Motorola Xoom 2

Até pouco tempo atrás, a pergunta que eu ouvia com mais freqüência era: “Devo comprar um tablet?” Essa questão, aparentemente, já passou em julgado. A pergunta mais freqüente agora é: “Qual tablet devo comprar?” Não é tão fácil responder a isso. Tablets são objetos de uso pessoal, quase íntimo. A escolha de um ou de outro modelo passa por uma série de quesitos, de preço a simpatia pela marca. Em linhas gerais, porém, é seguro sugerir que o tablet a ser comprado tenha o mesmo sistema operacional do smartphone do comprador. Em outras palavras, se você tem um iPhone, vá de iPad; se tem um celular Android, vá de Android, se possível do mesmo fabricante do seu aparelho (desde que, naturalmente, esteja satisfeito com ele). A razão é simples: não faz sentido passar o dia se dividindo entre SOs diferentes.

Acabo de passar duas semanas brincando com o Android mais recente a desembarcar no Brasil, o Motorola Xoom 2, um tablet elegante, de cantos chanfrados e laterais emborrachadas. A pegada é ótima e, graças ao emborrachado, ele não desliza com facilidade em superfícies lisas, o que é um grande ponto positivo, sobretudo para usuários estabanados, com tendência a derrubar objetos.

Ao contrário de seu irmão mais velho – que foi o primeiro tablet Android a chegar ao mercado – ele chama a atenção pelo peso: é muito leve e, consequentemente, confortável na mão. A título de comparação, o primeiro Xoom tinha 730 gramas, ao passo que o Xoom 2 tem pouco mais de 600 (o novo iPad tem 650). A tela de 10”1 é clara, impressiona bem e faz um bonito exibindo filmes.

A entrada para o som (que é ótimo) fica na parte de cima; na parte de baixo, ele tem entradas micro USB (que serve também para o carregador AC) e micro HDMI. O Xoom 2 tem ainda conexão Bluetooth e um sensor infravermelho, que permite transformá-lo num controle remoto gigante para diversos aparelhos. Rodando a versão 3.2 do Android (conhecida como Honeycomb), ele é bem mais rápido do que seu antecessor, graças a um processador dual core de 1.2 GHz.

A câmera é razoável, muito embora até hoje eu ainda não tenha descoberto para que serve uma câmera traseira num tablet, exceto para pagar mico em lugares públicos.

A bateria foi uma surpresa agradável. Resistiu a intensas partidas de Fruit Ninja e Bejeweled e a longas sessões de Instagram e Draw Something, temperadas com idas ao Twitter e consultas ao Gmail, mais um episódio diário de House ou Mad Men. Com tudo isso em uso, chegou a emplacar algo na casa das dez horas.

Como a maioria dos tablets Android, e ao contrário do iPad, ele foi feito para ser usado na horizontal, no sentido paisagem, o que faz sentido para quem pretende assistir vídeos e filmes no tablet, mas atrapalha um pouco a quem já está acostumado com o modo retrato dos smartphones, ou quem prefere usar o tablet para ler livros ou revistas. Onde fica essa atrapalhação? Nos botões de liga/desliga e de aumento de volume, muito bem colocados ao alcance da mão direita na posição horizontal, mas incomodamente localizados na parte de baixo do aparelho quando ele é posto na vertical.

O Xoom 2 vem com uma boa quantidade de aplicativos e de widgets pré-instalados (Quick Office, GoToMeeting, GTalk, Livraria Saraiva, Netflix, entre outros); tem um bloquinho de notas muito prático, sempre presente e no qual se pode escrever à mão; e uma boa novidade da Motorola, chamada Motocast, que permite a conexão entre o tablet e o PC através de uma rede wi-fi.

O Android ainda não tem tantos aplicativos quanto o iOS, e a Google não seleciona tão bem quanto a Apple os desenvolvedores que admite na sua loja, mas não houve uma coisa que eu quisesse fazer com o Xoom 2 que não conseguisse. A “experiência” do iPad — que afinal é a grande referência no mundo dos tablets — é mais redondinha e intuitiva; mas o tablet da Motorola fez notáveis progressos em relação à sua primeira versão, e é um aparelho de valor.

(O Globo, Economia, 16.6.2012)

Anúncios

22 respostas em “Motorola Xoom 2

  1. Tenho um Xoom e agora comprei um IPad “3”. Sendo assim, posso falar com conhecimento de causa: me desculpem os amantes da Motorola, mas a Apple dá de 10.
    A única coisa que sinto falta é o formato da tela, mas o resto não dá nem para comparar.

    • O motorola xoom foi lancado em fevereiro de 2011 e o ipad 3 em marco de 2012. Acho que nao da mesmo para comparar.

      • Realmente comparação é realidade sem existe dos tablets de hoje para com os do passado, porém, a Motorola trabalha sobre o custo e qualidade que Ipad superar em tudo, no entanto, o preço aqui no Brasil faz muito diferença na hora da compra – Então!! 100% XOOM 2…

  2. Pergunta de uma leiga: tablet tem entrada USB ? Posso transferir fotos de um pendrive para ele?
    Trabalho com móveis e na verdade só precisaria de um se pudesse mostrar as fotos rapidamente quando chegasse ao cliente.
    Antecipadamente agradeço muito sua resposta pois confio demais em você.
    Beijos para você, pro Toró e para o resto da “tchurma”.
    Ana Lúcia

    • Os tablets que têm entrada USB usam micro-USB, isto é, aquelas entradas bem miudinhas. Você precisa de um adaptador para fazer a transferência. Eu acho mais simples passar tudo pro computador e, de lá, para o tablet.

      • Cora, desculpe, sem querer me meter e já dando um pitaco, ela não poderia fazer uso de um Micro SD (cartão de memória!) como um pen drive? Ficaria bem fácil através de um adaptador ou também usar Wi-Fi!

        OBS: Embora não tenha nenhum Tablet atualmente, ainda acho que a transferência via PC seria mais fácil. A opção seria caso ela não estivesse o tempo todo com o tablet e poderia transferir todo o conteúdo depois sem a intervenção ou necessidade de um PC! Abraços!

  3. Cora querida,

    concordo que é irritante pressionar o botão de liga e desliga ou de volume inadvertidamente durante o uso na posição paisagem, Não sei exatamente onde ficam esses botões no Motorola Xoom, mas resolvi o problema (no Samsung Galaxy) rotacionando o brinquedo no sentido oposto, de forma que os botões fiquem para cima.

    Beijos

    MT

  4. Boa análise Cora e dá para entender porque o Android vem crescendo tanto a cada dia que passa. Afinal, fica muito difícil para a Apple sozinha concorrer com Samsung, Sony e Motorola, por exemplo, que inundam o mercado com seus ótimos modelos.

    Continuo sem achar uma utilidade para esse tipo de tablet, que em essência não passa de uma espécie de netbook sem teclado. Mas me rendi ao ótimo Kindle Touch, que usado com o bom programa Calibre (que transforma qualquer texto em arquivo para o leitor da Amazon), permite uma leitura agradável e realmente portátil.

    No fundo mesmo, a questão é saber o que realmente precisamos, não é mesmo? Um beijão.

Diga lá!

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s