Gabriela e os gatinhos

A “Gabriela” de 1975, com Sonia Braga no papel título, foi uma das melhores novelas de todos os tempos. Tudo nela era excepcional, da adaptação e da direção aos cenários e figurinos, sem falar no elenco e na trilha sonora inesquecíveis. Como todo mundo que ainda se lembra dela, eu também fiquei curiosa com o relançamento do folhetim – mas agora, passados vários capítulos da nova versão, sinto saudades da antiga novela.

Alguns personagens, a começar pela própria Gabriela, encontraram seus intérpretes ideais nos velhos tempos. Os atores do remake são bons, mas lutam contra lembranças muito fortes. Juliana Paes é linda e está fazendo um valente esforço, mas não tem o frescor e a inocência que caracterizam a mulata de Jorge Amado. Sonia Braga convencia como retirante humilde; Juliana Paes é exuberante demais para isso. Armando Bogus, o Seu Nacib que contracenava com a Gabriela de Sonia, também era mais convincente como “moço bonito” do que Humberto Martins: havia nele uma doçura e uma perplexidade diante de Gabriela que faltam ao Nacib de hoje. Tenho saudades também do Tonico Bastos de Fulvio Stefanini, do professor Josué de Nanini, da Malvina de Elizabeth Savalla…  Em compensação, estou gostando muito de ver Wilker, que fez o progressista Mundinho Falcão, interpretando o mais reacionário dos coronéis.

Como o passado é sempre meio enganador, procurei pela “Gabriela” antiga na internet. Encontrei alguns trechos no You Tube, e eles confirmaram que as minhas saudades não são saudosismo. Mas, sobretudo, eles puseram em evidência a diferença entre as duas produções. O cenário original, luxuoso para a época mas humilde para os dias de hoje, funcionava muito melhor como ambientação; a quantidade reduzida de figurantes também. O Bataclã da atual produção não devia ter equivalente nem na Paris dos anos 20, quem dirá na Ilhéus da novela.

Aliás, não entendo porque, nesses tempos de busca de fidelidade histórica, “Gabriela” não buscou um mínimo de verossimilhança. Tudo é faustoso demais, exibicionista demais, do interior das casas aos figurinos – muito bonitos, mas pouco fidedignos. O Brasil era mais simples nas primeiras décadas do século passado; a vida era mais modesta; as ruas menos povoadas; as saias mais compridas. O vestido que Nacib dá a Gabriela, por exemplo, não seria aceito nem como roupa de baixo nos tempos supostamente retratados na trama.

Já disse o filósofo Joãosinho Trinta que quem gosta de miséria é intelectual, mas acho que mesmo a novíssima classe média apreciaria um pouco mais de realismo histórico — nem que fosse para conferir o quanto progredimos em quase cem anos.

o O o

Fiquei sabendo, há alguns meses, que a prefeitura estava construindo um gatil para abrigar os felininhos abandonados do Campo de Santana. Achei ótimo. O gatil ficaria, me disseram, numa espécie de semitrevo da Presidente Vargas, bem em frente ao sambódromo. Achei péssimo. Uma área super movimentada, com transito intenso e contínuo de carros e de ônibus… aquilo não ia dar certo! Esqueci o assunto, convencida de que estava diante de um típico caso de conversa para boi dormir; assim, fiquei bastante surpresa quando, no começo da semana, a prefeitura me convidou para a inauguração.

Praticamente junto com o convite da prefeitura recebi emails de amigas da proteção animal, todas muito desconfiadas da iniciativa. Que lugar era aquele, plantado numa das vias mais movimentadas da cidade? Quem cuidaria dos bichos? Como se evitaria que fugissem e fossem atropelados?

Fui conferir – e sinto-me obrigada a dar os parabéns à prefeitura. O espaço, por incrível que pareça, é muito bom, e ganha, com o gatil, uma razão de ser. Uma vez que deixamos a pista, o pequeno parque Noronha Santos é simpático, bucólico mesmo. Tem árvores crescidas, bambus, palmeiras, muita grama para os bichinhos se espraiarem e uma boa caixa de areia. Lá foram construídos um ambulatório para atendimento dos animais, um centro de esterilização gratuita do programa Bicho Rio e um posto permanente de doação de felinos. Há também vinte pequenas casinhas para abrigar os gatos e um depósito de ração. Tudo muito digno e correto. Só não digo tudo perfeito porque há ainda uma questão não resolvida, o acabamento da cerca, que precisa de uma proteção na borda superior (um “negativo”) para evitar que um ou outro gato mais ágil fuja para a Presidente Vargas.

Alguns protetores que estavam presentes à inauguração queriam condicionar a transferência dos gatos à construção do tal negativo. Tenho minhas dúvidas a esse respeito; pessoalmente, acho que os bichinhos correm mais riscos no Campo de Santana do que poderão vir a correr no Gatil São Francisco de Assis tal como está.

Conversei com o subsecretário da Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais (Sepda), Leonardo Fischer, que me garantiu que sempre haverá alguém de olho nos 300 hóspedes do gatil.  A equipe do parque será composta de três tratadores, dois guardas municipais e quatro veterinários, mais o pessoal administrativo que cuidará das adoções, que poderão ser feitas diariamente. Outra boa notícia é que o gatil poderá ser visitado por quem quiser vê-lo. Para isso, bastará se apresentar e deixar o nome na guarita da entrada.

Na terça-feira, quando estive lá, os gatos, principais interessados no assunto, ainda não haviam chegado. Eles serão transferidos do Campo de Santana a partir da próxima segunda-feira. Dentro de algum tempo vou voltar lá para ver como a teoria está funcionando na prática; depois eu conto.

(O Globo, Segundo Caderno, 28.6.2012)

 

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31 respostas em “Gabriela e os gatinhos

  1. Meu comentário, além de atrasado, ficou no lugar errado. Tô descendo pro devido local. rsrsrsr

    Fico aqui pensando como pessoas que não sabem muito sobre comportamento de felino de colônias aderem rapidinho e esses “feitos” da Prefeitura. Sinceramente, vocês acreditam mesmo que isso vai funcionar? Alguém já visitou algum abrigo público? Mais simples ainda, já trabalharam em um hospital de PESSOAS público? Quero saber o que vai ser desses gatos nas mudanças de governos e quem vai cuidar da segurança deles nesse local tétrico, principalmente à noite, cheio de bandidos? Ontem à noite passei por lá. Sinceramente eu não gostaria de fazer um plantão naquele local. Quem vai acalmá-los dos barulhos de fogos nos eventos e das baterias no carnaval? Será que vão mudá-los fazendo a proteção necessária pra evitar a fuga em massa pela tela e do sumiço deles em avenidas movimentadas? Quem vai mudar os gatos em segurança? Alguém já viu a prefeitura capturando gatos? Vai ter segurança 24h pra inibir abandono no local e a colocação dos gatinhos em risco? Vão levar os gatos do Campo de Santana pra lá, e como vão ficar os outros tantos que serão abandonados todos os dias no mesmo local? Algum programa pra inibir abandono lá? Por quanto tempo? Por quanto tempo esse lindo gatil vai permanecer beleza? Acham mesmo que quando passarem as eleições e não precisarem dos votos dos protetores ele vai ser bem acompanhado? Sinceramente. Não sou chegada a “seca pimenteira” mas , como uma gata, estou arisca a projetos eleitoreiros da prefeitura. Esse dinheiro estaria muito melhor empregado com uns 20 castra-móveis esterilizando bichinhos nas comunidades carentes e passando vídeos pras pessoas que aguardam na fila enquanto castram seus animais e de quebra para os curiosos que passam por lá. Vídeos que mostram a importância da esterilização, o crime que é o abandono de filhotes, que ensinem a população a ter respeito por outras espécies. INFORMANDO E EDUCANDO A POPULAÇÃO!
    Gastaram uma nota preta com esse projeto, que daqui a poucos dias será mais uma “Cidade da música” e desta vez que vai dançar mesmo são os gatos. Se os hospitais públicos estão nessa vergonha, o que esperar de um gatil depois das eleições?
    Pior, quantas colônias têm no Rio de Janeiro? As outras colônias também terão direito a esse lindo e comovente projeto gatal VIP, quer dizer VIC? Sinceramente, acho mesmo que é necessário um olhar mais vasto e de preferência projetado pra depois das eleições.

    Comentar ↓

    • Lilian, concordo sem tirar nem por com tudo que vc escreveu…se esse dinheiro fosse investido em castra-móveis e vídeos que mostram a importância da esterilização seria muito mais proveitoso. Os gatos têm que permanecer CASTRADOS em suas colônias. Abrigos aonde são confinados não funciona!!

  2. Um O.T. fora de série. Estou muito apaixonada pelos sete ou, melhor, pelos oito. Descobri esse site há 14 horas, me segurei, mas, com perdão da Cora, vou colocar aqui o atalho da jovem senhora Noodles e seus sevenkittens, que estão em Pittsburgh, no estado de Pennsylvania, nos EUA. A jovem senhora, cujos filhos, nasceram dia 7 de junho, são filmados 24 horas por dia. Hoje, nos horário em que acompanhei, a mamãe deu de mamar às 17h30, à 01h05 e agora, às 02h00. Ela não fica mais de 5 minutos e, enquanto mamam, ela dá banho neles. É apaixonante.

    http://revistaglamour.globo.com/Lifestyle/noticia/2012/06/bbb-felino-gatinhos-fofos-sao-filmados-24-horas-por-dia.html

  3. tanto recurso e empenho, que eles alegam que vão ter. agora vamos ver as outras colonias de gatos abandonados que eles não fazem NADA por elas e agora as vesperas das eleições prometem tudo isto para o gatil que vai dar visibilidade para a campanha do prefeito Eduardo Paes
    Sou voluntario do Campo de Santana há muitos anos, já dediquei muito tempo da minha vida pelos animais que são abandonadoslá, mas não posso pensar num local só e a prefeitura principalmente tem que vibializar politicas publicas para a cidade, para as dezenas de colonias de gatos pela cidade, e não focar em uma e o resto.. deixa para lá. Fora que o local é pessimo sim, quem achar que não fique no gatil no carnaval para acalmar os gatos. E o senhor Leonardo é advogado e não entende nada de gato e claro que vai querer vende o “peixe” dele para dar votos para o patrão…

  4. Sobre o gatil só posso dizer que fico feliz por vocês aí do Rio. E pelos gatos. Espero que essa estrutura perdure depois das eleições. Sorry pelo último comentário, mas estou pra lá de cética com nossos políticos e com atitudes legais em ano eleitoral.

    Quanto a novela, não lembro da primeira versão. Sempre estudei de manhã, e na época tinha horário pra dormir (21:30 hs), e mãe que não admitia discussões em relação a isso. Como era novela das 22 horas assistia só de vez em quando, quase sempre na casa de tios ou avós. Então não tenho como comparar, embora saiba que foi muito bem feita.

    Estou gostando dessa versão, apesar de alguns exageros. Acho que a Juliana Paes não é a Gabriela ideal, mas, das atrizes que a Globo dispõe atualmente é a melhor escolha. Pra mim ela passou da idade pro papel, a Gabriela era bem novinha no romance de Jorge Amado, devia ter no máximo uns 18 anos. Uma alternativa seria pegar uma novata pra fazer o papel, mas eles devem ter achado isso muito arriscado. E, como eu disse, das atrizes disponíveis na emissora, com tipo pro papel, ela é quem melhor se encaixa.

    Dos outros atores o que está pior é o Marcelo Serrado, que ainda mantém muitos dos trejeitos do Crô, o que deixa o Tonico Bastos com um jeito efeminado que ele não tem no livro.

    Fiquei feliz por terem mantido a trilha sonora original, acho que é o que mais me lembro da versão antiga (mesmo dormindo cedo acho que ouvia as músicas do quarto).

  5. Torço muito pra que dê certo. Concordo com o comentário do Cláudio Rúbio, de qualquer maneira as protetoras do Campo de Santana que fiquem atentas…

  6. cora, só para confirmar: temos mediação de comentários agora? fiz um que não apareceu… nem é importante (o comentário), é só para saber mesmo…
    []’s

    • Não temos mediação, continuamos com a caixa aberta — mas certas palavras são automaticamente interpretadas como spam. Como você falou em Viagra, o WordPress barrou o seu comentário…

    • Fico aqui pensando como pessoas que não sabem muito sobre comportamento de felino de colônias aderem rapidinho e esses “feitos” da Prefeitura. Sinceramente, vocês acreditam mesmo que isso vai funcionar? Alguém já visitou algum abrigo público? Mais simples ainda, já trabalharam em um hospital de PESSOAS público? Quero saber o que vai ser desses gatos nas mudanças de governos e quem vai cuidar da segurança deles nesse local tétrico, principalmente à noite, cheio de bandidos? Ontem à noite passei por lá. Sinceramente eu não gostaria de fazer um plantão naquele local. Quem vai acalmá-los dos barulhos de fogos nos eventos e das baterias no carnaval? Será que vão mudá-los fazendo a proteção necessária pra evitar a fuga em massa pela tela e do sumiço deles em avenidas movimentadas? Quem vai mudar os gatos em segurança? Alguém já viu a prefeitura capturando gatos? Vai ter segurança 24h pra inibir abandono no local e a colocação dos gatinhos em risco? Vão levar os gatos do Campo de Santana pra lá, e como vão ficar os outros tantos que serão abandonados todos os dias no mesmo local? Algum programa pra inibir abandono lá? Por quanto tempo? Por quanto tempo esse lindo gatil vai permanecer beleza? Acham mesmo que quando passarem as eleições e não precisarem dos votos dos protetores ele vai ser bem acompanhado? Sinceramente. Não sou chegada a “seca pimenteira” mas , como uma gata, estou arisca a projetos eleitoreiros da prefeitura. Esse dinheiro estaria muito melhor empregado com uns 20 castra-móveis esterilizando bichinhos nas comunidades carentes e passando vídeos pras pessoas que aguardam na fila enquanto castram seus animais e de quebra para os curiosos que passam por lá. Vídeos que mostram a importância da esterilização, o crime que é o abandono de filhotes, que ensinem a população a ter respeito por outras espécies. INFORMANDO E EDUCANDO A POPULAÇÃO!
      Gastaram uma nota preta com esse projeto, que daqui a poucos dias será mais uma “Cidade da música” e desta vez que vai dançar mesmo são os gatos. Se os hospitais públicos estão nessa vergonha, o que esperar de um gatil depois das eleições?
      Pior, quantas colônias têm no Rio de Janeiro? As outras colônias também terão direito a esse lindo e comovente projeto gatal VIP, quer dizer VIC? Sinceramente, acho mesmo que é necessário um olhar mais vasto e de preferência projetado pra depois das eleições.

  7. Ai, Cora, discordo de vc. “Gabriela” fez com que eu fizesse as pazes com as novelas , pois é a única a q assisto atualmente. O povo fala muito de “Avenida Brasil”, mas eu acho chata, escura,sei lá…Já “Gabriela” é meio lenta- no ótimo sentido- , com cenários lindos, já amo essa época, tá tudo bom demais…e os atores, ah, maravilhosos…

    • Eu concordo com a Cora, há muita exuberância pra novela de época.
      Mas, também concordo com a Patrícia, pois vejo como um remake adapatado aos tempos hodiernos.
      Já vi isto acontecer com livros adaptados para filmes.

  8. vi a gabriela original, não me lembro dos detalhes, mas sei que gostava muito. eu morava em república, a gente era contra “tudo isso que está(va) aí”, incluindo a globo, mas quase ninguém resistia, só mesmo os muito radicais, equivalentes aos futuros membros do pco. só ontem vi um pouco da nova e, do que vi, concordo com você, principalmente com relação ao luxo exacerbado do bataclan. outra coisa que notei foi o furor sexual dos velhinhos, ainda mais considerando que na época não existia viagra; as “meninas” estavam fazendo greve e os velhinhos estavam todos subindo pelas paredes.
    []’s

  9. Oi, longe de querer ser o auditor de contas da prefeitura, mas li no GLOBO que o tal gatil custou R$ 400.000,00. Não conheço, não vi e nem sei a dimensão do projeto, mas vale os R$ 400.000,00 ???

    • Não sou especialista em custos de construção, mas se a gente pensar que R$ 400 mil é o custo de um quarto e sala em Copacabana ou Botafogo, o dinheiro não é um despropósito.

        • pois é, concordo com a Cora. achei modesto esse orçamento. lembro-me de ter visto a Prefeitura de São Paulo (minha terra, ai que vergonha) publicar orçamentos de bem mais de 1 milhão, só para limpar praças. e olha que tô falando dos tempos da Dona Marta na prefeitura (2001 a 2004), hein… de lá pra cá, deve haver aumentado muito.

  10. Novelas já não vejo há muito tempo. Assisti a primeira versão e na época gostei muito.
    Quanto ao gatil, que ótima notícia. Que os gatinhos tenham daqui pra frente uma vida digna e, concordando com o Cláudio Rúbio aqui acima, as cuidadoras fiquem de olho – acho que elas vão ficar mesmo. quem fez esse excelente trabalho por todos esses anos, não vai simplesmente sumir de cena 😉

  11. Parabéns por terem conseguido um gatil digno para os bichinhos. Agora, resta a vocês ficarem de olho na inspeção. Ótima notícia.
    Quanto à novela, assisti muito pouco a original, mas lembro-me que era bem interessante. Na década de 1980, a TV Bandeirantes exibiu uma novela cujo cenário explorava os costumes e fatos da região, por causa do petróleo. Nessa época, eu tinha aula de Cultura Brasileira com a professora baiana Jerusa Pires Ferreira. Nas férias, ela foi à sua terra e queria assistir à novela da Band. As pessoas que trabalhavam na casa de seus pais, não queriam. Diziam: “doutora Jerusa, todo esse povo, a gente abre à porta e vê. Nós gostamos de ver as novelas da Globo porque tem gente, roupas e cidades lindas. Não tem miséria, não!…”.
    O mesmo ocorreu com uma TV do interior de São Paulo, cujos programas não eram vistos porque as roupas mostradas havia para venda na cidade. As telespectadoras queriam ver o Rio de Janeiro, as praias, as badalações e as roupas mais ousadas, mas que não eram vendidas na cidade.
    Talvez essa seja uma das razões para a Globo “enfeitar” tanto a dita novela. Afinal, ninguém se identifica com o que é. As pessoas se acham sempre melhores e mais perfeitas do que na realidade o são.

  12. que boa notícia! um abrigo para os gatinhos é uma bênção. parabéns aos bichinhos.

    parabéns a prefeitura, pelo que fez, e um apelo para que não dê o trabalho por terminado, mas apenas por começado. abrigo não é depósito, gato não é coisa, vida – mais que qualquer negócio – pede muito mais que simples manutenção. em nome dessa vida, desejo-lhes sucesso daqui pra frente.

    e à sociedade – que antes fazia tudo sozinha, aos trancos, entre desespero e alegrias, no Campo de Santana – meu desejo sincero de que – ainda mais que a prefeitura – fiquem alertas e não parem de trabalhar. estejam conscientes de que a prefeitura não vai fazer o trabalho que vocês fizeram durante anos, não esmoreçam porque prefeitura nenhuma assume tanta responsabilidade por tanto tempo – e por isso mesmo, tudo o que é exclusivamente dado como responsabilidade dos governos degrada-se, corrompe-se, apodrece, aceleradamente -: permaneçam vigilantes e – se possível – ativos!

    assumam a corresponsabilidade, dividam os serviços, encarem o novo espaço e os novos recursos apenas como uma ajuda ao trabalho que faziam antes. não entreguem o espaço para a prefeitura, nem por comodismo nem por submissão, porque será um erro se o fizerem.

    diante de todos os problemas do mundo, os responsáveis somos nós – os legítimos representantes da sociedade, onde quer que estejamos – e não o governo, porque este só chega, a custo, onde a sociedade o leva, a tapas.

    parabéns à prefeitura, que não fez nada além do que deveria ter feito já há muito tempo, e que não desanime, porque ainda há muito mais por fazer. é isso aí, acertaram, ficamos felizes, mas satisfeitos estamos muito distantes de ficar. (acho que deveria ser por aí o recado dos voluntários do Campo de Santana e de todos os conscientes representantes da sociedade que não cessa de descartar os gatos ali.)

    (particularmente, vigiem muito mais que antes o que se vai fazer com os gatos que chegarem ao Campo de Santana depois da transferência dos atuais moradores. porque duvido que a parte sem consciência dessa mesma sociedade da qual vocês fazem parte vá deixar de despejá-los ali, duvido que a prefeitura vá fazer continuamente a transferência dos gatos de um ponto ao outro, e, desconfiado da maldade institucional – cristalização da maldade individual de cada um -, temo que muitos novos gatinhos sejam jogados no Campo de Santana e desapareçam sem chegar a lugar nenhum. vigiem. questionem sobre o que vai ser feito daqui por diante com os gatos que chegarem ao Campo de Santana, antes que alguém entenda que – agora que ninguém mais olha para lá – gatos possam ser confortavelmente transformado em cadáveres ou carne barata.)

    parabéns! parabéns! e parabéns! mais um passo lindo, nessa caminhada.

    quanto a Gabriela, pouco vi da primeira vez, porque era tarde e em casa sempre dormimos cedo, e agora não vi nada, que sem a mamãe em casa as novelas todas ficaram bem menos interessantes.

  13. Sobre o gatil, estava aguardando o seu comentário, desde que vi a notícia publicada no Globo. Sobre a novela: faço minhas as suas palavras, e acrescento que não me conformo com o sotaque baiano do turco Nacib. Por outro lado, agradeço ao Mariozinho Rocha ter mantido, na medida do possível, a trilha sonora original, especialmente “Porto”, do Dori Caymmi, com a mesma gravação do MPB4, uma das mais bonitas que já se fez por aqui…

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