Brinquedos novos

Um dos problemas mais persistentes de quem convive com tecnologia é o que, em linguagem chique, chama-se “obsolescência planejada”, e, na vida real, corresponde a comprar um aparelho zerinho para descobrir, logo depois, que em três meses um modelo novo chega ao mercado. Muita gente fica paralisada diante dessa perspectiva e nem embarca nas novas ondas. Todos nós temos amigos traumatizados que ainda usam um celular arcaico ou que ainda não entraram para o mundo dos tablets porque esperam a versão definitiva de produtos eternamente mutantes. Outros mal podem esperar pelos upgrades, porque não conseguem viver sem a última palavra em gadgets.  O meio termo entre esses dois pontos existenciais nem sempre é fácil de achar.

Convivi muito bem com um iPad original até o começo da semana, quando meu filho veio dos Estados Unidos e me trouxe um novo iPad. A troca só aconteceu agora porque não vi diferenças suficientes entre o modelo original e o iPad 2 para fazer a troca; estava contente com a velocidade e com a tela do meu véinho, e não achava a câmera motivo suficiente para fazer despesa tão alta novamente, já que carrego sempre meus celulares comigo e sempre tenho, portanto, duas câmeras ao alcance da mão. O que me fez mudar de idéia e trocar o primeiro iPad pelo terceiro da série foi a tela Retina, que me ganhou no ato.

Esta, curiosamente, não é uma diferença que se note de imediato. Para perceber que alguma coisa de fato mudou é preciso ver uma tela antiga ao lado de uma nova. Aí fica claro – muito claro – que estamos diante de dois animais distintos. A tela do iPad original é uma excelente tela; a do novo iPad nem parece tela. Para alguém como eu, cuja principal atividade no tablet é ler revistas e emails, a vantagem da troca fica evidente: no iPad 3 nâo se vêem mais os pixels. A imagem parece impressa em papel. Esta é a principal diferença do novíssimo modelo para os anteriores. Pessoas que lêem muito no iPad e que o utilizam para editar fotos são, portanto, as que mais se beneficiam com o upgrade.

Se você tem um iPad 2 e está se perguntando se vale ou não a pena fazer a troca, considere, basicamente, para que usa o seu aparelho. Se é para conferir a caixa postal, surfar na web e jogar joguinhos ocasionais, espere até o próximo lançamento. Se você tem um iPad original e dinheiro sobrando, trocar pode ser uma boa: entre o 2 e o 3, os novos modelos acumularam suficientes aperfeiçoamentos para justificar o investimento.

o O o

Como todo mundo e mais algumas pessoas, eu também estou viciada no Draw Something, novo joguinho sensação para smartphones e tablets iOS e Android, com versões também para o Facebook e para o Kindle Fire da Amazon. Lançado em fevereiro deste ano, ele teve uma carreira meteórica: logo alcançou mais de 50 milhões de usuários, tornou-se um dos aplicativos mais baixados da Appstore e, finalmente, foi abocanhado pela gigante Zynga por US$ 180 milhões.

O segredo do sucesso é a diversão garantida. Funciona assim: ao começar a jogar, você é solicitado a abrir um novo jogo, para o qual pode convidar um amigo ou pegar ao acaso um dos jogadores online. Terá então a opção de escolher, entre três palavras, aquela que pretende ilustrar; uma vez pronto, seu desenho será enviado ao outro usuário, que deverá, por sua vez, adivinhar o que aquilo significa. Mas não valem quaisquer palavras: quem recebe o desenho tem que responder ao desafio usando um grupo de letras e de espaços em branco. Depois, os papéis são invertidos, e quem recebeu o primeiro desenho terá que mostrar as suas habilidades com pincéis e tintas. Respostas certas rendem moedinhas para os dois jogadores, que poderão fazer compras com elas, adicionando mais cores à paleta ou armazenando bombas para trocar palavras ou eliminar letras. O objetivo é acertar o maior número de vezes possível.

Há quem desenhe maravilhosamente bem online, e é uma surpresa agradabilíssima encontrar um desses artistas; outras pessoas mal e mal dão conta do recado, mas também é divertido jogar com a turma ruim de traço, já que o desafio aumenta muito.

Para a Zynga, o game é uma mina de ouro. Ele pode ser baixado em versão grátis (com anúncios) ou paga (US$ 1), mas mesmo quem não se incomoda com os anúncios da versão paga acaba sucumbindo à tentação das compras. É que as moedinhas recebidas pelas respostas certas acumulam-se muito devagar, e elas são essenciais para obter mais cores e bombas. Por algo entre US$ 1,99 e US$ 24,99 pode-se cortar caminho e ir direto ao assunto, comprando grupos substanciais de moedas. Ou seja: a Zynga fez um grande negócio.

(O Globo, Economia, 28.4.2012)

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21 respostas em “Brinquedos novos

  1. Você é uma das melhores no Draw Something, Corinha! E, sim, também estou viciado nesse jogo, deito às 3h e fico jogando até 4h30, é uma praga!

  2. Pintura de vasta influência naif-minimalista, retratando paisagem arcádica e bucólica com o uso de grafismo chapado, no uso das cores primárias, contrastando com elementos figurativos lineares na figura humana, em traços quase ideográficos.

    No canto inferior direito, a natureza animal ictiográfica nos oferece um contraponto formal, destacada em vermelho, como uma reflexão avant la lettre do sentimento nostálgico perdido.

    Destacamos também a sutil composição da obra, com uma expressiva diagonal, do canto superior esquerdo para o canto inferior direito, traçando uma telúrica linha ‘Flora-Ser Humano-Fauna’. O Homem é o fulcro desta linha. Mas, com seus artefatos da tecnologia (caniço, linha e anzol), provoca um significativo desequilíbrio ponderal acima do traçado, deslocando as forças para o canto superior direito, para o qual aponta o triângulo implícito. O ‘caniço-tecnológico’ também impõe uma segunda diagonal, à direita, criando um definitivo ‘X’, em traço negro, em contraponto; quase como vetando a Natureza.

    Resultando na ‘Natureza Ferida’, da Fauna em Vermelho…

    x-x-x-x-x-x

    Era isso q vc “You Are Drawing“?
    Se não era exatamente isso, posso elaborar ainda mais, numa análise pós-moderna… 😀

  3. cruz credo, coitado do cú!
    (ainda mais que os barões assinalados andam caçando elefoas no caminho da trapobana, eu hein, me deixe criatura, me poupe que tô veia, oxi, oxi, oxi)

  4. Todo macaco, ao se deparar com algo que não entende (ou aprova) coloca o “documento na mesa”, para tentar recuperar o domínio do território.
    Duvideodó que se consiga ter, aqui, um debate sobre o assunto do post. Criatividade alheia irrita muito.
    Sem mais…

  5. PFN (tradução livre de BTW), pardon my French, mas a macacada neste blogue está condenando a língua portuguesa a uma obsolescência do c****o. P**a m***a, tá f**a aguentar essa v*****m monkey see monkey do. P***a, enfiaram as armas e os barões assinalados no c*.

  6. Gostei muito do Draw Something.
    O Sketch Club, com um software sofisticado que registra o ato de desenhar, nâo é um jogo, mas sim um site em que as pessoas interagem, postando seus desenhos e comentando. Também uso, de quando em vez.
    Como diversão, e não local para exibir performance, o Draw Something é uma novidade. Diferente do Doodley e do iWallFlower, também competitivos, onde há um “status” pela “qualidade” do croquis.
    Nisto, justamente, reside a diferença e a novidade do Draw Something: um bom jogador tem que se expressar rápido e com poucos traços. Deve ser chatíssimo jogar com quem se exibe.
    E, adorei saber que milhôes desenham, viciadamente, pelo mundo, Cora.
    Mas, acho muito dificil que “pegue” no Brasil. Brasileiro prefere foto. Não tem o hábito cultural de se expressar de dentro para fora, a partir do nada, do branco. Prefere partir da realidade externa, de criar a partir do já existente, imprimindo sua marca pessoal. Coisa de extrovertidos.
    E, há que saber muito bem bem o inglês.
    BTW, a pescaria está linda. Sua?

  7. Joguei algumas vezes logo parei, prefiro o sketch.

    Cora, queria saber o fazer se tiver um produto parado na alfândega, como saber q esta lá e qual o critério eles usam pra revistar os produtos?? – se vc souber…

    Já teve algum dos seus produtos parado lá??

    Tks

    • Willy: toda e qualquer mercadoria importada (não importa o valor) está sujeita a Taxas de Importação no valor de 60% do preço+frete

      Apenas LIVROS estão isentos.

      Mas como a fiscalização dos Correios é por amostragem, algumas vezes temos a sorte de receber o pacote em casa. Ou então, recebemos o Aviso de Chegada de Mercadoria, indicando qual agência dos Correios onde pegar e quanto pagar.

        • Sim 60%. Lembrando ainda que, se vc pagou com seu Cartão de Crédito, também ali lhe será cobrado 6,38% do IOF de ‘Custo Transações no Exterior’

          ué? não conhece a insaciável voragem tributária tupiniqum?

          só para lembrar um outro exemplo: para vc usar a Internet, o governo – sem fazer nada – embolsa mais da metade da mensalidade. E a operadora — que montou o serviço, distribuiu os cabos e é a responsável pela assistência aos usuários — fica com o resto, para cobrir seus custos e ainda ter algum lucro

          Dê uma olhada nas alíquotas de sua conta…

          • Conheço sim, mas tinha esperança que fosse menos, pq uma lente q comprei do photojojo.com não parou lá, mas dessa vez comprei algo que a embalagem vai ser maior (um fone Bluetooth)

            Medo mode on

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