Um dia na vida

Foi preciso que a revista Seleções me pedisse uma descrição das minha vida online para que eu me desse conta da quantidade de informações que garimpo na rede. O resultado não chegou a ser propriamente uma surpresa, porque passo boa parte do meu tempo conectada, mas a fronteira entre trabalho e lazer é muito tênue quando a gente faz o que gosta; para mim, é difícil apontar o que leio por prazer, e o que leio por dever de ofício. Foi mais ou menos isso que respondi para a revista:

A primeira coisa que faço ao acordar, antes mesmo de levantar da cama, é esticar a mão para a mesinha de cabeceira e pegar o iPad. Dou uma olhada nos comentários do blog, no Twitter e, eventualmente, no Instagram. Mas não posso dizer que seja por uma espécie incontrolável de angústia da informação. Na verdade, faço isso para poder ficar mais um tempinho na cama, sem dor na consciência. Num dia normal, depois dessa primeira olhada no iPad, tomo pé do mundo à moda antiga, lendo O Globo enquanto tomo café. A internet me dá acesso a outros jornais que, antigamente, eu lia com dias de atraso, particularmente o The New York Times e o Guardian.

O iPad me trouxe a libertação física da escrivaninha. Até comprá-lo, há coisa de um ano, eu ficava em dia com o mundo sentada ao desktop – horas e horas na mesma posição. Com o tablet, ganhei mobilidade, e transferi boa parte das leituras para o sofá, para a mesa da sala e até para o Palaphita, simpático quiosque que fica em frente à minha casa e tem uma vista maravilhosa para a Lagoa. Não há nada melhor do que se atualizar ao ar livre.

Por outro lado, se eu já tinha problemas com a mailbox, a crise se instalou de forma irreversível na minha vida pT (pós Tablet). Antes, eu lia os emails no computador e respondia na hora, na medida do possível. Hoje leio os emails no iPad – e respondo quando me lembro de lê-los novamente no PC, vale dizer, quase nunca. Detesto escrever em tablets! Por outro lado, gosto muito de ler revistas no iPad, especialmente as noticiosas, como The Economist ou Time, e as de lazer, como Condé Nast Traveller ou National Geographic Traveller. Adoro revistas de viagem, que me fazem sonhar com destinos exóticos, e me levam a revisitar lugares que já conheço. Curiosamente, prefiro a Naional Geographic em papel. Fiz uma assinatura anual da edição interativa para iPad e estou feliz que acabou: vou voltar a comprar a famosa revista amarela nas bancas.

As minhas informações sobre o mundo da tecnologia vêm de meia dúzia de blogs e sites especializados: Gizmodo, Mashable, GSM Arena, DP Review, Tech Crunch, Life Hacker e toda a multidão de links que encontro nos meus passeios virtuais.

Vivo ainda com dois celulares com linhas de diferentes operadoras, o Samsung Galaxy II, que é o meu aparelho básico, e o iPhone 4, o reserva, que uso basicamente para ver o que acontece nas minhas mailboxes e no Instagram. À noite, antes de ir dormir, reservo uma ou duas horas para uma tecnologia antiga chamada livro. Ainda não encontrei Kindle ou tablet que substituam as boas e velhas folhas de papel…

 

(O Globo, Economia, 2.12.2011)

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35 respostas em “Um dia na vida

  1. Ontem, na Warner, estava passando “The Big Bang Theory”, quando alguém menciona o Kindle do Sheldon. O tradutor, super antenado, mandou “os gatinhos do Sheldon”. Pode? Caí na risada, até porque me dei conta de que as duas acepções do termo são bem próximas à Cora….

  2. A minha Seleções acabou de chegar, vou lá conferir, rs.

    Toda vez que recebo a revista sou assaltada por saudades do meu pai, que a assinou a vida inteira, na verdade ele colecionava – em determinada época cismou de encadernar a coleção e deu um trabalhão pra todo mundo achar os números faltantes (principalmente os das décadas de 50/60).

  3. Paixão é assim mesmo : a gente quer pegar, cheirar, tatear, sentir a capa no deslize da palma da mão, ir desvendando mistérios a cada virada “digital” de página…

    Ler um livro “ortodoxo” é um prazer que envolve sensações das quais alguns não conseguem abrir mão ; é um pouco o sentir-se Anne Bancroft ou Anthony Hopkins em suas personagens do lindo filme “84 Charing Cross Road”.
    Os outros mencionados entendo e concordo serem indispensáveis (embora eu ainda não tenha iPad ainda ,mas pretenda arrumar um), pelos motivos que você já mencionou : cada qual em seu momento e local mais apropriados , pra que a gente não se sinta –bem comparando– “nua na rua”, rs…

    Graças a “tudo isso” , quando você viaja a gente te sente por perto, mas não será “por isso” que deixarei de dizer , em uníssono com o pessoal, “Bem vinda, Cora !…”

    • Ficou soando como um mantra, rsrsrs, “ainda não tenha iPad ainda”,rsrsrs
      Relevem/suprimam o segundo , por favor,e desculpem o pecado do excesso…

  4. Bem-vinda ao Brasil novamente!
    Nao tô ai´,mas me sinto como se tivesse.Amiga querida,um abraco apertado pra vc!

  5. Adorei a viagem, mas, também sentia saudades de suas crônicas.
    Saiu matéria na seleções? De que mês? Se bem que a crõnica por si só já é esclarecedora.
    Também prefiro livros de papel.

  6. Eu tenho PC e estava acostumada ao Photoshop e a ficar sentada horas, lutando com o Windows, para editar razoavelmente uma imagem. Então, sem quer levantar muitas polemicas, e avisando, para quem não sabe, que os aplicativos do IPad são cheios de bugs, nada se compara à rapidez, criatividade e quantidade de opções -inclusive gratuitas- que encontrei no IPad, para edição.
    Completando o que disse a Cora: nada igual a um desenho no papel. A tecnologia está aquem do lapis comum. Ainda. Mas, é um caminho muito rico- e de ricos. As técnicas tradicionais exigiam talento. As tecnicas digitais exigem talento e dinheiro.
    Raramente levo o celular comigo, ele nem é SmartPhone e detestaria ficar plugada o tempo todo. No entanto, gosto muito do Kindle.

  7. ” À noite, antes de ir dormir, reservo uma ou duas horas para uma tecnologia antiga chamada livro.” (Cora)

    Eu também!

    Ainda não achei nada que me faça substituir o livro: tem tato, cheiro, e peso.

  8. Olá Cora,
    Como companheiro de viagem, pude perceber de perto sua felicidade escondida em um sorriso maroto ao poder se conectar ao mundo. Nada melhor que achar um lugar oculto na distante Ásia que oferecesse um acesso Wi-fi. Se eu já ficava feliz, imagino vc com a responsabilidade de manter informados todos os leitores.
    Assim como vc, adoro manter essa conexão entre a leitura no bom papel e nos dispositivos. Claro que cada vez mais a facilidade de tudo a mão e sem peso extra tem pesado a favor da mídia eletrônica.
    Ainda sobre a nossa viagem um fato interessante. Ao ingressar no Tibet, já sabia que o excelente guia da Lonely Plantet era algo proibido e confiscado, como de fato foi tomado de uma amiga. Nada como ter ele escondido no Kindle for Iphone e poder ter todas as informações a mão. Ponto para a tecnologia.
    Grande abraço,
    Júlio
    P.S.: Hoje mesmo fiquei feliz ao ouvir de um amigo que ele passou a ler diariamente o seu Blog após ter lido o meu comentário no FB sobre o relato que vc estava fazendo sobre a viagem.

  9. Cora querida, wellcome back 🙂
    desculpa o OT. e agora que vi que tá ruim de ler email, posso falar aqui? é uma coisinha só. O link do sosgatinhos no seu blog dá erro. tem um /sosgatinhos.htm a mais. o link é só
    sosgatinhos.com.br
    beijo, desculpa o mau jeito

  10. cora, no seu facebook tem uma publicação sua (vídeo), com a seguinte chamada:

    “I dare you to watch more than 25 seconds from this video!”

    como achei que não tem nada a ver com você, estou avisando aqui. ou será que você tomou algum chá muito diferente na viagem? ;¬)

    []’s

      • Obrigada, Nelson! Tem toda a cara de vírus. Estava no ar como publicação de um amigo, tentei abrir no celular, não consegui… e me esqueci do assunto, até ver na minha página como publicação minha! Mais suspeito, impossível.

  11. Eu tenho um Kindle da terceira geração , grafite, e um IPad. Uso o IPad para ter acesso rápido a Internet. Durmo com ele na minha mesinha de cabeceira, exatamente para isso.
    Aunado acordo , de manha cedinho, pago ele e vejo o que esta acontecendo com o mundo. O mesmo faço se estou com insônia.

    Para ler livros uso meu Kindle, pois eh levíssimo o seu typo e visor , Bb m mais confortáveis para meus olhos.adoro ler livros com o Kindle , e SÓ Leio eles com meu xkindle. Só tem uma exceção…. De noite o Kindle tem de ser iluminado e a luzes no meu quarto,incomodam DonaBotia, minha Botia Macracanta de 16aninhos…..
    Por isso, de noite, uso o IPad para ler os livros da Aamzon

    • marcia, você já tentou uma capa com uma luminariazinha? a que eu uso (não é a original da amazon, é da m-edge) ilumina muito bem, e não incomoda minha mulher. bem, não entendo de peixes…

      []’s

      • Nelson essa eu nao conheço. Comprei varias da Amazon e elas nao iluminam nada!!! Por isso passei a usar o IPAd de noite, embora ele seja muiiiiiiiiito mais pesado que o Kindle, Vou dar uma olhada. Brigadao pela dica.

        O problema de minha peixa idosa eh que se ela ve uma fonte de luz forte , ela eh capaz de ficar olhando por baixo da toalha com que cubro o aquario para ver o que estou fazendo,,,,, Para tirar essa ania dela so com psicanalise de peixes,,,,,,,,,,!!!

  12. estou com a gisela, o kindle me conquistou totalmente, inclusive me fez voltar a ler como antigamente. quanto ao tablet, prefiro a maior portabilidade do galaxy de 7″ (aliás, um pouco influenciado por você). bem-vinda (tem hífen? e hífen, tem acento?)

    []’s

  13. Bem vinda ao lar!
    Discordo de você só em relação ao kindle. Ele se tornou meu amigo fiel e hoje mal consigo viver sem. Como o meu caiu e quebrou estou esperando ir aos USA daqui uns dias e comprei um livro (de papel), achei estranho. Gosto de poder colocar a letra num tamanho que não preciso dos óculos, gosto da leveza, gosto de tudo.
    Tentei ler num tablet e não me senti tão à vontade. Agora vou experimentar o Kindle fire, quem sabe.
    Adorei sua viagem. Muito obrigada por me proporcionar momentos tão deliciosos.
    Beijos

    • Gisela , também sou fã dos Kindle, pelo mesmo motivo que voce. Pensei em comprar o Fire, mas li que ele NAO funciona fora dos EUA. Parece que a Cloud nao funciona , por isso eles estão restringindo a venda só aos EUA.
      Cheque antes de comprar….eu continuo com o meu grafite de teclado. Prefiro ele ao de tela Touch.

      • Marcia, eu vou comprar o de teclado novamente. Não me adapto ao touch screen. Isso é o que torna minha vida com os tablets um pouco infernal. Li hoje que o Fire está tendo muitas criticas lá nos USA. Talvez eu opte por um Galaxy ou talvez nem compre.

  14. Não tenho nem digo ‘tablet’: falo tablete, eme-tê-vê, sublinhado, e hei de matar quem falar underline ou, pior, underscore, diante de meus cornos. Bichos em extinção são assim mesmo. Já o NG deste mês faz uma apologia dos espigões urbanos pra velhinha de Taubaté nenhuma botar defeito, mas que eu levaria uma assinatura pruma ilha deserta, levava sim senhora. Escrevo tudo isso sentado diante de meu zumirde escrivaninho de topo.

  15. Olá sou nova no seu blog, mas antiga admiradora de sua escrita e de sua coluna.
    Amei participar de sua viagem ao sudeste asiático.
    Bjos,Cydia

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