Conversa de telefone

A carta do Bruno Coletta Forner que publiquei semana passada, sobre dúvidas em relação a um sucessor para seu Nokia N95, deu o que falar.  Papo de smartphone rende muito, especialmente entre pessoas que estão em vias de mudança ou que acabam de mudar para o novo paradigma, leia-se qualquer coisa parecida com um iPhone: monobloco, touch-screen, poucos botões…

 Alguns comentários foram muito pertinentes; Carlos Emerson Junior, por exemplo, relatou a sua experiência com um Nokia E5 que vale a pena ser lida por quem ainda não se decidiu em relação ao seu próximo aparelho. O E5 é um aparelho de preço médio (cerca de R$ 500 no site da Nokia, mas mais barato nas ofertas das operadoras), com um tecladinho QWERTY logo abaixo da tela, como um Blackberry. Fala, Carlos:

“Nem o mais ferrenho fã do Steve Jobs tem como negar: o Android é um sucesso absoluto! O meu problema é que, infelizmente, não consigo me adaptar aos tecladinhos virtuais (aliás, não conheço o Swype) e não gosto do tamanho dos mais recentes aparelhos, alguns com telas com mais de 4 polegadas.

Não sou um saudosista, longe disso, mas comprei um Nokia E5 e tive uma agradável surpresa: dentro daquele corpinho, com um teclado físico QWERTY com cedilha e acentos, roda um Symbian S60 3rd, o mesmo do Nokia N95 8GB. Aliás, é uma sensação de dejá vu danada, está tudo lá, no mesmo lugar, só que funcionando mais rápido e melhor, como o GPS que acha os satélites de primeira, a mesma câmera de 5MP com um baita flash e por aí vai.

 O bichinho é pequeno, fino, muito leve, a tela é reduzida, mas, no geral, cumpre bem suas funções, como costumavam fazer todos os velhos e bons Nokias. Eu sei, o Symbian foi condenado à morte e a Nokia perdeu o rumo com a associação com a Microsoft, mas, por enquanto, dá para ter um smartphone simples, barato, bom de bateria e conexões, cabendo no bolso da camisa com total discrição.

Os estilistas não falam que cada pessoa tem o seu clássico? Então, está na hora de colocar os smartphones nessa afirmação!”

Esse comentário toca num ponto importante: a lealdade do público da Nokia. É incrível como a finlandesa conquistou corações e mentes, e, igualmente incrível, como se perdeu nos últimos tempos. A sociedade com a Microsoft, queimadíssima no mercado, não foi uma boa idéia em termos de imagem; resta ver se terá sido uma boa jogada em termos de reconquista de espaço. Isso, porém, só o futuro e os novos celulares dirão.

Vejam o que escreveu o Carlos Ribeiro:

“Sempre fui um Nokia viciado, mas depois da Nokia ter tomados caminhos estranhos, e por gostar do Google, optei pelo Android, primeiro com um Milestone e depois com um Galaxy S. Os dois são excelentes, mas confesso que ainda sinto saudades dos Nokia. ”

A mesma sensação é descrita pelo Renato Jungbluth:

“Compartilho você e o autor da carta a experiência com a Nokia. Hoje não posso negar a gradiosidade de um novo mundo cheio de possibilidades com o sistema Android. E em relação aos aparelhos, em se tratando de detalhes, não posso deixar de comentar que, ergonomicamente e em termos de design, o Sony Xperia Arc é imbatível. Ele é lindo e tem uma curvatura muito interessante, além de contar com os sistemas de tratamento de imagem da Sony e também possuir conexão HDMI.”

Caudio Rúbio, finalmente, lembra uma questão à qual nenhum de nós prestou atenção, mas que é certamente importantíssima:

“Para alguém que enxerga pouco, como eu, todos os smartphones são castigos. Não dá pra ter prazer com celulares tão cheios de recursos que só atendem aos que têm visão perfeita ou com leves defeitinhos.”

Tem toda a razão. Está mais do que em tempo de a indústria pensar um pouco menos em pirotecnia e um pouco mais em inclusão.

(O Globo, Economia, 1.10.2011)

8 respostas em “Conversa de telefone

  1. Como tantos outros nestas terras tupiniquins a experiência com os Nokia é a mais próxima que tínhamos com os chamados smartphone. A OVI tinha (e ainda tem) inúmeros aplicativos (úteis e não) que ainda hoje ajudam a tornar o meu X-6, um celular para o gasto.
    Por experiência própria, acho o iPhone a melhor solução. Experimentei até agora o Samsung Galaxy e o Milestone, ambos surpeendem (comparados ao meu velho companheiro), mas nada como comparado à experiência com o iPhone.
    Apesar de usar um smartphone mais como um tablet do que como um celular, o iPhone é estável, requer pouca ou nenhuma manutenção (experimentei em média 20 apps em todos os três), além de ser inigualável no quesito ergonomia.
    Contudo, todavia, entretanto, celular é que nem casamento. A gente acaba se apegando aos detalhes… (sou bem casado…)

  2. Uai, olha eu na crônica! 🙂 Grato, Cora e realmente é incrível como uma empresa tão querida como a Nokia se meteu numa embrulhada dessas. Mesmo que a associação com a Microsoft resulte em bons produtos, já perderam tempo e mercado, ítens preciosos nesse setor. Uma pena mesmo.

  3. esta postagem me fez relembrar um amor recem abandonado, a nokia. Meu ultimo aparelho nokia foi um fantastico e72, que perdi, e soh por isso não estou escrevendo dele agora. Bom, resumindo a historia, estou escrevendo de um BB bold 9700, pq não entendi a decisao da nokia de se associar a microsoft. Pra falar a verdade, esse BlackBerry nem se compara com o meu antigo NOkia e72, perde em TODOS os quesitos, mas me recusei a comprar o nokia e5, quando soube da microsoft e da descontinuacao do symbian.

  4. Troquei meu n78 por um Galaxy S2 e a única coisa que o N78 é melhor é a duração da bateria, pois a tela do Galaxy consome muita!! Eu tinha muita resistência em sair da Nokia, que realmente faz celulares muito bons, mas como ela matou o Symbiam, eu me vi obrigado a ir pro Android ou pra Apple… Minha esposa comprou o Galaxy S2 e eu comecei a mexer nele, fiquei curioso e busquei mais informações sobre ele na internet… aliás recomendo o site gsmarena.com pra quem quem pretende trocar de celular e quer comparar funcionalidades de modelos, tem até o finado startac da motorola lá!!

    Acabei comprando um pra mim também.. não me arrependo, pra quem gosta de funcionalidades, o Galaxy e os Apps do Android tem muitas opções…. Tem até um aplicativo do meu banco que lê código de barras das contas através da câmera, o que me dispensa de digitar no teclado do computador aquela sequência interminável ou ter que me deslocar até um caixa eletrônico.. Só me pergunto quando irão desenvolver baterias que duram mais em escala industrial.. a tecnologia já deve existir, mas em geral só temos acesso a baterias que não duram nada!! Abçs.

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