Ainda o gatil

O assunto da semana entre as minhas amigas protetoras de animais foi a inauguração do gatil da prefeitura. Elas, porém, não estão nada satisfeitas, e têm sérias críticas ao projeto, a começar pela sua própria existência: a tendência mundial, hoje, é deixar as colônias de animais em seus locais de origem, controlando-as através de esterilização e fiscalização, para evitar o abandono de novos bichos na área. Outra crítica contundente diz respeito ao local, perto demais do sambódromo para garantir o sossego de que os bichinhos precisam, já que, durante o carnaval, os fogos dos desfiles vão deixar todos em pânico. Finalmente, há uma completa falta de confiança na prefeitura, que todas, sem exceção, julgam incapaz de cuidar dos animais como prometido.

Devo dizer que eu também não confio na competência da prefeitura, mas creio que é importante darmos um crédito de confiança aos nossos funcionários. Posso estar sendo excessivamente otimista, mas acho que partir do princípio de que nada vai funcionar, e que nada será feito com um mínimo de acerto, é jogar a toalha cedo demais.

A localização do gatil não é perfeita, mas o Campo de Santana, ao lado de um quartel dos bombeiros, também não é exatamente silencioso, e é péssimo para os gatos, que sofrem as piores violências nas mãos dos tipos sinistros que frequentam o espaço. O gatil é cercado, não é área de passagem, e tem guarita na porta. Nada disso vai desestimular ladrões profissionais de olho nos equipamentos, mas deve manter afastados os malfeitores que torturam e matam animais por esporte e/ou falta do que fazer. Em suma, acabarão os crimes de oportunidade.

Ao mesmo tempo, acho que, ao levar para lá os gatinhos do Campo, a prefeitura assume uma responsabilidade efetiva da qual não poderá fugir. Ao não zelar pelos felinos nas muitas colônias da cidade, a Secretaria especial de proteção e defesa dos animais (Sepda) pode alegar falta de gente, de recursos e de conhecimento das condições do local; nada disso será possível no Gatil São Francisco de Assis, onde cada gato será conhecido dos tratadores e dos veterinários. Além disso, a sua localização central permite que a sociedade fiscalize melhor o trabalho da secretaria. A minha torcida é para que a prefeitura aproveite essa chance e transforme o gatil num bom exemplo de trabalho, como os bichinhos merecem. Se não fizer isso, estará se passando o maior atestado de incompetência possível: afinal, um prefeito de megalópole incapaz de cuidar do bem estar de 300 gatos pingados é incapaz de qualquer coisa, e não merece nem consideração nem votos.

o O o

O que dizem as protetoras? Lilian Queiroz, da Ong Oito Vidas, está convencida de que não adianta remover colônias, ainda mais sem conhecer os gatos.

— Só quem já fez mudança de gatos sabe bem o que é. Eles brigam entre si, ficam totalmente desesperados, se machucam, os machucados dão bicheira, é um caos. A prefeitura não tem nenhum know-how para fazer esse tipo de mudança. Além disso, gatos de rua sobem aquelas grades brincando, e vão ser atropelados ali.

Lilian tem verdadeiro horror de abrigos públicos:

— Quando muda o governo não há comida, porque não tem como fazer licitação dos pedidos de ração. Já vi esse filme. Quantas vezes mandei ração para o CCZ, para os bichos não morrerem de fome! Um governante não continua o que o outro faz. Basta um corte na verba, e os animais ficam à mingua… Que façam um posto de castração com gaiolas para pós operatório, mas remover gatos de colônia realmente não funciona, estressa os gatos e, pior, a colônia em pouquíssimo tempo volta a se formar. A ignorância e abandono não saem junto com os gatos.

Ana Yates, um dos nomes mais respeitados da proteção animal no Rio, também não confia na prefeitura. Ela destaca a necessidade básica de uma infraestrutura de manutenção do gatil, com planejamento, orçamento, disponibilidade e comprometimento de verbas: uma série de medidas, em suma, que manteriam a integridade física e emocional dos bichanos.

— Quais as necessidades básicas, qual a infraestrutura mínima necessária que um abrigo precisa ter para garantir a integridade dos animais, e para que o local não se torne um campo de extermínio “natural”?  Até os gatis criados e mantidos por protetores idôneos de animais, bem intencionados e com folga de verba, falem e submetem os animais a doenças infectocontagiosas, sofrimento e consequentes óbitos em massa. A Sepda tem doze anos de existência e continua — por falta de vontade política e comprometimento honesto dos políticos — uma secretaria “especial”, sem verba própria, sem planejamento, sem objetivos especificados. O chamado “centro de triagem” na Fazenda Modelo é mantido precariamente, não há pessoal capacitado para manuseio e trato dos animais, não há assistência veterinária consistente, não há medicamentos, sequer vacinas, a ração é de péssima qualidade e por aí vai. Como podemos esperar algo melhor para o tal gatil para os gatos do Campo de Santana – que, não nos iludamos, servirá para aprisionar outras colônias que o Parques e Jardins, Administrador do CASS ou outros amigos do Prefeito considerem inoportunas para Olimpíadas, Copa ou outras alegações? Bem, podem revestir todo esse “gatil” da prefeitura em ouro, porém, repito, o que manterá os animais sadios e vivos é a estrutura de manutenção!

 

(O Globo, Segundo Caderno, 5.7.2012)

 

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42 respostas em “Ainda o gatil

  1. Acho que se não houve proibição, as protetoras podem continuar os trabalhos com os gatos cuidando e procurando lares para eles. Houve tal proibição, fundamentada no que?
    O lugar não é o ideal? Mas o Campo de Santana também não era. Pois é cercado por quatro vias de grande movimentação. Tem o corpo de bombeiros de um lado e as ambulâncias do hospital do outro. Durante o ano inteiro, o carnaval são 4 dias.

    Alguém pensou nas cotias e nos pássaros que vivem no Campo de Santana? Eles também merecem ter um lugar tranquilo para viver e ter seus filhotes sem predadores por perto.

    Esse gatil foi feito por ordem judicial, então vigiem o funcionamento. Se algo não estiver correto, reclamem e denunciem. É assim que a sociedade civil deve agir.
    Se acham que não vai dar certo, lutem para que dê certo. Orientem, ajudem as pessoas que estão envolvidas no projeto. Somem e não dividam forças, pois os mais prejudicados serão os gatos que tanto amam.
    Deixem o orgulho e a vaidade um pouco de lado, agir no bastidores é tão ou ,muitas vezes, mais importante que estar sob os holofotes.

    A luta deve ser pelos protegidos e não pelos protetores.

  2. “GOSTARIA DE COMUNICAR QUE A SECRETARIA ESPECIAL DE PROMOÇÃO E DEFESA DOS ANIMAIS (SEPDA) RETIROU ARBITRARIAMENTE TODOS OS GATOS QUE ESTAVAM INTERNADOS NO AMBULATÓRIO DO CAMPO DE SANTANA PARA A FAZENDA MODELO, INDO DE ENCONTRO AO QUE ESTÁ REGISTRADO NA ATA DE 10/07/2012!

    PEÇO EM NOME DOS GATOS DO CAMPO DE SANTANA QUE TODAS AS PESSOAS QUE RESPEITEM E GOSTEM DE ANIMAIS, COMPAREÇAM NESTA SEXTA-FEIRA (03/08/2012) AS 12:00 HORAS EM FRENTE AO PRÉDIO DA PREFEITURA – RUA AFONSO CAVALCANTI 455 – CIDADE NOVA. OBRIGADA.”

  3. Mais vale um dedo no gatil do que um no gatilho.
    Gostei do outro artigo onde você dava crédito à Prefeitura depois de visitar o local. E como disse, podemos visitar, vigiar e ajudar.
    Sabendo do histórico de não se dar contuinuidade, boa oportunidade para ficarmos de olho e tentar com que seja diferente dessa vez.
    Como é que se consegue promessa e garantia de comprometimento?
    E se a gente casasse uma protetora com um político?!

  4. Olha, eu não sou protetora, sou apenas uma pessoa que ama os gatos e que sempre que pode ajuda alguém que ajuda gatos, cachorros ou o que for, de forma que creio poder falar como leiga. Eu estive no Gatil SFA nesta última semana e vou dar um testemunho do que eu vi.

    Primeiro, que falou que os gatos escalam aquelas telas facilmente, esta absolutamente certo e, nem precisa ser gato de rua, tenho certeza que se eu colocar lá os meus gatos criado em apartamento, ele vão ficar tão estressados que vão escalar aquelas telas como se fossem escadas, então é fato que os animais vão fugir e ser atropelados.

    Segundo, o portão da guarita, onde se chega depois depois de uma caminhada cansativa carregando transportes com gatos para castrar, não fica fechado, qd cheguei lá as 8 da manhã o portão estava escancarado e o guarda só olhou para a minha cara pq eu perguntei onde era o centro cirurgico, caso contrário ele nem me veria entrar (não dá para entender pq este portão e esta guarita não são perto do estacionamente, pq do centro cirurgico se ve os carros estacionados pertinho, eles devem pensar que sentimos prazer em fazer uma longa caminhada carregando peso).

    Terceiro, o que são aquelas casinhas que fizeram para os coitados? são de metal, no verão teremos muito gato assado naquele gatil. Metal gente, onde estava a cabeça destes f…………..d……p…….. qd bolaram fazer os abrigos de metal… não sei que material é aquele, só sei que é METALLLLLLLLLLLLLLL, são loucos, mas com certeza não são burros, pq este material certamente é mais barato que um outro que não vá cozinhar os bichanos em dias de calor.

    Quarto, depois de uma longa e cansativa caminhada, carregando peso sob o sol, não tem um lugar onde se possa comprar uma agua que seja para matar a sede, pq o bebedouro (único) que tem lá é daquele bem anti higienico, e nem copo é fornecido.

    Quinto, todas as pessoas tem que esperar em pé, pq não tem onde sentar e tanto pessoas qt seus bichanos tem que esperar sob o sol. Eu fiquei lá umas 3 horas com uma amiga e tres bichanos, foram trés horas em pé e no sol.

    E finalmente sexto, não posso deixar de citar o bom atendimento, educação, simpatia, e boa vontade tanto dos funcionários qt da veterinária que atendeu meus bbs, obrigada a todos eles.

    • Heloísa, o material das casinhas, segundo me explicaram lá, é PVC. Justamente, para não esquentar no verão e nem esfriar no inverno. Quanto às outras reclamações, me parecem procedentes. Visto que o local apenas começou a funcionar, acho que seria interessante repassar essas informações à Prefeitura (Sepda).

      • Oi Diana, eu realmente não sei qual é o material, não fui lá tocar nas casinhas, mas quem me falou que elas são de metal foi uma das veterinarias que trabalham no gatil, então não tenho pq duvidar. Qt a mandar o comentario para a Prefeitura, eu até gostaria, será que alguém teria o mail do da prefeitura referente ao gatil para partilhar conosco?
        Obrigada
        Heloisa Brito

        • Heloisa,

          Eu enviei partes de sua mensagem (sem o seu nome) para alguns funcionários da Sepda, a título de crítica construtiva. No entanto, segundo me explicaram em outras ocasiões, todas as solicitações, reclamações e demandas para a Prefeitura do Rio devem ser feitas pelo número único 1746 e não para as Secretarias/Setores específicos. Os atendentes do 1746 encaminham as demandas ao setor responsável.

          • Obrigada Diana, vou ligar sim. Qt a ter mandado partes e sem meu nome, não teria, da minha parte, nenhum problema em mandar a msg toda, com criticas e elogios e com meu nome ate meu mail, não me incomodaria.
            Mais uma vez obrigada
            Heloisa

  5. Na minha santa ingenuidade eu pensei que esse gatil seria instalado nas dependências do Campo de Santana.

    Próximo ao Sambódromo, como disse um amigo meu, Valério, eles correm risco de virar churrasquinho de miau, não só na época carnavalesca como em todo e qualquer evento que reuna muitos ambulantes vendendo qualquer coisa para beber ou comer.

    Não confio nada nada nesse prefeito. Ele não tem o meu voto de confiança. Estou preocupada.

    • Sem falar naqueles ouvidos privilegiados e exigentes que afirmam ser o couro de gato o que há de mais afinado em matéria de sonoridade para tamborim. A única coisa que dá pena é que a chuva às vezes atrapalha…

  6. Cora, vc foi à inauguração do “Largo do Millôr”? Vi as fotos com a Fernanda , Eva Wilma e outras, vc não estava lá, como assim? E por falar em saudade, não, e por falar em Millôr,(que é a mesma coisa) queria muito mandar pra vc o link do Arquivo Público do Estado de São Paulo ;se vc não conhece ( o que acho difícil, mas enfim) clica lá, pois tem exemplares digitalizados da revista “A Cigarra”( das décadas de 40/50) com váaaaarios trabalhos do Millôr , inclusive contos. Penso que sei muita coisa de informática, sei lá, mas sei pouquinho, pouquinho, pois nem sei ´postar meu avatar aqui , nem sei mandar links nesse espaço. Se vc não conhece, clica lá, vc vai amar. Ficadica. E bjs e bom final de semana.

  7. Bom, não sou do Rio, sou de São Paulo, mas aqui cada vez que muda a administração municipal tudo é zerado e se começa a reinvenção da roda, inclusive naquilo que a administração anterior fez de bom.Independente se quem está assumindo é ou não do partido do antecessor. O que faz com que as boas ideias (cada vez que escrevo essa palavra tenho de tirar o acento) raramente sigam em frente. Uma pena pois muitas que poderiam dar certo, se tivessem tempo de desenvolvimento, ficam pelo caminho. Mas, todos querem ser o autor do que dá certo, ninguém quer ser continuador, daí a cada 4 ou 8 anos reinventa-se a roda.
    Por que falo isso? Porque se por aí não for diferente daqui, é bem provável que o gatil seja posto pra escanteio na próxima administração.
    Quanto às objeções não sei se procedem ou não, mas, não seria o caso de se sugerir aos administradores do gatil que ao invés de apenas recolherem os bichanos, que castrem os gatinhos, cuidem deles dando-lhes vacinas e todo o necessário, e periodicamente promovam uma feira de adoção? com o devido cadastro dos gatos e seus responsáveis, para que se o bicho for novamente abandonado o novo dono possa ser localizado e punido. Apenas a sugestão de alguém leiga.

    • Valéria, esses animais serão recolhidos, tratados, castrados, mantidos e postos para adoção. Atualmente, eles estão abandonados nesse parque e constituem uma ameaça à fauna silvestre local.

  8. Eu estive na inauguração do gatil e gostei do que vi. Quanto ao negativo, vai ser feito. É parecido com o gatil da Fazenda Modelo, que também conheci e me pareceu muito bom. Neste caso, a Prefeitura está tomando a responsabilidade nas mãos e tentando cumprir com o seu papel. Nós temos que apoiar quando o Poder Público cuida do que é… público!
    Um fator que ninguém está citando em seus comentários é a Fauna Silvestre. A presença de animais domésticos soltos em áreas verdes é MUITO prejudicial aos animais selvagens/silvestres: eles são predados pelos domésticos, seus ovos são predados, se contagiam com suas doenças e, na “melhor” das hipóteses, competem com eles por alimento e abrigo. O certo é separar mesmo. Se não puder levar os domésticos para outro lugar e cuidar deles com abrigo, alimentação, assistência veterinária, esterelização e doação para adoção – como proposto para esse gatil – a outra opção seria abatê-los. É melhor???

  9. O que a Prefeitura fez foi providenciar mais um lugar para que abandonem os gatos… Quem cuida dos gatos do campo de santana, vai ter mais trabalho, pois serão agora dois lugares para cuidar….
    Tomara que eu esteja enganada, pelo bem dos nossos peludinhos..

  10. Eu tenho uma pergunta a fazer.
    Com todo o respeito, pouco entendo deste assunto, mas sei que é delicado, não sou cuidadora, apenas tive um gato na vida.
    Que evitei castrar até os 2 anos de idade. Ele era esperto, muito ágil e eu gostava dele assim. Infelizmente, depois dessa idade, meu gatão desesperou dentro do apartamento e tive que castrá-lo. Porque era doméstico e, se soltasse, morreria. Não tive alternativa, ele não era de raça, não achei fêmea pra cruzar.
    Minha pergunta, de leiga total, é:
    Castrar um gato e deixá-lo na rua, à mercê de seus predadores, inclusive humanos, não equivale a condená-lo? Porque depois de castrado, ele fica gordo, pouco ágil, lento e muito menos agressivo- leia-se incapaz de de defender. Mansinho, gordo, dorminhoco, sem poder subir em árvores, na maioria das vezes.
    Obrigado, meus respeitos aos que entendem do assunto, e aos participantes do blog, não estou brigando, sei que os ânimos estão acirrados, calma por favor…. Pergunta de boa fé.

      • Tenho seis gatos, dois estão em casa e quatro dentro de uma loja- da qual são os donos -. Todos foram castrados aos seis meses de idade. Dos seis somente uma é gorda.
        O que fez o seu gato engordar talvez tenha sido a falta de atividade. Acredito que deve ser muito triste para um gato ser felino único em uma casa. Ele não tem como brincar e ‘brigar’ com outro da sua espécie.

        • ele nos considerava “da espécie dele”, mas tudo bem… se vc diz que gatinho castrado nem engorda nem fica manso no geral, melhor.. valeu!

  11. Até felinomaníacos de carteirinha devem saber que seu contingente não representa significativo número de votos. Então, por que esse papo de que o gatil é medida eleitoreira? Alguém aí acha que preciosos nanosegundos de propaganda eleitoral vão ser dedicados a desvelos por gatos vadios? Acha não, né?

    • formadores de opinião divulgam o fato, que é tido como algo novo (e é) e mesmo as pedras dos caminhos percebem a novidade. isso, para profissionais de marketing político, como calcinhas, feijoadas e casos extra-conjugais, é material. nesse sentido, sim, como qualquer outra boa ou má intenção ou ação política, cai no balaio eleitoreiro, quando e se for necessário. na hora da briga pelo voto, pode pesar, e é essa possibilidade o que basta ao (e alimenta o) interesse eleitoreiro.

      • Tanto aqui como na Suécia existe o problema de crianças abandonadas. Não precisa ser Duda Mendonça para torpedear eleitoralmente a proteção oficial a animais com a eficiente porém falsa acusação de que o opositor prefere bicho a gente. Que tal a imagem colorida que a Cora nos mostra contrastando com uma em preto e branco de pivetes cheirando cola? Mas, como eu azedamente disse antes, marqueteiros políticos têm melhores minas eleitorais para garimpar no escasso tempo que a tv lhes concede.

        • santo marketeiro aquele que, enfim, lançou esse olhar sobre os gatos. por conta dele, agora a prefeitura assumiu uma responsabilidade que há tempos deveria ter assumido, ainda que eleitoreiramente.

          sou um crédulo, mas não acredito em responsabilidade política “de político” sem interesse eleitoral. defeito meu, puro preconceito. ainda tenho muito o que melhorar nesse campo, infelizmente.

  12. Que aconteça tudo de bom pro gatil.
    Mas me assustei porque a moça da foto parece a Li, a minha Puca, da turma da Pedra, a “Flor” de uma “emergência felina” que também mora aqui em casa. Abs a todos!

  13. Por mais que eu queira, não consigo ser otimista em nada que tenho o poder público, principalmente se for uma prefeitura, no meio. Só de curiosidade, a decisão de construir esse gatil foi debatida com os protetores, alguma ONG que seja? Quanto custou? E pior, quem garante que o próximo prefeito vai manter aquele espaço como um gatil? Cora e amigos, o que sempre vejo, sempre mesmo, desde criança, é o estado inaugurando obras de todos os tipos na véspera das eleições para, menos de um ano depois, se tanto, esquecer completamente todas as suas promessas.

    Tomara que eu esteja errado e esse gatil não seja apenas mais uma jogada eleitoreira de uma gente que, em hipótese alguma, merece qualquer tipo de confiança.

  14. se nós já soubéssemos tudo o que temos de saber sobre como fazer o bem, estaríamos entre anjos, não entre os homens.

    não sabemos tudo, estamos todos aqui aprendendo, ou pelo menos sendo continuamente submetidos a novas oportunidades de aprendizagem.

    como aprendizes tolos, repetimos o que fixamos das lições que já vivemos, como fossem a mais completa das verdades.

    erramos muito querendo impor o pouco que sabemos, sem aproveitar para testar e testar e testar continuamente todas as lições.

    meu comentário parte dessa visão que, claro esteja, como todas as demais, pode ter um pouco de razão e, ainda assim, estar completamente equivocada.

    o gatil está feito. pronto. e terá de funcionar. coloquemos os conhecimentos todos a favor – e não contra – o que terá de funcionar. façamos isso em benefício dos gatos que forem para lá.

    quanto ao Campo de Santana, não nos iludamos: será esvaziado e tornará a se encher de gatos, como tantos outros espaços, porque não será esta nem aquela solução definitiva nem capaz de conter a ignorância que leva o homem a criar, deixar reproduzir e abandonar gatos. vigiemos, esperemos e trabalhemos, quando for a hora de socorrer os próximos tantos gatos que virão.

    quanto à prefeitura e sua incapacidade de dar continuidade aos trabalhos iniciados, assim é e assim será, até que seja lei que se faça o contrário, e isto nem em estudo está. quem tiver boa proposta, que vá aos legisladores e os obrigue a fazer o que têm de fazer. quem não tem, critique, se quiser, mas não se limite a isso, porque não ajuda nada.

    e que as críticas não sirvam de desculpa para ninguém parar o trabalho a que se propõe, muito menos para tentar impedir o outro de trabalhar.

    a situação é grave, não se deve perder o foco.

    o gatil não é solução para nada, é apenas uma proposta nova. ficar às turras não é sinal de inteligência, mas de pouca habilidade para usar a muita capacidade que, juntos, todos já foram capazes de acumular.

    a prefeitura é novata no trabalho? ajudem-na. vigiem-na. somando, não querendo derrubar rancorosamente aquilo que mal foi levantado.

    se todos sabem o que irá acontecer de errado – mas que ainda não aconteceu – mais que reclamar, pensem e concentrem-se em desenvolver soluções, para apresentá-las e implementá-las nos momentos exatos, os mais apropriados.

    falta união, gente. união.

    e, mais que isso, união dirigida por um só propósito: o bem-estar dos gatos, onde quer que estejam.

    para todos os problemas apresentados, há de haver alguém com uma solução e alguma disposição para apresentá-la. busquem, estão todos certíssimos em falar, mas é necessário também ter humildade para ouvir e aceitar opiniões, sobretudo as novas.

    deve haver gente disposta a ajudar, é preciso aceitar a liderança de alguém que extraia o melhor de todos. só isso.

    o resto pode ser um bom caminho, se a maioria não debandar e não resolver ficar só, onde estava.

    abraços e muito boa sorte, aos gatos e aos outros.

    • Perfeito! Vou estar no seu time de torcedores, torcendo pra que as coisas saiam melhor do que se imagina, que o resultado seja o melhor possível para que esses anjos de garras tenham uma vida decente, saudável, digna! 😉

      • Marise, não duvido da qualificação de nenhuma das protetoras que, sim, são as que mais e melhor entendem da situação desses bichos. também não duvido se sua abnegação, de seu sofrimento diante da situação dos gatos. nem me esqueço do quanto se desesperam com a incômoda frieza das instituições, da sociedade, e de todos os que olham para essa gente como se fossem loucos, quando correm com lágrimas nos olhos para dar comida ou tratamento a um bicho abandonado em situação desastrosa.

        sei o que passam e entendo mesmo todos os motivos de desconfiança, desesperança e descrença diante de um projeto que é – sim, todos sabemos – oportunista e eleitoreiro, no sentido de que nunca sairia dos sonhos se alguma pesquisa não houvesse apontado isso aos políticos em seus gabinetes – por mais que a lenda diga que existem políticos honestos.

        também entendo que de boas intenções o inferno criado pelos homens está cheio.

        gente de boas intenções não cessam de abandonar gatos no Campo de Santana porque lá tem alguém que cuida deles, por exemplo.

        o ser humano é assim. somos humanos, sabemos.

        só que não nos basta saber, nem ter razão. precisamos continuar, ir em frente, acreditar, e tentar levar algo melhor adiante.

        é só essa mensagem de esperança que eu queria mesmo deixar, sem tirar as razões de nenhuma das pessoas que estão ressabiadas – também estaria, no lugar delas… também estou. mas que isso não freie a boa ação de ninguém, o trabalho de ninguém.

        a propósito, só para continuar na boa vibração, uma lembrança:

        “Onde houver discórdia, que eu leve a união;
        Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
        Onde houver erro, que eu leve a verdade;
        Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
        Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
        Onde houver trevas, que eu leve a luz.”

  15. Não estou falando de ninguém especificamente, mas tem muita briga de egos entre as protetoras e acho que algumas delas podem estar #chatiadas de não ter tido nenhuma participação no gatil e por isso já falam mal antes mesmo de acontecer algum coisa. Reclamam que o estado não faz nada pelos bichos, mas quando fazem são criticados da mesma forma. Não vivo o dia a dia da proteção e muitas das críticas fazem sentido. Torço para que dê certo.

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