25 anos de GIFs

Comemoraram-se, mês passado, os 25 anos do formato GIF (abreviação de Graphics Interchange Format). O GIF merece: apesar da idade provecta, continua bombando na internet. Para quem não está ligando o nome à pessoa, este é o formato das figurinhas animadas que se espalham por toda a parte, de avatares (irritantes) a logos variados, passando por “papéis de carta” para emails (ainda mais irritantes do que os avatares) e fotos sensacionais em que apenas um detalhe se mexe, discretamente. Ainda que você não se lembre de nada disso, acredite: é impossível se conectar e passar cinco minutos online sem topar com inúmeros GIFs.

O formato foi criado pela CompuServe em 1987 para resolver um típico problema da época: a impossibilidade de transmissão de imagens a cores em redes. É que os formatos que existiam então eram pesados demais para os modems. O GIF resolveu isso através de uma poderosa compressão de dados e de uma técnica chamada interlacing, que intercala as linhas da imagem – e que, mais tarde, possibilitou a criação das figurinhas animadas. Naquele tempo, contudo, o que estava em jogo era coisa mais simples. Uma imagem GIF não precisava ser inteiramente transmitida para que o usuário visse se era ou não o que queria. Isso fazia muita diferença quando o tempo de carregamento dos arquivos não se contava em segundos, mas em minutos.

Da CompuServe o GIF passou, pouco depois, para a internet. Estamos falando dos anos pré-web, em que não existiam browsers e toda a navegação – se é que se pode chama-la assim – era feita em interface de caracteres, através de comandos abstrusos. Nos anos 90, quando a web se popularizou, o GIF continuou na crista da onda, porque era universalmente reconhecido e porque, àquela altura, era a única forma de reproduzir imagens em movimento nas páginas da rede.

Quando o novo século começou, tudo indicava que o GIF animado iria para a lixeira da história. Com a banda larga, transmitir vídeos e imagens grandes deixou de ser problema. Ao mesmo tempo, as figurinhas cafonas e manjadas eram tão anos 90 que não tinham mais lugar nos sites chiques dos novos tempos. Mas a vida dos GIFs passou por uma reviravolta aí por 2005, 2006. É que, nesse momento, surgiu a febre das reaction images, aquelas figuras que lembram emoticons ampliados: trechos de filmes, desenhos ou fotos expressivas, com ou sem legendas, reproduzindo diferentes emoções. Moeda corrente no Tumblr, as reaction images, quando animadas, são gravadas em GIF.

Finalmente, no ano passado, a fotógrafa  inventaram uma espécie de misto de vídeo e de foto a que deram o nome de cinemagraph — e que, desde então, é um sucesso retumbante na rede e em galerias de arte. Para ter idéia das possibilidades dessa arte, dê uma olhada em cinemagraphs.com.

Se sentir vontade de fazer algo parecido, há uma enorme quantidade de aplicativos de animação de GIFs na rede, para todas as plataformas existentes.

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Um GIF ou uma GIF? E como se pronuncia isso? Como dizia Jack, o estripador, vamos por partes: um GIF, no masculino, quando a referência for ao formato; uma GIF, no feminino, quando a referência for à imagem. Por exemplo: “O GIF foi fundamental para a popularização da web”, mas “Vi umas GIFs animadas pavorosas!” A pronúncia mais usada, em português, é “guif”; em inglês, tanto “guif” (com o g de great) quanto “jif” (com o g de gin) são considerados corretos.

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Há muitas e muitas luas, me apaixonei por um joguinho chamado “Bejeweled” que, salvo engano, cheguei a recomendar aqui. Brinquei muito com ele, depois cansei e, numa faxina de aplicativos, apaguei-o do celular. Dia desses, procurando coisas na Appstore, encontrei-o de novo e tive a infeliz idéia de baixá-lo para o iPad. De lá para cá, já perdi 19 horas, um minuto e 42 segundos. Uma das novidades da nova versão é que, agora, o perverso brinquedo salva o tempo de uso que fazemos dele.

Se você tem trabalhos urgentes para entregar, prazos para cumprir, passeios para fazer e bons livros para ler, nem pense em baixá-lo; mas, se quiser um passatempo garantido, conheço poucos com o poder de distração do “Bejeweled”. Ele está disponível para PC, Mac, Android, Windows Phone, iOS e consoles variados, em versões gratuitas e pagas. Há até uma versão bastante boa para adicionar ao Chrome.

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Outro brinquedinho antigo que voltou às paradas é o Photofunia, que encaixa fotos comuns de iPhone em cartazes de rua, aparelhos de televisão e incontáveis outros cenários bem bolados e bem executados. O Photofunia foi um dos primeiros aplicativos a fazer sucesso no Instagram; andou meio sumido, mas está de volta. É muito divertido, e dá um trato engraçado às fotos mais banais.

(O Globo, Economia, 9.7.2012)

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7 respostas em “25 anos de GIFs

  1. Eu baixei o Cinemagraph app. Mas, aiInda não peguei o jeito. É uma espécie de comunidade de criadores de GIFs. Nos moldes do Instagram

    Brincar de Disney Pixar tem seu encanto.
    Mas, como pouco sei html, pra sua sorte, Cora:
    ༜༜༜༼aqui tem um 🙂 GIF animadíssimo 🙂 cheio de glitter piscante ༽༜༜༜ །།༼ 😀 ༽།། ༜༜༜ Rosa, ainda por cima

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