A vida secreta do blog

Às vezes a gente acha que está tudo na santa paz dos posts mais antiguinhos, e que eles dormem o sono dos justos — apenas para se surpreender com longas conversas que continuam, semanas após a postagem. Isso aconteceu recentemente com o post dos celulares em aviões, e com o perfil da Lilian Queiroz, onde o veterinário Eugenio Henriques fez observações respondidas por Lilian e por outras pessoas. Como o papo está bom, resolvi traze-lo para cá.

O que disse o veterinário:

“Não quero ser do contra, mas vejo esse tipo de situação com frequência e em muitos casos, as boas intenções não bastam. Eu antes de mais nada quero esclarecer que adoro animais e admiro as pessoas altruístas que tentam mudar o mundo para melhor. Que cães e gatos sempre fizeram parte da minha vida e esse foi um dos motivos que me fizeram escolher a medicina veterinária como profissão.

Exerço a profissão há 22 anos e vejo o problema dos animais abandonados longe de uma solução razoável, porque a maioria dos envolvidos é motivada apenas pela emoção e só enxerga o que está na superfície. É comum portanto, ver que os interesses dos ditos protetores frequentemente estão em conflito com as questões da saúde pública ou dos aspectos epidemiológicos de doenças infecciosas e parasitárias das espécies animais envolvidas.

Gostaria então, de alertar e deixar para a reflexão os seguintes tópicos que considero importantes:

1- A adoção de colônias em determinados espaços urbanos como o citado no texto é um risco para a disseminação de graves doenças emergentes. Um exemplo disso é o que costumo observar na Barra da Tijuca onde junto ao Canal de Marapendi, uma colônia de gatos é alimentada e cuidada por protetores A ração que sobra é “compartilhada” por outras espécies, principalmente gambás e capivaras, o que torna propício o ambiente para o surgimento de focos de febre maculosa (as capivaras são reservatórios e basta apenas o aparecimento de carrapatos para fechar o ciclo). Nesse mesmo local, várias crianças passam de chinelo a caminho da praia e não é difícil que pisem em fezes de gatos, gambás, capivaras, pombos, ratos e etc. São inúmeras as doenças que podem ser transmitidas por esse tipo de situação. É bom lembrar que onde tem lixo, abrigo e alimento disponível haverá a incidência de pragas urbanas.

2- O recolhimento de gatos em abrigos ou centros de triagem favorece a disseminação de doenças infecciosas entre os próprios gatos recolhidos. Doenças como a Leucemia Felina (FeLV), Peritonite infecciosa felina (PIF) e Imunodeficiência Viral Felina (FIV ou AIDS felina) têm aumentado drasticamente a incidência nos últimos anos. Basta juntar os gatos no mesmo lugar que a natureza faz o resto. Quem adota um gato de abrigo não testado sorologicamente para essas doenças, corre o risco de se deparar com um soropositivo e muito provavelmente, uma rotina de frustração e sofrimento de um animal condenado à morte. Ainda hoje não existem tratamentos eficazes para essas doenças e o que vai acontecer nos próximos anos será uma adaptação do vírus à população de gatos. Uma parcela considerável dos gatos geneticamente sensíveis à infecção deverá sucumbir. Quem que já teve um gato com uma dessas doenças sabe do que eu estou falando. Ainda bem que alas não infectam seres humanos.

3- Os gatos portadores dessas doenças que desenvolverem quadro de imunossupressão, comumente desenvolvem outras doenças oportunistas que podem ser transmitidas para os seus donos. O risco de transmissão de zoonoses (doenças transmitidas dos animais para o homem e vice versa) aumenta de forma considerável. O Rio de Janeiro vive hoje uma epidemia (epizootia) de esporotricose provavelmente relacionada ao aumento da FIV, FeLV e PIF. A esporotricose é uma doença fúngica que pode ser transmitida para humanos e causa graves lesões que levam meses para curar. O pior é que os médicos têm dificuldade de diagnosticar a doença na rotina ambulatorial.
Outras doenças como toxoplasmose, clamidiose, giardíase, dermatomicoses, estão entre algumas dezenas de possibilidades de zoonoses transmitidas ao homem.

O recolhimento de animais de rua parte é parte importante do processo de controle, mas a questão principal que deve ser abordada é a da posse responsável. É importante educar as pessoas e conscientizar aquelas que pretendem ter um animal para que busquem informações sobre o melhor animal para o seu estilo de vida.

Como diz uma propaganda de ração, ter um animal em casa é tudo de bom. Vale tanto para cães como para gatos, mas eu devo lembrar que isso é fato desde que eles recebam os cuidados e a atenção necessária.

Nota: Moro num apartamento com minha esposa, minha filha de 11 anos e meu filho de 3 anos que convivem com 2 gatos que foram recolhidos na rua e fazem parte da família.” (Eugenio de Oliveira Henriques)

O que disse a Lilian — que, convém lembrar, também é uma profissional da área da saúde:

“Acho que está passando da hora da Medicina Veterinária deixar um pouco de cuidar da Saúde pública e cuidar dos animais, que são os seus verdadeiros clientes. Pelo seu raciocínio, Eugênio, teremos que varrer da natureza o homem, o maior vetor de doenças do planeta, que com sua ganância consegue desequilibrar todo um ecossistema perfeito e maravilhoso. O que torna o gato ou qualquer animal vetor de doenças é a irresponsabilidade humana. Se tudo estivesse em equilíbrio na natureza, nada disso estaria acontecendo e não foram os bichos que iniciaram esse desastre. Eles não poluem, não degradam, não emporcalham e nem tem uma visão antropocêntrica do universo.

Se formos pensar em Zoonoses, teríamos que acabar primeiro com as comunidades carentes, onde 5 ou mais pessoas dividem um mesmo quarto, muitas vezes com uma só janela mínima, sem ventilação, o que é um grande vetor de doenças. As pessoas que vivem lá entram em nossas casas. Temos uma enorme comunidade na Zona Sul que é o maior foco de tuberculose do Rio de Janeiro. Como poderemos sair às ruas, se por um espirro podemos contrair o H1N1, ou a meningite? E entrar em ônibus lotados que circulam pessoas cheias de viroses, e por aí vai…

O que deixa os humanos susceptíveis a doenças é a nossa má alimentação, hábitos deletérios, o estresse da vida urbana, o sedentarismo, que cada dia nos deixam mais imuno suprimidos.

O mesmo acontece com os animais.

Confinados em abrigos, eles passam todas essas doenças uns para os outros, além de perderem suas vidas trancafiados, sem direito a liberdade, sol, ar, verdes, sem direito à vida. Isso não é justo.

Está mesmo tudo errado, sem saída, sem luz no fim do túnel.

O que realmente é inadmissível, é que os animais paguem o pato, por toda a nossa ganância, egoísmo e irresponsabilidade.

Existem sim, Eugênio, pessoas simples e de bom coração, que colocam comida para os animais de uma forma incorreta, ou guardam os animais, das maldades do mundo, da forma errada, por falta de informação. Taí mais uma coisa que os Veterinários poderiam fazer para um planeta melhor – informar – ajudando a fazer da forma certa, tirando apenas uma tarde por semana de seus consultórios lotados de bichinhos doentes, muitos deles levados por um protetor ou que foram adotados através deles.

Junte se a nós Eugênio, com os seus 22 anos de experiência, e agregue valores para um mundo melhor. Seu conhecimento bem usado pode ajudar os animais a ficarem livres de muitas zoonoses, que não são causadas por outro vetor que não seja o próprio homem.” (Lilian Queiroz)

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32 respostas em “A vida secreta do blog

  1. Bom, pra mim, é uma questão binária: ou os bichos abandonados ficam soltos, ou são recolhidos. Não existe meio termo. Quer saber como é onde são recolhidos? Fácil! Aqui nos EUA são todos recolhidos e, como não há espaço nem verba para milhares de animais abandonados, são mortos dentro de pouco tempo: eutanásia neles. Acho que ninguém que goste de animais consegue concordar com isto, por mais racional que seja.

  2. Achei bacana a posição do Eugênio. Não acho que ele seja contra nada, só possui uma interpretação diferente sobre o assunto. Vejam bem, ele não é contra os bichos, só informou sobre informações ignoradas por muita gente.

    Talvez o governo motive-se mais pelos pontos salientados por ele do que pelo carinho pelos animais, coisa que nunca teve nem devemos esperar que tenha.

    Quem sabe a esperança não mora justamente aí? Já que a SEPDA não funciona, quem sabe a dos “humanos” faça sua parte e ajude os animais também.

    • Concordo com o Fernando d’Aquino: a leitura que fiz do Eugênio foi justamente a de uma pessoa que gosta de bicho e gente (“adoro animais e admiro as pessoas altruístas que tentam mudar o mundo para melhor”), e cabe aqui um grifo meu: pelo que entendi, ele adora animais e pessoas AO MESMO TEMPO.

      Aliás, o veterinário que não tem o perfil do Eugênio – simultaneamente solidário a animais e humanos – não poderia exercer de forma minimamente eficaz a sua profissão, porque, ao contrário do que diz a Lilian quando escreve que os verdadeiros clientes do veterinário são os animais, o bicho-homem ainda é interface obrigatória entre o veterinário e o animal sob os seus cuidados. Ou seja: não poderíamos trabalhar se a espécie humana fosse varrida do planeta, mesmo senda ela a mais bagunceira e lambona de todas. Juro que não interpretei o Eugênio como um varredor de espécies do planeta, e confesso que li e reli algumas vezes o que ele escreveu para ver se encontrava nas entrelinhas qualquer traço disso. Não encontrei.

      No longo tópico da Saúde Pública, tenho a dizer, em defesa não do Eugênio, mas da classe, que o médico veterinário é um profissional de Saúde Pública por definição pela simples natureza das relações que o ser humano mantém com os animais, seja por ter domesticado e trazido para seu convívio algumas espécies, seja por ter subtraído o habitat de outras. Quando nós vacinamos nossos pacientes regularmente contra doenças como a raiva e a leptospirose, ou quando tratamos de pacientes com todas as outras doenças que o Eugênio citou (micoses, verminoses, etc), estamos exercendo – sem qualquer alarde ou heroísmo – essa faceta “saúde pública”, que eu nunca pensei que pudesse ser interpretada como algo vil ou indesejável. Aliás, eu vejo uma confusão recorrente entre os termos saúde pública e extermínio de animais. Recordando-me agora de um exemplo midiático e assombroso do fim do século passado, quando o mal da vaca louca assolou a Europa, culminando com a morte e incineração de montanhas de ruminantes, eu até compreendo a confusão. sobretudo, eu compreendo – e respeito – a Lilian. Acho importante que exista alguém como ela lutando incansavelmente para apontar um dos extremos, pois é no meio deles que encontra-se o idílico caminho do meio: um lugar onde animais e pessoas convivem pacificamente. E onde ninguém corre o risco de ser varrido de lugar algum.

  3. Nunca passei pela tristeza de perder gatos com PIF, FIV ou qualquer outra dessas doenças terríveis. Por outro lado, nunca deixei de acolher gatos que se apresentaram em minha casa, sem saber de onde vieram. O primeiro foi posteriormente morto por um ex-caseiro vingativo – devidamente castigado por um ser maior quando foi morto durante assalto que praticava , o meu saudoso Miau, que só ficou comigo pouco mais de ano e morreu de falência renal e agora a Mishiko, mãe dos lindos Sushi e Sashimi. O Miau pode ter vivido pouco, mas alegrou a nossa casa e teve um final de vida feliz, alimentado, tratado, amado. A Mishiko veio pedir socorro com fome, grávida, provavelmente descartada por alguém que não teve o cuidado de castrá-la e não quis ter o trabalho de cuidar dela e dos bebês. Não fiz nenhum teste nela, porque independente do resultado eu não a abandonaria. Hoje ela e os 2 bbs foram ser castrados e eu os adotarei. Com esses minha familia felina vai a 7. São muitos, corro o risco de ser chamada de “a louca dos gatos” mas, quer saber, não estou nem aí! rsrsrs Vergonha é participar de mensalão, é esquartejar marido pelo dinheiro, é não ter compaixão pelos animais. Ser louca por animais é o que me dá mais prazer e satisfação na vida!

  4. Pelo visto, “Vida Secreta…” vai render muitos outros posts. Estão de parabéns, a colunista e os participantes. Estou aprendendo muito com esse debate. Obrigada a todos.

  5. Acho que serei execrada, jogada aos radicais leões defensores dos animais, mas, mas o veterinário Eugenio Henriques está com toda razão, desde que se leia o que ele escreve sem paixão exacerbada, sim, ele é racional e até justo, somos muitos,somos passíveis de viroses e tais e coisas, precisamos de medidas para tudo, ele está certo, sem sombra de duvida.
    E, Eugênio,de Jared Diamond estou lendo colapso, pretendo ler Armas, Germes e Aço assim que der, bons livros.
    E é isso,eugenio está certo,leiam e pensem.

      • Para a prática da caridade não há obstáculo. Quando se pensa em ajudar mendigos, ninguém pensa em doença. Por que pensar, criar obstáculos, quando o assunto é animal???
        Portanto, perdão, mas discordo do seu comentário.
        São Francisco de Assis cuidava dos leprosos e jamais se preocupou em ficar doente. Naquela época não havia os recursos da medicina que há hoje. Portanto, quem ama, enfrenta todas as dificuldades, principalmente, em relação aos animais. Acho que o veterinário em questão está na profissão errada.

        GILBERTO PINHEIRO/jornalista e músico

  6. Apoio totalmente o trabalho da Lilian. E como tudo o que gostaria de dizer em apoio a ela já foi dito acima, acrescento apenas: com doença, sem doença, no dia que eu passar pela rua e ver um gato ou cachorro com fome, machucado, e não fizer nada, mereço pegar todas as doenças enumeradas pelo Dr. Eugenio..a doença está dentro do homem, o intitulado “animal racional”. Racional? Pois sim…

  7. Parabéns pela publicação. Dra. Lilian está de parabéns pelo trabalho, dra. Preci,, também , pela lucidez de seu comentário.

  8. A Lílian, sem dúvida, faz um trabalho notável, onde muitos podem se espelhar. A preocupação do médico veterinário parece- me um tanto exagerada, haja vista que se pensarmos como ele enfatiza teremos que largar os animais por aí, deixá-los morrer à míngua. O maior transmissor de doenças graves é o ser humano, sem dúvida. E nem por isso iremos olhar com preconceito uma pessoa infectada por vírus agressivo de determinadas doenças, como a tuberculose, causada, em muitas casos pela miséria recrudescente que assola o mundo, onde os próprios humanos, por sua ganância, criam condições adversas para a propagação dessa e outras doenças.
    Temos que pensar menos e sentir mais. A emoção, o sentimento precisam ser mais fortes e pensar em ajudar e jamais criar obstáculos. Quem ama, não se preocupa se o animal irá transmitir essa ou aquela doença. Antes do carnaval, eu levei um animal de rua com a orelha esquerda totalmente tomada de bichos, estando ele todo sujo, mal cheiroso. Eu estava sem carro e o levei nos braços. Honestamente, não me preocupei se eu seria mordido por ele, ou se poderia me contaminar com alguma doença que ele estivesse acometido. Quando a gente pensa no bem isso fica em plano secundário. Ele foi salvo, graças ao coração generoso de um veterinário e sua esposa que tudo fizeram para ajudá-lo, Ficou em estado muito ruim durante dias. Medicou-o devidamente e hoje está completamente curado. Tomou muito antibiótico, vacinas, perdendo a orelha e ficando surdo. Mas, continua muito saudável e foi adotado pelos próprios veterinários que não me cobraram um tostão sequer. Portanto, peço desculpas ao ilustre veterinário que contesta a Drª Lílian mas esse é o verdadeiro caminho da bondade e da redenção animal: ajudar!
    Eu não conheço ninguém que tenha se contaminado, ficado doente por ajudar gatos nas ruas, cachorros abandonados. Quem pensa no bem,não tem tempo para encontrar desculpas. Abraços à drª Lílian que faz um trabalho fabuloso em prol dos nossos irmãos os animais.

    GILBERTO PINHEIRO/jornalista e músico

    • Gilberto, entrei aqui para falar algo muito semelhante ao que disse aqui. Faço minhas as suas palavras e sinto exatamente o que você sentiu… Obrigada por ser como eu.

      • Gilberto,
        Se você tivesse lido o que eu coloquei anteriormente sobre a nota técnica 06/2012 da Subsecretaria de Vigilância em Saúde do Estado do Rio de Janeiro.emitida em 17/05/2012 não teria escrito o último parágrafo.
        Infelizmente o Estado do Rio de Janeiro lidera a estatística dos casos de febre maculosa e desde 2007 foram 135 casos, e a taxa de mortalidade de 46,3% nos 54 casos confirmados. Foram 5 óbitos em 2011 e 2012 somente no Município do Rio de Janeiro e todos eles OCORRERAM COM TRABALHADORES DA SUIPA – Sociedade União Internacional de Proteção Animal.
        Será que essas pessoas tinham família? Será que tinham filhos que ficaram desamparados? Será que essas mortes poderiam ser evitadas?
        Será que novas mortes podem ser evitadas?
        Acredito que sim e é por isso que continuo digitando isso.
        Como em qualquer atividade profissional, existem riscos ocupacionais. Riscos que todos os veterinários, protetores, funcionários de clínicas e de abrigos têm obrigação de conhecer para que estejam mais seguros na sua rotina diária.
        E então? É certo mandar um funcionário limpar um canil de um animal suspeito de leptospirose calçando apenas um chinelinho?
        Sugiro que você dê uma olhada nas estatísticas da leptospirose.
        A meu ver, todos deveriam dar maior atenção ao assunto para protegerem as suas próprias vidas.
        O uso de equipamentos de proteção individual, a imunização prévia contra o tétano e a raiva de todos os envolvidos, assim como treinamento específico para a prevenção de acidentes também devem ser adotados.
        Tenho a certeza de que protetores e veterinários estão do mesmo lado, e não vejo a necessidade de conflito. Basta que a desinformação seja vencida e que o bom senso prevaleça.

        Você pode conferir parte do documento citado em:
        http://linkambiental.blogspot.com.br/2012/05/atencao-febre-maculosa-brasileira-se.html

    • Concordo, Gilberto. Tem um casal de pombos azuis que se alimentam no meu jardim, juntamente com uma familia de jacús e mais uma enorme variedade de pássaros. Todos limpos, bem alimentados, vivendo livres, não apresentam nenhum risco a ninguém.

  9. Eu não havia reparado que o assunto já estava no início do Blog e continuei respondendo lá embaixo. Quero esclarecer que ao participar, fiz com o intuito de acrescentar informações e não de criticar. Não imaginava que fosse causar tanta reação.
    Sinceramente acredito que as pessoas podem ter opiniões diferentes e isso é o que faz a sociedade organizada evoluir. Aliás a ciência evolui dessa forma e a afirmação de hoje pode servir de base para uma pesquisa com resultados totalmente diferentes no futuro.
    Se a questão nesse caso é proteger os animais de rua, temos que enxergar além do que está a nossa frente.
    Concordo com a Dra Lilian que o maior problema é a ganância humana, que desenfreada gera danos ambientais e toda essa desigualdade social com os efeitos colaterais que vemos diariamente nos jornais. E a tendência é piorar.
    Admiro por parte dela, a capacidade de se organizar e fazer alguma coisa para mudar a situação atual, mas em relação à questão da saúde pública mantenho as minhas afirmações.
    Se as pessoas vivem hoje mais de 30 anos do que viviam no final do século XIX, temos que agradecer aos avanços da ciência na área de saúde pública e epidemiologia.
    Quero reafirmar que, no que eu puder e dentro das minhas possibilidades, estarei à disposição para ajudar, como aliás a maioria dos veterinários faz.
    Um abraço a todos.

    Respondi alguns questionamentos na postagem original que podem ser mais esclarecedores.

  10. Sobre a Lilian só posso dizer que, testemunhar o seu trabalho, é algo que deveria ser obrigatório para a “humanização” de quem se perdeu pelas vielas da vida.
    Precih=Perfeita
    Lendo seu post lembrei do comentário sobre os gatos leucêmicos. Dr Eugênio, o senhor prega a eutanasia nesses casos??!!!
    Por favor!!! Conheço inúmeras pessoas que adotaram gatos positivos e não vivem uma “rotina de frustração de um animal condenado à morte”. Aliás, condenados à morte estamos todos. Com certeza muitos outros, animais e humanos, morrerão por diversos outros motivos antes destes “condenados à morte”.
    O trabalho realizado na ABM é excelente, não há risco de crianças pisarem em fezes de animais, a não ser as que os humanos não recolhem ao passear com seus cães. Gatos enterram suas fezes e o local onde eles ficam é fora da via pública, próximo ao canal fétido que as autoridades ignoram e que, se não está tomado de ratos, é graças a presença dos…bom…o senhor sabe de quem…

  11. Lilian

    Respondeu linda e tecnicamente. É lamentável qualquer pessoa dar a entender que um animal possa ser uma fonte espontânea e inesgotável de doenças. Lembro quando socorri um pombo e me disseram que poderia me transmitir diversas doenças – respondi na hora – ué, os humanos também não transmitem diversas doenças? Quem dera fossem só os pombos, talvez um dos mais estigmatizados.

    O paradigma antropocêntrico, lamentavelmente, impera. Essa será nossa ruína.

    parabéns

    bjs

    Julio

  12. Dr Eugênio, boas intenções não bastam, mas já são um começo. E muitas vezes bastam, sim.
    Porque, neste caso especifico, as boas intenções vêm sendo acompanhadas de ações.
    Ações que, diga-se de passagem, têm levado inúmeros novos “clientes” aos consultórios e clinicas veterinárias. Em muito maior número do que os que “fabricam” animais colocam.
    Sabemos que boas intenções não bastam. Desde a época de Jesus: Paulo nos alerta que a Fé sem obras é vã.
    Por isso arregaçamos as mangas, abrimos o bolso e passamos a fazer aquilo em que o poder público se omite: esterilizar, buscar adotantes responsáveis, controlar colônias, prover a alimentação e os cuidados necessários.
    Tenho certeza que a maioria dos seus colegas apoia nosso trabalho e o convido a agregar profissionais da medicina Veterinária a ele: cobrando preços diferenciados, abrindo mão de lucros e até doando serviços, assim como nós doamos, inúmeras vezes, o fruto do nosso trabalho.
    Estamos do mesmo lado. Pelo menos penso que sim.
    Marcia Valente

  13. Faço minhas as palavras da Dra Preci e da Dra Lilian. A arrogância humana em relação aos outros animais é imensa. A Terra não nos pertence, pertence à toda a criação.

  14. Não seria maravilhoso se pudéssemos contar com pessoas como a Dra. Lilian nos quadros de nossas secretarias de saúde?

  15. Já estava “de quatro” pela Dra. Lilian e agora mais ainda ! Parabéns, pela sua resposta tão
    cheia de sentimento, que é o que move todos nós que gostamos e tentamos fazer o que
    podemos para proteger os bichinhos de um destino cruel. Conheço uma pessoa (Paulo Rodrigues), que por sinal se manifestou na belíssima coluna da Córa e que diariamente ( pela manhã e à noite) alimenta vários gatinhos na Barra. Sem sombra de dúvida, se não fosse por essa ajuda vários deles já teriam morrido. Ele alimenta, providencia a castração e cuida quando estão doentes. Se cada um fizesse isso (em vez de disseminar terrorismo…), muito sofrimento seria poupado aos nossos amiguinhos.
    Dra. Lilian, sou sua fã !!! Que Deus a abencoe !
    Vera Scheidemann

    • Parabéns a Cora pela matéria e para Lilian que merece tudo o que está escrito nela
      Fiquei preocupada com o comentário abaixo do vet. Eugenio que acredita ter uma visão abrangente do complexo problema de animais de rua. Não tem!
      1.Pq existem animais em vias publicas? Pq aí foi abandonado por algum humano. Qual a punição para este humano? Até hoje nenhuma!
      2.Pq abundam animais não esterilizados nas chamadas colonias? Pq a esterilização por vets é caríssima (no minimo 400-500 reais a fêmea). Ah, sim tem uma Secretaria, que quando implantada era de Defesa dos Animais e hoje apenas “um cabide de emprego”, que teoricamente esteriliza animais gratuitamente. Seria interessante comparar a estatística de castrações de quando a Sepda foi implantada e agora. Afinal somos nós que pagamos os salários.
      3.Não alimentar animais abandonados resolve o problema? Não. pelo contrario piora pois seres famintos e desnutridos são mais propensos a doença! São justamente os protetores que castram, alimentam, vacinam e doam estes animais do seu próprio bolso, diminuindo seu numero nas ruas e tornando-os mais saudáveis, fazendo um trabalho que deveria ser da Secretaria de Saúde!
      4.Dentre as doenças citadas pelo Dr Eugenio existente em animais de rua, a AIDS felina pode ser controlada. Minha gata no 1 era aidética e morreu de velhice ao 18 anos com comprovação veterinaria
      5.Falando de AIDS felino pq ser tão rigido com os gatos quando existem colonias de humanos usuários de crack com todo os tipos de doenças infectocontagiosas, incluindo a AIDS, e estas sim transmissíveis a humanos; também pisamos com nossos chinelinhos em excrementos destes pobres seres humanos
      6.Há muito mais a ser dito porem, por brevidade, prefiro não me alongar
      Preci Haydée Grohmann
      7.Médica (Imunologia/Clinica Medica) com cursos de pós graduação na Universidade de Toronto e Londres e PROTETORA com muito orgulho

        • Sra Perci,
          Eu não falei que tenho conhecimento abrangente sobre animais de rua. Só quis alertar sobre um aspecto que as pessoas ignoram.
          Em relação aos questionamentos posso te responder o seguinte:
          1- Existem animais de rua porque a muitas pessoas são egoístas e ignorantes. Muitas pessoas preferem se livrar de um animal quando ele não corresponde às suas expectativas ou quando fica doente. Maus tratos e abandono são considerados crime, mas com raras exceções, é difícil ver alguém punido por esse motivo.
          2- Concordo que deveriam existir mais órgãos públicos para controle da saúde dos animais para a população carente e para os animais de rua. Concordo também sobre o seu comentário sobre a SEPDA, onde um cão foi nomeado assessor. Acredito que o ex-vereador Claudio Cavalcanti iniciou o projeto com boas intenções, mas depois o negócio se perdeu. O próprio Instituto Municipal da Mangueira ficou refém da dita secretaria e as coisas acabaram não funcionando.
          Em relação ao custo da castração numa clínica, posso afirmar que a profissão que exige anos de investimento e estudo, e que o trabalho é a fonte de renda para o veterinário como para qualquer trabalhador. Além disso, uma clínica tem custos de materiais, de funcionários, uniformes, encargos trabalhistas, sindicatos, impostos, taxa sanitária, taxa de incêndio, taxa de coleta de lixo hospitalar, contador, luz, água, telefone, material de limpeza, manutenção de materiais e equipamentos, Conselho Regional, seguro, empresa de segurança, e por aí vai….. Escolher veterinária não significa fazer voto de pobreza e cada um tem o seu custo. Todo veterinário adora animais mas precisa pagar as suas contas. Muitos fazem caridade e ajudam, mas lamentavelmente isso não é o suficiente para algumas pessoas.
          3- Concordo também que as autoridades públicas deveriam assumir a sua responsabilidade seja fazendo companhas educacionais, investindo em campanhas de castração e cuidando de animais da população carente.
          4- Eu não disse que todos os animais positivos morrem. Uma parcela da população pode ser naturalmente resistente e apenas transmitir a doença, o que é pior ainda. Mesma coisa serve para FeLV e PIF.
          O seu conhecimento em imunologia pode ajudar a entender isso.
          5- Pisar em excrementos humanos também é algo que não se recomende. Desde que Pasteur relacionou a existência dos microorganismos específicos para cada doença é que foram estabelecidos os cuidados epidemiológicos e medidas profiláticas, que fizeram com que a expectativa de vida subisse de cerca de 45 anos no final do século XIX para 78 anos nos dias de hoje. A comparação portanto não tem fundamento.
          6- Não faço questão de mostrar títulos e também prefiro dar o assunto por encerrado para não ser mal interpretado.
          Acredito no crescimento do ser humano através do debate e da razão. Todos aprendem quando podem se manifestar e são ouvidos.
          Quando me manifestei, acreditei que poderia acrescentar alguma coisa, mas isso deixa de fazer sentido diante de certas interpretações.
          Seja feliz e continue ajudando os animais.
          Peço desculpas a todos, particularmente à Dra Lilian por eu ter desviardo o foco do assunto. Ela por sinal que demonstrou ser uma pessoa de grande valor somente com um comentário a respeito dessa discussão.
          Um sorriso e um abraço.

          • Sr Eugenio
            Em primeiro lugar varios sorrisos e abraços para você tambem. Nossas vidas são muito diferentes e discussões como estas são salutares pois são levantados diferentes pontos de vistas. Porém comentarios desabonadores contra protetores machucam muito. Somos chamados de sujos; ignorantes; causadores de doença; pessoas que não tem o que fazer; se mulheres, são mal amadas etc..Por isto a necessidade de mostrar a existência de titulação.
            Nossos gastos com ração, castração, vacina, etc são exorbitantes. Temos que abrir mão de empregadas, roupas, viagens e muitas outras coisas. Tudo isto não apenas para os animais mas tambem para seres humanos pois animais abandonados sem acompanhamento podem trazer maleficios. Eu particularmente sou uma pessoa de sorte porque conto com ajuda de alguns veterinarios, maravilhosos, que me cobram um minimo e tambem de outras pessoas que dão apoio moral.
            Não há necessidade de desculpas, provavelmente você não tinha atentado para algumas facetas do problema. Em relação ao cão nomeado “assessor” é obvio que foi uma brincadeira mal interpretada, infelizmente

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