso, a cidade vive um ótimo momento, com a autoestima em alta por causa das ótimas Olimpíadas. De modo que decidi ir para lá. Antes que alguém viajasse para outro lugar e me fizesse mudar de idéia mais uma vez, comprei passagem, reservei hotel e vivo, agora, a inusitada experiência de saber, com tanta antecedência, para onde vou viajar. Está sendo divertido. Estou fazendo planos, estudando restaurantes e espetáculos em cartaz, sonhando com pequenas viagens ao campo. Pode ser até que consiga fazer as malas uns dois ou três dias antes de embarcar.

o O o

A funcionária que foi exonerada de sua função gratificada por ajudar um gatinho a escapar da armadilha montada pela Sepda no prédio da prefeitura foi reconduzida ao cargo assim que o prefeito soube do caso. A famigerada armadilha, porém, continua na área.

(O Globo, Segundo Caderno, 16.8.2012)

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58 respostas em “Às vezes nada dá certo

  1. Não acredite em nada do que você ler a respeito do museu do Cairo. É uma enorme decepção, pelo total abandono, sujeira e desordem das peças. Deviam doar tudo para o Louvre.

    • Eu já tinha lido que a exposição das peças é meio caótica, mas não imaginava que o desastre tivesse essas proporções… 😦

  2. Os gatos, sempre eles…
    Estou apaixonadíssima pelos gatos da Pensilvânia (EUA), filhos da Noodles, uma gata recolhida por uma família que já tinha 4 gatos. Ela estava faminta e abandonada. Dia 7 de junho nasceram seus 7 filhotes – um mais lindo que o outro. Eu fiquei apaixonada à primeira vista, e entro várias vezes por dia para vê-los.
    Hoje, por volta de 19 horas, aqui no Brasil (lá, uma hora a menos), entrei para ver os bichinhos e me deparei com a figura de uma jovem, que não é uma daquelas que cuidam dos gatinhos e da mãe-gata. Era uma moça com muitas – mas muitas, mesmo! – tatuagens. Havia até nas falanges dos dedos. Passado meu “susto”, dei uma geral no ambiente e vi uma caixinha de transporte. Pronto, pensei, algum gatinho vai embora. Fiquei tão triste, que saí do site. Mas aquela imagem, de um dos gatos mais bonitos ficou na minha retina. Ele é malhado, com vários tons de marrom e muito peludo. Maravilhoso! Dei um tempo e depois entrei novamente no site. Vi o cinza malhado, tal qual o marrom, e dois amarelos. Depois, chegou a mãe. Tentei ver mais, porém gato é danado e não para no lugar. A câmera – uma apenas – é estática. Fiquei remoendo, desde então, minha saudade do marronzinho. Uma hora da manhã, senti fome. Fui ao forno elétrico aquecer dois pedaços de pizza. Voltei para o computador, sempre à cata dos bichanos. Esperei e nada. O tempo foi passando. De repente, lembrei-me da pizza. Não senti cheiro algum, pois o micro fica muito longe da cozinha. Mas, ao abrir o forno, vi minha invenção: biscoito de pizza! Sabem que não ficou ruim? Pronto, “inventei” biscoito de pizza!
    Passada a invenção, voltei ao site, mas ele está fora do ar, até agora – 02h58!
    Sei que não dormirei bem esta noite, pois lembro-me que foi um felino que me fez parar com o cigarro, e, agora, outros felinos me fazem inventar biscoitos.
    Mas a saudade está doendo muito, apesar da “invenção”.

    • Não resisti e entrei novamente no site. Ele está sem imagem ao vivo. Mas existem algumas gravações, inclusive as da noite da partida. Revi outra vez a tal moça da tatuagem – penso que ela tem marcas até na … deixa pra lá – revi “meu” malhadinho entrando na caixa de transporte. Foi apenas ele. E, claro, não contive as lágrimas. O que será que aguarda “meu” malhadinho com a doida, e seu acompanhante também doido, das tatuagens? Acho que só apelando para o santo dos animais, mesmo. E é o que vou fazer. Durmam bem, porque eu, já sei que não vou, infelizmente…

      • Não se preocupe não, Lilly! Lá no Instagram tem muita gente, mas muita mesmo, que é tatuada dos pés à cabeça e que, ainda assim, demonstra o maior amor pelos seus bichinhos. Aparências enganam!

        • Fui lá ver. Spooky é uma menina, é tricolor! E acho que ela vai ser muito feliz, a moça é tatuada mas tem um jeito meiguinho. É capaz até da gatinha gostar mais dela, “malhada” daquele jeito…

        • Obrigada, Cora. Como detesto tatuagens (elas me recordam presos dos EUA de antigamente), não sinto a menor simpatia pelas pessoas que as têm. Que me perdoem os que gostam. Porém, estou mais calma quando penso na família que abrigou a mãe e os filhos, dando-lhes uma vida digna e saudável. Agora há pouco, revi algumas gravações, inclusive deles recém-nascidos, que ainda não havia tido a oportunidade de ver. Tomara todos tenham destinos felizes. Vou torcer muito!

          • Como é óbvio, acessei o site mais um dia, muitas vezes. Eles eram sete: quatro malhadinhos (leves) de cor amarela; um exatamente igual à mãe, bege clarinho; a malhadinha marrom, que foi adotada ontem; e uma gêmea dela, só que de tons na cor cinza. Havia me esquecido que quando o gato é tricolor, é macho. Desde a tarde há apenas três gatinhos. A malhada cinza e dois amarelinhos. Quando estavam os sete, a mãe ficava um pouco, eles mamavam e ela ia embora. De uns dias para cá ela ficava muito pouquinho com eles, pois acho que o pouco leite que talvez ela tivesse, a incomodava. Agora, com apenas os três que sobraram, ela fica um tempão fazendo companhia para os filhos. Será que ela sente falta dos que foram? Como a natureza é sábia, penso que sim. Talvez perto da mãe eles esqueçam um pouco dos que se foram. E a brincadeira, agora, é menos animada.
            Perdoe-me por falar tanto nos gatos. Se pudesse, ficaria com os oito. Juro!

          • Pois eu tenho um monte de tatuagens e também um monte de gatos. A Lia, que é uma tatuadora da Banzai – fez alguma das minhas tatuagens – é supertatuada e tem uma penca de gatos em casa. Acabei de fazer uma relação entre tatuados e gatos: ambos sofrem preconceitos. Talvez por isso tenham muito a ver um com o outro… 🙂

      • É incrível como a gente consegue se apegar a bichinhos que conhece só de internet, né? No Instagram há vários gatos que eu sinto como se fossem íntimos meus; fico aflita quando ficam doentes, dou risada quando fazem palhaçadas… coisa de doido!

        • Um dia, Cora, você me respondeu aqui, que “gato é tudo doido”, lembra-se? Mas as pessoas apaixonadas por eles são mais ainda. Dou muita risada com as “loucuras” deles. Só quero saber como ficará meu ânimo quando todos se forem. Sei que vai ser doído, se vai…

          • Epa… cometi um engano grosseiro. Apenas a fêmea, e não o macho, tem mais de duas cores. Macho tem, no máximo, duas. (Mas ainda não parei com a minha saga felina)

  3. Pois a pior coisa para se
    queimar… são sapatilhas de ponta! É isso mesmo! Nos EUA eu dividia apartamento com uma dançarina, e volta e meia ela passava sei lá eu quê na ponta das sapatilhas e botava no forno para endurecer. E não é que de tempos em tempos ela se distraía e as sapatilhas viravam cinza? Não tem coisa pior do que cheiro de chulé assado, garanto a vocês!

  4. Bom, como todos também já tive meus episódios de “água queimada”, enfim… Cora, se puder vá a Stratford up Avon a cidade de Shakespeare e onde há o seu túmulo. É como entrar num conto. E se puder esticar ainda um pouquinho vá até a Escócia, pelo menos até Edinburgh. Vale a viagem. Há anos (muitos mesmo) não vou a Londres, onde morei por um ano quando estava com meus 18 anos. É uma cidade que nunca me cansa, nunca para de surpreender. Vai ser delicioso viajar com você outra vez. Beijo carinhoso

  5. Ah, mas o relato de vocês alegrou minha noite!
    Eu me considerava uma pessoa desatenta só porque coloquei água no fogo pra fazer mate e fui pro Aterro caminhar! Ela só ficou preta: era uma leiteira de 2litros, alumínio grosso, deu tempo de ir, voltar e prevenir danos maiores.
    Nada explodiu, a cozinha não pegou fogo, nada assim tão emocionante.
    Incendiar a casa não é meu forte (muito embora alguns ovos cozidos tenham pipocado).
    Eu costumo mesmo é esquecer garrafas pet e latas de refrigerante dentro do congelador. Mas isso… fichinha… vocês dão de dez!

  6. Londres?! Maravilha… se vc gosta de musicais, não deixe de ver “Singin’ in the rain”. Montagem maravilhosa, elenco afinadíssimo… Mas, se não quiser se molhar, sente a partir da 8ª fila da plateia. 🙂 Boa viagem!

  7. Cora, não importa para qual canto deste nosso planeta você vá. O importante é você ir feliz, com entusiasmo, com um bom objetivo e curtir muito a sua viagem. Boa viagem e seja muito feliz.

  8. O pior é que o ovo explode… Cora, quando eu era uma jovem recem-casada e tinha a minha primeira gatinha (a Suzy), coloquei um ovo numa canequinha para cozinhar e a vizinha me chamou… quando voltei para casa, a canequinha estava no chão, a Suzy sem os bigodes que estavam queimados. Ela deve ter enfiado a cara na canequinha quando voou para o chão e seus bigodes ficaram com o que restou deles bem enroladinhos e o teto da cozinha estava todo salpicado de amarelo como se tivesse sido chapiscado por umas vinte gemas.
    Como será que isto aconteceu… nem imagino…

  9. Eu também esqueço por vezes, e já comprei chaleira com apito para evitar contratempo.
    Nem assim!
    Coloquei a água na chaleira, para ferver e esqueci de fechar a tampa com o apito.
    Deu tempo de salvar a chaleira, mas, ela mudou de cor!
    rsrsrsrsrsrsrsrsrs
    Amei a expressão queimar água!
    rsrsrsrsrsrsrsrs

  10. E fazer doce de leite da lata de leite condensado, esquecer a panela no fogo e só ouvir o estrondo…a cozinha ficou com doce de leite até no teto!!

  11. Desde que nasci morávamos com meus avós paternos, até meus 15 ou 16 anos. Após a morte de meu avô (eu já adulta), minha avó – de quem herdei o nome – resolveu continuar a morar sozinha, num bairro longe do nosso. Era ainda o começo da TV, em P&B. Minha avó assistia, na ocasião, a uma novela, à tarde. Desde que me conheço por gente, ela ia cochilar um pouco após o almoço, para continuar a lida depois. (Parêntesis: ela cozinhava muiiiiiiiito!!! E em casa sempre teve fogões de todos os tipos, por exigência dela). Um belo dia ela almoçou sozinha, claro, e foi cochilar. Acordou, ligou a TV para assistir à novela à tardinha. Ele só fazia um barulhão e nada de imagem e som. O sol já estava bem tênue e ela, entendendo que o aparelho tinha pifado, tocou campainha na casa da vizinha, de quem era amiga. Dona Maria abriu a porta e ela perguntou se poderia assistir à novela em sua casa porque a sua TV havia pifado. “Como, dona Lilly, novela às 6 horas da manhã?!” Minha avó, simplesmente não havia cochilado, ela havia dormido mais de 16 horas!…
    Esta não é uma história de “queimados”, mas toda a família ri quando o fato é lembrado.

  12. água já queimei algumas vezes, mas a minha pior atuação na cozinha foi fritando quibe. minha mulher dava aula à noite, chegaram uns amigos na minha casa, fui fritar uns quibes. coloquei-os na frigideira e fomos papear na varanda (moro em uma casa). me esqueci completamente, até que minha mulher chegou, olhou pelo corredor e viu fogo saindo pela janela, fomos correndo, a frigideira parecia uma tocha olímpica. um amigo mais afoito encheu um canecão de água e jogou nas chamas, foi a conta de subir uma labareda enorme que lambeu o teto. conseguimos apagar abafando as chamas, e, em resumo, a cozinha ficou toda coberta de fuligem: paredes, chão, teto. e o cheiro pavoroso.
    que façamos uma boa viagem.
    []’s

      • Oi,
        Isso aconteceu exatamente igual comigo.
        Em duas ocasiões: A primeira em 1977, quando estava no primeiro ano de engenharia em Petropolis, na UCP, e era calouro em coisas de cozinha. Deixei uns simpáticos bacons fritando e quando voltei, tempos depois, somente vi aquela chama intensa e imensa saindo pelos tijolos vazados da cozinha ( a nossa republica era no conjunto habitacional do Bingen ) e a outra vez foi quando era recém-casado com a minha primeira esposa. Deixei coisas fritando e fui para a cama aproveitar a vida com ela. Quando voltamos para a cozinha, havia o mesmo cenário do nosso amigo acima. Joguei água ( garoto novo, não sabia das coisas ) e o fogo foi até o teto e arredores ! Tive que pintar a cozinha !
        Bons tempos !

  13. Olá Cora! Imagino q vc já deva ter várias indicações de restaurantes, mas se tiver um tempinho sobrando, vá a um restaurante do Jamie Oliver, a comida é boa, o lugar interessante e todos por lá muito atenciosos. Boa viagem!!! Aproveite!

  14. Ô cumadi, um dia, lá num passado distaante, coloquei carne e abóbora pra fazer um ensopadinho para as minhas crianças, com muito tempero, muito coentro (eu curto coentro, Laura), muita cebolinha e salsa picadinha, um cheiro bom pela cozinha, a energúmena aqui foi dar banho nos pimpolhos, três pimpolhos, um atrás do outro, e aí, aí veio banho, enxugar, desembaraçar cabelos, vestir roupa, brincar, arrumar banheiro, secar chão, separar brigas de irmãos, colocar pimpolhos para brincar com algo que realmente distraísse e os deixasse absortos, enfim, as coisas básicas do dia-a-dia de mãe, depois desse pouquinho de coisas eu corri para a panela, uma caçarola grande, onde boiava carne num mar abóbora, a abóbora tinha derretido, sorte que eu sempre ponho muita água nos ensopados, minha avó materna me ensinou assim, nunca se sabe o que pode acontecer quando não se espia panela, panela tem que espiar, só se cozinha ao pé, dizia ela, enfim, havia um caldo de abóbora iluminando a caçarola, três crianças famintas, uma mãe também com fome, enfim, antes de bater o desespero, chegou o pai dos adoráveis pimpolhos para almoçar, que bela surpresa, enfim, eu logo fui falando que para o almoço ia ter um prato novo, receita local, “papita de jerimum”, uma delícia “prá cumê cum farinha” e uma pimentinha no capricho, enfim, como estava bem temperada, gostosa, foi um sucesso, só que depois os matildinhos e a matildinha e até o pai dos pimpolhos matildos queriam que fizesse de novo, ô Pai, inventei um prato que nem sabia reproduzi direito, a “papita de jerimum” virou prato da casa, até hoje lembram dela, pode isso?

  15. E quem nunca queimou água?
    A história mais famosa aqui em casa foi da minha mãe, uns 20 anos atrás. Eu estava estudando no quarto, e depois fui tomar banho. Nesse tempo – enquanto eu estava estudando – ela foi por na caneca de alumínio um pouco de água pra fazer chá de cidreira e deitou no sofá pra ver a novela. O fogão aqui em casa fica na área de serviço, daí o cheiro sai todo pela janela, não entra em casa (coisa da minha mãe maníaca por limpeza). Ela dormiu assistindo novela, e eu não senti o cheiro do chá que estava fervendo, pois meu quarto fica na direção oposta da cozinha.
    Resultado: quando fui estender a toalha de banho me deparei com a pequena caneca com o chá estava derretendo – literalmente. A água tinha evaporado e o alumínio fino da caneca derreteu. Desliguei o fogo gritando assustada. O cheiro na área de serviço era horrível. Só aí minha mãe acordou e percebeu o que tinha feito.
    O pior de tudo é que ela fez o chá porque não estava dormindo bem há algumas noites, rs.

    • Uma vez botei um ovo para cozinhar em uma caneca de alumínio. Não deu outra, a água secou, o ovo começou a fazer barulhos ameaçadores e eu, no afã de tirar a caneca do fogo, peguei a caneca com a mão. A caneca imediatamente grudou nos meus dedos e não havia jeito de sair. Enfiei a mão debaixo d’água fria e só assim a caneca desgrudou. A pele dos dedos soltou toda. Até hoje não sei como ainda tenho impressões digitais… A dor, não preciso dizer, foi inimaginável.

      Também botei fogo na cozinha e queimei a mão. Fui para o pronto socorro, que estava lotado (fevereiro, um calor de rachar e tudo quanto foi hipertenso de SP tinha ido parar lá – até gente baleada tinha). Esperei a minha vez e quando fui atendida reparei que o médico estava um trapo, exausto, com umas olheiras de dar medo. Enquanto ele cuidava da minha mão, eu, de brincadeira, falei que ele ia ter que olhar a minha orelha também, porque eu tinha pisado nela (orelha de burra por ter posto fogo na cozinha) – lembro até hoje do olhar dele para mim, morto de cansado, sem entender – “mas como assim, você pisou na sua orelha?”

  16. Bom… sozinho aqui em Macaé, eu faço miséria! É claro que a experiência vai reduzindo o numero de incidentes de água fervida até fundir a caneca de aluminio. Como há muito que estou sem olfato, aprendi que NÃO é para eu ir pro computador com um ovinho sendo cozido, ou com a cafeteira de pressão no lume.
    Contnuo usando o meu fiel, ultra leve e rápido Vaio Z58GG de 8 Gb e Solid State drive. Nunca me deu problemas nos últimos 3,5 anos. Espero que assim continue!

    Estou começando a sentir-me cansado em viagens longas e com muita atividade. Fui este mês escalado para uma missão de uma semana em Singapura e fiz de tudo para ser substituido. Espero descansar bastante neste Setembro em Pt.

    Boa viagem e divirta-se muito em Londres, Cora!

  17. Vizinho interfonando por causa do cheiro horrível de plástico e borracha queimada.
    Mas que cheiro???
    Eu sou anósmica!!!
    😄😄😄😄

  18. Bom…acho que ovo fica numa escala bem abaixo de sopa de mamadeiras.
    No tempo em que se colocava bicos, roscas e mamadeiras plásticas para esterilizar, fervendo numa panela…nem precisa contar o resto né?
    Bebê chora, vc corre, começa a balançar e cantar praquela coisinha linda e, de repente, tudo enfumaçado na casa…
    Vizinho interfonando

  19. Oi Cora, sua lista de Egito, Marrocos e Turquia tb estão sempre na minha cabeça mas, a pedido de amigos que me acompanham, acabo indo pra outros destinos.Um dia eu chego lá…
    Os casos de queimados na cozinha estão muito engraçados, Ri muito! Meus problemas acabaram quando resolvi trazer comigo um despertador culinário.

  20. Oi Cora,
    Você ainda usa desktop ? Num credito !! Compre um ultrabook Samsung 9.
    Fui obrigado a comprar um assim que o meu VAIO foi pro espaço !
    Mas é levinho ( primo do Mac )
    Boa sorte ! ( Londres é legal, mas muito estranha… tem muitos muçulmanos, muitas mulheres com véus estranhos, muita diversidade para o meu gosto.. mas há quem goste ! )

    • Pois é: sou viciada na tela, no teclado e no mouse. Mas AMO esses Samsungs levinhos. Quando vender o MacBook Air vou partir para um deles.

      • oi Cora !
        quer me vender esse MacBook Air ?!
        sou simplesmente uma macfanática,adoro o sistema operacional do Mac …
        toooda a minha família tambem (incluindo aí,minha neta de 12 anos e meu neto de 8) rsrsrs …

  21. Ih gente eu ja queimei tanta coisa e arrebentei tanta panela que nem digo….. Uma das minha mias famosasfoi apos a morte de mamae e resolvi fazer oce de leite esquentando uma lata de leite condensado num panelao de agua…. Equanto isso tabalhava no computador rodando e compilado programas e vendo TV ao mesmo tempo. De vez em quano eu ia la para colcar mais agua no panelao…… So que dormi com a cara em cima do teclado. Acordei bebada de sono e me lembrei que tinha a lata dentro da panela.!! Sai correndo e aio chegar vi que a tata fazia um barulho monstruoso dentro do panelao como se estivesse sapateando. Fui logo desligar o gas e ver o que tinha la dentro. A lata estava toda estufada , como se fosse explodir e eu meti a cara mais ainda para ver como estava a penela,,,,, de repente a tampa da lata saotou eu tirei o rosto rapidamente e vi uma coisa com cor de doce de leite explidir e ir para o teto, paredes , armarios, chao.. etc e, para piorar uma parte caiu no meu rosto. Eu fechei os olhos com mede de algo cair neles…. O Doce de leite fervendo caiu na pele de meu rosto e ao sr retiraa deixou ump pedadcao em carne viva…… O Pior era que alem da dor lancinante no rodto eu tive de limpara toda a cozinha…..

    essa fiu uma situacao… Ja furei muita cafeteira, queimei arroz, batata, macarrao tudo o que voce pensar…

    desde que larguei a CEG e montei minha casa eletrica nao tenho mais esse problema. minhas panelas desligam automticamente aos X minutos….

    Lonres eh divina,,,,,,,,,, Inveja boa de voce……….. Me diga uma coisa essa moca que vai se casar sera por acaso a Carolina Mattos??????????

    • Isso me aconteceu não uma vez mas DUAS, e no mesmo dia, quando as crianças ainda eram pequenas. Cheguei do jornal e botei uma lata para ferver. Fui botar criança para dormir, conferir secretária eletrônica, ver a correspondência… Enfim, esqueci completamente da panela, até que ouvi a explosão.

      Fui para a cozinha e havia doce de leite por todos os lados. Levei uma hora limpando aquela porcaria toda, morta de raiva de mim mesma por ter feito aquela burrice. Quando a cozinha ficou limpa, pus uma nova lata para ferver, e resolvi tirar um cochilo. Acordei com o barulho da segunda explosão.

      Nunca mais fiz doce de leite em casa.

      • Como eu posso rir de tragédias assim? Mondieu!
        Eu já vi Leite Moça explodido desfigurar o rosto de uma amiga. Na época eu chorei de horror, mas lendo do jeito que vcs escrevem parece engraçado.
        Rever o episódio contado pela Marcia Amaral me deu calafrios.

  22. Caramba Cora, sou tão cismado com prazo de entrega de crônica que, mesmo com uma semana adiantado, quase morri de aflição com a primeira parte da sua. Vai que acontece uma desgraça dessas! Isola!!! rsrsrs

    Não conheço Londres, ao contrário de minhas filhas que amam a cidade. Vou, como sempre, pegar carona na suas ótimas narrativas. Um dia apareço por lá!

    Ah sim, nunca queimei ovo, mas já “derreti” uma cafeteira italiana. Advinha o motivo? Estava escrevendo e só percebi quando o cheiro de queimado chegou no escritório… O pior é que ninguém acredita!

    Um beijão.

    • Você não foi o único a “derreter” uma cafeteira italiana, Carlos. Eu também já derreti uma e lamentei muito, pois ela era uma gracinha e fazia UM cafezinho. Era a menirzinha e nunca vi uma destas por aqui…

  23. Sua ida ao Egito teria sido provavelmente bem agradável. Nós fomos conhecer Luxor, os templos de Karnak, a represa e essa parte que eu ainda não conhecia- tinha ido ao Cairo com 18 anos, séculos atrás – e tínhamos reserva pra um cruzeiro no Natal seguinte ao 09/11. Apesar de todas as recomendações em contrário, foi a viagem mais segura que já fiz e a mais confortável. O barco que tinha umas 30 cabines não estava nem com a metade ocupada. Como éramos 5 de apenas 12 hóspedes, éramos consultados sobre o que queríamos comer, o serviço foi perfeito. Cada vez que saíamos do barco pra visitar algum monumento, havia escolta e via-se atiradores de elite no alto dos prédios. Pudemos entrar em todos os monumentos quase sozinhos, fotografar sem gente atrapalhando, um sucesso total!

  24. Olha aqui, só queima um bife kobe com cogumelos matsutake e quiabos verticais quem coloca isso na panela! Pode perguntar pra Roberta.
    🙂

  25. Pois de todas as opções turísticas, vc escolheu a mais certa. Os outros destinos não me agradam sobremaneira. Aproveite muito, muito.

  26. Cora eu já desintegrei uma escova de dentes assim!
    Estava arrumando umas malas pra viajar e resolvi botar a escova pra ferver e ficar limpinha. Menina, do jeito que voltei pro quarto, tranquei a porta e esqueci com-ple-ta-mente! só lembrei umas duas horas depois porque a menina que morava comigo chegou da rua a e perguntou incrédula “Ila, você estava esquentando alguma coisa no fogão??”. Não tinha nem a sombra da escova na panela. O_o

  27. olha, Cora, pior que não é a única a queimar água mesmo.

    nos tempos em que o MSN nem existia e o comunicador instantâneo ICQ era o jeito mais bacana de se conversar com alguém na web, existia, no Brasil, um site de comunidades virtuais, chamado eClube (“a vida real, no espaço virtual”).

    uma das sócias mais ativas do eClube era a portuguesa (ou era angolana? a memória me falha…) Zezinha.

    belo dia, estávamos ela e eu a conversar pelo ICQ, quando, depois de uma pausa prolongada, ela me volta, dizendo que havia posto fogo na cozinha, onde esquecera uma panela com água fervendo, para o macarrão.

    depois publicou as fotos, para provar a façanha.

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