O papo da hora

Não sou de esportes, nem de televisão. Assistir esporte pela televisão, então, é o que há de mais estranho ao meu sistema operacional. Mas, a cada quatro anos, me planto diante da TV e assisto às provas mais esquisitas com o máximo interesse: viro especialista em badminton, em canoagem , em luta greco-romana. Não faço a menor questão de ser conseqüente. Conseqüentes devem ser os juízes das provas e os colegas que escrevem sobre esportes. Eu, felizmente, caio na categoria “grande público” — aquela que tem o sagrado direito de discutir todos os esportes, contestar todas as provas e decidir, por antecipação, se o Brasil vai ou não vai fazer uma abertura melhor do que a dos jogos londrinos.

Os amigos que consultei estão divididos. Uns estão em pânico desde já, achando que vamos pagar o mico dos micos; outros estão confiantes e, como a presidente Dilma, acham que um país com o nosso know-how em desfile de carnaval não tem nada a temer. Discordo dos pessimistas, mas não concordo com os otimistas. Temos alegria e criatividade suficientes para fazer um lindo espetáculo, que não precisa ser melhor do que o de Londres até porque “abertura dos jogos” não é modalidade de competição olímpica, mas também não é com uma escola de samba que “vamos abafar”.

Tirando isso, é muito difícil dizer o que é melhor ou pior em apresentações não só distintas como tão separadas no tempo. A abertura das Olimpíadas de Moscou, de 1980, que hoje parece datada e quase ingênua, foi grandiosa para a época (no You Tube com narração em russo, em bit.ly/OltALv). É possível determinar, tantos anos depois, se foi “melhor” ou “pior” do que a de Londres? Cada época tem as suas características, o seu gosto.

Uma boa abertura de olimpíada não é espetáculo que se compare com a abertura anterior, mas algo que mostre ao público do que é feito o país que a apresenta. Ela é boa ou ruim em termos absolutos, de acordo com a sua proposta inicial e com o empenho com que traduz essa proposta em grande show. O ponto alto da abertura que acabamos de assistir foi, para mim, a chegada da rainha escoltada pelo 007. Estava tudo lá, a tradição, o humor, as intermináveis histórias de espiões, os cachorrinhos. Só a Inglaterra tem uma figura de proa carismática o suficiente para descer de helicóptero num estádio sem ficar ridícula. O que podemos fazer “melhor” do que isso?

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O ursinho Misha foi campeão entre os mascotes olímpicos. Terá sido “melhor” do que o estiloso Cobi, de Barcelona? E em que ponto da escala se situa o esquisitíssimo Wenlock?

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Está oficialmente aberta a temporada de caça aos atletas olímpicos brasileiros. Nas caixas de comentário do noticiário e na timeline do Twitter eles têm sido sistematicamente agredidos e descascados como perdedores quando não conseguem medalhas. Ora, há apenas três medalhas em todas as provas, e bem mais do que três atletas para cada uma; isso significa que a imensa maioria dos que vão para as Olimpíadas não consegue medalha. Seriam todos perdedores?

Na verdade, qualquer atleta que chegue aos jogos olímpicos já é um vencedor. Pode não ser o melhor do mundo, mas com certeza faz parte da elite dos praticantes da sua modalidade. Já disputou e venceu inúmeros campeonatos nacionais e internacionais, e é admirado pelos colegas, que dariam tudo para estar no seu lugar. Mas para nós, pelo visto, nada disso tem importância.

Agora, se mal lhes pergunto, quais são mesmo as credenciais do Brasil para correr atrás do ouro? Com exceção do futebol, e mais recentemente do vôlei e do basquete, não temos qualquer tradição esportiva. Nossos atletas sofrem com falta de estímulo, de patrocínio e de equipamento. Muitos lutam com dificuldades que há tempos não fazem parte do show de seus colegas mais bem preparados: trabalham em empregos que não têm nada a ver com esporte, perdem preciosas horas de treino no trânsito, não têm dinheiro para nada. Para piorar a situação, ninguém se interessa pelo que fazem.

A televisão, que exibe à exaustão os jogos mais ridículos do campeonato brasileiro de futebol, sequer menciona as demais modalidades esportivas. Os atletas vão para as suas competições tranqüilos, ignorados pelo público e pela mídia. E aí vêm as Olimpíadas e, com elas, a luz dos holofotes e a atenção – na verdade, a cobrança – do país inteiro. Não há preparo psicológico que resolva isso.

Se os nossos jogadores de futebol, que contam com as melhores condições de treinamento e são celebridades full time, nem sempre conseguem marcar gol, como exigir dos demais atletas que obtenham um resultado para o qual não estão preparados?  Pensando bem, cada vitória brasileira é um autêntico milagre.

Se o Brasil realmente sonha em conquistar medalhas nos esportes olímpicos, deveria pensar neles com mais freqüência. Deveria ensiná-los nas escolas e dar às crianças mais talentosas condições ideais de treinamento. Sempre. Todo dia, ano após ano, em todo o território nacional. Exaltar o espírito olímpico mas só se lembrar dele a cada quatro anos não transforma ninguém em potência esportiva.

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Faz algum sentido o McDonald’s como restaurante oficial das Olimpíadas?!

(O Globo, Segundo Caderno, 2.8.2012)

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29 respostas em “O papo da hora

  1. De esporte, naturalmente, eu não entendo nada. Mas entendo de McDonald’s! Não como carne vermelha, detesto sanduíche, tenho horror a ketchup e não tomo refrigerante, mas adoooooro o McDonald’s! A salada é variada, vem com um frango grelhado feito na hora, e tem uma sobremesa de iorgurte com morango, bluberry e granola que eu adoro. E o smoothy de manga? Uma deílicia! O café deles está ótimo! Por causa do Starbucks, ninguém mais toma aquele café aguado por aqui. Tem lattes, capuccinos, tudo mais barato que o Starbucks. E o café da manhã? Sabia que tem umas panquecas com syrup e mingau de aveia com bluberries? E os restaurantes (perto de onde eu moro) foram todos reformados, estão lindos! Têm tv flat screen passando CNN e free Wifi. Por aqui em WA (pelo menos perto de Seattle), McDonald’s, pra mim, é 10!

  2. faço parte daquele público que só vêem jogos,nas Olimpíadas,Copas etc …rs.
    agora em relação ao patrocínio Mac Donalds …c’est bizarre !!!
    não pelo fato de eu ser vegan,mas sim,porque há outros aspectos escondidos.
    RECOMENDO vivamente este pequeno doc pra que se tenha uma idéia do que acontece
    nos bastidores …

  3. Cora, não é verdade que os atletas brasileiros sofram com falta de patrocínio. Apesar de realmente existirem muitos abnegados que treinam sozinhos ou com poucos recursos, os esportes de mais visibilidade, como judô, natação, ginástica, atletismo e esportes coletivos, já contam com bastantes patrocinadores, não apenas diretamente para os atletas de ponta, mas também para as próprias confederações, o que resulta em benefícios para todos os atletas da modalidade. Isso é um fenômeno relativamente recente, e tem refletido no quadro de medalhas, o Brasil pode não ser ainda uma potência olímpica, mas com certeza vem obtendo resultados muito melhores do que nos anos 70 e 80 por exemplo.

    Um exemplo disso é a própria Mayra Aguiar. Ao contrário do que a Marise Caetano imagina, ela é sim muito bem patrocinada, e ilustrou hoje um anúncio de página quase inteira do patrocinador no caderno de Esportes do Globo.

    Quanto ao McDonald’s, é “restaurante oficial dos Jogos Olímpicos” se não me engano desde 1984, e isso só o capitalismo explica.

    • Fico feliz em saber. A Marcia Amaral tinha me ligado falando a mesma coisa. Tomara que todos os esportes possam ter apoio e o dinheiro de nossos impostos seja parcialmente utilizado nisso, em vez de ir para bolsos e cuecas de políticos.

  4. Curiosamente, é interessante observar que entre os esportes que exigem um maior nível de preparação técnica, os países com os maiores investimentos em educação saem invariavelmente vencedores. O maior exemplo tem sido a China e a Coreia do Sul, que investem cada vez mais não apenas em educação, mas também em pesquisa e desenvolvimento.
    Com raras e honrosas exceções, brasileiros e atletas de outros países com baixos níveis de investimento em educação só ganham na raça.
    Já dizia o poeta romano Juvenal: “Mens sana in corpore sano”.

    • Rodrigo, ao contrário de alguns que aqui comentaram, gosto muito de esportes em geral e procuro, na medida do possível, acompanhar o maior número de eventos.
      Tenho visitado o blogtequim e embora sem fazer muitos comentários, sempre leio o que escrevem. Não estou com disponibilidade de tempo para fundamentar minha discordância ao que vc escreveu, mas não posso deixar de dizer que China e Coréia do Sul definitivamente não são bons exemplos de educação esportiva. Procure pesquisar os métodos usados com crianças desde a mais tenra idade e certamente mudará sua opinião, salvo seja adepto da teoria de que os fins (no caso medalhas em esportes) justificam
      os meios (torturas inimagináveis).

  5. O brasileiro é estimulado – e muito! – a gostar do esporte bretão, o único que despende verbas enormes nos gramados, principalmente mais para o sudeste e sul. Qualquer molequinho faz malabarismo com uma bolinha nos pés, pensando num futuro brilhante. E o mundo vibra! Só sabemos isso, infelizmente.
    Aqui em Sampa, quando era criança, havia os parques infantis, mantidos pela prefeitura, e eles estimulavam todas (ou muitas) atividades esportivas. Minha irmã, mais nova que eu três anos, batalhava muito em ginástica de solo. Chegou a ser vice-campeã paulista juvenil da modalidade. E nesses parques, além dos esportes, havia biblioteca, salão de jogos e uma enorme gama de artes e brinquedos. Infelizmente, os tempos são outros. E, ao que parece, o ânimo e o dinheiro brasileiro também.
    Quando a Olimpíada e a Copa estiverem chegando por aqui, vou tentar fugir pra bem longe…

  6. Também não vejo e não entendo de esporte algum…não me interesso por Copa, nada. Quanto ao Mc Donald’s , a Coca-Cola já andou patrocinando Copas,jogadores, sei lá .Lembro-me da Sônia Hirsch lamentando em um artigo sobre esse “descalabro”; atletas financiados por um refrigerante delicioso, mas que nada de proveitoso traz à saúde…

  7. Disse tudo Cora. Sem um trabalho persistente fundado na humildade e com os pés no chão não podemos cobrar nada dos nossos atletas, verdadeiros mártires do esporte, que são crucificados quando falham, e tem o nome arrastado na lama se não voltam com a mala lotada de medalhas. Hipócritas, sacripantas, falastrões. Vamos salvar o Piauí do seu ufanismo, como diria Nelson Rodrigues…

  8. McDonald’s não faz nenhum sentido, sequer como restaurante, quanto mais como patrocinador de evento esportivo. mas, se lá estiver a Coca-Cola, o que não faz sentido nenhum é o que eu acabo de escrever.

    brasileiro vampiriza seus ídolos. que o diga a maior vítima do Brasil olímpico: Hugo Hoyama. enquanto não lhe cair o braço, será forçado a comparecer aos jogos, para fazer o impossível, e a submetido a comentários e olhares humilhantes toda vez que não o conseguir fazer.

    quando a mascote faz sentido, tudo bem. ruim é querer impôr uma criatura qualquer ao gosto popular e transformá-la em símbolo a todo custo. Misha era amado. o resto foi imposto. bom seria se não levássemos adiante essa bobagem. ou tivéssemos a humildade de usar o Pelezinho, do Maurício de Sousa, prestando-lhes, inclusive, a justa homenagem (ao cartunista, ao personagem e ao Pelé), ou outro personagem esportista dos quadrinhos, ou até uma seleção deles…

    também não sou de esportes, mas sou de televisão e não assistirei à cerimônia de abertura, justamente porque, em todos esses anos de carnaval, a televisão não aprendeu ainda sequer a transmitir um desfile decentemente, imagina o espetáculo desesperador que será a transmissão da cerimônia? a tv brasileira (destacadamente a rede padrão) tem a mania horrorosa de misturar jornalismo com entretenimento, não fazendo bem nem uma coisa nem outra. o espetáculo do carnaval, ninguém vê, e as informações são um carnaval. mas… vou dar meu pitaco: seria bom a tevê resolver se vai fazer transmissão de entretenimento (espetáculo) ou jornalismo (informação) antes das olimpíadas – só isso já faria história. e que fizesse uma coisa ou outra.

    com relação ao espetáculo, desde que não virasse loucura alucinante de nenhum percussionista baiano maluco (com todo esse exagero mesmo), nem luxúria de um grupo de coreógrafos sebosos, já seria interessante. traduzir o Brasil é difícil. resumi-lo é fácil. basta ser simples. seria um bom exercício se, numa abertura de jogos olímpicos, todos – inclusive os produtores – resolvessem estudar e promover um redescobrimento do Brasil.

    ah! tirando todas essas minhas besteiras, o que eu queria mesmo dizer é que suas letras andam muito bem temperadas.

  9. Cora, que crônica deliciosa.

    Concordando, eu sei o que é atleta brasileiro em Olimpíadas. O quanto são obrigados a negar a si, dizer não para a diversão típica da idade e ver a família vez em quando (quando é possível ver) para rumar e tentar trazer medalha, ou apenas pontuar, e ainda os xingarem…Triste.
    Sou tia de uma atleta e sei bem o que minha sobrinha passou e passa.

    Se as modalidades tivessem o mesmo valor de investimento que o futebol, certamente teríamos mais atletas preparados para trazer medalhas.

    Não gostei da abertura dessa Olimpíada. Fraca, cansativa. Valeu presença de Mister Bean e a brincadeira com a Rainha. Levo muita fé em nossa abertura. Tenho certeza que será linda.
    Só me livre e guarde algo parecido com essa Olimpíada/2012 e exibirem crianças nos leitos do SUS e o Capitão Nascimento descendo do alto para salvar cada uma delas.

    Aaaa, Misha forever. Misha rules! McDonald’s como restaurante oficial das Olimpíadas?! Beira ao escândalo.

  10. Oi,
    Andei vendo na minha bola de cristal e ela me disse que a abertura dos Jogos vai ter:
    1 – Mulatas
    2 – Muito samba
    3 – 2 escolas de samba: 1 de São Paulo e outra do Rio de Janeiro
    4 – Muitos fogos de artificio
    5 – Daniela Mercury ou Ivete Sangalo cantando. ( a bola não mostra claramente quem será )
    6 – Qualquer que seja o orçamento, este será quadruplicado próximo a abertura
    Bem…. só deu para ver isso !

  11. Excelente texto Cora.
    Infelizmente não há incentivos para os esportes olímpicos, e tenho receio sim que iremos “pagar mico” em 2016.
    E sim, conseguir chegar a uma olimpíada já é um grande feito, mas que dá pena de ver a participação pífia na maioria das modalidades.

  12. Excelente. Acredito que o texto vai de concordância com os pensamentos de muitos aqui!
    Também acho um tanto quanto ridícula a absurda veneração ligada ao futebol e achei excelente a citação de a TV registrar os jogos mais ridículos e ignorar as demais modalidades esportivas.
    Mas, parando pra pensar, chega a ser “normal” que assim seja: é o que vende aqui. E como é vendido à exaustão, a tendência é que menos se procure por algo novo. Infelizmente…

  13. credo, esse lance do MacDonalds é no minimo grotesco. Como assim junk food oficial prum lance que deveria cuidar da boa forma e saude?

  14. Muito bem colocado Cora.
    Meu palpite aqui é só para lembrar que a TV Brasil produz e exibe, aos domingos, o único programa dedicado a esportes amadores, Olímpicos e Paralímpicos, o Stadium. O programa começou na extinta TVE do Rio de Janeiro, há quase 35 anos. Mas é pouco conhecido.
    Educação e condições de treinamento serão condicionantes para não pagarmos um mico planetário em 2012.
    Um abraço e parabéns pelo artigo.

  15. Cora, gosto de ver algumas modalidades esportivas pela TV, desde o popular futebol, em especial jogos da seleção, até o tenis, quando seus ases jogam. As Olimpíadas me atraem quando brasileiros são os protagonistas. Portanto, está claro que sou como muitos uma ocasional palpiteira dos eventos esportivos televisados.
    Não gostei da abertura inglesa. Como você, me animei com a hilária chegada da rainha, fato que resume o caráter inglês.
    Tenho boas perspectivas para a nossa abertura, temendo apenas que a transformem em céu de estrelas vermelhas.
    Seu texto, como sempre é dez! Faz-nos sempre pensar, o que é muito bom.

  16. Porque vim a este mundo

    Não vim a este mundo para competir com alguém. Quem quer competir comigo perde seu tempo. Estou neste mundo para competir somente comigo. Ultrapassar meus limites, vencer meus medos, lutar contra meus defeitos, superar dificuldades, correr em busca de meus objetivos já me ocupam muito tempo.

    Autor anônimo

  17. Excelente Cora. Pensam que chegar numa competição como as Olimpídas é certeza de medalha. Os competidores brasileiros, com exceção do futebol, deveriam ganhar “medalha” só por terem conseguido chegar lá.
    Quanto a abertura, apesar de não ter visto, parece que tudo foi bem por lá, uma pena que por aqui as pessoas pobres de espírito e completamente sem noção, não tenham se orgulhado de ter a Marina Silva, uma autêntica representante do povo brasileiro, como representante do nosso país. São lamentáveis as declarações das pessoas que ocupam o poder; pessoas que pensam assim não deveriam estar ocupando cargos de tamanha importância.

  18. Excelente como sempre Cora!

    Só comecei a me interessar por esportes depois que comecei a correr. Acabei me acostumando a procurar programas de tv, ler sites, buscar notícias, sobre atletismo e correlatos.

    Recentemente, uns 2 ou 3 meses atrás, num canal especializado em esportes que não lembro qual é, vi uma reportagem sobre essa menina aqui: http://www.canoagem.org.br/imprensa/noticia/titulo/%E2%80%9Ca_maior_experiencia_da_minha_vida%E2%80%9D/paginas_id/166/noticias_id/2016

    Essa garota, de 16 anos, não tem quase nenhuma ajuda. O pai é pedreiro ou pintor, e botou as filhas (ela e a irmã mais nova) no esporte porque acha que assim elas terão a chance de uma vida melhor. Ajuda pública? Tem sim, vergonhosa mas tem: uma cesta básica e um salário mínimo por mês. Ela fez tão bonito em Londres que levantou o público presente. Infelizmente não foi a final pois na primeira parcial não foi tão bem.

    Ah! O pai da menina faz questão que ela continue a estudar. Um sonhador. Pena que sonhadores como ele tem poucos.

    A ESPN fez uma série de documentários de curta metragens sobre a história do esporte olímpico brasileiro. Quando vi o referente à Aída dos Santos fiquei de boca aberta. Com a falta de vergonha na cara dos dirigentes esportivos brasileiros, que vem desde sempre, e com o brio dela.

  19. Eu assisti á vitória da Mayra Aguiar essa manhã – a moça levou o bronze, e fiquei pensando em quanto esse bronze valeria milhares de vezes qualquer ouro americano ou russo. Essa moça provavelmente não tem nenhum patrocínio, ou se tem, deve ser pífio. Ninguém prestigia, ninguém dá bola. Trata-se de uma vitória pessoal da qual todos se apossam, como se tivessem participado dela. Eu costumo ver um rapaz treinando corrida aqui na BR 040, sem equipamento, sem apoio, sem tênis no pé. O que um rapaz desses não alcaçaria se fosse patrocinado, se tivesse comida no prato, tranquilidade financeira pra treinar?

    Quanto à abertura, tenho muito medo. Depois de nossos governantes contestarem que a Marina Silva portasse a bandeira. como se Olimpíadas fossem uma disputa política, tenho muito medo do tema da nossa ser uma estrela vermelha ;-(

  20. Mandou muitíssimo bem, Cora! Nosso esporte amador é completamente ignorado desde que o Cabral (o português) chegou por essas terras e se não fosse por uma meia dúzia de abnegados ou atletas com “paitrocínio”, acho que nem teríamos quem mandar para esses jogos. Deve ser uma questão cultural, sei lá.

    Eu mesmo, estou aqui dando palpite e no entanto, o único esporte que assisto pela televisão são as derrotas seguidas do meu Botafogo! Está vendo como não pode dar certo?

Diga lá!

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