Uma das músicas mais lindas

(Façam de conta que a tradução em inglês não existe, para não se irritarem…)

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39 respostas em “Uma das músicas mais lindas

  1. Lilly,que prazer e´vc compartilharisso conosco!Muito obrigada.
    Gente,como e´o nome daquele amigo da gente q tb trabalhou em rádio e sabia um monte de histórias tb?Seu nome nao me quer vir nem a pau.Milton? 😦

  2. Muito obrigada pelo post e por tantos comentários tão belos. É como se eu estivesse ouvindo Cajuína pela primeira vez, mas com um encantamento ainda maior. Beijos a todos!

  3. Linda a música.
    A música brasileira sempre foi pródiga em beleza, o que tem me levado a perguntar: como pôde o nível das músicas populares brasileiras decair tanto em tão pouco tempo? Não me conformo com isso. E nem é a escolaridade dos músicos – quantos anos de escola teve o Cartola por exemplo? E quantas obras primas não produziu?
    Vou repetir: não me conformo.

    Lilly vou confessar que fiquei morrendo de inveja dos seus conhecimentos. Adoro saber as histórias por trás das músicas.

    • eu tenho uma teoria para isso:

      Quando havia a mentalidade social de ‘elevação cultural’, pessoas das mais diversas extrações sociais, mesmo com escolaridade mínima, criaram sofisticadíssimas músicas e letras da mais pura e elevada poesia. Assim, sargentos, mecânicos, alfaiates e tantos outros, de modestas famílias e ofícios, produziram obras-primas da Música Brasileira. Gênios, poetas e músicos de altíssima categoria, que reverenciamos com admiração

      Mas, a partir do equivocado momento em que qualquer arroto, paupérrimo e imbecilóide, passou a ser considerado ‘manifestação cultural’, o resultado é o que ouvimos hoje por aí…

      Perdemos todos, com isso

      😦

      • já que falamos de Caetano, eis as suas modestas origens:
        Caetano Veloso nasceu em 7 de agosto de 1942 em Santo Amaro, Bahia, como o quinto dos oito filhos de José Teles Velloso, Seu Zezinho, funcionário público dos Correios falecido em 13 de dezembro de 1983 aos 82 anos, e Claudionor Viana Teles Velloso, Dona Canô, nascida em 16 de setembro de 1907. Casaram-se em 7 de janeiro de 1931.

        Como os citados acima, são — para mim — verdadeiros e admiráveis ‘aristocratas’ culturais

        • Se não me engano, cerca de setenta e cinco por cento da população brasileira é analfabeta funcional, muito mal assina o nome ou lê e não entende nem consegue explicar o que lê, mas passam de ano, repetentes não existem mais, professores são mal pagos e não-valorizados, a classe media não valoriza o estudo como adquirente de conhecimento e muito menos o conhecimento como facilitador da vida, a escola é deposito de crianças enquanto pais trabalham para ter dinheiro para comprar carros, coisas e viajar para parques e compras, afinal, quem gosta de velharia é museu e quem gosta de museu é otário, a escola que dê educação domestica, saber básico e não seja muito muito cara,
          só que o habito de ler, assim como religião, educação, cozinhar, lavar, passar, apreciar musica, arrumar casa, admirar um pintor, se vestir adequadamente a pompa e circunstância do lugar onde se vai, devem ser aprendidas em casa, ou melhor, deviam, hoje não mais, há um limbo onde toda uma geração se encontra, enfim, outro dia ouvi de uma adolescente aqui no prédio vinda da
          Holanda que lá uma visita tinha que ser retribuída, aí eu falei: aqui também e ela: nunca ouvi falar isso, Tia, ôxente! E saiu faceira para ouvir alto seu pagode rastaqüera no play, achando que só lá uma visita pedia outra. Nem viagem educa mais,
          Ô desilusão…

          • Matilda,

            No meu tempo de ginásio e colegial (como eram chamados os cursos), os professores davam aula em um período e ganhavam salário de dois períodos, pois esse segundo era para preparar a aula que seria ministrada. Estudei em colégio estadual de Sampa. Lembro-me que já no colegial, minha professora de filosofia disse que demorava muito mais para preparar a aula de 50 minutos, do que, propriamente para dar a aula em classe, também de 50 minutos. Nessa época tínhamos provas mensais e, vez ou outra, de improviso, que valiam nota. Tínhamos exames no meio do ano (apenas escritos) e no fim do ano os exames eram escritos e orais. Em cada banca havia três professores para nos examinar. Se algum professor fizer isso hoje em dia, vai apanhar na ruas, pois em classes, já estão apanhando. E faz tempo…
            Se o Brasil não melhorar o ensino a partir de crianças de tenra idade, este país poderá até ficar rico com pré-sal e outras coisinhas mais, porém, com ajuda de tecnologia de fora porque, daqui, sairão pouquíssimos heróis capazes de façanhas. É uma pena. Que tristeza!…

    • Pois é, Valéria. Você sabia que Chico César, o tal das “Casas Bahia”, nasceu em Catolé do Rocha, na Paraíba, e veio pra São Paulo, tão logo se formou em jornalismo? Ele trabalhava durante toda a madrugada na Editora Abril, como revisor. Era um rapaz franzino, humilde e tinha até medo de falar, porém inteligentíssimo. Ele se apresentou (penso que mais de uma vez) no programa que eu produzia na Rádio USP, sobre música popular brasileira, de raiz. Eu ia buscá-lo na esquina da casa em que morava (parece-me que ele alugava um quarto na casa), ia comigo e voltava comigo pra casa dele. Na época – década de 1980 – cantava músicas nordestinas e se acompanhava ao violão. De repente, não soube mais dele. Sem que eu esperasse, ele aparece naquele clipe com a multidão nas ruas cantando a tal música da loja. Pelo que vi na TV, na ocasião, parece-me que ficou bem de vida. Hoje ele é secretário da Cultura do Governo da Paraíba. Que mundo pequeno e estranho, não é?

    • sem nenhum preconceito, mas eu acho que o tipo de coisa que a regina casé faz também contribui para isso.

      []’s

    • Isto quer dizer que versão tem perdão?
      Se um americano leu Cajuína em português e escreveu na língua nativa dele, traduziu mal, né, CASS? 🙂
      Em todo caso, agradeço a boa ação de lembrar a diferença entre tradução e versão.

      • Uma opinião de “anarfabeto” funcional. Nem versão e, acredito, nem tradução. Apenas legendada em inglês. Pelo nada que sei de ingrêis, na legenda, tem pouca coisa do que “dono” da palavra “tropicália” canta.

  4. ultimamente tenho ouvido de Caetano ‘tudo dói’ e ‘cara do mundo’, tenho ouvido, muito mesmo, todo o cd novo de Gal, amando as letras; mas agora tenho dentista, vou fazer canal, ou melhor, com essa tosse de cachorro e gripe, volto logo, não vai dar para fazer nada, tenho certeza, e posto a letra aqui, não é a toa que a mãe dele vive 104 anos, ela se reinventa e ele puxou isso dela, as letras estão lindas…

    • Cara do Mundo

      Cara do mundo, cara de peixe-boi
      Cara de tudo, cara do que já foi
      Pássaro azul, deserto-jardim, presunto
      Músculo nu num filme ruim, soluço
      Cara de cobra, cara de beija-flor
      Cara de cara, cara do meu amor

      Cara do mundo, vim te reconhecer
      Cara de muito, dor de tanto prazer
      Abro meus olhos, abro meus braços, longe
      Fecho meu punho, fecho meu coração
      Cara de tempo, cara de escuridão
      Asa do vento, olho de sol, clarão

      Cara do mundo, máscara de carvão
      Máscara clara, rosto de multidão
      Gozo em te ver tão cara a cara assim
      Posso meter máscara clara em mim
      Cara do mundo, hálito de maçã
      Cor de abacate, amargor de alumã

      Tudo Dói

      Tudo dói
      Tudo dói
      Tudo dói

      Viver é um desastre que sucede a alguns
      Nada temos sobre os não nenhuns
      Que nunca viriam

      As cascas das árvores crescem no escuro
      As cascatas a 24 fotogramas por segundo
      Os vocábulos iridescem
      Os hipotálamos minguam
      Tudo é singular

      Dói

      Tudo dói

      – achei lindas…

  5. Dia o Guia dos Curiosos:
    “Cajuína – Caetano Veloso
    Em 10 de novembro de 1972, o poeta, ator e jornalista Torquato Neto trancou-se no banheiro de sua casa e cometeu suicídio. Logo após o ocorrido, o amigo e parceiro Caetano Veloso fez uma visita de condolências ao pai do rapaz, ocasião em que conversaram e tomaram juntos cajuína (uma bebida nordestina feita com caju). O encontro inspirou essa canção.”

      • Pois é, Tom. Sempre gosto de conhecer os bastidores do que ocorre em músicas e quetais. Não sei se você conhece, mas a música Eu Só Quero Um Xodó, do Dominguinhos e Anastácia, foi feita “de primeira”, quando eles viviam juntos na rua Amaral Gurgel, em Sampa. Ele estava na sala com a sanfona. Ela, na cozinha, fritando peixe. E deu no que deu. Sucesso até hoje que, na época, o Gilberto Gil gravou no lado B do disco. Vá entender, não é mesmo? Aliás, fui uma das primeiras a ouvir a música do Geraldo Vandré (Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores), composta em sua maior parte num sítio em Itu. E presumi o que podia acontecer, claro. Meu amigo psiquiatra, falecido precocemente (48 anos!) foi o autor de uma das frases. Até hoje é um hino. Como gosto de música brasileira de vários “naipes”, conheço muitos meandros das mesmas. É uma delícia. (Faz uns 15 minutos, lembrei-me de você: estou “enchendo a cara” de sorvete da Kibon, o Pavê de Chocolate – delicioso! Se não experimentou ainda, não deixe de adquiri-lo. Abraços.)

        • Super interessante essa de saber os bastidores das melodias… gostaria de saber mais de mais cancões, se é possível. Como fazer Lilly???

          • Pois é, Ines, trabalhei muitos e muitos anos em meios de comunicação – TVs, rádios e agências de publicidade. Uma das coisas que me entristecem é como há pessoas que não dão valor aos que outros fazem. Cito um exemplo: a dupla de irmãos Chitãozinho e Xororó, colocaram esse nome na dupla por causa da música do mesmo nome, só que o original é Chororó – assim com CH (esses são nomes de dois pássaros). Essa música é de autoria de Athos Campos e de Serrinha. Athos morreu não faz muitos anos, mas levou uma mágoa para o túmulo: jamais os irmãos disseram a origem do nome. Estive com Athos algumas vezes em Mairiporã, local em que ele morou por muito tempo. Durante muitos anos estive bem perto de artistas e compositores, por isso, conheço muitas histórias.
            Conheço um pouco a obra de Ramos Tinhorão (aliás, tive aulas com ele na USP), mas não sei até onde ele conhece os bastidores das músicas e compositores. Talvez seja uma fonte para você.
            Abraços.

  6. Amei os instrumentos. Maravilhosos. As palavras combinadas são bonitas, mas só comovem acompanhadas das notas músicais. Isso se chama arranjo musical?

    Cajuína é linda mesmo. Também adoro, mas não dá pra traduzir som, rima, ritmo e poesia usando a técnica do ‘the book is on the table’!

  7. – ah!, querida Cora, sei lá porque, tenho lembrado muito de você ultimamente, tipo Cora anda quieta, ou aquietada, não sei, sei que lembro…

  8. “Existirmos: a que será que se destina?
    Pois quando tu me deste a rosa pequenina
    Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
    Do menino infeliz não se nos ilumina
    Tampouco turva-se a lágrima nordestina
    Apenas a matéria vida era tão fina
    E éramos olharmo-nos intacta retina
    A cajuína cristalina em Teresina”

    – uma letra tão fina, bonita como a matéria vida, afinal mesmo, existirmos: a que será que se destina? um momento eternizado em palavras tão certeiras, ele brinca com as palavras,parecem que brotam da cabeça dele, assim, sem esforço, bonitas e encaixadas, cristalinas, puras…

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